Antes e depois: onde estão os atores de 'Sítio do Picapau Amarelo'

Dois atores faleceram vítimas de covid-19: Nicette Bruno (2020) e João Acaiabé (2021).
Já sonhei que era a Emília várias vezes. É muito emocionante
Isabelle Drummond reflete sobre o impacto duradouro de interpretar a boneca de pano que marcou sua carreira.
Mark

Por que essa série continua tão presente na memória das pessoas, mesmo depois de tanto tempo?

Mimi

Porque ela chegou em um momento em que a televisão infantil tinha qualidade de produção e respeito pelo público jovem. Monteiro Lobato já era uma referência, e a série fez justiça àquele universo.

Mark

Você acha que o elenco sabia que estava criando algo que duraria tanto na memória coletiva?

Mimi

Provavelmente não. Ninguém sabe quando está fazendo história. Mas a dedicação deles em dar vida àqueles personagens — a forma como Isabelle fala sobre a Emília, por exemplo — mostra que eles sentiam a importância daquilo.

Mark

É difícil ver que alguns atores faleceram, especialmente por covid?

Mimi

Muito. Nicette e João Acaiabé eram atores respeitados com carreiras longas. Perder pessoas que marcaram gerações dessa forma deixa um vazio. A série fica ainda mais preciosa porque ela é um registro deles vivos, trabalhando.

Mark

E os que continuam trabalhando — eles ainda falam sobre o papel?

Mimi

Alguns sim. Isabelle deixa claro que aquele papel foi especial. Outros seguiram adiante, como Lara, que mudou completamente de profissão. Cada um processou a experiência de forma diferente.

Mark

Qual é o legado real dessa série, além da nostalgia?

Mimi

Mostrou que era possível fazer televisão infantil com inteligência e qualidade. E criou um vínculo entre gerações — pais que assistiram agora mostram para os filhos. Isso é raro.

  • A nostalgia tem peso: quase vinte anos após o fim da série, o público ainda busca saber o que foi feito dos atores que habitaram o imaginário de toda uma geração.
  • A pandemia de covid-19 cobrou um preço doloroso do elenco — Nicette Bruno, a querida Dona Benta, morreu em 2020, e João Acaiabé, o Tio Barnabé, em 2021, aos 76 anos.
  • Enquanto alguns, como Isabelle Drummond e Dhu Moraes, seguem ativos em produções de grandes plataformas, outros como Lara Rodrigues migraram para trás das câmeras ou para carreiras completamente distintas.
  • Izak Dahora, o Saci Pererê da série, transformou a arte em objeto de estudo — hoje é doutorando, professor universitário e músico, mostrando que o palco pode ter muitas formas.
  • O que a trajetória coletiva desse elenco revela é menos sobre fama e mais sobre a inevitabilidade da mudança — e sobre o que resiste a ela.

Entre 2001 e 2007, o 'Sítio do Picapau Amarelo' teceu na memória coletiva brasileira um fio que o tempo não desfez. Baseada nas obras de Monteiro Lobato, a série reuniu atores que, como toda geração, seguiram caminhos distintos — alguns permanecendo nas artes, outros reinventando-se em novas profissões, e dois deles levados pela pandemia antes que pudessem ver o quanto ainda eram lembrados. Revisitar esses rostos é, antes de tudo, um exercício de reconhecer como a infância de um povo se encarna em pessoas reais, sujeitas às mesmas alegrias e perdas de qualquer vida.

O 'Sítio do Picapau Amarelo' ficou no ar entre 2001 e 2007 na Globo, adaptando as histórias que Monteiro Lobato escreveu ao longo de décadas e conquistando crianças com personagens que parecem não envelhecer na memória. Mas os atores que lhes deram vida, esses sim, seguiram o curso natural do tempo — cada um à sua maneira.

Isabelle Drummond, a boneca Emília, permanece vinculada à Globo e ativa na televisão. Já Lara Rodrigues, a Narizinho, encerrou a carreira de atriz em 2011 e hoje dirige sua própria produtora. César Cardadeiro, o Pedrinho, migrou para a Record e apareceu em novelas como 'Jesus' e 'Amor sem Igual'.

A pandemia deixou marcas irreparáveis no elenco. Nicette Bruno, que emprestou sua presença serena à Dona Benta, faleceu em 2020 vítima da covid-19. João Acaiabé, o afável Tio Barnabé, morreu no ano seguinte, aos 76 anos, carregando consigo um legado construído em décadas de trabalho.

