Em julho de 2022, o Brasil alcançou um marco sombrio: quase quatro em cada dez adultos carregavam dívidas em atraso, o maior índice em oito anos. Esse número — mais de 63 milhões de pessoas — não é apenas uma estatística econômica, mas o retrato de uma sociedade em que a sobrevivência cotidiana pressiona famílias a escolher entre contas essenciais e obrigações financeiras. A inflação persistente e o crescimento frágil sugerem que esse peso coletivo ainda não encontrou seu ponto de equilíbrio.
63 milhões de brasileiros estão com 'nome sujo'; inadimplência atinge recorde em 8 anos
Quatro em cada dez adultos brasileiros têm contas atrasadas
Por que a inadimplência cresceu tanto se o mercado de trabalho se recuperou?
Porque recuperação no emprego não significa aumento de renda real. A inflação comeu os ganhos. As pessoas voltaram a trabalhar, mas ganhando menos em poder de compra.
Esses 63 milhões — são pessoas que não conseguem pagar, ou pessoas que escolhem não pagar?
A maioria não consegue. Quando você tem dívida média de R$ 3.638 e está enfrentando inflação alta, não é questão de escolha. É matemática simples.
Por que os bancos concentram mais da metade das dívidas?
Porque são os maiores credores. Empréstimos pessoais, financiamentos, cartão de crédito — tudo passa por banco. Quando a renda aperta, essas são as primeiras dívidas que viram inadimplência.
E as pessoas entre 30 e 39 anos — por que essa faixa etária?
Essa é a geração que carrega hipotecas, filhos, responsabilidades. Têm mais dívidas estruturais. Quando a economia aperta, eles não conseguem manter tudo em dia.
Isso vai melhorar?
Não, segundo quem acompanha isso. A inflação não cai, a economia não cresce. A expectativa é piorar.
The Pulse
- O índice de inadimplência atingiu 39,17% da população adulta brasileira — o nível mais alto em oito anos, com crescimento de 8,7% em apenas um mês comparado ao ano anterior.
- As dívidas com bancos dispararam 30,2% em doze meses, sinalizando que o crédito formal, antes uma saída, tornou-se ele próprio uma armadilha para milhões.
- Pessoas entre 30 e 39 anos — em plena fase produtiva da vida — lideram o endividamento, com cerca de 15 milhões de inadimplentes nessa faixa, cada um devendo em média R$ 3.638,22.
- Até contas de água e luz acumulam atrasos, revelando que famílias já não conseguem honrar nem os serviços mais básicos do cotidiano.
- Apesar da recuperação parcial do mercado de trabalho, especialistas preveem que a inadimplência continuará crescendo enquanto a inflação permanecer alta e o crescimento econômico, fraco.
Em julho de 2022, o Brasil alcançou um marco sombrio: quase quatro em cada dez adultos carregavam dívidas em atraso, o maior índice em oito anos. Esse número — mais de 63 milhões de pessoas — não é apenas uma estatística econômica, mas o retrato de uma sociedade em que a sobrevivência cotidiana pressiona famílias a escolher entre contas essenciais e obrigações financeiras. A inflação persistente e o crescimento frágil sugerem que esse peso coletivo ainda não encontrou seu ponto de equilíbrio.
Em julho de 2022, mais de 63 milhões de brasileiros adultos estavam com o nome negativado — 39,17% da população maior de idade, o patamar mais elevado em oito anos. Os dados, divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, mostram que o número de consumidores com contas vencidas cresceu 8,7% em relação ao mesmo mês de 2021, enquanto as dívidas com bancos avançaram 30,2% no período de um ano.
O grupo mais afetado é o de pessoas entre 30 e 39 anos, que representa 24,03% do total de devedores — aproximadamente 15 milhões de indivíduos. A dívida média por pessoa chega a R$ 3.638,22, distribuída entre quase dois credores, sendo os bancos os principais. Além das obrigações financeiras tradicionais, as dívidas com serviços essenciais como água e luz também cresceram 7,2%, indicando que as famílias estão deixando até o básico para trás.
O presidente da confederação reconheceu que o mercado de trabalho surpreendeu positivamente, mas admitiu que isso não foi suficiente para frear o avanço do endividamento. Com inflação persistente e perspectivas econômicas fracas, a tendência é de que o número de inadimplentes continue subindo. Para quem já está nessa situação, as consequências vão além das finanças: ter o nome negativado restringe o acesso a crédito, moradia, serviços bancários e até oportunidades de emprego — uma barreira que aprisiona mais de um terço dos adultos brasileiros em um ciclo difícil de romper.
Em julho deste ano, mais de 63 milhões de brasileiros carregavam o peso de dívidas não pagas. Não se trata de um número abstrato — representa quatro em cada dez adultos do país, ou 39,17% da população maior de idade. É o patamar mais alto registrado em oito anos, um marco que revela a profundidade da crise de endividamento que atravessa o Brasil.
Os dados vieram da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito, divulgados no final de agosto. O crescimento foi acelerado: de julho de 2021 para julho de 2022, o número de dívidas atrasadas saltou 16,5%. As dívidas com instituições bancárias cresceram ainda mais rápido, em 30,2%. Apenas no mês de julho, comparado ao mesmo período do ano anterior, o número de consumidores com contas vencidas aumentou 8,7%.
Quem sofre mais com isso? Pessoas entre 30 e 39 anos lideram a inadimplência: 24,03% do total de devedores, o que significa aproximadamente 15 milhões de pessoas nessa faixa etária — quase metade de toda a população desse grupo. Cada um desses devedores carrega, em média, uma dívida de R$ 3.638,22, distribuída entre 1,93 credores diferentes. Mais da metade dessas obrigações é com bancos.
O cenário não promete melhora rápida. José César da Costa, presidente da confederação, reconheceu que o mercado de trabalho se recuperou mais do que se esperava, mas isso não foi suficiente para conter o avanço da inadimplência. A inflação permanece alta, as perspectivas de crescimento econômico são fracas, e a expectativa é de que o número de inadimplentes continue subindo. Dívidas com água e luz também cresceram, em 7,2%, sinalizando que até serviços essenciais estão ficando para trás nas prioridades de pagamento das famílias.
O que isso significa na prática? Milhões de brasileiros têm seu acesso ao crédito bloqueado, seus nomes registrados em sistemas de proteção, suas oportunidades de consumo e investimento severamente limitadas. Uma pessoa com nome sujo enfrenta dificuldades para abrir conta bancária, conseguir empréstimo, alugar imóvel ou até mesmo obter certos tipos de emprego. A restrição não é apenas financeira — é social, afetando a qualidade de vida e as perspectivas econômicas futuras de um contingente que representa mais de um terço da população adulta do país.
Notable Quotes
Apesar da retomada do mercado de trabalho ter sido maior que a esperada, não há previsão de diminuição da inflação ou melhoria nas previsões de crescimento da economia do país. O número de inadimplentes está alto e, infelizmente, a expectativa é que não paremos por aí.— José César da Costa, presidente da CNDL