Aos 79 anos, Elton John esquece aposentadoria e arrebata Rock in Rio com baladas imbatíveis

Aos 79 anos, ele segue entoando 'I'm still standing'
Elton John mantém-se ativo e demonstra que ainda consegue sustentar as exigências vocais de seu repertório clássico.
Mark

Por que esse show importa tanto? Elton John já se despediu do mundo.

Mimi

Porque o Brasil tinha sido deixado de fora. Ele fez trezentos e trinta shows na turnê de despedida, mas não veio aqui. Os fãs sentiram isso como um abandono.

Luke

Mas ele estava tecnicamente aposentado. Isso não é contraditório?

Mimi

Sim, mas aposentadoria para Elton significa algo mais flexível. Ele ainda aceita shows pontuais. Este foi um deles.

Mark

E como estava a voz dele aos 79 anos?

Mimi

Mais encorpada do que em outras vindas. O intervalo maior entre apresentações devolveu o fôlego. Ele mesmo disse que não tinha muita voz sobrando, mas conseguiu cantar.

Luke

Conseguiu ou apenas aparentou conseguir? Duas horas e quinze minutos é bastante para alguém nessa idade.

Mimi

Verdade. Mas a execução foi melhor do que em outras apresentações. A sequência de "Crocodile Rock", "Saturday Night's Alright for Fighting" e "I'm Still Standing" mostrou que ele ainda tem ritmo.

Mark

O que mais chamou atenção?

Mimi

As baladas. "Goodbye Yellow Brick Road" e "I Guess That's Why They Call It the Blues" carregam o peso de um período extraordinário da carreira dele.

Luke

Mas há um problema que não pode ser ignorado: os telões não mostravam o cantor em várias músicas. Para cem mil pessoas, isso é uma perda.

Mark

Então o show foi bom apesar dos problemas técnicos?

Mimi

Exatamente. O setlist estava bem montado, a execução melhor, mas a produção visual deixou a desejar.

  • A ausência do Brasil na turnê de despedida de Elton John deixou uma ferida nos fãs brasileiros que só o retorno ao palco poderia cicatrizar.
  • Aos 79 anos e tecnicamente aposentado, ele chegou ao Rock in Rio vestindo amarelo fluorescente e carregando 24 músicas em 2h15min — um desafio vocal real que ele enfrentou com voz mais encorpada do que em visitas anteriores.
  • A revelação de que 'Skyline Pigeon' é popular quase exclusivamente no Brasil, por ter sido trilha da novela 'Carinhoso' em 1973, transformou um momento do show em algo íntimo e inesperado.
  • Os telões exibindo projeções aleatórias e cenas do musical 'Rocketman' — enquanto o cantor sequer aparecia na tela em algumas músicas — frustraram parte da experiência para um público de quase cem mil pessoas.
  • Ao encerrar com 'Your Song' admitindo que não tinha muita voz sobrando, Elton deixou claro que a aposentadoria é flexível, mas os limites do corpo não são — e que cada apresentação agora carrega um peso diferente.

Aos 79 anos, Elton John retornou ao Brasil depois de onze anos de ausência para se apresentar no Rock in Rio 2026, tornando-se o headliner mais velho da história do festival. O show foi, em parte, uma reparação simbólica: o país havia sido deixado de fora da turnê de despedida que encerrou mais de cinco décadas de carreira ativa. Naquela noite, diante de quase cem mil pessoas, o tempo pareceu menos uma ameaça do que uma testemunha — e a voz resistiu.

Elton John pisou no palco do Rock in Rio na noite de 7 de setembro vestindo um paletó amarelo fluorescente, e a declaração era clara: ele havia voltado. Onze anos depois de sua última apresentação no Brasil, e três anos após encerrar oficialmente a carreira com uma turnê de despedida de 330 shows que deixou o país de fora, o cantor de 79 anos se tornou o headliner mais velho da história do festival.

O show durou duas horas e quinze minutos, com 24 músicas. As interações foram econômicas, mas certeiras: ele lembrou que 'Candle in the Wind' marcaria o centenário de Marilyn Monroe, projetou Dua Lipa no telão durante 'Cold Heart' e revelou que 'Skyline Pigeon' — composta em tempo recorde com Bernie Taupin — é popular quase exclusivamente no Brasil, onde serviu de trilha para a novela 'Carinhoso' em 1973.

A vinda ao festival foi, segundo o próprio Elton, uma forma de reparar a ausência anterior. O intervalo maior entre apresentações fez diferença visível: a voz ganhou corpo e sustentação. Mesmo assim, ao encerrar com 'Your Song', ele admitiu com honestidade: 'Não tenho muita voz sobrando, mas vou cantar essa'. A sequência de 'Crocodile Rock', 'Saturday Night's Alright for Fighting' e 'I'm Still Standing' mostrou que ele ainda sustenta os momentos mais agitados do repertório.

Houve um problema que não passou despercebido: os telões exibiam projeções aleatórias — cenas do musical 'Rocketman', uma garota quebrando vidro com skate — e em músicas como 'Tiny Dancer' o cantor sequer aparecia na tela. Para quase cem mil pessoas, foi uma perda real.

