Num mundo onde a incerteza se tornou a única constante, Francisca Guedes de Oliveira, administradora do Banco de Portugal, lembrou que a banca não é apenas um mecanismo financeiro — é um pilar de resiliência coletiva. Falando na conferência Banking on Change, em março de 2026, defendeu que o sistema bancário português deve estar preparado para absorver choques e financiar a recuperação económica, num momento em que a inflação regressa ao debate e os mercados antecipam subidas de juros. A supervisão, nesta visão, não é adversária da indústria, mas parceira na construção de um sistema simultanea
Administradora do BdP defende que banca deve estar preparada para absorver choques
Um sistema financeiro sólido que responde e está atento é absolutamente crucial
Quando a administradora fala em "absorver choques", está a referir-se apenas a crises financeiras, ou há algo mais amplo nisso?
É mais amplo. Inclui crises financeiras, sim, mas também desastres naturais como as tempestades de janeiro, pandemias, mudanças de política monetária. A banca funciona como um amortecedor para toda a economia quando algo inesperado acontece.
Mas se o supervisor e a indústria estão frequentemente em lados opostos, como é que conseguem trabalhar juntos?
A diferença é que têm responsabilidades diferentes. O supervisor quer garantir que o sistema é sólido e justo. A indústria quer crescer e inovar. Não é conflito — é tensão produtiva. Ambos querem um sistema que funcione.
A menção a duas subidas de taxa de juro até ao final do ano — isso é uma ameaça para a banca portuguesa?
É um desafio, não uma ameaça. A banca precisa estar preparada para isso. Por isso é que Guedes de Oliveira insiste que o sistema tem de estar atento e sólido. Não é sobre prever o futuro — é sobre estar pronto para qualquer coisa.
E a inovação? Como é que supervisão e inovação andam juntas?
Quando o supervisor entende que a solidez não impede a inovação, consegue criar espaço para que a banca experimente coisas novas sem comprometer a segurança do sistema. É um equilíbrio delicado, mas possível.
O Pulso
- A volatilidade global intensifica-se: inflação de regresso, política monetária em revisão e mercados a antecipar duas subidas de juros ainda este ano criam um ambiente de pressão crescente sobre o sistema financeiro.
- Portugal já viveu o teste: da pandemia às tempestades de janeiro e fevereiro, a banca foi chamada a funcionar como amortecedor — e respondeu, permitindo que famílias e empresas se recompusessem.
- O alerta é claro — reagir já não chega; o sistema bancário precisa de desenvolver capacidade de antecipação para não ser apanhado de surpresa pelos próximos choques.
- A relação entre supervisor e indústria é reequacionada: longe do confronto, Guedes de Oliveira propõe uma parceria com objetivos comuns, onde a supervisão sistémica pode até estimular a inovação em vez de a travar.
Num mundo onde a incerteza se tornou a única constante, Francisca Guedes de Oliveira, administradora do Banco de Portugal, lembrou que a banca não é apenas um mecanismo financeiro — é um pilar de resiliência coletiva. Falando na conferência Banking on Change, em março de 2026, defendeu que o sistema bancário português deve estar preparado para absorver choques e financiar a recuperação económica, num momento em que a inflação regressa ao debate e os mercados antecipam subidas de juros. A supervisão, nesta visão, não é adversária da indústria, mas parceira na construção de um sistema simultaneamente sólido e inovador.
Francisca Guedes de Oliveira, administradora do Banco de Portugal, encerrou a conferência Banking on Change com um apelo direto à resiliência do setor financeiro português. Num contexto global cada vez mais instável, defendeu que a banca tem um papel estrutural — não apenas técnico — na estabilização da economia e no apoio a famílias e empresas em momentos de crise.
A administradora evocou episódios recentes como prova dessa responsabilidade: a pandemia de covid-19 e as tempestades que atingiram Portugal no início do ano exigiram que a banca funcionasse como verdadeiro amortecedor, oferecendo soluções que permitiram reconstruir o que foi perdido e retomar projetos interrompidos. Uma presença ativa, não passiva.
O cenário atual, porém, traz novos desafios. A inflação voltou à conversa, a política monetária pode inverter-se e os mercados já incorporam a expectativa de duas subidas de juros até ao final do ano. Neste quadro, Guedes de Oliveira sublinhou que um sistema financeiro sólido não é um luxo — é uma necessidade absoluta. A banca deve estar preparada não só para reagir, mas para antecipar.
Sobre a relação entre supervisor e indústria, a administradora rejeitou a ideia de conflito estrutural. Ambos partilham o mesmo objetivo: um sistema financeiro confiável e capaz de apoiar o desenvolvimento económico. A supervisão, defendeu, deve adotar uma perspetiva sistémica — olhar para além da saúde individual de cada instituição — e pode, inclusive, ser um motor de inovação. Solidez e inovação não são contraditórias; quando o supervisor o compreende, todo o sistema ganha.
Francisca Guedes de Oliveira, administradora do Banco de Portugal, encerrou a conferência Banking on Change com um apelo direto: o sistema bancário português precisa estar blindado contra choques económicos e pronto para financiar a recuperação da economia num mundo cada vez mais instável. Num contexto global volátil, onde as famílias e empresas enfrentam incerteza, o papel da banca não é apenas técnico — é estrutural.
A administradora recordou os últimos anos de turbulência. A pandemia de covid-19 testou a resiliência do setor. Depois, no final de janeiro e início de fevereiro, uma sucessão de tempestades atingiu Portugal, exigindo novamente que a banca funcionasse como amortecedor de choques. Em ambos os casos, o sistema respondeu oferecendo soluções que permitiram às pessoas e empresas estabilizar as suas situações, reconstruir o que foi perdido e retomar projetos interrompidos. Não foi um papel passivo — foi de apoio ativo, de presença.
Mas o cenário agora é diferente. O mundo está em transformação rápida, e a incerteza toma novas formas. A possibilidade de inflação voltou à conversa. A política monetária pode reverter-se. Os mercados já incorporam a expectativa de duas subidas da taxa de juro até ao final do ano. Neste contexto, um sistema financeiro sólido e atento não é um luxo — é absolutamente crucial. A banca precisa estar preparada não apenas para reagir, mas para antecipar.
Guedes de Oliveira abordou também a relação entre o supervisor e a indústria bancária. Frequentemente, estão em lados opostos da mesa de negociação. Mas isso não significa conflito. Ambos perseguem o mesmo objetivo: um sistema financeiro sólido, confiável e capaz de apoiar o desenvolvimento económico. O supervisor não é um obstáculo — é um parceiro com responsabilidades diferentes.
A supervisão, segundo a administradora, deve adotar uma perspetiva sistémica. Não basta olhar para cada instituição isoladamente, para a sua saúde microprudencial. É preciso garantir que o mercado funciona de forma justa, equitativa e transparente. E há mais: a supervisão pode ser um estimulador da inovação, não um travão. Quando o supervisor compreende que a solidez e a inovação não são contraditórias, o sistema inteiro ganha capacidade de resposta. Num mundo que muda constantemente, essa capacidade é o que separa a estabilidade do colapso.
Citações Notáveis
O papel da banca tem sido de apoio na absorção desses choques, oferecendo soluções que permitam estabilizar, reconstruir e voltar a erguer projetos pessoais e empresariais— Francisca Guedes de Oliveira, administradora do Banco de Portugal
A supervisão tem de adotar uma perspetiva sistémica, garantindo a existência de um mercado justo, equitativo e transparente, e pode ser um estimulador da inovação— Francisca Guedes de Oliveira