Agricultora tem carro financiado por desconhecida sem autorização em golpe no RS

Vítima impedida de usar seu próprio veículo, afetando assistência a mãe idosa de 92 anos, e incorrendo em despesas extras de R$ 15 mil com aluguel de carro.
Eu não posso nem vender o carro, nem andar com o carro
Sônia descreve a situação após meses com o veículo bloqueado no sistema, apesar da decisão judicial.
Mark

Como é que alguém consegue financiar um carro que não é seu? Não existe verificação de propriedade?

Mimi

Aparentemente não foi suficiente neste caso. A mulher desconhecida conseguiu usar documentos — que Sônia acredita serem falsificados — para convencer o banco de que era dona do carro. O banco depois alegou que tudo estava legalizado, mas não há assinatura válida do marido em nada.

Luke

Mas aí fica a pergunta: como o banco não verificou a assinatura? Ou verificou e deixou passar? Porque se foi negligência do banco, por que Sônia está pagando aluguel e não o C6?

Mimi

Exatamente. O banco não se posicionou sobre o caso. Sônia tem uma decisão judicial que diz que o carro é dela, mas o sistema ainda mostra restrições.

Mark

E o que acontece agora? Ela fica presa nessa situação para sempre?

Mimi

Não sabemos. A decisão foi em setembro, mas a restrição não foi removida. Ela pode tentar executar a decisão, mas isso custa tempo e dinheiro — ela já gastou R$ 15 mil com aluguel.

Luke

Isso é importante: não sabemos se a restrição é um erro técnico ou se há algo mais complicado acontecendo. O que sabemos é que a decisão judicial não foi implementada.

Mark

E a mulher que fez o golpe? Ela foi encontrada?

Mimi

A fonte não menciona isso. Só sabemos que ela mora em Canoas, no Rio Grande do Sul, e que não pagou nenhuma parcela do financiamento.

Luke

Então há um criminoso em aberto, um banco que não se pronuncia, e uma vítima que continua impedida de usar seu próprio bem.

  • Um oficial de Justiça chegou à casa de Sônia com guincho e escolta policial para apreender um carro que ela jamais vendeu — o estopim de um golpe que ela nem sabia que havia acontecido.
  • Uma desconhecida em Canoas (RS) obteve R$ 70 mil por meio de um financiamento fraudulento usando documentos falsificados vinculados ao veículo de Sônia, sem que nenhuma assinatura válida do casal constasse no contrato.
  • O C6 Bank insiste que o processo foi regularizado, mas a agricultora contesta: não há rastro legítimo de sua participação em nenhuma etapa da operação.
  • Em setembro, uma juíza determinou o desbloqueio do veículo — mas a decisão não saiu do papel, e o carro segue preso no sistema, sem poder circular ou ser vendido.
  • Sem acesso ao próprio carro, Sônia já gastou R$ 15 mil em aluguel de veículo para cuidar de sua mãe de 92 anos, além dos custos com advogada — tudo para provar que algo que é seu, de fato, é seu.

Em Batatais, interior de São Paulo, uma agricultora se viu diante de uma das formas mais silenciosas de violência moderna: ter sua identidade e seus bens usados por desconhecidos, sem que soubesse, sem que consentisse. Sônia Mani descobriu que seu carro havia sido financiado fraudulentamente por uma mulher no Rio Grande do Sul, com documentos falsificados e sem qualquer assinatura válida de sua família. A Justiça lhe deu razão em setembro, mas o sistema ainda não a libertou — e ela continua pagando, com tempo e dinheiro, por um crime que não cometeu.

Em agosto, um oficial de Justiça chegou à casa de Sônia Mani, em Batatais (SP), acompanhado de policiais militares e um guincho. O motivo era um financiamento de mais de R$ 130 mil contraído em Canoas, no Rio Grande do Sul, por uma mulher que Sônia jamais conheceu. O problema é que o carro financiado era dela — comprado à vista pelo marido em 2020 — e ela nunca o vendeu, nunca o transferiu e nunca recebeu um centavo.

Ao apresentar a nota fiscal e explicar a situação, Sônia convenceu o oficial a não levar o veículo. Mas o esquema era mais profundo: a suposta compradora havia recebido R$ 70 mil via contrato de financiamento, comprometendo-se a devolver R$ 130 mil ao banco. Nenhuma assinatura válida do marido de Sônia constava nos documentos. A agricultora aponta o uso de documentos falsificados como o mecanismo central do golpe. O C6 Bank, responsável pelo financiamento, afirmou que tudo havia sido devidamente legalizado — versão que Sônia contesta com veemência.