As baladas foram imbatíveis. 'Goodbye Yellow Brick Road' e 'I Guess That's Why They Call It the Blues' carregam o peso de uma era extraordinária: entre 1969 e 1976, Elton lançou onze álbuns de estúdio, ajudando a consolidar o piano como instrumento central do rock de arena. Desde 1967, ele e Bernie Taupin trabalham juntos de forma pouco convencional — Taupin entrega os textos prontos, Elton compõe a melodia quase sempre em menos de uma hora, raramente no mesmo lugar que o parceiro.

Aposentado oficialmente, Elton segue aceitando apresentações pontuais. Ele ainda entoa 'I'm still standing' — e a torcida, agora, é para que continue em pé por muito tempo.

Elton John voltou ao Brasil depois de onze anos ausente, e quando pisou no palco do Rock in Rio na noite de segunda-feira, dia 7 de setembro, vestia um terno com paletó amarelo fluorescente e camisa azul-marinho — uma declaração de presença que o festival não podia ignorar. Aos 79 anos, ele se tornou o headliner mais velho da história do evento, um recorde que carrega seu próprio peso. Era sua terceira vez no Rock in Rio e sua oitava apresentação no país, mas desta vez havia algo diferente: a voz parecia mais robusta, o corpo menos gasto pelo tempo.

O show durou duas horas e quinze minutos, com vinte e quatro músicas tocadas em sequência. As interações com o público foram econômicas, mas precisas. Antes de "Candle in the Wind", ele mencionou que aquele seria o centésimo aniversário de Marilyn Monroe. Quando "Cold Heart" chegou, Dua Lipa apareceu no telão. E ao chegar em "Skyline Pigeon", ele revelou um detalhe que só faz sentido para quem conhece a história brasileira: a música foi a mais rápida que ele e Bernie Taupin compuseram juntos, e ela só é popular no Brasil, onde serviu como trilha sonora da novela "Carinhoso" em 1973.

A ausência de Elton John durante sua turnê de despedida, que terminou em 2023 após trezentos e trinta shows, havia deixado os fãs brasileiros com um gosto amargo. O Brasil tinha sido esquecido, e essa ferida precisava cicatrizar. Quando se confirmou que ele viria ao Rock in Rio, a compensação estava selada. Tecnicamente, Elton está aposentado — aquela turnê de despedida foi de verdade. Mas aposentadoria, para ele, significa algo mais flexível: ele ainda aceita apresentações pontuais, como esta no Rio e dois shows marcados para outubro no México. A vinda ao festival foi, segundo suas próprias palavras, uma forma de reparar a ausência anterior.

O intervalo mais longo entre apresentações fez diferença visível. Com mais tempo para descansar, sua voz ganhou corpo e sustentação. Aos 79 anos, carregar um repertório tão exigente vocalmente é um desafio real, e ele mesmo admitiu antes de encerrar com "Your Song": "Não tenho muita voz sobrando, mas vou cantar essa". A sequência de "Crocodile Rock", "Saturday Night's Alright for Fighting" e "I'm Still Standing" mostrou que ele ainda consegue manter o ritmo nos momentos mais agitados. O setlist estava bem construído, a execução melhor do que em outras vindas — mas havia um problema que não podia ser ignorado. Os telões exibiam projeções aleatórias, cenas do musical "Rocketman", uma garota quebrando vidro de carro com skate. Em músicas como "Tiny Dancer" e "Honky Cat", o cantor sequer aparecia na tela. Para um festival com perto de cem mil pessoas, isso era uma perda.

O repertório que Elton percorreu naquela noite representa mais de trezentos milhões de discos vendidos em todo o mundo. As baladas foram imbatíveis: "I Guess That's Why They Call It the Blues" e "Goodbye Yellow Brick Road" carregam o peso de um período extraordinário em sua carreira. Entre 1969 e 1976, ele lançou onze álbuns de estúdio — um ritmo de produção raro demais para popstars de seu calibre. Naqueles anos, ele ajudou a consolidar o piano como instrumento vital do rock de arena e do soul de rádio.

Desde 1967, Elton e Bernie Taupin trabalham juntos, embora de forma pouco convencional. Taupin entrega os textos prontos. Elton lê, escolhe alguns e compõe a melodia e a estrutura musical, quase sempre em menos de uma hora. As melodias grandiosas e as letras melancólicas se encaixam perfeitamente, mesmo que eles raramente estejam no mesmo lugar durante o processo criativo. Sentir ao vivo o peso desses clássicos ganha contornos diferentes quando se sabe que Elton desacelerou o ritmo de sua carreira. Ele segue entoando "I'm still standing", e a torcida agora é para que ele continue em pé por muito tempo ainda.

Este ano seria o centésimo aniversário da Marilyn Monroe e essa música é sobre ela
— Elton John, antes de cantar 'Candle in the Wind'
Essa música foi a mais rápida que escrevi com Bernie. E ela só é popular no Brasil
— Elton John, sobre 'Skyline Pigeon'
Não tenho muita voz sobrando, mas vou cantar essa
— Elton John, antes de encerrar com 'Your Song'
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