A segunda encarnação da Nokia: de fabricante de celulares a gigante de infraestrutura de IA

A espinha dorsal da economia de IA
Como o CEO da Nokia descreve o papel crítico dos produtos da empresa na infraestrutura de inteligência artificial.
Mark

Por que a Nokia conseguiu fazer essa transição quando tantas outras empresas de tecnologia falharam em se reinventar?

Mimi

A Nokia tinha dois ativos cruciais: expertise em redes e acesso a capital. Mas o timing foi tudo. Eles entraram no mercado de infraestrutura de IA exatamente quando a demanda explodiu, e fizeram as aquisições certas — a Infinera foi a peça que faltava.

Mark

A compra da Infinera por 2,3 bilhões parecia cara na época?

Mimi

Parecia, até você ver que o market share deles no mercado americano de redes óticas triplicou em um ano. Aquela aquisição não foi um gasto — foi um investimento que se pagou rapidamente.

Mark

E o papel de Hotard? Ele parece ser a figura central dessa transformação.

Mimi

Hotard trouxe credibilidade do Vale do Silício e uma rede de executivos que entendem o que as gigantes de IA realmente precisam. Quando a Nvidia investiu 1 bilhão em outubro, foi basicamente um sinal de que ele estava no caminho certo.

Mark

O laboratório em Sunnyvale parece ser mais do que um espaço físico.

Mimi

É um hub de inovação. A Nokia reuniu seus concorrentes e parceiros no mesmo lugar — AMD, Lenovo, Supermicro — para trabalhar juntos. Isso cria um efeito de rede que nenhuma empresa consegue fazer sozinha.

Mark

Qual é o risco aqui? Essa trajetória é sustentável?

Mimi

O risco é que a Nokia virou sinônimo de um mercado específico — infraestrutura de IA. Se esse mercado desacelerar ou se a demanda mudar, eles precisam estar prontos. Mas por enquanto, estão capturando o crescimento no momento certo.

  • A Nokia viu sua ação disparar 150% em 12 meses em Helsinki, mais que o dobro do crescimento médio do setor, sinalizando que o mercado apostou pesado na sua reinvenção.
  • A aquisição da Infinera por US$ 2,3 bilhões foi o movimento decisivo: o market share americano em redes óticas saltou de 6,3% para 27,3% em apenas um ano, reposicionando a empresa como força dominante.
  • A chegada do CEO Justin Hotard, veterano da Intel com raízes no Vale do Silício, acelerou a virada — e a Nvidia selou a aposta comprando 2,9% da Nokia por US$ 1 bilhão.
  • Um novo laboratório em Sunnyvale, com apoio de AMD, Lenovo e Supermicro, transforma a Nokia em núcleo de um ecossistema inteiro voltado para redes de data centers de IA.
  • A projeção de crescimento para 2026 quase triplicou — de 6-8% para 18-20% — depois de um primeiro trimestre robusto no segmento de redes óticas.

A Nokia, outrora símbolo de uma era em que o celular cabia no bolso e resistia a qualquer queda, encontrou uma segunda vida nas profundezas invisíveis da economia digital. A empresa finlandesa reposicionou-se como construtora da infraestrutura que sustenta a inteligência artificial — os cabos, chips e softwares por onde fluem os dados de gigantes como OpenAI, Meta e Alphabet. É uma história antiga e sempre nova: a de uma empresa que, ao perder um mercado, descobre que o mundo ainda precisa dela — só que em outro lugar.

A Nokia que dominou os bolsos do mundo com celulares indestrutíveis virou história. Mas a empresa finlandesa não desapareceu — ela se reinventou como construtora das veias e artérias por onde fluem os dados que alimentam a inteligência artificial. Hoje, fabrica hardware e software críticos para os data centers que sustentam sistemas de IA, funcionando como o sistema de navegação que garante que cada pacote de dados chegue ao destino certo. Empresas como OpenAI, Meta e Alphabet dependem dessa infraestrutura para escalar seus serviços.

