Apenas 10% das seguradoras escala IA com sucesso e cresce até 21%

43% dos colaboradores teme impactos na segurança do emprego; 47% relata que trabalho permanece praticamente inalterado após mais de um ano de utilização de ferramentas de IA.
Os pioneiros investem quatro vezes mais em mudança do que a média
O que distingue as 10% de seguradoras bem-sucedidas não é apenas tecnologia, mas integração estratégica em toda a organização.
Mark

O que torna estas 10% de seguradoras tão diferentes das outras? É apenas uma questão de terem mais dinheiro para investir?

Mimi

Não é só dinheiro. O relatório mostra que os pioneiros investem quase quatro vezes mais em gestão da mudança e implementam IA explicável com muito mais frequência. Mas o ponto crucial é que distribuem responsabilidades de IA por toda a organização, não as confinam a uma equipa isolada.

Luke

Mas espera — o relatório diz que 72% do investimento vai para tecnologia e apenas 28% para formação. Se os pioneiros investem mais em mudança, isso significa que estão a fazer algo diferente com a mesma proporção de recursos, ou estão realmente a gastar mais em formação?

Mimi

Boa pergunta. O relatório não especifica exatamente como os pioneiros distribuem o seu investimento. Apenas diz que têm quatro vezes mais probabilidade de investir em gestão da mudança. Pode ser que estejam a fazer mais com menos, ou que estejam realmente a quebrar essa proporção 72-28.

Mark

E quanto aos resultados? 21% de crescimento de receita é muito, mas em quanto tempo? E essa valorização bolsista de 51% — é correlação ou causalidade?

Luke

Exatamente. O relatório diz que foi ao longo de três anos, mas não especifica se esse crescimento é atribuível apenas à IA ou se é resultado de múltiplos fatores. E 51% de valorização bolsista pode estar relacionado com muitas coisas além da IA.

Mimi

É verdade. Mas o padrão é claro: as empresas que conseguem escalar IA estrategicamente estão a crescer significativamente mais do que as outras. O setor está claramente a dividir-se.

Mark

A parte que me preocupa é que 47% dos utilizadores diz que o trabalho permanece inalterado após um ano. Como é que a IA está a gerar crescimento se as pessoas não sentem mudança?

Luke

Isso sugere que a IA está a ser usada de formas que não afetam diretamente o trabalho do dia a dia — talvez em análise de dados de fundo, em decisões de negócio de nível superior, em otimização de processos que não são visíveis para o utilizador final.

Mimi

Ou sugere que a maioria das implementações não está a funcionar bem. Se 60% das empresas está em fase experimental sem resultados tangíveis, é possível que muitos colaboradores estejam a usar ferramentas que ainda não foram adequadamente integradas nos seus fluxos de trabalho.

Mark

E a questão do emprego? 43% teme impactos na segurança do emprego. Isso é uma preocupação legítima ou é apenas ansiedade?

Luke

Ambas as coisas. A preocupação é legítima porque a IA pode automatizar certas tarefas. Mas o relatório não fornece dados sobre quantos postos de trabalho foram realmente perdidos ou criados. É uma perceção, não uma medição.

Mimi

E é uma perceção que importa. Se quase metade dos colaboradores está preocupada, isso pode afetar a adoção, a moral, e a capacidade das empresas de reter talento — que já é escasso, segundo o relatório.

  • Apenas 10% das seguradoras consegue escalar IA com sucesso
  • Pioneiras registam crescimento de receita até 21% e valorização bolsista de 51% em três anos
  • 60% das seguradoras permanece em fase experimental sem resultados tangíveis
  • 42% não monitora desempenho de IA; 55% desconhece ROI; 67% sofre escassez de competências
  • 72% do investimento em IA vai para tecnologia, apenas 28% para formação e transformação

Pioneiras em IA registam crescimento de receitas até 21% e valorização bolsista de 51% em três anos, criando divisão clara no setor. Maioria das seguradoras enfrenta desafios críticos: 42% não monitora desempenho de IA, 55% desconhece ROI, e 67% sofre com escassez de competências.

