Açores e empresas portuguesas ampliam testes da semana de quatro dias em 2025

A semana de quatro dias não é uma utopia, é uma prática legítima
Conclusão do relatório do projeto-piloto português que validou o modelo como viável para resolver problemas reais das empresas.
Mark

Por que agora? O que mudou entre 2024 e 2025 para que os Açores e essas cinco empresas decidissem tentar de novo?

Mimi

O projeto-piloto em Portugal continental funcionou. Quase 100% de aprovação entre as empresas que completaram o ciclo. Isso dá confiança. Nos Açores, há um problema real: precisam atrair e reter funcionários públicos em um contexto de crise demográfica. A semana de quatro dias é uma ferramenta para isso.

Luke

Mas espera. Das 24 empresas que saíram, 22 disseram que o timing em junho não funcionava. Isso não é um problema do modelo — é um problema de quando começou. Não sabemos se essas cinco empresas que voltam em 2025 terão melhor sorte com um calendário diferente, ou se o modelo realmente funciona.

Mark

E quanto aos salários? O relatório diz que não há redução, mas como as empresas conseguem manter a produtividade com menos horas?

Mimi

O relatório português aponta exatamente isso: produtividade aumenta. Trabalhadores mais descansados, melhor saúde mental, menos burnout. Não é mágica — é que as pessoas trabalham melhor quando têm tempo para viver.

Luke

Sim, mas o relatório também não detalha como isso funciona em setores específicos. Uma startup de tecnologia pode ter dinâmica diferente de um hospital ou de uma fábrica. Os Açores vão testar em "serviços específicos" — precisamos saber quais são para entender se o modelo é realmente universal.

Mark

Erika Hilton no Brasil propôs algo parecido. Isso é um movimento global?

Mimi

É. Ganhou visibilidade em 2024, especialmente nas redes sociais. Portugal está na frente com dados reais. Os Açores e essas empresas agora têm a chance de provar que funciona em contextos diferentes.

Luke

Mas há uma diferença importante: Portugal testou com empresas que se voluntariaram. Os Açores vão testar na administração pública, que é obrigatória. Isso é um teste bem diferente. E ainda não sabemos quais serviços específicos serão incluídos.

  • A crise demográfica nos Açores pressiona o governo regional a tornar o serviço público mais atraente — e a semana de quatro dias surge como resposta concreta, não apenas simbólica.
  • Cinco empresas que abandonaram o projeto-piloto em 2024 retornam em 2025, sinalizando que a desistência foi de calendário, não de convicção.
  • O relatório final português quebra um tabu ao declarar que a semana de quatro dias 'não é uma utopia, é uma prática de gestão legítima' capaz de resolver problemas reais.
  • Com 37 empresas mantendo o modelo após o piloto e aprovação de quase 100% entre as que completaram o ciclo, o experimento deixa de ser exceção e começa a desenhar um novo padrão.
  • Os Açores avançam com cautela — testando primeiro em serviços específicos antes de expandir — mas o texto aprovado já prevê extensão ao setor privado do arquipélago.

Em Portugal, a ideia de trabalhar menos sem ganhar menos deixou de ser utopia para tornar-se política pública: os Açores iniciam 2025 testando a semana de quatro dias na administração pública, enquanto no continente empresas que hesitaram retomam a experiência. O movimento reflete uma reavaliação profunda do contrato entre trabalho e vida, impulsionada por dados que mostram ganhos de produtividade, saúde mental e retenção de talentos. Portugal caminha, com cautela e crescente convicção, para redefinir o que significa um dia útil.

Os Açores abrem 2025 com um experimento que ganhou tração em Portugal continental no ano anterior: a semana de quatro dias. A região autônoma testará o modelo na administração pública em serviços específicos antes de uma expansão mais ampla, como parte de uma estratégia para rejuvenescer um funcionalismo ameaçado pela crise demográfica. A proposta aprovada no Parlamento regional prevê que a mudança ocorra sempre em acordo entre trabalhador e empregador, e já é extensível ao setor privado — onde algumas empresas do arquipélago já a praticam.