O ponto de virada foi 2024, quando o então CEO Pekka Lundmark apostou US$ 2,3 bilhões na compra da Infinera, especialista em tecnologia de rede ótica. O resultado foi imediato: o market share da Nokia no mercado americano de redes óticas saltou de 6,3% para 27,3% em um único ano. A consolidação ganhou força com a chegada de Justin Hotard em 2025 — executivo veterano da Intel que trouxe talentos do Vale do Silício e uma visão clara para o setor de infraestrutura de IA. O mercado respondeu: a Nvidia comprou 2,9% da Nokia por US$ 1 bilhão, um voto de confiança difícil de ignorar.

Este ano, a Nokia inaugurou um laboratório de inovação em Sunnyvale focado em redes nativas em IA, com o apoio de AMD, Lenovo, Supermicro e outros parceiros estratégicos. O ecossistema que se forma em torno da empresa reflete a escala da aposta. A ação subiu 150% nos últimos 12 meses — mais que o dobro do setor — e a projeção de crescimento para 2026 quase triplicou, passando de 6-8% para 18-20%. A Nokia não é apenas uma história de sobrevivência corporativa: é o retrato de uma empresa que encontrou relevância em um mercado completamente diferente, no momento exato em que o mundo mais precisava dela.

A Nokia que conhecemos — aquela que dominava os bolsos do mundo com seus celulares indestrutíveis — virou história. Mas a empresa finlandesa não desapareceu. Ela se reinventou, e agora está em um negócio muito maior: construir as veias e artérias por onde fluem os dados que alimentam a inteligência artificial.

A transformação não foi acidental. A Nokia fabrica componentes críticos para os data centers que sustentam sistemas de IA — tanto hardware quanto software. Se você imaginar os cabos de fibra ótica como estradas, os produtos da Nokia são o sistema de navegação que garante cada pacote de dados chegue exatamente onde precisa. Com o boom de IA dos últimos anos, essa função tornou-se indispensável. Empresas como OpenAI, Meta e Alphabet dependem dessa infraestrutura para escalar seus serviços. Justin Hotard, o CEO da Nokia, chamou os produtos da empresa de "espinha dorsal da economia de IA" — e o mercado acreditou nele.

Os números falam por si. A ação da Nokia subiu cerca de 150% nos últimos 12 meses em Helsinki, enquanto o setor de comunicações wireless cresceu em média 68,5% no mesmo período. A empresa agora vale 61 bilhões de euros na bolsa. Mas esse crescimento explosivo não surgiu do nada. Começou em 2024, quando o então CEO Pekka Lundmark fez uma aposta ousada: comprou a Infinera, uma fabricante de tecnologia de rede ótica especializada em lasers, receptores e chips de transmissão de dados, por 2,3 bilhões de dólares. O movimento foi transformador. O market share da Nokia no mercado americano de redes óticas saltou de 6,3% para 27,3% em apenas um ano.

Mas a consolidação real da Nokia no setor de IA veio com a chegada de Hotard em 2025. Ele era um executivo veterano da Intel, onde liderou os setores de data center e IA. Trouxe consigo uma rede de talentos do Vale do Silício para expandir o braço de infraestrutura de IA da empresa. O mercado validou rapidamente essa estratégia: em outubro do ano passado, a Nvidia comprou 2,9% da Nokia por 1 bilhão de dólares — um voto de confiança de uma das empresas mais importantes do ecossistema de IA.

Este ano, a Nokia abriu um novo laboratório de inovação em Sunnyvale, na Califórnia, focado especificamente em tecnologias de rede nativas em IA. O laboratório não trabalha sozinho. Tem o apoio de gigantes como AMD, Lenovo, Supermicro, Keysight, VIAVI, Weka, Everpure e Nscale — todas colaborando para desenvolver e testar soluções avançadas de rede para data centers de alto desempenho. É um ecossistema inteiro se formando em torno da visão da Nokia.

O resultado foi tão forte que a empresa quase dobrou sua projeção de crescimento para 2026. Após um primeiro trimestre fiscal robusto no setor de redes óticas, a Nokia elevou sua previsão de crescimento para uma faixa entre 18% e 20%, contra os 6% a 8% que havia projetado antes. A transformação de uma fabricante de celulares em gigante de infraestrutura de IA não é apenas uma história de sobrevivência corporativa — é um exemplo de como uma empresa pode encontrar relevância em um mercado completamente diferente, no momento exato em que o mundo mais precisa dela.

Os produtos da empresa são a espinha dorsal da economia de IA
— Justin Hotard, CEO da Nokia
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