Em Minas Gerais, Maria Custódia das Dores Reis concluiu, aos 72 anos, sua graduação em Administração — uma jornada iniciada por uma frase de televisão ouvida décadas antes e sustentada por 80 quilômetros diários de estrada e nenhuma ausência em sala de aula. Sua história não é apenas a de um sonho realizado tarde, mas a de um lembrete silencioso de que o desejo de aprender não tem prazo de validade. Em tempos que frequentemente confundem juventude com capacidade, Maria oferece uma outra medida: a da persistência.
Aposentada de MG se forma aos 72 anos inspirada por bordão de Ana Maria Braga
Quando dá um estalo assim, você acorda e percebe que pode correr atrás
O que a fez realmente acreditar que era possível, aos 72 anos, fazer uma faculdade inteira?
Acho que foi aquele "Acorda, menina!" de Ana Maria Braga. Parece coisa pequena, mas foi como se alguém tivesse gritado para mim acordar. Eu estava ali, dentro de casa, e de repente percebi que podia fazer diferente.
E os 80 quilômetros por dia? Como você mantinha isso sem desistir?
A gente quer muito, a gente faz. Minha família me apoiava, meus colegas me viam chegando todo dia. Isso tudo junto te dá força. Quando você vê que está inspirando outras pessoas, fica mais fácil continuar.
Você acha que teria feito isso se não tivesse começado com o supletivo primeiro?
Talvez não. O supletivo foi importante porque mostrou que eu era capaz. Depois que terminei o ensino médio, a faculdade não parecia tão impossível assim.
E o TCC sobre sua própria vida — como foi reviver tudo isso para escrever?
Foi difícil, mas necessário. Quando você coloca no papel a perda do seu marido, a criação dos filhos, tudo que você superou, você vê que nada disso foi capaz de te derrotar. A educação foi o que faltava.
Você acha que sua história muda algo para as pessoas que a conhecem?
Espero que sim. Se uma mulher de 72 anos consegue fazer isso, por que alguém mais jovem não conseguiria? A idade não é desculpa. O cansaço não é desculpa. Você quer, você faz.
O Pulso
- Uma aposentada de 72 anos cruzou Minas Gerais todos os dias durante quatro anos para não perder uma única aula — e não perdeu.
- O que poderia parecer um sacrifício extenuante era, para Maria, a realização de um desejo represado por décadas de criação de filhos e obrigações domésticas.
- Sua presença constante na turma chegou a impedir que uma colega desistisse do curso, transformando sua trajetória pessoal em força coletiva.
- No TCC, Maria transformou perdas, recomeços e perseverança em trabalho acadêmico aprovado — sua própria vida como objeto de estudo.
- Na formatura, ela confessou que sinceramente não acreditava que conseguiria — e foi exatamente isso que tornou o diploma ainda mais significativo.
Em Minas Gerais, Maria Custódia das Dores Reis concluiu, aos 72 anos, sua graduação em Administração — uma jornada iniciada por uma frase de televisão ouvida décadas antes e sustentada por 80 quilômetros diários de estrada e nenhuma ausência em sala de aula. Sua história não é apenas a de um sonho realizado tarde, mas a de um lembrete silencioso de que o desejo de aprender não tem prazo de validade. Em tempos que frequentemente confundem juventude com capacidade, Maria oferece uma outra medida: a da persistência.
Maria Custódia das Dores Reis tinha 72 anos quando recebeu seu diploma em Administração pelo Instituto Federal do Sul de Minas. Para chegar até ali, ela percorreu 80 quilômetros por dia entre Alpinópolis e Passos durante quatro anos — sem faltar uma única vez.
Tudo começou com uma frase de televisão. Enquanto amamentava a filha Raíssa e assistia ao Mais Você, Maria ouviu o bordão de Ana Maria Braga — 'Acorda, menina!' — e sentiu que aquelas palavras eram para ela. Algo se moveu. Ela se matriculou em um supletivo, terminou o ensino médio e, quando a filha ingressou na mesma instituição federal, decidiu se matricular também.
A família reconhecia o esforço e o apoiava. A irmã Ana Maria sabia que o trajeto era cansativo, mas entendia que o desejo de Maria era genuíno. A filha Raíssa lembrava que a mãe sempre havia buscado os estudos — apenas havia adiado esse sonho.
