Nem sempre o que é cancelado desaparece sem deixar rasto. A Microsoft desenvolveu em segredo o Andromeda OS, um sistema operativo concebido de raiz para dispositivos de duplo ecrã, que nunca chegou ao mercado depois de a empresa optar pelo Android para o Surface Duo. Imagens recentemente reveladas de uma versão primitiva do sistema mostram uma visão alternativa do que poderia ter sido a computação móvel — e lembram-nos que os projetos abandonados raramente morrem por completo.
Andromeda OS: O sistema operativo cancelado da Microsoft para ecrãs duplos
Um projeto cancelado raramente desaparece completamente
Porque é que a Microsoft abandonou este sistema operativo se parecia tão bem pensado?
Porque o Andromeda OS era um risco. Desenvolver um sistema operativo inteiramente novo, do zero, para um mercado que ainda não existia — dispositivos de duplo ecrã — era caro e incerto. O Android já existia, já era maduro, e a Microsoft podia colocar o Surface Duo no mercado muito mais depressa usando-o.
Mas então o Android não era uma derrota?
Não exatamente. Era uma rendição pragmática. A Microsoft percebeu que o que importava era o hardware inovador — dois ecrãs — e não necessariamente o sistema operativo por baixo. O Android permitiu-lhe chegar ao mercado. Mas o Andromeda OS teria sido uma experiência completamente diferente.
Qual era a grande diferença?
O Andromeda OS foi pensado desde o início para dois ecrãs. Cada funcionalidade — desde o ecrã de bloqueio até à forma como os gestos funcionavam — era desenhada para aproveitar esse espaço duplo. O Android é um sistema pensado para um ecrã único, depois adaptado para dois. São filosofias diferentes.
E aquelas notas que se podiam tirar no ecrã bloqueado?
Isso era a ideia de capturar pensamentos sem fricção. Não precisavas de desbloquear nada, não precisavas de abrir uma aplicação. Apenas tocavas com a caneta e escrevias. Era pensado para criadores — pessoas que desenham, que anotam, que pensam visualmente.
Porque é que ninguém sabe disto?
Porque foi um projeto secreto que foi cancelado. Só agora, anos depois, é que imagens vazadas mostram o que teria sido. A maioria das pessoas nunca soube que existiu.
Il Polso
- A Microsoft apostou num sistema operativo inteiramente novo para duplo ecrã, mas cancelou-o silenciosamente ao escolher o Android para o Surface Duo.
- Imagens inéditas testadas num Lumia 950 expõem funcionalidades que nunca chegaram ao público: anotações no ecrã bloqueado com Surface Pen e uma aplicação Journal para escrita e desenho.
- O projeto herdava o ADN do Windows Phone e prometia uma integração profunda entre caneta, gesto e ecrã duplo — uma proposta que o Android nunca replicou por completo.
- O Andromeda OS não morreu sem deixar herança: o suporte avançado a gestos acabou por chegar ao Surface Duo, provando que ideias canceladas podem sobreviver nos produtos que as sucedem.
Nem sempre o que é cancelado desaparece sem deixar rasto. A Microsoft desenvolveu em segredo o Andromeda OS, um sistema operativo concebido de raiz para dispositivos de duplo ecrã, que nunca chegou ao mercado depois de a empresa optar pelo Android para o Surface Duo. Imagens recentemente reveladas de uma versão primitiva do sistema mostram uma visão alternativa do que poderia ter sido a computação móvel — e lembram-nos que os projetos abandonados raramente morrem por completo.
A Microsoft alimentou durante anos uma visão secreta para o futuro dos dispositivos móveis: um sistema operativo construído de raiz para equipamentos com dois ecrãs, chamado Andromeda OS. Nunca chegou ao mercado, mas imagens de uma versão primitiva, testadas num Lumia 950, revelam agora o que poderia ter sido.
O projeto corria em paralelo com o Windows 10X — descontinuado em maio de 2021 — mas era ainda mais reservado. Quando a Microsoft decidiu que o Surface Duo funcionaria com Android, o Andromeda OS foi abandonado. A decisão foi pragmática, mas encerrou uma visão alternativa do que um sistema operativo móvel poderia oferecer.
