Quando o motor que impulsiona dois dos maiores impérios digitais do mundo começa a dar sinais de fadiga, o mercado escuta. O Citigroup rebaixou nesta segunda-feira suas recomendações para Alphabet e Facebook de 'compra' para 'neutra', alertando que o crescimento acelerado da publicidade digital — combustível que sustentou ambas as empresas durante a pandemia — pode estar chegando ao seu pico. As ações caíram 4,3% e 2,9%, respectivamente, lembrando que até os ventos mais favoráveis eventualmente perdem força.
Ações do Google e Facebook caem após alerta do Citi sobre desaceleração da publicidade digital
Quando o crescimento desacelera, os preços não sobem
Por que o Citi está tão preocupado agora, se os resultados do primeiro trimestre foram tão fortes?
Porque crescimento forte não é a mesma coisa que crescimento durável. O Citi vê que a publicidade digital teve um boom durante a pandemia — as pessoas compravam online, os anunciantes gastavam agressivamente. Mas isso foi impulsionado por circunstâncias extraordinárias. Conforme a economia reabre e as pessoas voltam às ruas, esse crescimento pode simplesmente normalizar.
Mas espera — o Facebook e a Alphabet já disseram isso nos seus próprios relatórios. Então por que o mercado está surpreso?
Não é surpresa exatamente. É confirmação. Quando a própria empresa diz "pode haver desaceleração", é uma coisa. Quando um banco independente diz "vamos rebaixar nossa recomendação porque acreditamos que a desaceleração é real", é outra. É a diferença entre uma advertência e um voto de desconfiança.
E quanto aos números? Caíram 2,9% e 4,3% — isso é muito?
Depende do contexto. Para o Facebook, 4,3% é a maior queda em um dia desde janeiro, então é significativo. Mas ambas as ações ainda estão muito acima de onde começaram o ano. A Alphabet subiu 30%, o Facebook 12%. Uma queda de um dia não apaga isso.
Verdade, mas o mercado está olhando para frente, não para trás. Se o crescimento desacelera, os múltiplos das ações — o preço que as pessoas pagam por cada dólar de lucro — podem cair. E esses múltiplos já estão altos.
Então o Citi está sozinho nisso?
Praticamente. Quarenta e duas outras empresas ainda recomendam compra da Alphabet. O Citi é a única rastreada pela Bloomberg que não recomenda. Isso significa que ou o Citi está vendo algo que ninguém mais vê, ou está sendo mais cauteloso que a maioria.
Ou ambos. O Citi pode estar certo e os outros podem estar atrasados. Historicamente, quando o crescimento da publicidade digital desacelera, as ações não sobem. Esse é um padrão que o mercado conhece, mas nem sempre acredita até que seja tarde demais.
Le Pouls
- O Citi tornou-se a única casa de análise rastreada pela Bloomberg a não recomendar a compra da Alphabet — uma posição solitária que, por si só, é um sinal de alerta.
- As quedas de 4,3% no Facebook e 2,9% na Alphabet arrastaram o índice de comunicações do S&P 500 para baixo em 1,6%, mostrando que o nervosismo se espalhou além das duas gigantes.
- O paradoxo é inquietante: ambas as empresas acabaram de reportar trimestres excepcionais, mas já haviam avisado que esse ritmo pode não se sustentar na segunda metade do ano.
- O analista Jason Bazinet aponta um padrão histórico claro — quando o crescimento da publicidade digital desacelera, os múltiplos das ações tendem a comprimir, não a expandir.
- Snap foi rebaixado para 'venda', enquanto Pinterest e Twitter receberam classificações neutras, indicando que a preocupação do Citi abrange todo o ecossistema de publicidade digital.
- Apesar da turbulência, Alphabet acumula alta de mais de 30% em 2021 e Facebook de 12% — os ganhos resistem, mas a dúvida sobre o que vem a seguir já foi plantada.
Quando o motor que impulsiona dois dos maiores impérios digitais do mundo começa a dar sinais de fadiga, o mercado escuta. O Citigroup rebaixou nesta segunda-feira suas recomendações para Alphabet e Facebook de 'compra' para 'neutra', alertando que o crescimento acelerado da publicidade digital — combustível que sustentou ambas as empresas durante a pandemia — pode estar chegando ao seu pico. As ações caíram 4,3% e 2,9%, respectivamente, lembrando que até os ventos mais favoráveis eventualmente perdem força.
Na segunda-feira, as ações da Alphabet e do Facebook sofreram quedas expressivas depois que o Citigroup emitiu um alerta sobre o futuro da publicidade digital — a espinha dorsal financeira de ambas as empresas. O banco mudou sua recomendação de 'compra' para 'neutra', sinalizando cautela com empresas cuja receita depende quase inteiramente de anúncios online.
