Falhamos. Não nos adaptamos com rapidez suficiente.
Receita preliminar de US$ 17,2 bi ficou abaixo dos US$ 17,9 bi esperados, com divisão de infraestrutura caindo 7%. Clientes redirecionaram gastos para chips e servidores, enquanto escassez de memória impactou toda a indústria de tecnologia.
- Receita preliminar de US$ 17,2 bilhões ficou US$ 700 milhões abaixo das expectativas
- Divisão de infraestrutura caiu 7%; lucros diluídos caíram 2%
- Ações despencaram mais de 20% em negociações pré-mercado, maior queda desde os anos 1980
- Clientes redirecionaram gastos para servidores e memória de outros fornecedores
Ações da IBM caem mais de 20% após divulgar receita do Q2 abaixo das expectativas, com CEO admitindo falha na adaptação às mudanças no comportamento de gastos dos clientes.
A IBM enfrentou uma terça-feira devastadora nos mercados. A empresa divulgou números preliminares para o segundo trimestre que caíram aquém das projeções dos analistas, e o mercado respondeu com brutalidade: as ações despencaram mais de 20% nas negociações pré-mercado, a maior queda intradiária desde a década de 1980.
Os números que provocaram essa reação foram claros e decepcionantes. A receita preliminar do trimestre chegou a US$ 17,2 bilhões, enquanto analistas esperavam US$ 17,9 bilhões. A divisão de infraestrutura, historicamente importante para a empresa, contraiu 7%. Os lucros diluídos caíram 2%, para US$ 2,27 por ação. A IBM alertou que ainda estava revisando seus balanços finais, deixando em aberto a possibilidade de que os números pudessem piorar.
O que tornou a situação particularmente frustrante para a liderança foi a natureza da queda. A empresa havia previsto que problemas na cadeia de suprimentos — especialmente a escassez de chips de memória provocada pelo boom da inteligência artificial — afetariam os resultados. O que não esperava era que seus próprios clientes, diante dessa escassez, redirecionassem seus orçamentos de tecnologia para longe dos produtos da IBM. Empresas optaram por investir em servidores, armazenamento e memória de outros fornecedores, tentando se proteger contra novos aumentos de preços. Era uma mudança de comportamento que a empresa não havia antecipado.
Arvind Krishna, CEO da IBM, não escondeu a frustração em uma carta aos investidores. "O resultado foi pior do que esperávamos", escreveu, reconhecendo que os mainframes Z e o software associado foram responsáveis por grande parte do rombo. Mas o tom de sua mensagem foi ainda mais contundente: "Essas condições exigem que nossas equipes executem com perfeição, e neste trimestre falhamos. Não nos adaptamos e não agimos com rapidez suficiente, e vários grandes negócios não foram concluídos nos prazos previstos." Era uma admissão rara de falha operacional.
O impacto se estendeu além da IBM. As ações da Workday caíram mais de 8%, enquanto a ServiceNow recuou cerca de 7,7%, sugerindo que o mercado estava reavaliando todo o setor de software empresarial. Mas a IBM carregava um peso adicional: sua estratégia de reinvenção estava sob pressão.
Nos últimos anos, a empresa tentou se transformar de um fabricante de hardware em uma companhia de software de alto crescimento. Para isso, realizou grandes aquisições — Red Hat, HashiCorp e Confluent — apostando que o software seria seu futuro. Mas essa narrativa enfrentava ceticismo crescente. Em fevereiro, as ações já haviam sofrido uma queda significativa quando a startup de IA Anthropic apresentou uma ferramenta capaz de modernizar uma linguagem de programação obsoleta que roda nos mainframes da IBM, levantando questões sobre se a inteligência artificial poderia tornar obsoletos produtos que a empresa considerava estratégicos.
A IBM tentava convencer investidores de que a IA fortaleceria seus negócios, não os substituiria. Executivos argumentavam que o trabalho relacionado a IA aumentaria a demanda pelo software de infraestrutura da empresa, que permite aos clientes trabalhar com os principais modelos de IA. Mas os números do segundo trimestre sugeriram que essa história ainda não estava convencendo o mercado — nem os clientes.
Notable Quotes
O resultado foi pior do que esperávamos. Essas condições exigem que nossas equipes executem com perfeição, e neste trimestre falhamos.— Arvind Krishna, CEO da IBM
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a IBM não viu essa mudança de comportamento dos clientes vindo?
Porque esperava que a escassez de chips fosse o principal problema. Mas quando a escassez ficou real, os clientes não esperaram pela IBM — foram direto para outros fornecedores de hardware.
Então o problema não era falta de demanda, era falta de adaptação?
Exatamente. A empresa sabia que havia problemas na cadeia de suprimentos. O que não previu foi que seus clientes usariam essa crise como oportunidade para diversificar seus fornecedores e se proteger contra futuros aumentos de preços.
E a estratégia de se reinventar como empresa de software — isso fica comprometido agora?
Fica sob pressão. A IBM fez grandes aquisições apostando no software, mas se o hardware que alimenta esses negócios está enfraquecendo, a narrativa de crescimento fica mais frágil.
A inteligência artificial é uma ameaça real para a IBM ou apenas um medo do mercado?
Provavelmente ambas as coisas. A IA pode realmente substituir alguns dos softwares legados que a IBM vende. Mas o mercado está usando isso como desculpa para questionar se a estratégia de transformação da empresa faz sentido.
O CEO admitiu falha. Isso ajuda ou piora a situação?
Ajuda em credibilidade, mas não muda os números. A IBM precisa agora demonstrar que consegue se adaptar rapidamente — e isso é difícil quando você está caindo 20% em um dia.