Dhu Moraes, a Tia Nastácia, segue em frente aos 69 anos, com trabalhos recentes no Globoplay e na Netflix. Cândido Damm, o Visconde de Sabugosa, também permanece ativo e esteve na série 'Todo Dia a Mesma Noite', da Netflix, em 2023. Izak Dahora, que viveu o Saci Pererê ainda adolescente, escolheu a academia: é doutorando em Artes, professor e músico.

O que a história desse elenco conta não é apenas sobre carreiras — é sobre como a vida distribui seus rumos de forma imprevisível, e como certas infâncias ficam gravadas em nós independentemente do que acontece depois com quem as protagonizou.

A série infantil que marcou gerações na televisão brasileira entre 2001 e 2007 deixou um rastro de memórias que persiste até hoje. "Sítio do Picapau Amarelo", baseada nas histórias que Monteiro Lobato escreveu entre 1920 e 1947, conquistou o público infantil com seus personagens inesquecíveis e aquela abertura que ninguém consegue tirar da cabeça. Quase duas décadas depois que os últimos episódios foram ao ar, é natural que o público se pergunte: para onde foram aqueles atores que deram vida aos personagens que crescemos acompanhando?

Isabelle Drummond, que interpretava a boneca de pano Emília até 2006, segue trabalhando na televisão. Aos 29 anos, ela permanece vinculada à Globo e seu último trabalho de destaque foi na novela "Novo Mundo", em 2020. A atriz nunca escondeu o carinho especial que sente pelo papel: em entrevista, confessou que já sonhou várias vezes que era a Emília, descrevendo a experiência como algo emocionante. Recentemente, ela também apareceu no filme "Minha Família Perfeita", de 2022, mantendo-se ativa na carreira artística.

Lara Rodrigues, que dava vida à Narizinho, deixou o sítio em 2003 e encerrou sua carreira como atriz em 2011. Hoje, aos 32 anos, ela encontrou um novo caminho profissional: é diretora e possui sua própria produtora. Apesar da mudança de rumo, ela não descarta a possibilidade de retornar às telas em algum momento. César Cardadeiro, que interpretava o sonhador Pedrinho até 2003, seguiu na profissão de ator. Atualmente com 33 anos e pai de uma menha, ele trabalhou em produções recentes como as novelas "Jesus" e "Amor sem Igual", ambas exibidas pela Record.

Nem todos os atores conseguiram acompanhar o tempo. Nicette Bruno, que se tornou a avó de toda uma geração ao dar vida à Dona Benta até 2004, faleceu em 2020 vítima da covid-19. Sua carreira foi longa e respeitada, marcada por trabalhos tanto na televisão quanto no teatro. João Acaiabé, que interpretava o simpático Tio Barnabé, também não resistiu à pandemia. Faleceu aos 76 anos em 2021, deixando um legado que incluía trabalhos em grandes produções, como o remake de "Chiquititas" do SBT, onde interpretou o Chefe Chico.

Dhu Moraes, que deu vida à Tia Nastácia, continua ativa aos 69 anos. Seus trabalhos mais recentes incluem a série "Encantado's" do Globoplay e "Nada Suspeitos" da Netflix, mostrando que sua carreira segue em movimento. Cândido Damm, o memorável Visconde de Sabugosa, também permanece trabalhando como ator aos 67 anos. Seu trabalho mais recente foi na série "Todo Dia a Mesma Noite", lançada pela Netflix em 2023.

Izak Dahora, que interpretava o Saci Pererê aos 13 anos até 2006, trilhou um caminho diferente. Aos 35 anos, ele é doutorando em Artes, professor universitário e músico. Seu último trabalho como ator foi no drama "Noites de Alface", em 2021. A trajetória dos intérpretes de "Sítio do Picapau Amarelo" reflete as diferentes escolhas que a vida oferece: alguns permaneceram na carreira artística, outros encontraram novos caminhos profissionais, e alguns não conseguiram acompanhar o tempo. O que permanece é a marca indelével que deixaram na memória de quem cresceu acompanhando suas aventuras no sítio.

Eu já sonhei que era a Emília várias vezes. É muito emocionante isso
— Isabelle Drummond, em entrevista ao Gshow
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