Em um momento em que a ciência brasileira busca afirmar sua soberania no campo da saúde global, a Anvisa autorizou o início dos testes clínicos da Vivaxin — a primeira vacina desenvolvida no Brasil contra o Plasmodium vivax, parasita responsável pela maior parte dos casos de malária no país. Desenvolvida pela UFMG em parceria com a USP e o laboratório Cristália, a vacina entrará agora em sua fase 1 com 48 voluntários em Belo Horizonte, dando os primeiros passos concretos rumo a um imunizante que, se aprovado, seria inédito no mundo. Para uma nação onde 99% dos casos de malária se concentram na
Anvisa autoriza testes clínicos da Vivaxin, primeira vacina brasileira contra malária vivax
Primeira vacina brasileira contra o P. vivax pode revolucionar o combate à malária
Por que essa vacina é tão importante se já existem imunizantes contra malária no mercado?
Porque as vacinas que existem hoje — a RTS,S e a R21 — combatem o P. falciparum, que é uma espécie do parasita. A Vivaxin vai atacar o P. vivax, que é outra espécie completamente diferente e é responsável por grande parte dos casos no Brasil.
Mas quantos casos exatamente? O texto diz que a região amazônica tem 99% dos casos autóctones, mas não especifica se a maioria desses é causada pelo P. vivax ou pelo P. falciparum.
Entendi. E esses 48 voluntários — como é que eles foram selecionados? Há algum critério além de nunca ter tido malária?
O protocolo especifica que devem ser pessoas saudáveis entre 18 e 59 anos que nunca tiveram a doença. Mas o texto não detalha como será feita a seleção ou se há outros critérios de exclusão.
Exato. Sabemos o que eles vão fazer — três doses com intervalo de 28 dias, acompanhamento de 360 dias — mas não sabemos se há grupos específicos sendo priorizados ou se é uma seleção aberta.
E quanto ao timeline? Quanto tempo até sabermos se funciona?
A fase 1 vai durar 360 dias de acompanhamento. Mas depois disso vêm as fases 2 e 3, que são muito mais longas. Estamos falando de vários anos antes de uma decisão final.
E o texto não diz nada sobre cronograma para as próximas fases ou quanto tempo a Anvisa levou para aprovar isso. Sabemos que foi publicado no DOU na quinta-feira passada, mas não sabemos há quanto tempo estava em análise.
Il Polso
- A malária ainda mata mais de 600 mil pessoas por ano no mundo, e nenhuma vacina existente protege contra o P. vivax — o parasita dominante no Brasil.
- A autorização da Anvisa rompe uma barreira simbólica: pela primeira vez, um imunizante inteiramente brasileiro contra a doença chega à fase de testes em humanos.
- Quarenta e oito voluntários saudáveis receberão três doses da vacina ou placebo ao longo de um ano, enquanto pesquisadores monitoram segurança, reações e resposta imunológica.
- Três dosagens diferentes serão testadas simultaneamente para identificar o perfil mais seguro e eficaz antes de avançar para as próximas fases clínicas.
- Se a Vivaxin superar as etapas seguintes, pode se tornar a primeira vacina do mundo contra o P. vivax — e uma ferramenta decisiva para eliminar a malária da Amazônia e da América Latina.
Em um momento em que a ciência brasileira busca afirmar sua soberania no campo da saúde global, a Anvisa autorizou o início dos testes clínicos da Vivaxin — a primeira vacina desenvolvida no Brasil contra o Plasmodium vivax, parasita responsável pela maior parte dos casos de malária no país. Desenvolvida pela UFMG em parceria com a USP e o laboratório Cristália, a vacina entrará agora em sua fase 1 com 48 voluntários em Belo Horizonte, dando os primeiros passos concretos rumo a um imunizante que, se aprovado, seria inédito no mundo. Para uma nação onde 99% dos casos de malária se concentram na Amazônia, este avanço carrega o peso de uma promessa histórica.
