94% dos brasileiros já sentem efeitos das mudanças climáticas, aponta Quaest

Nove em cada dez brasileiros já sentiram os efeitos na pele
Pesquisa Quaest revela que 94% da população relata ter experimentado impactos das mudanças climáticas em suas regiões.

Em um país que abriga a maior floresta tropical do mundo, uma pesquisa da Quaest com dois mil brasileiros revela que 94% já sentiram os efeitos das mudanças climáticas em suas próprias regiões — não como conceito abstrato, mas como experiência vivida. A preocupação é ampla e atravessa ideologias, gerações e geografias, sugerindo que o Brasil chega à COP30 em Belém com uma sociedade que, em grande medida, já reconhece a urgência da crise climática e aponta o setor produtivo como seu principal responsável.

  • Nove em cada dez brasileiros relatam ter experimentado diretamente ao menos um efeito climático — secas, enchentes, calor extremo ou chuvas fora de estação —, tornando a crise algo sentido no corpo, não apenas lido nas notícias.
  • A preocupação de 77% da população é notável por sua uniformidade: não há recorte de idade, renda, escolaridade ou ideologia que a fragmente de forma significativa.
  • Mulheres lideram o alarme com 81% preocupadas, contra 74% dos homens, uma diferença pequena mas consistente que aponta para distintas formas de vulnerabilidade percebida.
  • Oitenta e quatro por cento dos brasileiros responsabilizam o setor produtivo — indústria, agronegócio e energia não renovável — como o principal agente causador, concentrando a demanda por mudança em atores específicos.
  • A pesquisa foi divulgada às vésperas da COP30 em Belém, e especialistas veem nos dados uma base social robusta capaz de pressionar por compromissos climáticos mais ambiciosos na conferência.

Uma pesquisa da Quaest, realizada entre julho e agosto com duas mil pessoas, traça um retrato da percepção ambiental brasileira que é ao mesmo tempo revelador e mobilizador. Noventa e quatro por cento dos entrevistados afirmam já ter sentido os efeitos das mudanças climáticas em suas regiões — secas mais intensas, chuvas fora de estação, temperaturas extremas, enchentes. Não se trata de uma preocupação distante: é uma experiência concreta, vivida por quase a totalidade da população.

Ainda assim, perceber o problema não equivale a entrar em pânico. Setenta e sete por cento dos brasileiros se dizem preocupados com as mudanças climáticas, sendo 44% muito preocupados. O que surpreende é a consistência desse sentimento: ele atravessa todas as faixas etárias, níveis de renda, regiões e até divisões ideológicas. As mulheres demonstram preocupação ligeiramente mais aguda — 81% contra 74% dos homens —, mas o consenso é amplo.

Quanto às causas, a resposta da população é clara: 84% responsabilizam o setor produtivo, incluindo indústria, agronegócio e energia não renovável. Em segundo lugar aparecem a sociedade de consumo (38%) e o poder público (29%). Apenas 6% negam qualquer relação entre esses setores e o problema.

Para Marina Siqueira, doutora em Ciência Política e Diretora de Sustentabilidade da Quaest, os dados revelam um potencial político significativo: os brasileiros sentem os efeitos, reconhecem as causas e demonstram preocupação — os três ingredientes para se tornarem aliados no combate à crise climática. A pesquisa chega em momento estratégico: o Brasil sedia a COP30 em Belém, de 10 a 21 de novembro, reunindo líderes globais pela primeira vez na Amazônia. Os números sugerem que há uma base social sólida para apoiar compromissos mais ambiciosos.

Uma pesquisa realizada pela Quaest entre julho e agosto deste ano revela um retrato da percepção ambiental brasileira que é simultaneamente alarmante e mobilizador: 94% dos brasileiros já sentiram na pele os efeitos das mudanças climáticas. Não é uma abstração teórica ou uma preocupação distante. É algo que nove em cada dez pessoas que vivem neste país já experimentaram em suas próprias regiões — secas mais intensas, chuvas fora de estação, temperaturas extremas, enchentes. O levantamento ouviu duas mil pessoas com 16 anos ou mais, com margem de erro de dois pontos percentuais, e permitiu que os entrevistados citassem múltiplos efeitos.