Ela registrou boletim de ocorrência, contratou advogada e entrou com ação na Justiça. Em 22 de setembro, uma juíza determinou o desbloqueio do veículo. Mas a decisão não saiu do papel: o carro permanece com restrições no sistema, sem poder circular ou ser vendido.

As consequências são concretas e custosas. Sônia depende do carro para cuidar de sua mãe, de 92 anos. Sem poder usá-lo, passou a alugar um automóvel — e já gastou R$ 15 mil só com isso, além dos honorários advocatícios. Ela é dona do carro, provou isso em juízo, e ainda assim não pode fazer nada com ele. O C6 Bank não se manifestou publicamente sobre o caso até o momento da publicação.

Em agosto, um oficial de Justiça chegou à casa de Sônia Mani em Batatais, no interior de São Paulo, acompanhado pela Polícia Militar e um guincho. Ele vinha para apreender seu carro. O motivo: um financiamento de mais de R$ 130 mil contraído em Canoas, no Rio Grande do Sul, por uma mulher cujo nome Sônia nunca havia ouvido falar. O problema é que Sônia nunca vendeu o carro, nunca o levou para o Sul, e nunca recebeu um centavo pelos direitos sobre o veículo.

O automóvel havia sido comprado à vista pelo marido de Sônia em 2020. Segundo a agricultora, tudo estava em ordem — ela tinha a nota fiscal, o carro estava em seu nome, e nada havia sido feito sem sua autorização. Quando o oficial chegou, ela apresentou a documentação e explicou a situação. "Nunca vendi para ninguém, nunca financiei, nunca emprestei para ninguém. E eu achei muito estranho, porque a gente gosta das coisas muito certas, e foi muito constrangedor ter um carro, um policial e um guincho de frente à minha casa buscando um carro", relata Sônia. O oficial, convencido pela apresentação dos documentos, não levou o veículo.

O esquema fraudulento é claro nos detalhes. A suposta compradora recebeu R$ 70 mil por meio do contrato de financiamento, comprometendo-se a devolver pouco mais de R$ 130 mil ao banco. Mas Sônia e seu marido nunca assinaram nada. Nenhuma assinatura do marido aparece na documentação, e nenhum dinheiro chegou às mãos deles. Sônia aponta a utilização de documentos falsificados como o mecanismo do golpe. O C6 Bank, instituição que realizou o financiamento, alegou que tudo havia sido devidamente legalizado — uma afirmação que a agricultora contesta veementemente, já que não há assinatura válida de seu marido em lugar algum.

Após descobrir o golpe, Sônia procurou a Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência denunciando fraude e uso indevido de documentos. Ela também contratou uma advogada e entrou com uma ação na Justiça. Em 22 de setembro, uma juíza aceitou seu pedido e determinou o desbloqueio do veículo. Mas a vitória judicial não se traduziu em alívio prático. Apesar da decisão favorável, o carro permanece com restrições no sistema — não pode ser vendido, não pode circular normalmente. A liberação nunca foi efetivada.

Essas restrições transformaram a vida de Sônia. Ela depende do carro para prestar assistência à mãe, que tem 92 anos. Sem poder usar seu próprio veículo, precisou alugar um automóvel. "Não é barato, eu já gastei R$ 15 mil só com aluguel. Eu já gastei mais um outro tanto com a advogada para agora entrar no processo, para provar uma coisa que é minha", desabafa. Ela não pode vender o carro, não pode dirigir o carro, não pode fazer nada com o carro — apesar de ser dona dele e de ter provado isso em juízo.

O C6 Bank foi procurado pela EPTV, afiliada da TV Globo, mas não se posicionou sobre o caso até o momento da publicação. A situação permanece em suspenso: uma decisão judicial que não foi implementada, um carro que continua preso no sistema, e uma agricultora que segue pagando do próprio bolso pelos custos de um golpe que não cometeu.

Nunca vendi para ninguém, nunca financiei, nunca emprestei para ninguém. E eu achei muito estranho, porque a gente gosta das coisas muito certas, e foi muito constrangedor ter um carro, um policial e um guincho de frente à minha casa buscando um carro
— Sônia Mani, agricultora vítima do golpe
O banco também, o C6, entrou falando que foi tudo legalizado o documento, sendo que não. Como que foi legalizado? Não tem assinatura do meu marido, eu não recebi dinheiro deles
— Sônia Mani, questionando a posição do C6 Bank
Quer a matéria completa? Leia o original em G1 ↗
Fale Conosco FAQ