Na noite de segunda-feira, a Grande Rio escolheu o samba número 11, de Deré & Cia, para embalar seu desfile no Carnaval 2027, encerrando uma disputa que havia colocado Anitta — rainha de bateria e coautora de uma das composições finalistas — à beira de um feito inédito no carnaval carioca. A cantora, porém, havia pedido antecipadamente à diretoria que não se sentisse pressionada por sua presença, reconhecendo que a escola e sua comunidade devem sempre preceder os interesses individuais. O que poderia ser lido como derrota revela, na verdade, uma rara forma de generosidade artística: a de quem
Anitta é derrotada na final do samba enredo da Grande Rio
O samba que ganhar, eu vou desfilar
Como é que Anitta consegue compor um samba para a Grande Rio e depois aceitar que outro samba vença? Não é contraditório?
Não, porque ela separou duas coisas que muita gente confunde. Ser rainha de bateria é um papel. Ser compositora é outro. Ela quis fazer os dois, mas quando viu que a escola tinha outras opções, ela recuou e deixou a escola escolher livremente.
Mas a gente sabe que ela pediu à diretoria para não se sentir pressionada. Isso é uma forma de pressão também, não é? Dizer "não se sintam pressionados" é uma maneira de sinalizar que você quer que escolham livremente — o que pode significar que você quer que escolham o seu.
Talvez. Mas ela também disse que a quadra estava cheia de fãs dela. Então ela reconheceu que havia pressão real e pediu para a diretoria ignorá-la.
E isso funcionou? A Grande Rio escolheu o samba 11, que não era o dela.
Sim. E Anitta disse que desfilaria com o que ganhasse. Não reclamou depois.
Verdade. Mas a gente não sabe se ela realmente não se importa ou se está sendo profissional em público. A fonte não diz nada sobre como ela se sentiu depois da votação.
Então o que a gente sabe de verdade é que ela compôs, pediu para não pressionar, perdeu, e disse que desfilaria mesmo assim.
Exatamente. E isso é raro em uma artista do tamanho dela.
Raro, sim. Mas também é o que você diz quando quer parecer acima da situação. Não estou dizendo que é falso — estou dizendo que é impossível saber o que ela realmente pensa.
El Pulso
- A possibilidade de Anitta ser simultaneamente rainha de bateria e autora do samba vencedor havia gerado uma expectativa sem precedentes dentro e fora da Grande Rio.
- A presença massiva de seus fãs na quadra criou uma pressão silenciosa sobre a diretoria, tornando a votação um campo minado entre popularidade e legitimidade comunitária.
- Antes mesmo do resultado, Anitta foi à diretoria pedir que a escola não se sentisse obrigada a escolher seu samba — um gesto que desarmou a tensão e devolveu a decisão à comunidade.
- A composição de Deré & Cia foi escolhida, e Anitta mantém seu posto de rainha de bateria, confirmando que desfilará com o samba que não assinou.
- O Carnaval 2027 chega com uma narrativa embutida: não a de uma artista derrotada, mas a de uma que soube recuar para que a escola pudesse avançar.
Na noite de segunda-feira, a Grande Rio escolheu o samba número 11, de Deré & Cia, para embalar seu desfile no Carnaval 2027, encerrando uma disputa que havia colocado Anitta — rainha de bateria e coautora de uma das composições finalistas — à beira de um feito inédito no carnaval carioca. A cantora, porém, havia pedido antecipadamente à diretoria que não se sentisse pressionada por sua presença, reconhecendo que a escola e sua comunidade devem sempre preceder os interesses individuais. O que poderia ser lido como derrota revela, na verdade, uma rara forma de generosidade artística: a de quem compreende que pertencer a algo maior exige, às vezes, abrir mão do centro.
A Grande Rio encerrou sua disputa interna na noite de segunda-feira: o samba número 11, assinado por Deré & Cia, será o hino do desfile de 2027. A decisão pôs fim a uma expectativa que havia tomado conta dos fãs de Anitta e da própria comunidade da escola, já que a cantora era coautora de uma das composições finalistas — uma parceria com Arlindinho, Igor Leal, Fred Camacho, Fabian Juarez e Diego Nicolau. Se vencesse, ela teria realizado algo sem precedentes: ser ao mesmo tempo rainha de bateria e autora do samba-enredo vencedor.
