Alphabet lucra US$ 15 bi no 1T23, queda de 8,5%, mas aprova recompra de US$ 70 bi

Alphabet cortou aproximadamente 12.000 empregos em janeiro de 2023 como parte de controle rigoroso de custos.
Terceira queda em vendas de anúncios desde 2004 sinaliza pressão real
A receita publicitária da Alphabet recuou no primeiro trimestre, marcando um raro momento de fraqueza no negócio central da empresa.
Mark

Por que o lucro caiu 8,5% se a receita cresceu 3%? Isso não deveria ser contraditório?

Mimi

Não necessariamente. A receita cresceu, mas os custos operacionais e a estrutura de despesas também aumentaram. Além disso, a receita publicitária — o cerne do negócio — na verdade recuou. O crescimento total veio de outras fontes, mas não foi suficiente para compensar as pressões nos ganhos.

Mark

A queda nas vendas de anúncios é realmente tão rara quanto parece?

Mimi

Sim. É apenas a terceira vez em quase 20 anos. Isso mostra como o mercado publicitário digital está sob pressão real. Não é um blip — é uma tendência que começou no trimestre anterior.

Mark

E esses negócios alternativos, Waymo e Verily, parecem estar indo muito mal.

Mimi

Estão longe de serem rentáveis ou significativos. Caíram 34,5% em um trimestre. São apostas de longo prazo, mas ainda não geram receita material. A empresa está basicamente financiando-os com os lucros do Google.

Mark

Os 12 mil empregos cortados em janeiro — isso foi uma resposta aos números ruins?

Mimi

Provavelmente uma resposta antecipada. A empresa viu sinais de recessão e decidiu agir antes que os números ficassem piores. É um sinal de que a liderança está preocupada com o que vem pela frente.

Mark

A recompra de US$ 70 bilhões contradiz essa preocupação?

Mimi

Não. É uma forma de retornar dinheiro aos acionistas enquanto a empresa está sob pressão. Também pode ser vista como um voto de confiança de que a situação é temporária. Mas é uma escolha: esse dinheiro poderia estar sendo investido em IA ou em outras áreas.

Mark

A IA é realmente o futuro da empresa agora?

Mimi

Tem que ser. O Bing e o ChatGPT representam uma ameaça real ao negócio de buscas. Se a Alphabet perder sua posição dominante em buscas, perde a fonte de 90% de seus lucros. Não é exagero dizer que a empresa está em uma corrida existencial.

  • O lucro caiu 8,5% e a receita com anúncios recuou pela apenas terceira vez desde a abertura de capital em 2004, expondo a fragilidade do modelo publicitário digital em tempos de incerteza econômica.
  • As apostas de longo prazo — Waymo e Verily — desabaram 34,5% em receita, reforçando que os braços alternativos da Alphabet ainda estão longe de compensar qualquer fraqueza no núcleo do negócio.
  • A empresa demitiu cerca de 12 mil funcionários em janeiro e manteve custos abaixo das projeções, sinalizando uma gestão disposta a sacrificar empregos para preservar margens.
  • O conselho aprovou uma recompra de US$ 70 bilhões em ações, e o mercado respondeu com alta de 4,32% no pós-mercado — um voto de confiança na capacidade de recuperação da companhia.
  • A inteligência artificial emerge como o verdadeiro campo de disputa: pressionada pelo Bing e pelo ChatGPT, a Alphabet acelera sua estratégia de IA para defender o domínio histórico nas buscas.

A Alphabet encerra o primeiro trimestre de 2023 como uma empresa que, ao mesmo tempo, recua e se reposiciona: o lucro encolheu 8,5% e a receita publicitária sofreu uma de suas raras quedas históricas, mas a gestão respondeu com cortes de pessoal, disciplina de custos e uma recompra bilionária de ações que sinaliza fé no próprio futuro. No pano de fundo, a corrida pela inteligência artificial redefine o campo de batalha em que o Google construiu seu império — e a empresa sabe que não pode chegar atrasada.

A Alphabet fechou o primeiro trimestre de 2023 com sinais contraditórios: o lucro líquido recuou 8,5%, chegando a US$ 15,05 bilhões, mas a receita total de US$ 69,79 bilhões superou as expectativas dos analistas, crescendo 3% na comparação anual.

