Em um momento em que a pandemia continua a exigir respostas científicas à altura de sua complexidade, a Anvisa aprovou por unanimidade, em 8 de setembro de 2021, o uso emergencial do sotrovimabe — um anticorpo monoclonal da GlaxoSmithKline capaz de reduzir em 79% o risco de hospitalização em pacientes com Covid-19 leve ou moderada e alto risco de agravamento. A decisão marca o quinto tratamento autorizado pela agência desde o início da pandemia e representa uma tentativa de proteger aqueles que, por sua história clínica ou condição demográfica, caminham sobre terreno mais frágil. Como toda con
Anvisa aprova sotrovimabe para Covid leve e moderada em pacientes de alto risco
Bloqueia a ligação do vírus e impede sua entrada nas células
Por que a Anvisa aprovou esse medicamento especificamente para casos leves e moderados? Não seria mais útil para pacientes já graves?
Na verdade, é o oposto. O sotrovimabe funciona como uma barreira — bloqueia o vírus antes que ele cause dano celular extenso. Uma vez que o paciente já precisa de oxigênio, significa que o pulmão já sofreu inflamação significativa. Nesse ponto, um anticorpo monoclonal pode não conseguir reverter o processo.
Mas espera — a aprovação diz que há "incertezas" sobre eficácia contra variantes. Isso significa que os 79% de redução de risco podem não se aplicar a todas as cepas circulando agora?
Exatamente. Os testes em laboratório não mostraram perda de eficácia, mas isso é diferente de ter dados reais de pacientes infectados com variantes específicas. É uma limitação honesta da agência.
E quanto ao acesso? O medicamento só funciona em hospitais, dentro de cinco dias. Quantas pessoas conseguem diagnóstico e chegar a um hospital nesse prazo?
Essa é a questão prática que a aprovação não resolve. A eficácia clínica é uma coisa; a eficácia real depende de como o sistema de saúde consegue identificar e tratar esses pacientes a tempo.
A Anvisa mencionou que não é indicado para grávidas. Quantas mulheres grávidas com Covid-19 de alto risco ficarão sem essa opção?
Os dados simplesmente não existem. Fazer testes em mulheres grávidas é eticamente complexo. Então a agência está sendo conservadora — o que é prudente, mas deixa um vazio.
Então esse é o quinto tratamento. Os outros quatro estão sendo usados amplamente?
Essa é uma pergunta que o artigo não responde. Sabemos que foram aprovados, mas não sabemos a taxa de adoção, disponibilidade regional ou se há gargalos de distribuição.
É um ponto válido. A aprovação regulatória é apenas o primeiro passo. O verdadeiro teste é se o medicamento chega aos pacientes que precisam dele.
O Pulso
- Pacientes com Covid leve ou moderada e fatores de risco como obesidade, diabetes e doenças crônicas seguiam sem opções terapêuticas específicas aprovadas para seu perfil — uma lacuna que aumentava a pressão sobre hospitais.
- A aprovação unânime da Anvisa sinaliza urgência regulatória: o pedido foi feito em julho e aprovado em setembro, em ritmo acelerado para os padrões habituais da agência.
- A janela de eficácia é estreita e exigente — o medicamento precisa ser administrado em dose única dentro de cinco dias após o início dos sintomas, o que impõe desafios logísticos significativos ao sistema de saúde.
- Há uma contradição embutida na aprovação: o sotrovimabe pode piorar resultados em pacientes que já necessitam de oxigênio, exigindo triagem precisa para evitar uso inadequado.
- A incerteza sobre a eficácia contra variantes permanece como sombra sobre a aprovação, mesmo que testes laboratoriais não tenham indicado perda de atividade até o momento.
Em um momento em que a pandemia continua a exigir respostas científicas à altura de sua complexidade, a Anvisa aprovou por unanimidade, em 8 de setembro de 2021, o uso emergencial do sotrovimabe — um anticorpo monoclonal da GlaxoSmithKline capaz de reduzir em 79% o risco de hospitalização em pacientes com Covid-19 leve ou moderada e alto risco de agravamento. A decisão marca o quinto tratamento autorizado pela agência desde o início da pandemia e representa uma tentativa de proteger aqueles que, por sua história clínica ou condição demográfica, caminham sobre terreno mais frágil. Como toda conquista científica em tempo de crise, ela chega acompanhada de incertezas — entre elas, a eficácia do medicamento diante das variantes em circulação.
A Anvisa aprovou por unanimidade, na quarta-feira 8 de setembro, o uso emergencial do sotrovimabe, anticorpo monoclonal desenvolvido pela GlaxoSmithKline Brasil para tratar pacientes com Covid-19 leve e moderada em risco elevado de agravamento. É o quinto tratamento contra a doença autorizado pela agência desde o início da pandemia.
O medicamento funciona como uma barreira biológica: em vez de combater o vírus após a infecção já estabelecida, ele age diretamente sobre a proteína spike do Sars-Cov-2, bloqueando sua entrada nas células humanas. Os ensaios clínicos demonstraram redução de 79% no risco de progressão da doença, com queda documentada nas taxas de hospitalização e morte — resultado descrito pelo gerente-geral de Medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, como significativo.
