Alunas apresentam pesquisa sobre terras raras em feira de ciências de Boa Vista

A educação vai muito além das paredes da sala de aula
O professor Samuel Vieira refletiu sobre a transformação que presenciou nas alunas ao longo da pesquisa.
Mark

Por que você acha que essas meninas foram tão longe com essa pesquisa? Não era só um trabalho de escola.

Mimi

Porque o professor viu algo além da tarefa. Ele leu sobre terras raras nos jornais e pensou: essas alunas precisam saber disso. Não para tirar nota. Para entender o mundo onde vivem.

Mark

Mas elas não tinham medo de entrevistar pesquisadores? Gente importante?

Mimi

Tinham, sim. Angely disse que ficaram nervosas. Mas aquele nervosismo era o sinal de que estavam fazendo algo real. Não era simulado. Era pesquisa de verdade.

Mark

E o que mudou nelas ao longo do processo?

Mimi

Ganharam confiança. Começaram tímidas, mas conforme conversavam com especialistas, compreendiam que tinham direito de fazer perguntas. Que a educação não é só receber informação. É buscar.

Mark

Você acha que elas vão continuar com isso?

Mimi

Hilari disse que quer continuar aprendendo sobre terras raras. O professor quer publicar o trabalho. Tieta Barreira quer apoiar mais iniciativas assim. Isso não termina na feira. Está apenas começando.

  • Três meninas partem do zero sobre um tema técnico e desconhecido e constroem, em meses, uma pesquisa que alcança universidades e laboratórios internacionais.
  • O nervosismo de entrevistar especialistas e a timidez inicial criam tensão real — mas é exatamente esse desconforto que gera aprendizado profundo e confiança crescente.
  • A escola, a universidade, o setor privado e uma pesquisadora em Portugal se conectam em torno de um projeto de ensino fundamental, revelando a força de redes improváveis.
  • O projeto não encerra na feira: há planos de refinamento, participação em etapas competitivas e possível publicação em revista científica ou educacional.
  • Roraima, lar de um dos maiores depósitos de terras raras do mundo, ganha três novas vozes capazes de explicar à comunidade por que esse mineral importa para o futuro do estado.

Em Boa Vista, três estudantes do ensino fundamental transformaram um tema de geopolítica mineral em experiência viva ao investigar as terras raras de Roraima para uma feira de ciências escolar. Guiadas pelo professor Samuel Vieira, Agatha, Angely e Hilari cruzaram as fronteiras da sala de aula para entrevistar geólogos, empresários e pesquisadores em Portugal, descobrindo que seu estado abriga um dos maiores depósitos desses elementos essenciais à tecnologia moderna. O que começou como um projeto escolar revelou-se um ato de apropriação de conhecimento — o tipo que não apenas informa, mas pertence a quem o constrói.

Na última sexta-feira, a Feira de Ciências da Escola Municipal Nova Canaã, em Boa Vista, recebeu um projeto que fugia do comum. Agatha Valentina, Angely Ricmar e Hilari de Souza, alunas do ensino fundamental, apresentaram "Recursos Naturais: Terras Raras" — resultado de meses de investigação sobre um assunto que, no início, era para elas apenas um nome estranho em um artigo de jornal.

O impulso veio do professor Samuel Vieira, que leu reportagens sobre o tema e enxergou uma oportunidade de levar as alunas além das paredes da escola. A pesquisa cresceu de forma orgânica: começou com leituras, avançou para entrevistas com a geóloga Lorena Malta, da UFRR, com o empresário Luís Sérgio Barreira, do Complexo Barreira, e chegou até Elaine Santos, pesquisadora brasileira no Laboratório Nacional de Energia e Geologia de Portugal. Cada conversa ampliava a compreensão das três sobre um mineral estratégico para a tecnologia contemporânea.

As estudantes descreveram a experiência com clareza: Agatha falou da alegria da descoberta; Angely, do desafio de perguntar a especialistas; Hilari, da vontade de continuar. Todas reconheceram o papel central do professor Vieira, que acompanhou a transformação das meninas de tímidas a confiantes. Tieta Barreira, proprietária do Complexo Barreira, que abriu as portas do empreendimento à pesquisa, sinalizou que seguirá apoiando iniciativas educacionais sobre o tema.

