São Paulo, cidade que sempre soube transformar o ato de comer em ritual coletivo, recebe vinte novos endereços que revelam algo mais do que cardápios: revelam uma cidade em busca de identidade e pertencimento à mesa. Padarias, cafeterias, sorveterias e docerias surgem em diferentes bairros como respostas a um tempo em que o consumidor quer saber a origem do grão, o nome do produtor e o propósito por trás da receita. A Folha de S.Paulo mapeou esses lugares como parte do guia O Melhor de São Paulo Gastronomia 2026, que catalogou mais de novecentas casas — um retrato vivo de como uma metrópole se
20 novas padarias, cafeterias, sorveterias e docerias que valem a visita em SP
Cada bola de sorvete sai por treze reais, mas a história vem de assentamentos da reforma agrária
Por que São Paulo precisa de mais uma lista de lugares para comer?
Porque a cidade muda constantemente. Esses vinte lugares não existiam há pouco tempo, e cada um representa uma aposta diferente — alguém deixando um emprego para abrir uma sorveteria vegana, uma torrefadora de café que só vendia online agora abrindo uma porta, um chef montando uma delicatéssen. A lista documenta isso.
O que une esses lugares? Parecem muito diferentes entre si.
Eles compartilham uma coisa: nenhum é apenas um lugar para comer rápido. Mesmo o sanduíche mais simples vem com uma história — ingredientes de pequenos produtores, técnicas específicas, uma intenção por trás. A Sanduteca não faz só sanduíche, faz sanduíche coreano, libanês, italiano. Não é indiferença, é precisão.
Muitos desses nomes parecem novos. Quando abriram?
A maioria abriu entre dois mil e vinte e cinco e agora. A Sanduteca abriu em dois mil e vinte e cinco e já forma filas. A Kosmos começou em dois mil e vinte e dois como encomenda em casa. O Ronin Café saiu de uma pequena loja onde as pessoas faziam fila na calçada para um espaço maior. Eles crescem rápido porque as pessoas estão procurando por isso.
O que as pessoas estão procurando?
Origem. Saber de onde vem o café, quem plantou, em que altitude. Ingredientes que fazem sentido — sorvete vegano, pão de fermentação natural, frango coreano de verdade. E também um lugar para estar, não só para comer. O Longão tem sauna. A Farinha Padaria virou um ponto de encontro. O Gelado do Campo trabalha com o MST. Não é só comida, é uma posição.
Qual é a região que mais ganhou com essas aberturas?
A região central, especialmente Santa Cecília e Vila Buarque. A Barão de Tatuí virou um polo do setor — a Cafetina abriu lá porque a rua já era conhecida por isso. Mas também há abertura na Vila Madalena, em Pinheiros, em Santana. A cidade inteira está mudando.
E quanto aos preços? Parecem altos.
Alguns sim. Um sanduíche de cordeiro libanês sai por sessenta e quatro reais. Mas um café coado custa entre dez e dezoito reais dependendo de onde você vai. Um sorvete, treze reais. Não é tudo caro — é que cada coisa tem um preço diferente porque cada coisa é diferente. O que é caro é o que exige mais: técnica, ingredientes raros, origem certificada.
Il Polso
- A cena gastronômica paulistana acelera: em poucos meses, vinte novos espaços abriram as portas com propostas que vão do sorvete vegano com frutas nativas ao café cultivado por mulheres agricultoras.
- A tensão entre tradição e inovação está no centro de cada cardápio — um pão japonês recheado de banana com canela, um latte aromatizado com zátar, um gelado feito com ingredientes orgânicos do MST.
- O consumidor paulistano exige mais: quer transparência sobre a origem dos ingredientes, conexão com pequenos produtores e experiências que justifiquem o preço — e os novos estabelecimentos respondem a essa demanda com curadoria e narrativa.
- A distribuição geográfica dos novos endereços — de Pinheiros a Santana, dos Jardins à Vila Madalena — indica que a renovação gastronômica não se concentra mais em um único polo, mas se espalha pela cidade.
- O guia da Folha, construído com júri especializado e pesquisa Datafolha com moradores, posiciona esses vinte endereços como termômetro das tendências em alta: brunch especializado, cafés de origem única e agricultura familiar.