O sistema carregava influências visíveis do Windows Phone. O ecrã de bloqueio permitia escrever notas com a Surface Pen sem desbloquear o dispositivo. Uma vez dentro do sistema, a aplicação Journal oferecia um espaço dedicado para escrita, desenho e objetos tridimensionais. Havia ainda suporte a lembretes ao estilo dos Sticky Notes e gestos avançados — estes últimos acabariam por chegar ao Surface Duo mesmo sem o Andromeda OS.
Algumas das ideias que animavam o projeto encontraram, afinal, caminho até aos produtos lançados. Um projeto cancelado raramente desaparece por completo: as suas melhores intuições tendem a ressurgir, reformuladas, naquilo que vem a seguir.
A Microsoft tinha um plano ambicioso para o futuro dos dispositivos móveis: um sistema operativo inteiramente novo, desenvolvido em segredo, concebido desde o início para equipamentos com dois ecrãs. Chamava-se Andromeda OS. Nunca chegou ao mercado, mas imagens de uma versão primitiva do sistema, obtidas pelo Windows Central e testadas num antigo smartphone Lumia 950, revelam agora como teria funcionado — e sugerem o que poderia ter sido.
Em maio de 2021, a Microsoft descontinuou o Windows 10X, uma versão do seu sistema operativo pensada especificamente para dispositivos de duplo ecrã como o Surface Neo. Mas enquanto esse projeto corria em paralelo, a empresa trabalhava também no Andromeda OS, um esforço ainda mais secreto com o mesmo objetivo: criar um sistema operativo nativo para equipamentos com dois ecrãs. Quando a Microsoft decidiu finalmente que o Surface Duo — o seu smartphone de duplo ecrã — funcionaria com Android, o Andromeda OS foi abandonado. A escolha foi pragmática, mas deixou em suspenso uma visão alternativa do que um sistema operativo móvel poderia ser.
O Andromeda OS carregava influências claras do Windows Phone, o sistema que a Microsoft havia descontinuado anos antes. O ecrã de bloqueio, por exemplo, permitia aos utilizadores escrever notas directamente com uma Surface Pen sem necessidade de desbloquear o dispositivo ou abrir qualquer aplicação. Era uma funcionalidade pensada para capturar ideias rapidamente, no momento em que surgem. Uma vez desbloqueado, o sistema oferecia uma aplicação chamada Journal — um espaço dedicado onde se podia escrever, desenhar, inserir imagens e objetos tridimensionais, tudo com a caneta stylus. Havia também suporte para lembretes ao estilo dos Sticky Notes, aqueles pequenos papéis virtuais que flutuam no ecrã.
O sistema dispunha de suporte avançado a gestos, uma característica que, ironicamente, acabaria por chegar ao Surface Duo mesmo sem o Andromeda OS. É importante notar que o Andromeda OS não foi originalmente concebido para funcionar em smartphones como o Lumia 950, onde foi testado. Os engenheiros da Microsoft usaram esse dispositivo como um banco de testes para validar certos componentes e funcionalidades do sistema — uma prática comum no desenvolvimento de software, onde o hardware de teste nem sempre é o alvo final.
Em setembro de 2021, a Microsoft apresentou a sua nova geração de dispositivos Surface, incluindo o Surface Duo 2, um refinamento do conceito de duplo ecrã. Vários modelos foram adiados para 2022, chegando eventualmente ao mercado português — embora o smartphone de duplo ecrã tenha permanecido ausente. O que é curioso é que algumas das ideias que animavam o Andromeda OS — nomeadamente o suporte a gestos e a integração profunda de ferramentas de anotação — encontraram caminho até aos produtos que a Microsoft acabou por lançar. Um projeto cancelado raramente desaparece completamente; as suas melhores ideias tendem a ressurgir, reformuladas, em produtos posteriores.
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O Andromeda OS carregava influências claras do Windows Phone, incluindo um ecrã de bloqueio que permitia escrever notas directamente com uma Surface Pen— Análise das imagens obtidas pelo Windows Central