No plenário do Senado, Davi Alcolumbre respondeu à pressão da oposição sobre o impeachment de Alexandre de Moraes não com argumentos jurídicos, mas com um espelho: lembrou que a mesma família Bolsonaro que o acusava havia pedido R$ 130 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente. É um momento em que a política brasileira revela sua geometria mais antiga — a defesa pelo ataque, e a verdade como moeda de troca entre facções que disputam não apenas o poder, mas a narrativa do que é legítimo.
Alcolumbre contra-ataca críticos de Moraes citando pedido de R$ 130 mi para filme Dark Horse
Agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes
Por que Alcolumbre trouxe esse filme à discussão agora, especificamente neste momento?
Ele estava sendo pressionado todos os dias sobre impeachment. Era uma forma de dizer: vocês também têm coisas a responder, não é só o Moraes que está sob escrutínio.
Mas espera — o pedido de cento e trinta milhões para o filme é um fato confirmado ou é algo que Flávio Bolsonaro fez? Porque Alcolumbre está usando isso como se fosse equivalente às acusações contra Moraes, mas são coisas bem diferentes.
Flávio Bolsonaro fez o pedido a Vorcaro. Isso está documentado. Mas você tem razão — um é um pedido de financiamento, o outro envolve mensagens entre um ministro e um investigado sobre operações policiais.
E essas mensagens entre Moraes e Vorcaro — o que exatamente elas mostram?
A Polícia Federal diz que mostram Moraes discutindo com Vorcaro sobre a possibilidade de uma operação que teria Vorcaro como alvo. É basicamente um ministro conversando com alguém que está sendo investigado sobre operações que poderiam afetá-lo.
Mas a gente não viu as mensagens, certo? A gente só tem o que a Polícia Federal diz que está nelas. E Vorcaro está tentando fazer um acordo de delação, então ele tem incentivo para colaborar com investigações.
Verdade. E Vorcaro está preso, tentando negociar sua situação. Então há dinâmicas complexas ali.
Então Alcolumbre está basicamente dizendo: vocês têm problemas também, deixem de pressionar a mim e ao Moraes?
Essencialmente, sim. É uma defesa por distração — ou por equivalência, dependendo de como você vê.
Mas não é equivalência. Um é um pedido de financiamento para um filme. O outro é um ministro do Supremo potencialmente interferindo em investigações que o afetam. São coisas em escalas diferentes.
Então o que acontece agora?
Os pedidos de impeachment continuam parados. A pressão continua. E essas acusações cruzadas vão provavelmente continuar também.
The Pulse
- A oposição pressionou Alcolumbre por dois dias consecutivos para que ele movimentasse os pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
- Flávio Bolsonaro acusou Moraes de fazer articulação política envolvendo o próprio Alcolumbre e o presidente Lula, elevando o tom do confronto no plenário.
- Sentindo-se acuado, Alcolumbre revidou revelando que a oposição havia solicitado R$ 130 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
- No fundo do conflito, a Polícia Federal divulgou mensagens que indicam que Moraes discutia com Vorcaro — preso e em negociação de delação — a possibilidade de uma operação que teria o próprio banqueiro como alvo.
- O debate sobre a conduta do ministro do STF se transformou em um jogo de acusações cruzadas, com cada lado tentando desacreditar o outro antes de responder às perguntas centrais.
No plenário do Senado, Davi Alcolumbre respondeu à pressão da oposição sobre o impeachment de Alexandre de Moraes não com argumentos jurídicos, mas com um espelho: lembrou que a mesma família Bolsonaro que o acusava havia pedido R$ 130 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente. É um momento em que a política brasileira revela sua geometria mais antiga — a defesa pelo ataque, e a verdade como moeda de troca entre facções que disputam não apenas o poder, mas a narrativa do que é legítimo.
Na quarta-feira, Davi Alcolumbre subiu ao plenário do Senado sob pressão. Havia dois dias que senadores da oposição cobravam explicações sobre por que ele não dava andamento aos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em vez de responder diretamente, Alcolumbre trouxe à tona um episódio que, segundo ele, havia sido esquecido: um pedido de R$ 130 milhões feito por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que contaria a trajetória de Jair Bolsonaro.
