Em meio ao segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, o MDB enfrenta uma tensão interna que revela algo mais profundo do que uma simples escolha eleitoral: a dificuldade de partidos de centro em definir sua identidade quando pressionados por forças opostas. Enquanto líderes regionais de 15 estados e figuras como Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas cobram apoio formal a Flávio Bolsonaro, uma ala lulista dentro do partido defende a neutralidade como virtude — e Baleia Rossi, no meio do fogo cruzado, resiste. O que está em jogo não é apenas um candidato, mas a alma de uma legenda que a
Ala do MDB pressiona Baleia Rossi por apoio a Flávio, mas presidente resiste
A neutralidade como saída mais viável do que uma declaração que não muda o resultado
Por que Baleia Rossi está resistindo? Parece que todos os líderes importantes do partido estão pedindo apoio a Flávio.
Porque ele vê que a declaração formal não muda nada na prática. O tempo de TV não aumenta, os políticos apoiam de qualquer forma nos seus estados. É mais um gesto simbólico do que uma ferramenta real.
Mas isso assume que Baleia tem poder para resistir. Nunes controla o maior orçamento do MDB em São Paulo, Tarcísio é aliado próximo. Quanto tempo ele consegue segurar essa pressão?
E a ala lulista do partido? Eles têm força suficiente para bloquear um apoio?
Não sabemos exatamente. A reportagem menciona que existem, mas não detalha quem são ou qual é o peso deles nas negociações internas.
Exato. A gente sabe que há divisão, mas não temos números, não temos nomes de quem lidera essa ala. É um vazio na história.
E se o MDB seguir o modelo do PSD, liberando cada filiado para apoiar individualmente?
Aí Flávio ganha apoio de qualquer forma, mas sem o efeito de coesão que uma declaração formal teria. É o melhor dos dois mundos para Baleia — mantém a neutralidade institucional e deixa seus políticos livres.
Mas a reportagem não diz quando essa decisão será tomada. Quando Baleia vai anunciar o que o partido vai fazer? Isso importa para entender a urgência da pressão.
Der Puls
- Líderes do MDB em 15 estados pressionam Baleia Rossi com urgência crescente, temendo que o silêncio do partido seja lido como omissão política num momento decisivo.
- Ricardo Nunes, que controla o maior orçamento público sob gestão do MDB, e o governador Tarcísio de Freitas ligaram pessoalmente para Baleia na mesma terça-feira — sinal de que a pressão deixou de ser interna e ganhou peso institucional.
- A ala lulista do partido resiste com um argumento pragmático: uma declaração formal não ampliaria o tempo de TV de Flávio nem mudaria o comportamento dos filiados, tornando o gesto mais simbólico do que estratégico.
- O caminho mais provável é o modelo PSD — liberar cada filiado para apoiar individualmente, sem coordenação central, repetindo a fórmula que Kassab adotou após lançar candidato próprio no primeiro turno.
- Enquanto PP, União Brasil, Republicanos, Novo e Podemos já formalizaram ou encaminham apoio a Flávio, o MDB permanece em suspenso — dividido, mas ainda capaz de amplificar a coligação caso Baleia ceda.
Em meio ao segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, o MDB enfrenta uma tensão interna que revela algo mais profundo do que uma simples escolha eleitoral: a dificuldade de partidos de centro em definir sua identidade quando pressionados por forças opostas. Enquanto líderes regionais de 15 estados e figuras como Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas cobram apoio formal a Flávio Bolsonaro, uma ala lulista dentro do partido defende a neutralidade como virtude — e Baleia Rossi, no meio do fogo cruzado, resiste. O que está em jogo não é apenas um candidato, mas a alma de uma legenda que ainda busca seu lugar num Brasil cada vez mais polarizado.
Dentro do MDB, uma disputa silenciosa ganhou contornos mais nítidos nos últimos dias. De um lado, líderes regionais de pelo menos 15 estados — incluindo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pará — exigem que o presidente Baleia Rossi declare apoio formal ao senador Flávio Bolsonaro no segundo turno. Do outro, uma ala ligada ao presidente Lula defende a neutralidade como posição mais coerente para o partido. Por ora, Baleia resiste.