São Paulo, cidade que sempre soube transformar o ato de comer em ritual coletivo, recebe vinte novos endereços que revelam algo mais do que cardápios: revelam uma cidade em busca de identidade e pertencimento à mesa. Padarias, cafeterias, sorveterias e docerias surgem em diferentes bairros como respostas a um tempo em que o consumidor quer saber a origem do grão, o nome do produtor e o propósito por trás da receita. A Folha de S.Paulo mapeou esses lugares como parte do guia O Melhor de São Paulo Gastronomia 2026, que catalogou mais de novecentas casas — um retrato vivo de como uma metrópole se reinventa pelo sabor.
São Paulo ganhou vinte novos endereços para comer, tomar café e lanchar, e a Folha os mapeou como parte do guia O Melhor de São Paulo Gastronomia 2026 — um projeto que catalogou mais de novecentas casas com base em júri especializado e pesquisa Datafolha com moradores.
Entre os destaques, a Adara Café traz influências sefarditas e nova-iorquinas para Pinheiros, com queijo quente com picles e um latte de flor de laranjeira que já virou favorito. A Being Coffee abre sua primeira loja física nos Jardins após anos vendendo grãos especiais apenas pela internet. O Café Cultura torra seus próprios grãos arábica de pequenos produtores e oferece combos de brunch mediterrâneo por sessenta reais. Já a Cafetina, em Santa Cecília, é a vitrine do Café Por Elas — uma torrefação que trabalha exclusivamente com grãos cultivados por mulheres e abastece cerca de oitenta estabelecimentos na cidade.
No campo dos sorvetes, o Gelado do Campo une o chef Francisco Sant'Ana ao MST para produzir gelados orgânicos de assentamentos da reforma agrária, com sabores que mudam conforme a estação. A Grama Sorvetes, na Vila Madalena, aposta em produção cem por cento vegetal com ingredientes brasileiros pouco explorados, como cambuci, uvaia e jabuticaba. A Hokka Cream se inspira em Hokkaido para criar sorvetes soft cremosos em quatro sabores.
Outros endereços ampliam o conceito de brunch especializado: a Mimada, de Renata Vanzetto, serve um platô em três andares com crudo de atum e salmão gravlax. A Sanduteca, aberta em 2025 na galeria Metrópole, propõe sanduíches com influências globais — frango coreano com kimchi, cordeiro libanês desfiado, almôndegas ao molho de vodca. O Ronin Café migrou para um espaço maior em Santa Cecília, agora com horta própria e almoço servido a partir do meio-dia.
Juntos, esses vinte lugares funcionam como um mapa das tendências que moldam a gastronomia paulistana hoje: a valorização da origem, o compromisso com a agricultura familiar, a fusão de referências culturais e a transformação do simples ato de comer em uma experiência com propósito.
São Paulo ganhou vinte novos endereços para comer doces, tomar café e lanchar nos últimos meses, e a Folha mapeou cada um deles como parte de um guia maior que catalogou mais de novecentas casas na cidade. O projeto, chamado O Melhor de São Paulo Gastronomia 2026, reuniu indicações de um júri especializado e também ouviu moradores da cidade através de uma pesquisa Datafolha para montar a lista dos melhores lugares segundo quem vive aqui.
A Adara Café, na região de Pinheiros, traz influências da culinária sefardita e das delicatéssens nova-iorquinas. O queijo quente com picles e mostarda sai por trinta e cinco reais, enquanto o tuna melt, recheado de pasta de atum, custa quarenta e quatro. Entre as bebidas, o latte de flor de laranjeira é o preferido dos clientes, servido quente ou frio por vinte reais. A Being Coffee, nos Jardins, abriu as portas para uma marca de cafés especiais que até então vendia seus grãos apenas pela internet. O Alto do Caparaó coado na V60 é o mais pedido, a vinte e quatro reais. Já o Brim, na região central, funciona de manhã até o fim da tarde com um cardápio que muda conforme o horário: café da manhã em combos por sessenta e sete reais, depois sanduíches e pratos como a milanesa com batatas fritas, que sai a partir de cinquenta e oito reais.
O Café Cultura trabalha com grãos cem por cento arábica de pequenos produtores e faz a torrefação na própria casa. Além de expresso, coado e prensa francesa, oferece combos de brunch como o mediterrâneo, que inclui pão de fermentação natural, homus, tomate confitado, molho de tahine, torta de banana, salada de frutas, suco de laranja e café expresso por sessenta reais. A Cafetina, na rua Barão de Tatuí em Santa Cecília, é a primeira cafeteria do Café Por Elas, uma torrefação que fornece grãos cultivados por mulheres para cerca de oitenta estabelecimentos na cidade. Ali servem clássicos como expresso e cappuccino, além de inovações como o zátar latte, com tempero árabe que remete às origens libanesas do pai das sócias.
