No coração de uma pandemia que testou os limites da ciência e da solidariedade humana, o Brasil deu um passo próprio: a Anvisa autorizou o Instituto Butantan a iniciar testes clínicos da ButanVac em voluntários humanos. Mais de 93 mil pessoas se inscreveram para participar — um gesto coletivo que revela tanto a urgência do momento quanto a confiança depositada na ciência nacional. O caminho para uma vacina genuinamente brasileira contra a covid-19 está aberto, ainda que cercado de etapas e incertezas.
Anvisa autoriza testes da ButanVac em voluntários humanos
Mais de 93 mil pessoas se inscreveram para participar
Por que o Butantan tinha tanta pressa em começar os testes?
Porque a vacinação estava avançando. Quanto mais pessoas recebiam doses, mais difícil ficava encontrar voluntários que nunca tinham sido vacinados — e esses eram justamente os que os testes iniciais precisavam.
Mas a gente sabe que eles também planejavam testar em pessoas já vacinadas, certo? Então a pressa não era só por falta de voluntários não imunizados.
Verdade. A ideia era que a ButanVac funcionasse como reforço. Mas ainda assim, quanto mais tempo passava, mais competitivo ficava o mercado de voluntários.
E quanto à aprovação da Anvisa? O que faltava?
O Butantan tinha apresentado dados incompletos antes. Dessa vez, trouxe o restante do que a agência pediu, e aí sim conseguiu a liberação.
Mas a gente não sabe exatamente quais dados faltavam, né? O comunicado só diz que "o restante dos dados" foi apresentado.
Exato. A Anvisa não detalhou o que especificamente estava faltando.
E aquele plano de fazer as fases 1, 2 e 3 juntas? Isso foi aprovado?
Não. O Butantan pediu, mas a Anvisa ainda não tinha dado resposta quando essa notícia saiu.
Então a gente está vendo o começo de um processo que ainda tinha várias incertezas pela frente.
Il Polso
- A corrida contra o tempo é real: quanto mais avança a vacinação no país, mais escassos ficam os voluntários não imunizados que os testes iniciais exigem.
- A adesão popular surpreendeu — mais de 93 mil inscritos para apenas 6 mil vagas revelam um desejo coletivo de contribuir com a ciência brasileira.
- O Butantan aposta em duas frentes simultâneas: testar a ButanVac em não vacinados e explorar seu potencial como dose de reforço para quem já recebeu outros imunizantes.
- O instituto pediu à Anvisa autorização para conduzir a terceira fase dos testes em paralelo às duas primeiras, mas a agência ainda não se pronunciou sobre essa aceleração.
- Os ensaios clínicos acontecerão em hospitais da USP em São Paulo e Ribeirão Preto, com doses aplicadas em intervalos de 28 dias, sob rigoroso protocolo ético já aprovado.
No coração de uma pandemia que testou os limites da ciência e da solidariedade humana, o Brasil deu um passo próprio: a Anvisa autorizou o Instituto Butantan a iniciar testes clínicos da ButanVac em voluntários humanos. Mais de 93 mil pessoas se inscreveram para participar — um gesto coletivo que revela tanto a urgência do momento quanto a confiança depositada na ciência nacional. O caminho para uma vacina genuinamente brasileira contra a covid-19 está aberto, ainda que cercado de etapas e incertezas.
Na quarta-feira 7 de julho, a Anvisa autorizou o Instituto Butantan a iniciar os testes clínicos da ButanVac — sua vacina contra a covid-19 — em voluntários humanos. A liberação veio após o laboratório apresentar os últimos dados que faltavam para que a agência pudesse avaliar a segurança do imunizante, meses depois do início de seu desenvolvimento.
O primeiro grupo será de 400 pessoas, mas o plano contempla 6 mil voluntários maiores de 18 anos ao longo das fases 1 e 2 dos ensaios. A resposta da população foi expressiva: mais de 93 mil pessoas se inscreveram, sinalizando interesse genuíno em contribuir com um projeto de ciência nacional. Os selecionados receberão as doses em dois hospitais da USP — em São Paulo e em Ribeirão Preto —, com intervalo de 28 dias entre aplicações.
O Butantan tinha motivos para agir com rapidez. Com o avanço da campanha de vacinação, tornava-se cada vez mais difícil encontrar voluntários ainda não imunizados. Para contornar esse desafio, os testes também incluiriam pessoas já vacinadas com outros imunizantes, já que uma das apostas centrais da ButanVac é seu uso como dose de reforço.
O instituto chegou a propor à Anvisa a realização simultânea da terceira fase com as duas primeiras, o que aceleraria significativamente o cronograma. Essa solicitação, porém, ainda aguardava aprovação. O caminho estava aberto — mas as etapas, ainda por cumprir.
Na quarta-feira 7 de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu sinal verde para que o Instituto Butantan começasse a testar sua vacina contra a covid-19 em pessoas. A ButanVac, como é chamada, havia estado em desenvolvimento há meses, mas só recebeu a liberação depois que o laboratório apresentou os últimos dados que faltavam para que a agência pudesse avaliar a segurança do imunizante.
O primeiro grupo de testes será pequeno: 400 voluntários. Mas o plano é maior. Nas duas primeiras fases dos ensaios clínicos, o Butantan pretende envolver 6 mil pessoas com mais de 18 anos. A resposta do público foi expressiva — mais de 93 mil pessoas se inscreveram para participar dos testes de uma vacina desenvolvida no Brasil, sinal de que havia interesse genuíno em contribuir para o projeto.
Os voluntários que forem selecionados receberão as doses em dois hospitais ligados à Universidade de São Paulo: o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina em São Paulo e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Entre uma dose e outra, o intervalo seria de 28 dias. A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa havia aprovado os testes clínicos em humanos no dia 1º de julho, abrindo o caminho para que a Anvisa pudesse dar seu parecer.
O Butantan tinha razões para se mover rápido. Conforme a campanha de vacinação avançava pelo país, ficava cada vez mais difícil encontrar pessoas que ainda não tivessem recebido nenhuma dose de nenhuma vacina — justamente o tipo de voluntário que os testes iniciais precisavam. Mas havia um plano B: os testes também incluiriam pessoas que já haviam sido vacinadas com outros imunizantes, porque uma das ideias centrais da ButanVac era que ela pudesse servir como dose de reforço, ampliando a proteção de quem já havia recebido outras vacinas.
O instituto havia proposto à Anvisa a possibilidade de realizar a terceira fase dos testes ao mesmo tempo que as duas primeiras, acelerando ainda mais o cronograma. Essa solicitação, porém, ainda não havia sido aprovada pela agência reguladora. O caminho para uma vacina brasileira contra a covid-19 estava aberto, mas ainda havia etapas a cumprir.
Citazioni salienti
O laboratório apresentou o restante dos dados que faltavam, o que permitiu que fosse dada a liberação— Anvisa