Anvisa aprova Mounjaro para perda de peso; preço segue como barreira

O medicamento não substitui mudanças de vida; apenas as potencializa
Especialista em endocrinologia ressalta que remédio funciona apenas em conjunto com alimentação adequada e exercício físico.
Mark

Por que essa aprovação importa agora, se o medicamento já estava sendo vendido no Brasil desde 2023?

Mimi

Porque antes ele só podia ser prescrito para diabetes. Agora a Anvisa autorizou seu uso para emagrecimento em pessoas com obesidade ou sobrepeso com comorbidades. É uma expansão de indicação que abre o mercado para um público muito maior.

Luke

Mas quantas pessoas realmente vão conseguir usar? O preço é o dobro ou o triplo dos concorrentes.

Mark

O que torna o Mounjaro diferente dos outros remédios dessa categoria?

Mimi

Ele usa um duplo mecanismo hormonal — GLP-1 e GIP — enquanto os outros, como Ozempic e Wegovy, usam apenas GLP-1. Isso significa que funciona de duas formas simultâneas.

Luke

E isso se traduz em resultados significativamente melhores? Ou é mais uma opção entre várias?

Mark

Os especialistas parecem otimistas com a aprovação.

Mimi

Sim, mas com ressalvas importantes. Moura deixa claro que o medicamento não faz milagre — exige mudanças de estilo de vida, alimentação e exercício. E tem efeitos colaterais, principalmente gastrointestinais.

Luke

E não foi testado em gestantes ou lactantes, então essas mulheres ficam de fora completamente.

Mark

Qual é o maior obstáculo para que as pessoas usem esse medicamento?

Mimi

O preço. Entre R$ 1,4 mil e R$ 2,3 mil por mês é inacessível para a maioria dos brasileiros.

Luke

A pergunta que fica é: a Anvisa vai pressionar o SUS a cobrir isso, ou vai ficar restrito a quem tem plano privado?

  • A Anvisa aprovou o Mounjaro para emagrecimento, expandindo seu uso além do diabetes e abrindo caminho para milhões de brasileiros com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.
  • O medicamento se destaca por acionar dois receptores hormonais — GLP-1 e GIP — enquanto concorrentes como Ozempic e Wegovy atuam por apenas uma via, o que especialistas consideram um avanço terapêutico significativo.
  • O custo mensal, entre R$ 1,4 mil e R$ 2,3 mil, é até quase quatro vezes maior que o de alternativas já disponíveis, tornando o acesso inviável para a maior parte da população sem cobertura privada ou pública.
  • Endocrinologistas alertam que o medicamento não substitui mudanças de estilo de vida e apresenta efeitos colaterais gastrointestinais, além de ser contraindicado para gestantes e lactantes.
  • A questão central que permanece em aberto é se o sistema público de saúde incorporará o Mounjaro — decisão que ainda não foi tomada e que determinará o alcance real dessa aprovação.

Em junho de 2025, a Anvisa ampliou a indicação do Mounjaro — medicamento injetável da Lilly baseado em tirzepatida — para o tratamento da obesidade e do sobrepeso com comorbidades no Brasil, até então restrito ao diabetes tipo 2. A decisão insere o país em um movimento global de reconhecimento farmacológico da obesidade como condição clínica tratável, mas o preço mensal entre R$ 1,4 mil e R$ 2,3 mil lança sobre a aprovação uma sombra antiga: a distância entre o que a ciência oferece e o que a maioria das pessoas pode alcançar.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou, na segunda semana de junho de 2025, o uso do Mounjaro para controle de peso em adultos com obesidade — IMC acima de 30 kg/m² — ou sobrepeso acima de 27 kg/m² acompanhado de comorbidades. O medicamento injetável da farmacêutica Lilly já estava no Brasil desde 2023, mas sua bula limitava o uso ao tratamento do diabetes tipo 2. A nova indicação amplia consideravelmente o universo de pacientes elegíveis.

O que diferencia o Mounjaro das outras chamadas 'canetas emagrecedoras' é seu mecanismo duplo: a tirzepatida aciona simultaneamente os receptores GLP-1 e GIP, enquanto medicamentos como Ozempic, Wegovy e Saxenda atuam apenas pela via GLP-1. Para Alexandre Hohl, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, essa inovação representa uma nova geração de tratamentos capaz de transformar a vida de quem convive com excesso de adiposidade.