A Casa Fabri, do chef Tiago Fabri, mescla empório e salão de refeições na região sul. As carnes são preparadas em longa cocção e depois recheiam sanduíches como o de parmegiana de ossobuco com mil-folhas de batata, a noventa reais. A Farinha Padaria começou como um simples balcão de retirada e virou uma padaria com espaço para clientes comerem. O brunch mistura influências brasileiras e internacionais, como a cartola feita com banana, queijo e canela em shokupan, pão de origem japonesa, por vinte e oito reais. O Gelado do Campo é uma parceria entre o chef Francisco Sant'Ana e o MST, produzindo gelados com ingredientes orgânicos de assentamentos da reforma agrária. Os sabores mudam conforme a estação, e cada bola sai por treze reais.
A Gelina produz sorvetes com ingredientes naturais, sem glúten e sem lactose, em casquinhas veganas aromatizadas com canela e cumaru. Um sabor custa vinte e cinco reais, dois custam vinte e nove. A Grama Sorvetes, na Vila Madalena, trabalha com produção cem por cento à base de plantas e oferece um sorvete soft com ingredientes brasileiros fora do óbvio, como cambuci, puxuri, uvaia e jabuticaba, de vinte e três a vinte e seis reais. A Hokka Cream se inspira nos sabores de Hokkaido, no norte do Japão, produzindo sorvetes soft mais cremosos a partir de uma base de leite, com quatro sabores disponíveis: cacau, matchá, pistache e hokka cream.
A Kosmos Bakeshop começou em dois mil e vinte e dois como um negócio de doces sob encomenda e agora funciona em um espaço próprio no térreo do Higi Hotel. O menu tem itens com toque oriental, como o sanduba de frango crocante por sessenta e cinco reais. O Le Jazz Café, na avenida Paulista dentro da Livraria da Vila, oferece pain au chocolat e croissants com café coado ou expresso. O Longão propõe ser um espaço para relaxar após exercícios físicos, com sauna e chuveiro na estrutura, servindo cafés especiais de fazendas brasileiras e torrefações dinamarquesas a partir de dezesseis reais a xícara.
A Mimada é a aposta de Renata Vanzetto no segmento de brunch especializado, com o platô Sadelle's servido em três andares com crudo de atum, salmão gravlax, creme azedo com ovas e endro por noventa e cinco reais. A Notthesamo, braço de uma empresa aberta em dois mil e quatorze como veículo de moda e cultura, vende cafés especiais da fazenda Guariroba com notas sensoriais como chocolate, limão-siciliano e até lavanda. A Panadero Padaria Artesanal expandiu para um espaço maior e agora serve café da manhã, brunch e almoço, com menu fechado a sessenta e cinco reais incluindo prato principal, bebida e sobremesa. O Ronin Café mudou da pequena casa na Barra Funda para Santa Cecília, em um imóvel maior com horta própria, agora oferecendo almoço a partir do meio-dia com smash burger e sanduíche de peixe empanado.
A Salvi Café e Cozinha, em Santana, tem menu de café da manhã, brunch e principais disponíveis a qualquer hora do dia, com combos de brunch a partir de quarenta e seis reais. A Sanduteca, aberta em dois mil e vinte e cinco no térreo da galeria Metrópole, tem um cardápio original de sanduíches com influências de várias partes do mundo: frango frito coreano com kimchi por quarenta e oito reais, cordeiro desfiado libanês por sessenta e quatro reais, almôndegas com molho de vodca por quarenta e oito reais. Esses vinte endereços refletem as tendências gastronômicas em alta na cidade: brunch especializado, cafés de origem única, produtos de agricultura familiar e inovações culinárias que misturam tradição com experimentação.
Citazioni salienti
A Cafetina abriu na rua Barão de Tatuí, que se tornou polo do setor de cafeterias especializadas— Folha de S.Paulo
O Gelado do Campo é uma parceria entre o chef Francisco Sant'Ana e o MST, produzindo gelados com produtos orgânicos de assentamentos da reforma agrária— Folha de S.Paulo