O uso é restrito a ambientes hospitalares, em dose única aplicada em até cinco dias após o início dos sintomas. Podem recebê-lo pacientes com 12 anos ou mais e peso mínimo de 40 quilogramas que apresentem fatores de risco como idade avançada, obesidade, doenças cardiovasculares, pulmonares, renais, hepáticas, diabetes ou imunossupressão.
Há, porém, limites importantes. O sotrovimabe não deve ser usado em pacientes que já necessitam de suplementação de oxigênio — estudos indicaram possível piora clínica nesse grupo. O uso em gestantes também requer cautela especial, dada a escassez de dados de segurança. E persiste a incerteza sobre a eficácia do medicamento frente às variantes em circulação, embora testes laboratoriais não tenham apontado perda de atividade até o momento.
Com a aprovação, o Brasil amplia seu arsenal terapêutico para um perfil específico de pacientes — aqueles ainda em estágio inicial da doença, mas com histórico que os coloca em trajetória de risco. O desafio imediato será garantir que o medicamento chegue a quem precisa dentro da janela de cinco dias que define sua eficácia.
A Anvisa aprovou nesta quarta-feira, 8 de setembro, o uso emergencial do sotrovimabe, um medicamento desenvolvido pela GlaxoSmithKline Brasil para tratar pacientes com Covid-19 leve e moderada que correm risco elevado de agravamento. A decisão foi unânime entre os conselheiros da agência reguladora. O pedido havia sido apresentado pela fabricante em julho, e a aprovação marca o quinto tratamento contra a doença autorizado pela Anvisa desde o início da pandemia.
O sotrovimabe funciona como um anticorpo monoclonal — uma proteína de laboratório que replica a capacidade do sistema imunológico de combater infecções virais. Segundo a relatora do processo, Meiruze de Sousa Freitas, o medicamento atua especificamente contra a proteína spike do Sars-Cov-2, bloqueando a ligação do vírus e impedindo sua entrada nas células humanas. Trata-se de uma abordagem distinta dos antivirais tradicionais: em vez de atacar o vírus após a infecção, o anticorpo monoclonal funciona como uma barreira preventiva.
Os ensaios clínicos demonstraram redução de 79% no risco de progressão da doença em pacientes que receberam o tratamento. Gustavo Mendes, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, descreveu esse resultado como significativo, destacando a redução documentada no risco de hospitalização e morte. Apesar dessa eficácia demonstrada, Mendes reconheceu que existem incertezas sobre como o medicamento se comportará diante das variantes do vírus que circulam globalmente, embora testes em laboratório não tenham indicado perda de atividade.
O medicamento pode ser administrado apenas em ambiente hospitalar, em dose única, e deve ser iniciado dentro de cinco dias após o surgimento dos primeiros sintomas. Pode ser usado em pacientes com idade mínima de 12 anos e peso de pelo menos 40 quilogramas. A Anvisa estabeleceu uma lista clara de condições que qualificam um paciente como de alto risco: idade avançada, obesidade, doença cardiovascular incluindo hipertensão, doença pulmonar crônica, asma, diabetes, doença renal crônica (inclusive em pacientes em diálise), doença hepática crônica e imunossupressão.
Há, porém, uma restrição importante: o sotrovimabe não deve ser administrado em pacientes que já necessitam de suplementação de oxigênio. Estudos indicaram que o medicamento pode estar associado a piora nos resultados clínicos quando usado nessa população. Além disso, seu uso em mulheres grávidas requer cautela especial, uma vez que os dados disponíveis sobre segurança nesse grupo são limitados.
Este é o quinto tratamento contra a Covid autorizado pela Anvisa. O remdesivir foi o primeiro, obtendo registro em março de 2021. O Regen-cov, uma combinação de anticorpos monoclonais, também recebeu aprovação para uso emergencial. Em maio, a agência autorizou o medicamento da Eli Lilly, que combina os biológicos bamlanivimabe e etesevimabe. Em agosto, aprovou o regdanvimabe, da Celltrion Healthcare, indicado para casos leves e moderados em adultos sem necessidade de oxigênio suplementar mas com alto risco de progressão.
A aprovação do sotrovimabe amplia as opções terapêuticas disponíveis no sistema de saúde brasileiro para um segmento específico de pacientes: aqueles cujos sintomas ainda são leves ou moderados, mas cuja história médica ou características demográficas os colocam em trajetória de risco. O desafio agora será garantir que o medicamento chegue aos pacientes elegíveis dentro da janela de cinco dias que define sua eficácia.
Citações Notáveis
É um anticorpo monoclonal feito em laboratório que imita a capacidade do sistema imunológico de combater o vírus, atuando contra a proteína spike do Sars-Cov-2 e bloqueando a ligação do vírus e sua entrada nas células humanas.— Meiruze de Sousa Freitas, relatora do pedido de uso emergencial
Um resultado que tem relevância importante, um desfecho significativo que mostra desempenho favorável na redução do risco de hospitalização e morte.— Gustavo Mendes, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa