20 novas padarias, cafeterias, sorveterias e docerias que valem a visita em SP

Cada bola de sorvete sai por treze reais, mas a história vem de assentamentos da reforma agrária
O Gelado do Campo produz sorvetes com ingredientes orgânicos cultivados por famílias em assentamentos do MST.
Mark

Por que São Paulo precisa de mais uma lista de lugares para comer?

Mimi

Porque a cidade muda constantemente. Esses vinte lugares não existiam há pouco tempo, e cada um representa uma aposta diferente — alguém deixando um emprego para abrir uma sorveteria vegana, uma torrefadora de café que só vendia online agora abrindo uma porta, um chef montando uma delicatéssen. A lista documenta isso.

Mark

O que une esses lugares? Parecem muito diferentes entre si.

Mimi

Eles compartilham uma coisa: nenhum é apenas um lugar para comer rápido. Mesmo o sanduíche mais simples vem com uma história — ingredientes de pequenos produtores, técnicas específicas, uma intenção por trás. A Sanduteca não faz só sanduíche, faz sanduíche coreano, libanês, italiano. Não é indiferença, é precisão.

Mark

Muitos desses nomes parecem novos. Quando abriram?

Mimi

A maioria abriu entre dois mil e vinte e cinco e agora. A Sanduteca abriu em dois mil e vinte e cinco e já forma filas. A Kosmos começou em dois mil e vinte e dois como encomenda em casa. O Ronin Café saiu de uma pequena loja onde as pessoas faziam fila na calçada para um espaço maior. Eles crescem rápido porque as pessoas estão procurando por isso.

Mark

O que as pessoas estão procurando?

Mimi

Origem. Saber de onde vem o café, quem plantou, em que altitude. Ingredientes que fazem sentido — sorvete vegano, pão de fermentação natural, frango coreano de verdade. E também um lugar para estar, não só para comer. O Longão tem sauna. A Farinha Padaria virou um ponto de encontro. O Gelado do Campo trabalha com o MST. Não é só comida, é uma posição.

Mark

Qual é a região que mais ganhou com essas aberturas?

Mimi

A região central, especialmente Santa Cecília e Vila Buarque. A Barão de Tatuí virou um polo do setor — a Cafetina abriu lá porque a rua já era conhecida por isso. Mas também há abertura na Vila Madalena, em Pinheiros, em Santana. A cidade inteira está mudando.

Mark

E quanto aos preços? Parecem altos.

Mimi

Alguns sim. Um sanduíche de cordeiro libanês sai por sessenta e quatro reais. Mas um café coado custa entre dez e dezoito reais dependendo de onde você vai. Um sorvete, treze reais. Não é tudo caro — é que cada coisa tem um preço diferente porque cada coisa é diferente. O que é caro é o que exige mais: técnica, ingredientes raros, origem certificada.

  • A cena gastronômica paulistana acelera: em poucos meses, vinte novos espaços abriram as portas com propostas que vão do sorvete vegano com frutas nativas ao café cultivado por mulheres agricultoras.
  • A tensão entre tradição e inovação está no centro de cada cardápio — um pão japonês recheado de banana com canela, um latte aromatizado com zátar, um gelado feito com ingredientes orgânicos do MST.
  • O consumidor paulistano exige mais: quer transparência sobre a origem dos ingredientes, conexão com pequenos produtores e experiências que justifiquem o preço — e os novos estabelecimentos respondem a essa demanda com curadoria e narrativa.
  • A distribuição geográfica dos novos endereços — de Pinheiros a Santana, dos Jardins à Vila Madalena — indica que a renovação gastronômica não se concentra mais em um único polo, mas se espalha pela cidade.
  • O guia da Folha, construído com júri especializado e pesquisa Datafolha com moradores, posiciona esses vinte endereços como termômetro das tendências em alta: brunch especializado, cafés de origem única e agricultura familiar.

São Paulo, cidade que sempre soube transformar o ato de comer em ritual coletivo, recebe vinte novos endereços que revelam algo mais do que cardápios: revelam uma cidade em busca de identidade e pertencimento à mesa. Padarias, cafeterias, sorveterias e docerias surgem em diferentes bairros como respostas a um tempo em que o consumidor quer saber a origem do grão, o nome do produtor e o propósito por trás da receita. A Folha de S.Paulo mapeou esses lugares como parte do guia O Melhor de São Paulo Gastronomia 2026, que catalogou mais de novecentas casas — um retrato vivo de como uma metrópole se reinventa pelo sabor.

São Paulo ganhou vinte novos endereços para comer, tomar café e lanchar, e a Folha os mapeou como parte do guia O Melhor de São Paulo Gastronomia 2026 — um projeto que catalogou mais de novecentas casas com base em júri especializado e pesquisa Datafolha com moradores.

Entre os destaques, a Adara Café traz influências sefarditas e nova-iorquinas para Pinheiros, com queijo quente com picles e um latte de flor de laranjeira que já virou favorito. A Being Coffee abre sua primeira loja física nos Jardins após anos vendendo grãos especiais apenas pela internet. O Café Cultura torra seus próprios grãos arábica de pequenos produtores e oferece combos de brunch mediterrâneo por sessenta reais. Já a Cafetina, em Santa Cecília, é a vitrine do Café Por Elas — uma torrefação que trabalha exclusivamente com grãos cultivados por mulheres e abastece cerca de oitenta estabelecimentos na cidade.

No campo dos sorvetes, o Gelado do Campo une o chef Francisco Sant'Ana ao MST para produzir gelados orgânicos de assentamentos da reforma agrária, com sabores que mudam conforme a estação. A Grama Sorvetes, na Vila Madalena, aposta em produção cem por cento vegetal com ingredientes brasileiros pouco explorados, como cambuci, uvaia e jabuticaba. A Hokka Cream se inspira em Hokkaido para criar sorvetes soft cremosos em quatro sabores.

Outros endereços ampliam o conceito de brunch especializado: a Mimada, de Renata Vanzetto, serve um platô em três andares com crudo de atum e salmão gravlax. A Sanduteca, aberta em 2025 na galeria Metrópole, propõe sanduíches com influências globais — frango coreano com kimchi, cordeiro libanês desfiado, almôndegas ao molho de vodca. O Ronin Café migrou para um espaço maior em Santa Cecília, agora com horta própria e almoço servido a partir do meio-dia.

Juntos, esses vinte lugares funcionam como um mapa das tendências que moldam a gastronomia paulistana hoje: a valorização da origem, o compromisso com a agricultura familiar, a fusão de referências culturais e a transformação do simples ato de comer em uma experiência com propósito.

São Paulo ganhou vinte novos endereços para comer doces, tomar café e lanchar nos últimos meses, e a Folha mapeou cada um deles como parte de um guia maior que catalogou mais de novecentas casas na cidade. O projeto, chamado O Melhor de São Paulo Gastronomia 2026, reuniu indicações de um júri especializado e também ouviu moradores da cidade através de uma pesquisa Datafolha para montar a lista dos melhores lugares segundo quem vive aqui.

A Adara Café, na região de Pinheiros, traz influências da culinária sefardita e das delicatéssens nova-iorquinas. O queijo quente com picles e mostarda sai por trinta e cinco reais, enquanto o tuna melt, recheado de pasta de atum, custa quarenta e quatro. Entre as bebidas, o latte de flor de laranjeira é o preferido dos clientes, servido quente ou frio por vinte reais. A Being Coffee, nos Jardins, abriu as portas para uma marca de cafés especiais que até então vendia seus grãos apenas pela internet. O Alto do Caparaó coado na V60 é o mais pedido, a vinte e quatro reais. Já o Brim, na região central, funciona de manhã até o fim da tarde com um cardápio que muda conforme o horário: café da manhã em combos por sessenta e sete reais, depois sanduíches e pratos como a milanesa com batatas fritas, que sai a partir de cinquenta e oito reais.

O Café Cultura trabalha com grãos cem por cento arábica de pequenos produtores e faz a torrefação na própria casa. Além de expresso, coado e prensa francesa, oferece combos de brunch como o mediterrâneo, que inclui pão de fermentação natural, homus, tomate confitado, molho de tahine, torta de banana, salada de frutas, suco de laranja e café expresso por sessenta reais. A Cafetina, na rua Barão de Tatuí em Santa Cecília, é a primeira cafeteria do Café Por Elas, uma torrefação que fornece grãos cultivados por mulheres para cerca de oitenta estabelecimentos na cidade. Ali servem clássicos como expresso e cappuccino, além de inovações como o zátar latte, com tempero árabe que remete às origens libanesas do pai das sócias.

A Casa Fabri, do chef Tiago Fabri, mescla empório e salão de refeições na região sul. As carnes são preparadas em longa cocção e depois recheiam sanduíches como o de parmegiana de ossobuco com mil-folhas de batata, a noventa reais. A Farinha Padaria começou como um simples balcão de retirada e virou uma padaria com espaço para clientes comerem. O brunch mistura influências brasileiras e internacionais, como a cartola feita com banana, queijo e canela em shokupan, pão de origem japonesa, por vinte e oito reais. O Gelado do Campo é uma parceria entre o chef Francisco Sant'Ana e o MST, produzindo gelados com ingredientes orgânicos de assentamentos da reforma agrária. Os sabores mudam conforme a estação, e cada bola sai por treze reais.

A Gelina produz sorvetes com ingredientes naturais, sem glúten e sem lactose, em casquinhas veganas aromatizadas com canela e cumaru. Um sabor custa vinte e cinco reais, dois custam vinte e nove. A Grama Sorvetes, na Vila Madalena, trabalha com produção cem por cento à base de plantas e oferece um sorvete soft com ingredientes brasileiros fora do óbvio, como cambuci, puxuri, uvaia e jabuticaba, de vinte e três a vinte e seis reais. A Hokka Cream se inspira nos sabores de Hokkaido, no norte do Japão, produzindo sorvetes soft mais cremosos a partir de uma base de leite, com quatro sabores disponíveis: cacau, matchá, pistache e hokka cream.

A Kosmos Bakeshop começou em dois mil e vinte e dois como um negócio de doces sob encomenda e agora funciona em um espaço próprio no térreo do Higi Hotel. O menu tem itens com toque oriental, como o sanduba de frango crocante por sessenta e cinco reais. O Le Jazz Café, na avenida Paulista dentro da Livraria da Vila, oferece pain au chocolat e croissants com café coado ou expresso. O Longão propõe ser um espaço para relaxar após exercícios físicos, com sauna e chuveiro na estrutura, servindo cafés especiais de fazendas brasileiras e torrefações dinamarquesas a partir de dezesseis reais a xícara.

A Mimada é a aposta de Renata Vanzetto no segmento de brunch especializado, com o platô Sadelle's servido em três andares com crudo de atum, salmão gravlax, creme azedo com ovas e endro por noventa e cinco reais. A Notthesamo, braço de uma empresa aberta em dois mil e quatorze como veículo de moda e cultura, vende cafés especiais da fazenda Guariroba com notas sensoriais como chocolate, limão-siciliano e até lavanda. A Panadero Padaria Artesanal expandiu para um espaço maior e agora serve café da manhã, brunch e almoço, com menu fechado a sessenta e cinco reais incluindo prato principal, bebida e sobremesa. O Ronin Café mudou da pequena casa na Barra Funda para Santa Cecília, em um imóvel maior com horta própria, agora oferecendo almoço a partir do meio-dia com smash burger e sanduíche de peixe empanado.

A Salvi Café e Cozinha, em Santana, tem menu de café da manhã, brunch e principais disponíveis a qualquer hora do dia, com combos de brunch a partir de quarenta e seis reais. A Sanduteca, aberta em dois mil e vinte e cinco no térreo da galeria Metrópole, tem um cardápio original de sanduíches com influências de várias partes do mundo: frango frito coreano com kimchi por quarenta e oito reais, cordeiro desfiado libanês por sessenta e quatro reais, almôndegas com molho de vodca por quarenta e oito reais. Esses vinte endereços refletem as tendências gastronômicas em alta na cidade: brunch especializado, cafés de origem única, produtos de agricultura familiar e inovações culinárias que misturam tradição com experimentação.

A Cafetina abriu na rua Barão de Tatuí, que se tornou polo do setor de cafeterias especializadas
— Folha de S.Paulo
O Gelado do Campo é uma parceria entre o chef Francisco Sant'Ana e o MST, produzindo gelados com produtos orgânicos de assentamentos da reforma agrária
— Folha de S.Paulo
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