O analista Jason Bazinet reconheceu que os orçamentos publicitários continuam migrando para a internet, mas argumentou que o ritmo de crescimento deve arrefecer nos próximos trimestres. Historicamente, esse arrefecimento pressiona os preços das ações — e o mercado reagiu rapidamente: Facebook caiu 4,3%, Alphabet recuou 2,9%, e o índice de comunicações do S&P 500 cedeu 1,6%.
O momento do alerta é carregado de ironia. Ambas as empresas haviam acabado de divulgar resultados do primeiro trimestre acima das expectativas, impulsionadas pela retomada de setores como viagens e varejo. A própria diretora financeira da Alphabet descreveu os números como reflexo de 'elevada atividade do consumidor online'. Mas as duas companhias já haviam alertado, elas mesmas, que esse crescimento pode não durar — o Facebook sinalizou possível estagnação no segundo semestre, e a Alphabet condicionou a durabilidade das tendências ao ritmo incerto da recuperação global pós-Covid.
O Citi estendeu sua cautela a outras plataformas: Pinterest e Twitter receberam classificações neutras, e o Snap foi rebaixado para 'venda'. Com esse movimento, o banco tornou-se a única casa de análise rastreada pela Bloomberg a não recomendar a compra da Alphabet — enquanto outras 42 mantêm visão otimista. Os ganhos acumulados em 2021 permanecem intactos, mas a questão que paira sobre o mercado é simples e incômoda: se a desaceleração for real, quantas outras casas de análise chegarão à mesma conclusão?
Na segunda-feira, as ações da Alphabet e do Facebook despencaram depois que o Citigroup emitiu um aviso sobre o futuro da publicidade digital — o motor que alimenta as receitas de ambas as empresas. O banco rebaixou sua recomendação para ambas de "compra" para "neutra", sinalizando que é hora de ter cuidado com empresas cuja vida financeira depende inteiramente de anúncios online.
O analista Jason Bazinet escreveu que embora os orçamentos publicitários continuem fluindo para a internet, o ritmo de crescimento deve desacelerar nos trimestres à frente. Historicamente, quando o crescimento da publicidade digital começa a arrefecer, os preços das ações não sobem — na verdade, costumam cair. É um padrão que o mercado conhece bem.
Os números do dia foram claros. O Facebook viu suas ações caírem 4,3%, a maior queda percentual em um único dia desde janeiro. A Alphabet recuou 2,9%. O índice mais amplo de comunicação e serviços do S&P 500 caiu 1,6%, sinalizando que a preocupação não era isolada a essas duas gigantes.
O timing do alerta é particularmente interessante porque ambas as empresas acabavam de relatar resultados do primeiro trimestre que superaram as expectativas dos analistas. A Alphabet foi impulsionada por uma recuperação em categorias que sofreram durante a pandemia — viagens, varejo — enquanto anunciantes de todos os tipos gastavam agressivamente online. Ruth Porat, diretora financeira da Alphabet, descreveu os números como reflexo de "elevada atividade do consumidor online e amplo crescimento da receita de anunciantes". O Facebook também viu forte demanda de varejistas e outros anunciantes.
Mas aqui está o problema: ambas as empresas já tinham alertado que esse crescimento robusto pode não durar. O Facebook reiterou sua visão de que o crescimento pode estagnar na segunda metade do ano. A Alphabet deixou claro que a durabilidade das tendências atuais depende do ritmo da recuperação global da pandemia de Covid-19 — algo que ainda é incerto.
Apesar da queda desta segunda-feira, ambas as empresas ainda estão tendo o melhor desempenho entre as grandes tecnológicas americanas em 2021. A Alphabet subiu mais de 30% no ano até agora, enquanto o Facebook subiu 12%, igualando o desempenho da Microsoft. Isso significa que o rebaixamento do Citi não apagou os ganhos acumulados, apenas plantou uma dúvida sobre o que vem a seguir.
O Citi também rebaixou ou manteve posições neutras em outras empresas de publicidade digital — Pinterest e Twitter receberam classificações neutras, enquanto o Snap foi rebaixado para venda. Todas as três viram suas ações caírem nesta segunda-feira.
Com esse movimento, o Citi agora é a única empresa rastreada pela Bloomberg que não recomenda a compra da Alphabet. Quarenta e duas outras ainda têm uma visão otimista. Mas o alerta levanta uma questão que o mercado não pode ignorar: se o crescimento da publicidade digital está realmente começando a desacelerar, quanto tempo levará para que outras casas de análise cheguem à mesma conclusão?
Citations marquantes
É preciso cautela com empresas que obtêm receita com publicidade digital— Citigroup
Os resultados refletem elevada atividade do consumidor online e amplo crescimento da receita de anunciantes— Ruth Porat, diretora financeira da Alphabet