A tensão havia escalado na terça-feira, quando Flávio Bolsonaro discursou no plenário acusando Moraes de fazer articulação política envolvendo o próprio Alcolumbre e o presidente Lula. A pressão continuou no dia seguinte, com outros três parlamentares da oposição cobrando o presidente do Senado. Alcolumbre disse estar recebendo muitas agressões e que, no momento certo, falaria sobre tudo — mas, por ora, escolheu o contra-ataque.
A mensagem era calculada: se havia algo a explicar sobre a conduta de Moraes, havia também algo a explicar sobre quem o criticava. A oposição havia recorrido ao mesmo Vorcaro que agora estava no centro das investigações sobre o ministro. A Polícia Federal havia divulgado mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro que indicavam que Moraes discutia com ele a possibilidade de uma operação policial que teria o próprio Vorcaro como alvo — enquanto ele estava preso e negociava uma delação premiada na Operação Compliance Zero.
O que deveria ser um debate sobre a independência do Judiciário e os limites da conduta de um ministro do STF se converteu em um duelo de revelações. Cada lado buscava desacreditar o outro antes de ter de responder às perguntas que realmente importavam. O Senado, palco dessa troca, refletia com fidelidade o estado de um sistema político onde a defesa mais eficaz ainda é o ataque.
Na quarta-feira, o presidente do Senado Davi Alcolumbre subiu ao plenário e mudou de assunto. Havia sido pressionado pela oposição durante dois dias seguidos sobre os pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Senadores da oposição queriam saber por que ele não movia os processos. Alcolumbre respondeu trazendo à tona um episódio que, segundo ele, todos haviam esquecido: um pedido de cento e trinta milhões de reais feito por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme chamado Dark Horse, que contaria a trajetória de Jair Bolsonaro.
O cenário político estava tenso. Na terça-feira anterior, Flávio Bolsonaro havia discursado no plenário acusando Moraes de fazer articulação política envolvendo o próprio Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio questionou por que o presidente da República precisaria se servir de um ministro do Supremo para fazer política, e perguntou a que nível havia chegado o trabalho de um magistrado que se comportava dessa forma. A pressão continuou na quarta-feira, quando três outros parlamentares da oposição voltaram a cobrar Alcolumbre sobre o andamento dos pedidos de impeachment.
Alcolumbre se sentiu acuado. Em seu discurso, afirmou estar recebendo muitas agressões nos últimos dias e disse que, no momento adequado, falaria sobre tudo. Mas naquele momento, trouxe à baila a questão do financiamento do filme. Segundo ele, a oposição havia pedido cento e trinta milhões de reais à mesma pessoa — Vorcaro — para fazer um filme, e agora o culpado era ele, Alcolumbre, e o ministro Moraes. A mensagem era clara: se havia algo questionável no comportamento de Moraes, havia também algo questionável no comportamento de quem o criticava.
O contexto que alimentava essa troca de acusações era mais profundo. A Polícia Federal havia divulgado informações sobre mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. Segundo os investigadores, as mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro indicavam que o ministro discutia com Vorcaro a possibilidade de a Polícia Federal deflagrar uma operação que teria o próprio Vorcaro como alvo. Vorcaro, que é dono do Banco Master, estava preso e tentava fechar um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Compliance Zero, que apurava fraudes bilionárias no setor financeiro.
A invocação de Alcolumbre sobre o pedido de cento e trinta milhões para o filme Dark Horse funcionava como uma espécie de escudo retórico. Ao trazer à discussão um episódio envolvendo a família Bolsonaro e o mesmo ex-banqueiro que agora estava no centro das investigações sobre Moraes, Alcolumbre tentava equilibrar a balança de acusações. Não era uma resposta direta às questões sobre o impeachment, mas uma tentativa de mostrar que ambos os lados tinham coisas a explicar. O debate no Senado havia se transformado em um jogo de apontações cruzadas, onde cada lado buscava desacreditar o outro trazendo à tona episódios que considerava problemático.
Notable Quotes
Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme.— Davi Alcolumbre, presidente do Senado
Olhe o ambiente que os três Poderes respiram hoje: o Presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer articulação política, presidente Davi, com vossa excelência.— Flávio Bolsonaro, senador