O projeto não termina na feira. Há planos de refiná-lo, submetê-lo a etapas competitivas e buscar publicação em revista científica. O pano de fundo dá peso a tudo isso: Roraima abriga um dos maiores depósitos de terras raras do mundo — 17 elementos essenciais a celulares, baterias, carros elétricos e painéis solares. Ao investigar esse universo, as três alunas não apenas cumpriram uma tarefa escolar. Apropriaram-se de um conhecimento que moldará o futuro do seu estado.

Na sexta-feira passada, durante a Feira de Ciências da Escola Municipal Nova Canaã em Boa Vista, três alunas do ensino fundamental apresentaram um projeto que transformou um tema técnico e distante em algo vivo e tangível. Agatha Valentina, Angely Ricmar e Hilari de Souza haviam passado meses investigando terras raras — um assunto que, para elas, era praticamente desconhecido quando começaram. O trabalho intitulado "Recursos Naturais: Terras Raras" não era um exercício de sala de aula comum. Era resultado de entrevistas com pesquisadores, visitas técnicas e orientação cuidadosa do professor Samuel Vieira, que havia lido reportagens sobre o tema e viu ali uma oportunidade de levar as meninas para além das paredes da escola.

O que tornou o projeto notável foi o alcance das entrevistas. As três estudantes conversaram com a geóloga Lorena Malta, da Universidade Federal de Roraima; com Luís Sérgio Barreira, empresário proprietário do Complexo Barreira, um empreendimento dedicado ao estudo da exploração de terras raras no estado; e até com Elaine Santos, pesquisadora brasileira que trabalha no Laboratório Nacional de Energia e Geologia de Portugal. Cada conversa ampliava o que elas compreendiam sobre um mineral que, até então, era apenas um nome estranho em um artigo de jornal.

Para Agatha, a experiência foi reveladora. Ela descreveu a alegria de descobrir o que eram terras raras e a satisfação de apresentar o trabalho diante de uma plateia. Angely ressaltou o desafio de fazer perguntas para especialistas — havia nervosismo, mas também aprendizado profundo. Hilari deixou claro que pretendia continuar explorando o tema. As três meninas, em suas falas, reconheceram a importância do professor Vieira em guiá-las pelo processo, desde a pesquisa inicial até a apresentação final.

O professor explicou que o projeto havia evoluído de forma orgânica. Começou com leitura de reportagens publicadas pela Folha de Boa Vista, depois as alunas buscaram aprofundamento com especialistas. Vieira descreveu a transformação que presenciou: as meninas começaram tímidas, mas ganharam confiança ao longo do caminho, compreendendo que a educação verdadeira transcende as limitações de uma sala de aula. Ele revelou também que o projeto não terminaria na feira — havia planos de refiná-lo, submetê-lo às próximas etapas da competição e, potencialmente, publicá-lo em uma revista científica ou educacional.

Tieta Barreira, proprietária do Complexo Barreira, acompanhou de perto o desenvolvimento da pesquisa. Ela forneceu acesso às instalações e informações do empreendimento, reconhecendo que o interesse das alunas havia começado com as reportagens e depois se expandiu através da universidade até chegar ao seu complexo. Para ela, envolver crianças em pesquisa científica sobre um tema estratégico para Roraima cumpre um papel educativo mais amplo — essas meninas agora poderiam explicar a colegas, pais e familiares o que são terras raras e por que importam. Tieta sinalizou que continuaria apoiando iniciativas educacionais ligadas ao assunto.

O contexto que dá peso a todo esse trabalho é simples mas significativo: Roraima abriga um dos maiores depósitos de terras raras do mundo. Esses 17 elementos químicos são essenciais para tecnologias contemporâneas — celulares, computadores, baterias, carros elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, equipamentos médicos. A descoberta em Roraima colocou o estado no mapa de uma indústria global estratégica, transformando terras raras de um assunto acadêmico abstrato em uma questão central para o desenvolvimento econômico e a inovação regional. Três alunas de uma escola municipal, ao investigarem esse tema, não estavam apenas fazendo um trabalho escolar. Estavam se apropriando de um conhecimento que moldará o futuro do seu estado.

Estou muito feliz com o projeto e descobri o que são terras raras. A pesquisa foi muito interessante e apresentar também foi uma das melhores partes.
— Agatha Valentina, aluna
Conduzir as meninas foi muito gratificante. Desde o começo até o final foi um processo de evolução. Elas foram se soltando, ganhando confiança e entendendo que a educação vai muito além das paredes da sala de aula.
— Professor Samuel Vieira
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