O ponto mais delicado foi a receita publicitária, que caiu para US$ 54,55 bilhões — apenas a terceira vez na história da empresa, desde 2004, que esse número regride. A tendência preocupa porque o trimestre anterior já havia registrado queda de 3,6%, sugerindo pressão estrutural no mercado de anúncios digitais. As divisões alternativas, como Waymo e Verily, também decepcionaram, com receita despencando 34,5% para US$ 288 milhões.

Para enfrentar o cenário adverso, a gestão agiu com austeridade: em janeiro, cerca de 12 mil empregos foram cortados, e os custos de aquisição de tráfego ficaram abaixo das projeções. Em paralelo, o conselho aprovou uma recompra de ações de US$ 70 bilhões, impulsionando os papéis 4,32% no pós-mercado da Nasdaq.

No horizonte, a batalha pela inteligência artificial define o próximo capítulo. Pressionada pelo avanço do Bing, da Microsoft, e pelo ChatGPT, da OpenAI, a Alphabet intensifica seus investimentos em IA — reconhecendo que o mercado de buscas, seu território histórico, está em plena transformação.

A Alphabet, controladora do Google, encerrou o primeiro trimestre de 2023 com números que revelam uma empresa em transição. O lucro líquido caiu para US$ 15,05 bilhões, uma redução de 8,5% em relação aos US$ 16,44 bilhões do mesmo período do ano anterior. Apesar do recuo nos ganhos, a receita total surpreendeu positivamente, atingindo US$ 69,79 bilhões — crescimento de 3% na comparação anual e ligeiramente acima da projeção de US$ 68,95 bilhões que analistas da Refinitiv esperavam.

O resultado reflete pressões reais no negócio central da empresa. A receita publicitária, que historicamente sustenta a Alphabet, caiu para US$ 54,55 bilhões ante US$ 54,66 bilhões no trimestre anterior. Essa queda marca apenas a terceira vez na história da companhia — desde sua abertura de capital em 2004 — que o faturamento com anúncios recua. O contexto é preocupante: a queda no quarto trimestre de 2022 havia sido de 3,6%, sinalizando uma tendência negativa no mercado publicitário digital.

Outras divisões também decepcionaram. Os negócios alternativos da empresa, que incluem a unidade de ciências biológicas Verily e a fabricante de carros autônomos Waymo, geraram apenas US$ 288 milhões em receita — uma queda acentuada de 34,5% em relação aos US$ 440 milhões do trimestre anterior. Esses braços da empresa, que representam as apostas de longo prazo da Alphabet, continuam longe de se tornarem motores de crescimento significativo.

A gestão da empresa tem respondido com austeridade. Em janeiro, a Alphabet anunciou o corte de aproximadamente 12 mil empregos como parte de um esforço rigoroso para controlar custos em meio a temores de recessão econômica. Os custos de aquisição de tráfego — o dinheiro que a empresa paga a parceiros para direcionar usuários — somaram US$ 11,72 bilhões, ligeiramente abaixo da projeção de US$ 11,78 bilhões da StreetAccount.

Apesar dos desafios, o conselho de administração aprovou uma recompra de ações no valor de US$ 70 bilhões, um sinal de confiança da liderança na recuperação futura. A notícia impulsionou o preço das ações: no pós-mercado da Nasdaq, os papéis subiram 4,32%, fechando em US$ 108,34. O lucro por ação ajustado foi de US$ 1,17.

A Alphabet também intensifica seu foco em inteligência artificial, reconhecendo a ameaça representada pelo Bing, da Microsoft, e pelo ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI com apoio da criadora do Windows. A corrida por tecnologia de IA tornou-se central para a estratégia da empresa, refletindo a urgência em recuperar terreno perdido em um mercado de buscas que começa a se transformar.

A Alphabet vem buscando manter um controle rigoroso sobre os custos em meio a temores de recessão
— Contexto do relatório trimestral
A companhia tem aumentado o foco na inteligência artificial em sua corrida para recuperar terreno perdido para o Bing e o ChatGPT
— Análise de estratégia da empresa
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