Anvisa autoriza ampliação para 10 mil voluntários em testes da vacina de Oxford

A vacina sairá, a gente certamente vai dar prioridade para os idosos
Coordenadora dos testes explica por que idosos acima de 70 anos recebem prioridade na fase expandida.
Mark

Por que o Brasil dobrou o número de voluntários justamente agora, em setembro?

Mimi

A vacina havia completado testes de segurança em grupos mais jovens. Agora era hora de testar em idosos, que é o grupo que mais precisa de proteção. Mas havia poucos idosos nos primeiros 5 mil porque essa faixa etária só foi incluída em agosto.

Luke

Então a decisão de expandir está ligada à necessidade de dados em idosos, não a uma mudança na segurança da vacina em si?

Mimi

Exatamente. A segurança já havia sido comprovada. Agora era sobre ter dados robustos em quem realmente precisaria da vacina.

Mark

E quanto à suspensão que aconteceu uma semana antes? Como isso afetou o cronograma?

Mimi

A suspensão foi por precaução, quando uma voluntária apresentou sintomas. Mas cientistas não encontraram relação com a vacina. A Anvisa aprovou a retomada, e a expansão veio junto.

Luke

Mas ninguém divulgou detalhes sobre o que aconteceu com aquela voluntária. Sabemos que não houve relação comprovada, mas os detalhes do caso permaneceram fechados.

Mimi

Verdade. A AstraZeneca anunciou a retomada sem explicar as conclusões. Apenas disseram que era seguro continuar.

Mark

Com 10 mil voluntários agora, quanto tempo até ter dados suficientes?

Mimi

Dois ou três meses para todos receberem as duas doses. Depois, acompanhamento por um ano inteiro.

Luke

Então estamos falando de dados preliminares em alguns meses, mas dados completos de segurança só em 2021.

Mimi

Sim. E esses dados virão de gente com risco real de exposição — profissionais de saúde, idosos. Não é um estudo em população geral.

  • Os testes haviam sido suspensos globalmente apenas uma semana antes, após uma voluntária apresentar sintomas suspeitos — a retomada ainda carregava a sombra da incerteza.
  • A Anvisa autorizou a expansão imediatamente após a retomada, sinalizando confiança no processo mesmo diante da pressão pública e científica.
  • Idosos acima de 70 anos, antes sub-representados nos dados, passam a ser prioridade no recrutamento — uma lacuna crítica que precisava ser preenchida antes de qualquer campanha de vacinação em massa.
  • Três novos centros de pesquisa abrem em Natal, Porto Alegre e Santa Maria, descentralizando os testes e ampliando o alcance geográfico do estudo.
  • Os 5 mil novos voluntários devem receber as duas doses em dois a três meses e serão acompanhados por um ano inteiro, gerando dados robustos sobre segurança e eficácia em populações de risco.

Em meio à corrida global por uma vacina contra a Covid-19, o Brasil deu um passo significativo ao dobrar o número de voluntários nos ensaios clínicos de fase 3 do imunizante desenvolvido por Oxford e AstraZeneca — de 5 mil para 10 mil participantes. A decisão da Anvisa, tomada em 15 de setembro de 2020, não apenas ampliou a escala dos testes, mas redirecionou o olhar científico para os mais vulneráveis: idosos acima de 70 anos passaram a ter prioridade, reconhecendo que a proteção de uma vacina só se prova verdadeira quando testada em quem mais precisa dela.

Na terça-feira, 15 de setembro de 2020, a Anvisa autorizou o Brasil a dobrar o número de participantes nos testes da vacina de Oxford contra a Covid-19, passando de 5 mil para 10 mil voluntários na fase 3 dos ensaios clínicos. A expansão chegava em momento delicado: apenas uma semana antes, os testes haviam sido suspensos globalmente após uma voluntária apresentar sintomas possivelmente relacionados à vacina. A AstraZeneca retomou os testes no dia 12 de setembro, após cientistas concluírem que não havia relação de causa e efeito entre a vacina e os sintomas. A Anvisa acompanhou a decisão e, dias depois, foi além — autorizando a ampliação.