Mas a percepção do problema não se traduz automaticamente em alarme generalizado. Quando perguntados se estavam preocupados, 77% dos brasileiros responderam afirmativamente — sendo 44% muito preocupados e 33% preocupados. Outros 8% se posicionaram em um meio termo, nem preocupados nem despreocupados. Apenas 4% disseram não se preocupar com o assunto. O que chama atenção é a consistência dessa preocupação: ela atravessa todas as faixas etárias, níveis de renda, escolaridade, regiões geográficas e até mesmo divisões ideológicas. Não é um sentimento fragmentado ou restrito a grupos específicos.

As mulheres, porém, demonstram uma preocupação ligeiramente mais aguda. Entre elas, 81% se disseram muito preocupadas ou preocupadas com as mudanças climáticas, enquanto entre os homens esse percentual chega a 74%. A diferença é pequena, mas consistente.

Quando se trata de apontar culpados, a população brasileira tem uma resposta clara e majoritária. Oitenta e quatro por cento responsabilizam o setor produtivo — indústria, agronegócio, energia não renovável — como o principal causador das mudanças climáticas no país. Essa é a visão dominante. Em segundo lugar, 38% apontam a sociedade de consumo em massa como responsável. Vinte e nove por cento culpam o governo ou o poder público. Apenas 6% afirmam que nenhum desses setores tem relação direta com o problema ou que não acreditam que as mudanças climáticas estejam ocorrendo.

Para Marina Siqueira, doutora em Ciência Política e Diretora de Sustentabilidade da Quaest, esses números revelam um potencial político significativo. Os brasileiros, segundo ela, já sentem os efeitos, reconhecem as causas e demonstram preocupação — os três ingredientes necessários para se tornarem aliados no combate às mudanças climáticas. A pesquisa foi divulgada em um momento estratégico: o Brasil sedia a 30ª Conferência das Partes da ONU, a COP30, de 10 a 21 de novembro em Belém, no Pará. É a primeira vez que o evento acontece na Amazônia, e reúne líderes globais para discutir estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas. Os dados da Quaest sugerem que há uma base social robusta no país para apoiar compromissos climáticos mais ambiciosos.

Os brasileiros já sentem os efeitos, reconhecem as causas e demonstram preocupação — podem ser grandes aliados no combate às mudanças climáticas
— Marina Siqueira, Diretora de Sustentabilidade da Quaest
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que você acha que 94% é um número tão alto? Não parece exagerado?

Model

Não, porque a pergunta era simples: você já sentiu algum efeito? Não pediam para diagnosticar a causa ou fazer ciência. Chuva fora de estação, calor intenso, uma seca — qualquer coisa conta. A maioria das pessoas vive isso.

Inventor

E por que a preocupação é menor que a percepção? 94% sentiram, mas só 77% estão preocupados.

Model

Porque sentir não é a mesma coisa que interpretar como problema. Algumas pessoas podem achar que é variação natural. Outras podem estar acostumadas. E tem gente que sente mas não vê como algo que a afete pessoalmente.

Inventor

As mulheres estão mais preocupadas. O que explica isso?

Model

A pesquisa não diz. Mas há estudos que sugerem que mulheres tendem a se preocupar mais com riscos coletivos e com o futuro das gerações seguintes. Pode ser também que elas sintam mais os efeitos em suas rotinas diárias.

Inventor

84% culpam o setor produtivo. Isso é consenso?

Model

É o mais próximo de consenso que você consegue em um país polarizado. Atravessa ideologias. Mas note que 38% também culpam o consumo em massa — é dizer que a gente também é responsável. Não é só culpar os outros.

Inventor

O que muda agora que a COP30 está aqui?

Model

Esses números mostram que há base social para o Brasil fazer compromissos mais sérios. Não é só ambientalista falando. É a maioria da população dizendo que sente, que se importa e que sabe quem é responsável.

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