No continente, o Bloco de Esquerda apresentou proposta abrangendo setores público e privado, destacando melhorias na saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e aumento de produtividade. O relatório do projeto-piloto português foi direto: a semana de quatro dias 'não é uma utopia, é uma prática de gestão legítima' e pode resolver problemas reais das empresas do país.

Os números reforçam o otimismo. Das 41 empresas que participaram do piloto, 37 decidiram manter o modelo. Das que saíram na segunda fase, a maioria apontou o timing — o início em junho não se encaixava nos calendários empresariais — e não uma rejeição ao conceito: 20 delas mantinham a expectativa de experimentar no futuro. Cinco planejam iniciar os testes em 2025.

Com aprovação de quase 100% entre as participantes que completaram o ciclo, o modelo consolida-se como resposta viável aos desafios de retenção de talentos e qualidade de vida. O que parecia radical demais para a realidade portuguesa há poucos anos transforma-se, em 2025, em política pública em expansão.

Os Açores entram em 2025 com um experimento que ganhou força em Portugal continental no ano anterior: a semana de quatro dias. A região autônoma começará a testar o modelo na administração pública após apresentação do projeto pelo secretário de Finanças do governo local, Duarte Freitas. Antes de expandir para todo o setor público, o teste ocorrerá em serviços específicos, seguindo a tendência que se tornou mais visível globalmente em 2024, quando a deputada federal brasileira Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma proposta de emenda constitucional que trocaria a escala 6x1 pela 4x3: três dias de folga e 36 horas semanais sem redução de salário.

Nos Açores, a iniciativa faz parte de uma estratégia maior para tornar a carreira na administração pública mais atraente e rejuvenescer um quadro de funcionários ameaçado pela crise demográfica. Segundo a proposta aprovada no Parlamento regional, o projeto-piloto é extensível ao setor privado, e já existem empresas no arquipélago que praticam esse modelo. O texto aprovado enfatiza que a mudança ocorreria "sempre em comum acordo com o trabalhador e com o empregador para melhor conciliar a sua vida profissional com a vida pessoal e familiar".

O Bloco de Esquerda também apresentou proposta abrangendo setores público e privado com a semana de quatro dias, justificando que o modelo destaca "a melhoria da saúde mental e física dos trabalhadores, maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e o aumento da produtividade como principais benefícios desta forma de organização do trabalho". O relatório do projeto-piloto geral de Portugal concluiu que "a semana de quatro dias não é uma utopia, é uma prática de gestão legítima" e que, "por mais radical que possa parecer, pode resolver problemas reais das empresas portuguesas".

Em Portugal continental, o entusiasmo pelo modelo cresce em 2025. Cinco empresas que desistiram de participar do projeto-piloto em 2024 planejam iniciar o teste este ano, juntando-se às 37 que já participaram e decidiram manter a experiência. No total, o estudo envolveu 41 companhias, com quatro desistências. Segundo o relatório final, das 24 empresas que saíram na segunda fase após sessões de formação, 22 responderam a um questionário de saída. A razão mais apontada foi que o timing de começo do teste em junho não se adequava aos calendários empresariais. Porém, 20 dessas empresas mantinham "a expectativa de experimentar a semana de quatro dias no futuro". Sete esperavam iniciar um teste em 2024 e cinco planejavam para 2025.

O projeto-piloto português obteve aprovação de quase 100% entre as empresas participantes que completaram o ciclo. Os dados sugerem que o modelo não é apenas viável, mas desejado por organizações que enfrentam desafios de retenção de talentos e qualidade de vida dos funcionários. Com os Açores iniciando testes na administração pública e empresas retomando experimentos no continente, 2025 marca um momento de consolidação para um modelo de trabalho que, há pouco tempo, parecia radical demais para a realidade portuguesa.

Sempre em comum acordo com o trabalhador e com o empregador para melhor conciliar a sua vida profissional com a vida pessoal e familiar
— Proposta aprovada no Parlamento regional dos Açores
A semana de quatro dias não é uma utopia, é uma prática de gestão legítima que pode resolver problemas reais das empresas portuguesas
— Relatório final do projeto-piloto de Portugal
Quieres la nota completa? Lee el original en O GLOBO ↗
Contáctanos FAQ