A mudança mais significativa estava no perfil dos novos participantes. Pessoas acima de 70 anos, antes excluídas por cautela, passaram a ter prioridade no recrutamento. Segundo Lily Weckx, coordenadora do estudo no Brasil pela Unifesp, essa faixa etária havia sido incorporada aos testes apenas em agosto, quando a segurança em grupos mais jovens já estava comprovada — mas o recrutamento inicial terminou antes que muitos idosos pudessem participar. Com a expansão, essa lacuna seria corrigida, algo essencial considerando que os idosos seriam os primeiros a receber a vacina em uma eventual campanha nacional.

Três novos centros de pesquisa seriam abertos em Natal, Porto Alegre e Santa Maria, somando-se aos seis já existentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O recrutamento começaria imediatamente, sem cotas fixas por local. Além dos idosos, profissionais de saúde e trabalhadores em ambientes de alto risco — como motoristas de ambulância e agentes de limpeza hospitalar — continuavam elegíveis. Cada novo voluntário receberia duas doses nos dois a três meses seguintes e seria acompanhado por um ano inteiro, fornecendo ao estudo dados mais próximos da realidade de quem mais sofre com a Covid-19.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu sinal verde, na terça-feira 15 de setembro, para que o Brasil dobrasse o número de participantes nos testes da vacina de Oxford contra a Covid-19. Onde havia 5 mil voluntários, agora haveria 10 mil — uma expansão significativa na fase final de avaliação clínica do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca.

A decisão abria caminho para uma mudança importante no perfil dos participantes. Até então, havia limite de idade; agora, pessoas acima de 70 anos não apenas poderiam participar como receberiam prioridade. Três novos centros de pesquisa seriam abertos: um em Natal, outro em Porto Alegre e um terceiro em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Os seis centros já existentes — em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia — continuariam recrutando. O recrutamento começaria imediatamente, sem divisão fixa de voluntários por local; os pesquisadores simplesmente seguiriam até atingir os 5 mil novos participantes.

O critério para participação permanecia focado em quem enfrentava maior risco de exposição ao vírus. Profissionais de saúde atuando na linha de frente da pandemia eram elegíveis, assim como trabalhadores em ambientes de alto risco — motoristas de ambulância, seguranças de hospitais, agentes de limpeza. A inclusão de idosos respondia a uma lacuna nos dados. Segundo Lily Weckx, coordenadora do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais da Unifesp e responsável pela condução do estudo no Brasil, a faixa etária acima de 70 anos havia sido incorporada aos testes apenas em 21 de agosto, após a segurança da vacina ser comprovada em grupos mais jovens. Quando o recrutamento inicial terminou, poucos idosos haviam participado. Agora, com a expansão, essa população receberia atenção especial — importante porque, se a vacina fosse aprovada, os idosos seriam prioridade na campanha de vacinação.

A ampliação também refletia uma estratégia científica deliberada. Ao incluir pessoas com risco mais elevado de complicações pela Covid-19, o estudo capturaria dados mais próximos da realidade do mundo real. O aumento no número total de participantes forneceria robustez adicional às análises de segurança e eficácia. Cada novo voluntário receberia duas doses e seria acompanhado de perto pelos pesquisadores. Nos dois ou três meses seguintes, todos os 5 mil novos participantes deveriam ter recebido ambas as doses. Depois disso, o acompanhamento continuaria por um ano inteiro.

A autorização chegava em momento delicado. Os testes haviam sido suspensos globalmente uma semana antes, em 8 de setembro, após uma voluntária apresentar um quadro de saúde que poderia estar relacionado à vacina. A AstraZeneca anunciou a retomada geral no sábado 12 de setembro, mas sem detalhar as conclusões sobre o caso. Cientistas informaram que não havia sido encontrada relação de causa e efeito entre a vacina e os sintomas da paciente. A Anvisa, por sua vez, aprovou a retomada dos testes no Brasil. Agora, com a expansão autorizada, o país se posicionava como um dos principais centros de pesquisa para o imunizante — um de nove candidatos em fase 3 de testes globalmente, a etapa final antes da liberação para uso.

Incluímos nessa fase pessoas que sabidamente têm risco mais elevado de complicações da Covid-19 e, assim, o estudo pode refletir ainda mais a realidade
— Lily Weckx, coordenadora do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais da Unifesp
É importante que eles sejam testados porque, se a vacina sair, a gente certamente vai dar prioridade para os idosos
— Lily Weckx
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