A Anvisa autorizou, na última quinta-feira, o início dos testes clínicos em humanos da Vivaxin, vacina brasileira contra a malária vivax. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e representa um marco para a ciência nacional no enfrentamento de uma doença que, segundo a OMS, causou 282 milhões de casos e 610 mil mortes em 2024.
Desenvolvida pelo Centro de Tecnologia em Vacinas da UFMG, em parceria com a USP e o laboratório Cristália, a Vivaxin mira o Plasmodium vivax — espécie de parasita predominante no Brasil e ignorada pelas duas únicas vacinas recomendadas pela OMS, ambas voltadas ao P. falciparum. Uma aprovação futura tornaria a Vivaxin o primeiro imunizante do mundo com proteção específica contra o P. vivax.
A fase 1 será conduzida no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, com 48 voluntários saudáveis entre 18 e 59 anos sem histórico de malária. O protocolo prevê três doses — de vacina ou placebo — com intervalos de 28 dias, e acompanhamento clínico por 360 dias. Três dosagens distintas serão avaliadas para determinar o melhor equilíbrio entre segurança e resposta imunológica.
O coordenador Ricardo Gazzinelli destacou que, se eficácia e segurança forem comprovadas, a Vivaxin pode se tornar uma ferramenta essencial para eliminar a malária do Brasil e contribuir para seu controle em toda a América Latina — região onde a Amazônia concentra mais de 99% dos casos brasileiros, distribuídos por nove estados endêmicos.
A Anvisa aprovou na última quinta-feira o início dos testes clínicos em humanos da Vivaxin, uma vacina desenvolvida inteiramente no Brasil contra a malária vivax. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União e marca um passo significativo para o país no combate a uma doença que mata centenas de milhares de pessoas anualmente em todo o mundo.
A Vivaxin foi desenvolvida pelo Centro de Tecnologia em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com a Universidade de São Paulo e o laboratório Cristália. Seu alvo é o parasita Plasmodium vivax, um dos principais responsáveis pelos casos de malária no Brasil. Até agora, a Organização Mundial da Saúde recomenda apenas dois imunizantes contra a doença — a RTS,S/AS01 e a R21/Matrix-M — mas ambos combatem uma espécie diferente do parasita, o P. falciparum. Se a Vivaxin for aprovada nas fases subsequentes, ela se tornará o primeiro imunizante no mundo a oferecer proteção especificamente contra o P. vivax.
Os testes de fase 1 serão conduzidos no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, com 48 voluntários saudáveis entre 18 e 59 anos que nunca tiveram malária. O protocolo prevê a administração de três doses da vacina ou placebo, com intervalo de 28 dias entre elas. Cada participante será acompanhado por 360 dias, durante os quais serão realizadas avaliações clínicas e monitoramento contínuo. Serão testadas três dosagens diferentes para determinar qual oferece o melhor perfil de segurança e resposta imunológica.
Esta primeira fase tem objetivos bem definidos: avaliar a segurança do imunizante, documentar as reações à aplicação e medir a capacidade da vacina de estimular uma resposta imunológica adequada no organismo. Os dados coletados nesta etapa orientarão as próximas fases de testes, que serão necessárias para confirmar se a vacina de fato protege contra a infecção.
Ricardo Gazzinelli, coordenador do Centro de Tecnologia em Vacinas, afirmou que caso a segurança e eficácia sejam comprovadas, a Vivaxin pode se tornar uma ferramenta extremamente importante para eliminar a malária do território brasileiro e contribuir para sua eliminação em toda a América Latina. A malária é transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles e causa febre, calafrios e dor de cabeça. Segundo a OMS, em 2024 foram estimados 282 milhões de casos da doença e 610 mil óbitos em 80 países.
No Brasil, a situação é particularmente concentrada na região amazônica, que registra mais de 99% dos casos autóctones de malária. A doença é endêmica em nove estados: Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Uma vacina eficaz contra o P. vivax representaria um avanço significativo no controle da doença nessas áreas, onde o parasita é responsável por uma proporção substancial dos casos.
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Essa vacina pode ter um papel extremamente importante para eliminar a malária do nosso território e, com isso, também contribuir com a eliminação da malária na América Latina.— Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas da UFMG