Dentro da sala de aula, Maria inspirava quem estava ao seu redor. A colega Ana Lúcia chegou a cogitar desistir do curso, mas observar a dedicação de Maria — sempre presente, sempre atenta, fazendo o Enem anualmente para se autoavaliar — a fez mudar de ideia. O professor Gustavo Valadares dizia que entrava para ensinar e saía aprendendo.
Para o Trabalho de Conclusão de Curso, Maria escolheu sua própria trajetória como tema: a infância rural, a mudança para a cidade, a criação dos filhos, a morte do marido. Tudo que poderia ter apagado o desejo de estudar — e não conseguiu. O trabalho foi aprovado. Na formatura, emocionada, ela admitiu que sinceramente não imaginava que chegaria até ali. Mas chegou.
Aos 72 anos, Maria Custódia das Dores Reis atravessava 80 quilômetros por dia entre Alpinópolis e Passos, em Minas Gerais, para chegar à sala de aula. Durante quatro anos, ela não faltou uma única aula. Quando finalmente se formou em Administração pelo Instituto Federal do Sul de Minas, sua trajetória não era apenas a de uma aposentada que realizava um sonho antigo — era a história de alguém que havia ouvido um recado que mudou sua vida inteira.
Tudo começou em um momento ordinário, anos antes. Maria amamentava a filha Raíssa enquanto assistia ao Mais Você, o programa de Ana Maria Braga. Quando ouviu o bordão clássico "Acorda, menina!", sentiu como se aquelas palavras fossem direcionadas especificamente para ela. Naquele instante, algo se moveu. A rotina doméstica, a sensação de estar presa dentro de casa — tudo isso ganhou um contorno diferente. Ela começou a questionar por que não corria atrás daquilo que tanto desejava. Havia um supletivo disponível em sua cidade. Ela se matriculou, terminou o ensino médio e, de lá em diante, como ela mesma diz, foi um pulo.
A família foi fundamental para que ela não desistisse. A filha Raissa lembra que a decisão da mãe não foi uma surpresa — Maria sempre havia buscado os estudos, apenas havia adiado esse sonho durante a criação dos filhos. Quando Raissa começou a estudar na mesma instituição, Maria decidiu se matricular também. A irmã Ana Maria de Souza reconhecia que, embora o trajeto fosse cansativo, o desejo de Maria era genuíno e merecia apoio. A família se sentia orgulhosa.
Mas Maria não apenas perseguia seu próprio objetivo. Sua dedicação inabalável inspirava quem estava ao seu lado. A colega de turma Ana Lúcia de Oliveira chegou a considerar desistir do curso, mas observar Maria — frequente, atenta, sempre disposta a aprender, fazendo o Enem todo ano para se autoavaliar — a fez mudar de ideia. Para Ana Lúcia, a presença de Maria era um exemplo de compromisso que transcendia a sala de aula.
Quando chegou a hora do Trabalho de Conclusão de Curso, Maria escolheu um tema que só poderia ser um: sua própria vida. Na apresentação, ela relembrou a infância na zona rural, a mudança para a cidade, a criação dos filhos, a morte do marido — todas as experiências que poderiam ter apagado o desejo de estudar, mas não conseguiram. O trabalho foi aprovado. O professor Gustavo Clemente Valadares observou que Maria era um exemplo de dedicação e esforço, alguém que nunca desistiu, nunca faltou, nunca reclamou. Ele entrava para ensinar e saía aprendendo.
No dia da formatura, Maria estava emocionada. Seu coração batia forte. Ela não imaginava que conseguiria. Sinceramente, não imaginava. Mas ali estava ela, aos 72 anos, com um diploma em Administração e uma história que prova que o momento certo para aprender é sempre agora.
Citações Notáveis
A primeira inspiração veio dela. Quando dá um estalo assim, você acorda. Se eu quero tanto isso, por que não correr atrás?— Maria Custódia das Dores Reis
Dona Maria é um exemplo de dedicação e esforço. Nunca desistiu, nunca faltou uma aula, nunca reclamou de nada.— Professor Gustavo Clemente Valadares