O obstáculo mais imediato, porém, é financeiro. A dose mensal custa entre R$ 1,4 mil e R$ 2,3 mil — valor que pode ser quase quatro vezes superior ao de alternativas já consolidadas no mercado. Para a maioria dos brasileiros, esse custo é inacessível sem cobertura de plano de saúde ou inclusão em programa público, decisão que ainda não foi tomada.

Fábio Moura, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, reforça que o medicamento funciona, mas não age sozinho: alimentação adequada e exercício físico continuam sendo indispensáveis. Os efeitos colaterais são principalmente gastrointestinais, embora haja indícios de benefícios renais, hepáticos e cardiovasculares. Gestantes e lactantes estão excluídas do uso, por não terem sido incluídas nos testes clínicos.

A aprovação representa um avanço real no arsenal terapêutico contra a obesidade no Brasil — mas a pergunta que a acompanha é a de sempre: quem, de fato, terá acesso a esse avanço?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu sinal verde, na segunda semana de junho, para que o Mounjaro fosse prescrito não apenas para diabetes, mas também para emagrecimento. O medicamento injetável, fabricado pela farmacêutica americana Lilly, já circulava no Brasil desde 2023, mas sua bula o restringia ao tratamento do diabetes tipo 2. Agora a indicação se amplia: qualquer pessoa com índice de massa corpórea acima de 30 kg/m² — o patamar que define obesidade — pode receber a prescrição. Aqueles com sobrepeso (acima de 27 kg/m²) também entram na lista, desde que apresentem alguma comorbidade associada.

O Mounjaro integra a família das chamadas canetas emagrecedoras, ao lado do Ozempic e do Wegovy, que usam semaglutida, e do Saxenda, que usa liraglutida. O que distingue o novo medicamento é seu mecanismo de ação: a tirzepatida funciona por duplo caminho hormonal, acionando tanto receptores GLP-1 quanto GIP, enquanto os concorrentes atuam apenas pela via GLP-1. Segundo Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, essa inovação "consolida a geração de medicamentos que podem modificar totalmente a vida das pessoas que vivem com excesso de adiposidade". A aprovação, em sua avaliação, amplia o arsenal terapêutico disponível e permite que mais pacientes se beneficiem do tratamento.

O Mounjaro começou a ser comercializado no início de junho, mas o preço coloca uma barreira imediata diante de qualquer paciente que considere usá-lo. A dose mensal custa entre R$ 1,4 mil e R$ 2,3 mil, dependendo da concentração prescrita. Medicamentos com outros princípios ativos — as alternativas já estabelecidas — variam de R$ 600 a cerca de R$ 1 mil mensais. A diferença é substancial e, para a maioria dos brasileiros, intransponível sem cobertura de plano de saúde ou programa público.

Fábio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, oferece uma perspectiva equilibrada sobre o que essas drogas podem e não podem fazer. Elas funcionam, diz ele, e são seguras — mas não funcionam sozinhas. O paciente precisa manter alimentação adequada e fazer exercício físico. O medicamento não substitui essas mudanças; apenas as potencializa. Moura também aponta os efeitos colaterais, principalmente gastrointestinais, embora reconheça possíveis benefícios renais, hepáticos e cardiovasculares. Há ainda uma contraindicação clara: gestantes e lactantes não foram incluídas nos testes clínicos e, portanto, não devem usar o medicamento.

A aprovação marca um passo na expansão do arsenal farmacológico contra a obesidade no Brasil, mas deixa em aberto a questão do acesso real. Com preços que excedem em muito os medicamentos similares já disponíveis, o Mounjaro permanece, por enquanto, um tratamento para quem pode pagar — ou para quem conseguir que o sistema público o cubra, decisão que ainda não foi tomada.

Consolida a geração de medicamentos que podem modificar totalmente a vida das pessoas que vivem com excesso de adiposidade
— Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica
Tem que manter uma alimentação adequada, tem que fazer exercício físico. Ou seja, não adianta só tomar esse remédio e não fazer outra parte
— Fábio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
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