Anvisa autoriza testes clínicos da Butanvac em humanos; Butantan tem 6 milhões de doses prontas

Nenhuma vacina Covid no mundo é produzida em ovo
A tecnologia inovadora da Butanvac aproveita infraestrutura já existente no Brasil para produção de vacinas.
Mark

Por que essa aprovação importa agora, em junho de 2021? Não temos vacinas suficientes já?

Mimi

Temos contratos para 660 milhões de doses, mas a entrega é lenta e irregular. A Butanvac oferece algo diferente: produção nacional, sem depender de importações ou de acordos internacionais que podem atrasar.

Luke

Mas é importante notar que isso ainda são testes iniciais. Fases 1 e 2 testam segurança e resposta imune, não eficácia real contra a doença. Pode levar meses ou anos até saber se funciona de verdade.

Mark

Como essa tecnologia de ovo é diferente das outras vacinas?

Mimi

A maioria das vacinas Covid usa biorreatores ou células de mamífero. A Butanvac usa ovos de galinha, como a vacina da gripe. O Brasil já tem fábricas inteiras preparadas para isso.

Luke

Sim, mas nenhuma vacina Covid no mundo usa essa tecnologia ainda. É inovadora, mas também significa que há menos dados globais sobre como funciona em larga escala.

Mark

E se der certo? Qual é o plano?

Mimi

Se as fases 1 e 2 mostrarem segurança e resposta imune adequada, a vacina pode entrar no Plano Nacional de Imunização. O Butantan já tem 6 milhões de doses prontas e pode produzir 40 milhões até novembro.

Luke

Importante: isso depende de aprovação para as fases posteriores, que ainda não aconteceu. E a produção em larga escala de uma vacina nova sempre tem desafios inesperados.

Mark

O consórcio internacional com Mount Sinai muda algo?

Mimi

Fornece credibilidade técnica e expertise, mas o Butantan deixou claro que a vacina é brasileira. O consórcio se compromete a fornecer para países de baixa e média renda também.

Luke

Verdade, mas o Butantan controla 85% da capacidade do consórcio, então tem poder real sobre a produção e distribuição.

  • Com apenas 11% da população brasileira completamente vacinada até então, a pressão por novas doses e novas vacinas era intensa — e a Butanvac surgia como uma resposta genuinamente nacional a essa urgência.
  • O Instituto Butantan já acumulava 6 milhões de doses prontas nos galpões, aguardando o sinal verde da Anvisa para que o esforço produtivo ganhasse sentido concreto.
  • A aprovação para as fases 1 e 2 dos testes clínicos representa o primeiro contato da vacina com seres humanos, um passo decisivo que determinará se ela é segura e capaz de gerar imunidade.
  • A tecnologia baseada em ovos embrionários de galinha — a mesma plataforma da vacina da gripe — permite que o Brasil produza a Butanvac sem depender de importações, usando dezenas de fábricas já equipadas para isso.
  • Se eficaz, a vacina poderá ser incorporada ao Plano Nacional de Imunização e contribuir para metas ambiciosas como a de São Paulo, que prometia vacinar todos os adultos até outubro de 2021.

Em um momento em que o Brasil ainda luta para vacinar sua população contra a Covid-19, a Anvisa abriu, em 9 de junho de 2021, as portas para que o Instituto Butantan testasse em humanos a Butanvac — um imunizante concebido e produzido inteiramente em solo nacional. A vacina carrega consigo não apenas uma promessa científica, mas também a de uma soberania tecnológica rara: sua fabricação aproveita infraestrutura já existente no país, a mesma usada há décadas para produzir a vacina da gripe. Se os testes confirmarem segurança e eficácia, o Brasil poderá contar com mais uma ferramenta própria na corrida contra a pandemia.

Na quarta-feira, 9 de junho de 2021, a Anvisa autorizou o Instituto Butantan a iniciar os testes clínicos da Butanvac em seres humanos. A vacina, desenvolvida integralmente no Brasil, entra agora nas fases 1 e 2 de pesquisa — a primeira vez que será aplicada em voluntários. A aprovação veio após intensa troca de informações entre a agência e o instituto, que ainda precisa apresentar alguns dados complementares antes de iniciar a vacinação experimental.

O que torna a Butanvac singular é sua tecnologia: o vírus é cultivado em ovos embrionários de galinha, usando como veículo o vírus da Doença de Newcastle — inofensivo para humanos — para expressar a proteína spike do coronavírus. Nenhuma outra vacina contra Covid-19 no mundo adota essa abordagem. A vantagem prática é enorme: o Brasil já possui dezenas de fábricas com essa infraestrutura, usada há anos para produzir a vacina da gripe. O Butantan sozinho fabrica 80 milhões de doses anuais por esse método.

O instituto iniciou o desenvolvimento da vacina em março de 2020, firmando um acordo com o Hospital Mount Sinai de Nova York para licenciar a tecnologia. Apesar da parceria internacional, a produção é 100% nacional. Com 6 milhões de doses já prontas e capacidade projetada de até 40 milhões até novembro, o potencial produtivo é expressivo — mas dependia, até então, da liberação regulatória.