A pressão veio de figuras de peso. Na terça-feira 6 de outubro, Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo e gestor do maior orçamento público sob controle do MDB, telefonou para Baleia pedindo o apoio. Nunes já havia feito sua escolha na prática: organizou eventos para Flávio e mobilizou a estrutura partidária paulista em favor da campanha. Auxiliares seus, em anonimato, sugerem que ele mira uma posição num eventual governo Flávio — seu mandato termina em 2028, sem possibilidade de reeleição. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e aliado próximo da ala paulista do MDB, também conversou com Baleia no mesmo dia.
No entorno do presidente do partido, porém, o raciocínio é outro. Uma declaração formal não ampliaria o tempo de TV do candidato, e os filiados que desejam apoiá-lo já o farão individualmente, em seus estados, sem precisar de aval nacional. O gesto seria mais símbolo do que ferramenta.
O desfecho mais provável é que o MDB siga o caminho do PSD. Kassab explicou à Folha que seu partido lançou candidato próprio justamente para se apresentar como alternativa ao bolsonarismo — e, eliminado no primeiro turno, liberou cada filiado para decidir por conta própria. Sem coordenação central, apenas permissão para agir. Flávio já tem apoio formal de PP, União Brasil, Republicanos e Novo, com o Podemos a caminho. O MDB, que poderia reforçar essa coligação, segue dividido — e Baleia, por ora, enxerga na neutralidade uma saída mais viável do que uma declaração que, no seu cálculo, não mudaria o resultado prático da campanha.
Dentro do MDB, uma disputa silenciosa está dividindo a sigla. De um lado, líderes regionais de pelo menos 15 estados — entre eles Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pará — cobram do presidente Baleia Rossi uma declaração formal de apoio ao senador Flávio Bolsonaro. Do outro, uma ala ligada ao presidente Lula defende que o partido mantenha a neutralidade. Por enquanto, Baleia resiste.
A pressão vem de cima. Na terça-feira 6 de outubro, Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo e figura que controla o maior orçamento público sob gestão do MDB, ligou para Baleia pedindo o apoio. Nunes já fez sua escolha: organizou eventos para Flávio, mobilizou apoiadores e colocou a máquina partidária do estado a trabalhar pela campanha do filho de Jair Bolsonaro. Auxiliares dele, falando sob anonimato, sugerem que ele poderia integrar um eventual governo Flávio — seu mandato como prefeito termina em 2028, e a reeleição lhe é vedada.
Não é apenas Nunes. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo pelo Republicanos, também conversou com Baleia por telefone na mesma terça. Tarcísio é aliado próximo da ala paulista do MDB. Além de manter parceria eleitoral com Nunes, foi protagonista nas negociações que levaram seu vice, Felício Ramuth, a se filiar ao MDB — movimento que ocorreu quando o relacionamento de Tarcísio com Gilberto Kassab, do PSD, havia se deteriorado e Ramuth precisava de legenda para concorrer à reeleição.
Mas no entorno de Baleia, a lógica é outra. Para eles, uma declaração formal de apoio a Flávio teria poucos efeitos práticos. O gesto não ampliaria o tempo de TV do candidato, e os políticos que desejam apoiá-lo o farão de qualquer forma — individualmente, em seus estados, sem coordenação nacional. Nesse cálculo, a declaração seria mais um símbolo do que uma ferramenta.
O cenário mais provável é que o MDB termine como o PSD. Ronaldo Caiado, ex-governador derrotado por Flávio e por Lula no primeiro turno, declarou apoio ao senador em um evento em Goiás ao lado de vários correligionários. Mas Gilberto Kassab, seu vice na chapa presidencial, disse à Folha que o partido lançou candidato próprio justamente para se apresentar como alternativa ao bolsonarismo e liberou cada filiado para apoiar conforme sua preferência. Sem coordenação central, apenas permissão para agir.
Flávio já colheu apoios formais de PP, União Brasil e Republicanos. O Novo também declarou apoio, e o Podemos deve fechar acordo ainda nesta semana. Mas o MDB, partido que poderia amplificar essa coligação, segue em suspenso — dividido entre a pressão dos seus líderes regionais e a resistência de Baleia, que enxerga na neutralidade uma saída mais viável do que uma declaração que não mudaria o resultado prático da campanha.
Bemerkenswerte Zitate
O partido lançou candidato próprio para se apresentar como alternativa ao bolsonarismo e liberou cada filiado para apoiar conforme sua preferência— Gilberto Kassab (PSD) à Folha