Anvisa nega autorização para testes da ButanVac e exige mais de 40 documentos

Mais de 40 requisitos técnicos interrompem o cronograma
A Anvisa pediu documentação detalhada sobre qualidade e protocolo clínico antes de autorizar testes em humanos da ButanVac.
Mark

Por que a Anvisa rejeitou o pedido se o Butantan já estava tão avançado no desenvolvimento?

Mimi

A agência não rejeitou o projeto em si — rejeitou a documentação. Disse que faltavam dados técnicos específicos sobre como a vacina foi testada e por que certos parâmetros não estavam sendo controlados durante a produção.

Luke

Mas precisamos ser claros: a Anvisa não disse que a vacina é insegura ou inviável. Disse que o dossiê estava incompleto. São coisas diferentes.

Mark

Mais de 40 requisitos é muito?

Mimi

Para uma vacina, não é incomum. A agência pediu detalhes sobre testes de qualidade, metodologias, dados de segurança em pessoas que já receberam outras vacinas. Tudo isso precisa estar documentado antes de qualquer teste em humanos.

Luke

O que não sabemos é quanto tempo o Butantan vai levar para responder. Eles disseram que vão colaborar, mas "colaborar" pode significar semanas.

Mark

O Butantan tinha um cronograma bem definido, certo?

Mimi

Tinha. Previa começar a produzir doses em maio e iniciar testes clínicos no início do mês. Agora isso está em risco.

Luke

Embora seja justo dizer que a Anvisa não cancelou nada — apenas pausou até que a documentação chegue. Se o Butantan responder rápido, o cronograma pode ser recuperado.

Mark

Por que isso importa para o Brasil?

Mimi

Porque seria a primeira vacina contra Covid-19 produzida inteiramente no país, sem importar matéria-prima estrangeira. Isso tem peso político e estratégico.

Luke

Mas também é importante notar que essa prioridade não substitui o processo regulatório. A Anvisa está fazendo seu trabalho — exigindo que os dados estejam completos antes de autorizar testes em humanos.

  • Anvisa rejeitou pedido do Butantan por documentação incompleta em 23 de abril de 2021
  • Lista de exigências contém mais de 40 tópicos sobre qualidade do IFA e protocolo clínico
  • Testes clínicos estavam previstos para começar no início de maio
  • ButanVac seria primeira vacina brasileira contra Covid-19 sem importação de matéria-prima estrangeira

Anvisa identificou dados incompletos no pedido do Butantan e enviou lista com mais de 40 requisitos técnicos sobre qualidade e protocolo clínico da vacina. Instituto Butantan confirmou recebimento das exigências e se comprometeu a fornecer respostas para autorizar fases 1 e 2 dos testes clínicos.

A Anvisa negou autorização para testes clínicos em humanos da ButanVac do Instituto Butantan por documentação incompleta, exigindo mais de 40 informações técnicas antes de prosseguir.

Na última sexta-feira de abril, o Instituto Butantan recebeu uma notícia que interrompeu seus planos: a Anvisa havia analisado o pedido para iniciar testes em humanos da ButanVac e o rejeitado. Não havia aprovação. Não havia caminho claro para prosseguir. A agência reguladora identificou que a documentação estava incompleta — faltavam dados técnicos essenciais para que qualquer autorização pudesse ser concedida.

A ButanVac era a aposta do Instituto Butantan para uma vacina contra a Covid-19 desenvolvida inteiramente no Brasil, sem necessidade de importar o ingrediente farmacêutico ativo, o IFA. Isso a tornava simbolicamente importante: seria a primeira vacina produzida no país sem depender de matéria-prima estrangeira. Mas a importância simbólica não substitui a rigor regulatório. A Anvisa enviou ao Butantan uma lista de exigências com mais de 40 tópicos, divididos em dois grupos principais: qualidade do IFA e do medicamento experimental, e protocolo clínico.

Os requisitos eram específicos e técnicos. A agência pediu que o Butantan descrevesse detalhadamente os testes realizados e suas metodologias, para que se pudesse definir o perfil alvo de qualidade da vacina. Além disso, a Anvisa cobrou dados que comprovassem como a quantidade de vírus e os níveis de expressão de antígenos foram avaliados durante a incubação dos ovos — e por que esses parâmetros não estavam sendo incluídos como controles de processo. Quanto ao protocolo clínico, a agência exigiu dados científicos de segurança para a utilização da vacina em participantes que já haviam sido imunizados com uma vacina inativada. A Anvisa também queria esclarecimentos sobre se os testes seriam cegos ou não em cada uma das duas etapas.

O Instituto Butantan confirmou ter recebido as exigências e prometeu manter contato com a Anvisa para viabilizar as respostas necessárias. Em nota, a instituição expressou esperança de que o órgão regulador tivesse "o devido senso de urgência" e aprovasse o quanto antes o início dos testes. Havia pressa real por trás dessa linguagem. Dimas Covas, presidente do Butantan, havia informado à rádio CBN que a instituição previa começar a produzir e envasar doses da ButanVac até o domingo, 2 de maio. Depois disso, o maquinário seria voltado para a produção das primeiras doses que seriam usadas nos testes clínicos da fase 1.

A estimativa era que os testes começassem no início de maio. Mas agora havia um obstáculo regulatório no caminho. Enquanto a Anvisa aguardava os documentos solicitados, o prazo estava interrompido. Não havia clock rodando, não havia data certa para retomada. O cronograma que o Butantan havia traçado — produção acelerada, testes clínicos em maio, vacina disponibilizada rapidamente à população — dependia agora de quão rápido a instituição conseguisse compilar e enviar mais de 40 informações técnicas que a agência reguladora considerava essenciais. Os detalhes do processo de produção possivelmente seriam anunciados em coletiva de imprensa do governo de São Paulo, mas a autorização para testes em humanos ainda estava em suspenso.

O Butantan espera que o órgão regulador tenha o devido senso de urgência e aprove o quanto antes o início dos testes
— Instituto Butantan
O pedido de autorização ainda está incompleto e não atende aos requisitos técnicos para autorizar pesquisas clínicas de vacinas em seres humanos
— Anvisa
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