Relatório Capgemini revela que apenas 10% das seguradoras conseguem escalar IA com sucesso, registando crescimento até 21%, enquanto 60% permanece em fase experimental sem resultados tangíveis.

O setor de seguros de danos e acidentes está a viver um momento de bifurcação. Um pequeno grupo de empresas — apenas 10% — conseguiu transformar a inteligência artificial numa vantagem competitiva real, registando crescimentos de receita até 21% e valorizações bolsistas de cerca de 51% ao longo de três anos. O resto do setor fica para trás, preso numa fase experimental sem resultados tangíveis que justifiquem o investimento.

Este é o retrato que emerge do World Property & Casualty Insurance Report 2026, produzido pelo Capgemini Research Institute, baseado em inquéritos a mais de 2.200 participantes — executivos, colaboradores e clientes de seguradoras espalhadas por várias regiões do mundo. O que distingue os pioneiros não é apenas a tecnologia que adotam, mas a forma como a integram. Estas organizações investem quase quatro vezes mais em gestão da mudança do que a média do setor, implementam sistemas de IA explicável com três vezes mais frequência, e distribuem responsabilidades relacionadas com IA por toda a estrutura organizacional, criando uma cultura de responsabilização e autonomia.

Mas a maioria das seguradoras ainda não conseguiu sair do ponto de partida. Cerca de 60% permanece em fase de experimentação ou prova de conceito, muitas vezes sem conseguir demonstrar resultados concretos. Um dos obstáculos mais imediatos é a falta de visibilidade: 42% das empresas não monitora sequer o desempenho das suas iniciativas de IA, tornando impossível avaliar se estão a funcionar. Mais de metade — 55% — admite não ter uma visão clara do retorno sobre investimento, nem uma definição precisa de quem é responsável por quê dentro da organização. Quando ninguém sabe exatamente o que está a acontecer ou quem responde pelos resultados, os projetos tendem a ficar confinados a pequenas equipas, sem impacto transversal no negócio.

A escassez de competências agrava o quadro. Dois terços das seguradoras — 67% — apontam a falta de talento como um desafio crítico. Mas há um desequilíbrio ainda mais profundo na forma como o dinheiro é gasto: 72% do investimento em IA vai para tecnologia e infraestruturas, enquanto apenas 28% é dedicado a formação e transformação organizacional. Este desproporção limita o impacto real das iniciativas e impede que sejam escaladas de forma eficaz.

O efeito prático no dia a dia dos colaboradores é revelador. Quase metade dos utilizadores de ferramentas de IA — 47% — relata que o seu trabalho permanece praticamente inalterado após mais de um ano de utilização. Ao mesmo tempo, 43% dos colaboradores teme impactos na segurança do emprego, uma preocupação que não é infundada quando se considera que quase metade do tempo de trabalho é dedicado à colaboração entre equipas, mas as ferramentas de IA continuam focadas em tarefas individuais.

O relatório também identifica um problema estrutural: apenas 12% das empresas apresenta elevados níveis de maturidade de dados, o que significa que muitas organizações estão a tentar construir sistemas de IA sobre fundações frágeis. Kartik Ramakrishnan, CEO da unidade de serviços financeiros da Capgemini, descreve o momento como decisivo. A integração estratégica da IA pode transformá-la numa verdadeira vantagem competitiva, mas isso exige mais do que comprar tecnologia. Exige redesenhar modelos operacionais, integrar IA nos processos diários de decisão, reforçar a qualidade dos dados, e criar organizações onde humanos e agentes de IA trabalham de forma complementar. O setor está num ponto de inflexão: os que conseguem fazer isto bem vão criar distância significativa dos concorrentes. Os que não conseguem vão ficar cada vez mais para trás.

O setor segurador enfrenta um momento decisivo no que diz respeito à inteligência artificial, e a sua integração estratégica pode transformar a IA numa verdadeira vantagem competitiva.
— Kartik Ramakrishnan, CEO da unidade de serviços financeiros da Capgemini
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