Mas Anitta antecipou o resultado com um gesto que poucos artistas de seu porte teriam feito. Dias antes da votação, procurou a diretoria da Grande Rio com um recado direto: não se sintam obrigados a escolher meu samba. Ela reconhecia que a quadra estava tomada por seus fãs, mas insistiu que a escola precisava ouvir as demandas reais de sua comunidade, não o clamor das redes sociais. Desde que foi coroada rainha de bateria, defendia publicamente que a escolha deveria servir aos interesses da agremiação.
Não era sua primeira incursão na composição de samba-enredo. Em 2025, ela havia integrado a equipe criativa da Unidos da Tijuca para o desfile sobre Logun-Edé. Na época, chegou a dizer que seria ainda melhor do que a coroação tornar-se a primeira rainha a assinar o próprio samba do desfile. A ambição existia — e era legítima.
O que a diferenciou foi colocar perspectiva entre a ambição e a ação. Anitta afirmou que seu trabalho como rainha seria realizado independentemente do resultado. O samba que vencesse, ela desfilaria. Esse gesto — que em outro contexto poderia soar como resignação — funcionou como maturidade dentro da lógica do carnaval, onde a escola sempre deve estar acima dos egos individuais. O Carnaval 2027 chegará com essa história embutida: não a de uma artista que perdeu, mas a de uma que soube sair do centro para que a escola pudesse escolher por si mesma.
A Grande Rio tomou sua decisão na noite de segunda-feira: o samba número 11, composto por Deré & Cia, será o hino que embala o desfile da escola no Carnaval 2027. A escolha encerrou uma disputa que havia capturado a atenção dos fãs de Anitta e gerado expectativa dentro da comunidade da agremiação. A cantora havia assinado uma das composições finalistas — uma parceria com Arlindinho, Igor Leal, Fred Camacho, Fabian Juarez e Diego Nicolau — e estava à beira de realizar algo sem precedentes no carnaval carioca: ser simultaneamente rainha de bateria e autora do samba-enredo vencedor.
Mas Anitta não deixou a derrota ecoar como tal. Dias antes da votação, ela havia procurado a diretoria da Grande Rio com um recado claro: não se sintam obrigados a escolher meu samba. Foram suas palavras, diretas e sem margem para interpretação. A cantora reconhecia que a quadra estava repleta de seus fãs, mas insistiu que a escola precisava ouvir as demandas reais da comunidade, não apenas o clamor das redes sociais. Desde o momento em que foi coroada rainha de bateria, ela defendeu publicamente que a escolha do samba deveria servir aos interesses da escola e ao que fosse melhor para sua evolução no desfile.
Não era a primeira vez que Anitta se aventurava na composição de samba-enredo. Em 2025, ela havia integrado uma equipe criativa para a Unidos da Tijuca, trabalhando ao lado de Feijão, Diego Nicolau, Fred Chamacho, Estêvão Ciavatta, Miguel Pinto Guimarães e Luiz Antonio Simas. Aquele samba embalou o desfile sobre Logun-Edé, o santo menino que o velho respeita. Na época, em entrevista à revista ELA, ela havia dito que seria melhor ainda do que a coroação ser a primeira rainha da história a assinar o próprio samba do desfile. A ambição estava lá, clara e legítima.
Mas entre a ambição e a ação, Anitta colocou algo que muitos artistas não conseguem: perspectiva. Ela afirmou que seu trabalho como rainha de bateria seria realizado independentemente de qual samba vencesse. O que ganhasse, ela desfilaria. Essa postura — que poderia soar como resignação em outro contexto — funcionou como um gesto de maturidade dentro da lógica do carnaval, onde a escola e sua comunidade sempre devem estar acima dos egos individuais, mesmo quando esses egos pertencem a artistas de alcance nacional.
A composição que venceu, a número 11 de Deré & Cia, agora carrega o peso de ter sido escolhida não apenas pelos votos, mas também pela renúncia de Anitta em pressionar a decisão. Ela continuará como rainha de bateria da Grande Rio, e o samba que não assinou será o que ela desfilará. O Carnaval 2027 chegará com essa história embutida — não a história de uma artista que perdeu, mas a de uma que compreendeu que às vezes o melhor lugar para estar é fora do centro das atenções, permitindo que a escola respire e escolha por si mesma.
Citas Notables
Falei com a diretoria: Não se sintam pressionados para escolher o meu samba. São Departamentos diferentes. Escolham um que vocês acreditam que será o melhor pro desfile.— Anitta
O samba que ganhar, eu vou desfilar. Quero que ganhe o que for melhor para a Grande Rio.— Anitta