Os testes responderão perguntas essenciais sobre segurança e resposta imune, além de definir se a vacina será aplicada em uma ou duas doses. O cenário de urgência é claro: embora o Brasil tivesse contratos para cerca de 660 milhões de doses de diferentes vacinas, apenas 24% da população havia recebido ao menos uma dose no momento da reportagem. A Butanvac, se aprovada para uso amplo, poderia acelerar significativamente a cobertura vacinal do país.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu sinal verde, na quarta-feira 9 de junho, para que o Instituto Butantan começasse a testar sua vacina contra a Covid-19 em pessoas. A Butanvac, desenvolvida integralmente no Brasil sem necessidade de importar seus componentes principais, entrará agora nas fases iniciais de pesquisa clínica — os testes 1 e 2 — marcando a primeira vez que o imunizante será aplicado em seres humanos.

A aprovação da Anvisa veio após o que a agência descreveu como uma troca intensa de informações e reuniões para garantir que todos os aspectos do estudo estivessem claros e que a segurança dos voluntários fosse assegurada. O Instituto Butantan ainda precisa apresentar algumas informações complementares sobre pesquisas em andamento antes de começar a vacinação experimental, mas o caminho está aberto. O governador de São Paulo, João Doria, havia feito apelos públicos semanas antes para que a Anvisa acelerasse o processo, afirmando que o Butantan havia atendido todas as solicitações de dados adicionais.

O timing da aprovação é significativo porque o instituto já tem 6 milhões de doses prontas nos galpões. Doria havia declarado em meados de maio que o estado havia autorizado a produção de 18 milhões de doses, com 6,8 milhões já fabricadas e a possibilidade de chegar a 18 milhões até julho e 40 milhões até novembro — mas tudo dependia da liberação da Anvisa. Agora que os testes podem prosseguir, essas doses de reserva ganham propósito concreto.

A tecnologia por trás da Butanvac é o que a torna singular no cenário global. O vírus é cultivado em ovos embrionários de galinhas — especificamente, usa-se um vírus da Doença de Newcastle, que afeta aves mas não humanos, como veículo. O vírus se desenvolve bem nesse ambiente, é depois inativado, e ajuda a expressar a proteína spike do coronavírus. Dimas Covas, presidente do Butantan, ressaltou que nenhuma outra vacina contra Covid-19 no mundo usa essa abordagem. A importância prática é clara: o Brasil já possui dezenas de fábricas equipadas com essa tecnologia de produção em ovos, usada há anos para fabricar a vacina da gripe — o Butantan sozinho produz 80 milhões de doses anuais dessa forma. Em uma situação de emergência epidêmica, essa infraestrutura existente é um ativo valioso.

O desenvolvimento da Butanvac começou em 27 de março de 2020, pouco depois que a pandemia foi declarada. O Instituto Butantan firmou um acordo de licenciamento com o Hospital Mount Sinai, de Nova York, para usar a tecnologia desenvolvida pela instituição nova-iorquina, e a vacina faz parte de um consórcio internacional do qual o Butantan é responsável por 85% da capacidade produtiva. Esse consórcio se comprometeu a fornecer a vacina para o Brasil e para países de baixa e média renda. Ainda assim, o instituto enfatizou que a produção será 100% nacional — o consórcio internacional contribui com a concepção da tecnologia e suporte técnico, mas o desenvolvedor e fabricante é brasileiro.

Os testes das fases 1 e 2 responderão perguntas fundamentais: a vacina é segura? Ela produz uma resposta imune capaz de prevenir a Covid-19? O estudo também determinará se a Butanvac será aplicada em duas doses, como a CoronaVac, ou em uma dose única, como a vacina da Janssen. Se os resultados forem positivos, a vacina pode ser adicionada ao Plano Nacional de Imunização, oferecendo ao Brasil mais uma ferramenta para ampliar sua cobertura vacinal.

O contexto de urgência é real. O Brasil tem contratos fechados para cerca de 660 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 — o suficiente para dar praticamente três doses por pessoa. Mas até o momento da reportagem, apenas 24% da população havia recebido pelo menos uma dose, e apenas 11% havia completado a imunização com duas doses. Em São Paulo, Doria prometeu vacinar toda a população adulta acima de 18 anos até 18 de outubro, contando com a retomada da produção da CoronaVac e a chegada de outras vacinas. A Butanvac, se aprovada para uso, poderia contribuir significativamente para acelerar esse cronograma.

Nenhuma vacina no mundo contra Covid-19 é produzida em ovo. Existem muitas fábricas que usam essa tecnologia para produção da vacina da gripe, portanto essa é uma saída em uma situação epidêmica.
— Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan
O consórcio internacional tem um papel importantíssimo na concepção da tecnologia e no suporte técnico, mas no Brasil o desenvolvedor da vacina é o Instituto Butantan. A vacina, portanto, é brasileira e dos brasileiros.
— Instituto Butantan
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