Em pleno coração do inverno gaúcho, o dia 17 de agosto de 2026 recusou-se a obedecer ao calendário: uma corrente de ar tropical, nascida nas planícies bolivianas e no Centro-Oeste brasileiro, varreu o Rio Grande do Sul com temperaturas de verão, lembrando que o clima não conhece fronteiras de estação. Cento e dezessete municípios registraram máximas acima de 30°C, e Marques de Souza chegou aos 36°C — um desvio que não é apenas meteorológico, mas um convite à reflexão sobre a crescente imprevisibilidade dos sistemas atmosféricos que moldam a vida humana.
117 cidades gaúchas batem 30°C em dia de inverno; Marques de Souza atinge 36°C
Uma corrente de jato transportava ar tropical desde a Bolívia
Como uma massa de ar quente consegue chegar ao Rio Grande do Sul em pleno inverno?
Tudo depende da posição de uma corrente de jato em baixos níveis. Quando essa corrente se alinha de forma a trazer ventos de Norte e Noroeste entre 1.000 e 2.000 metros de altitude, ela funciona como um tubo transportador de ar tropical. Nesse caso, a corrente se originava na Bolívia e no Centro-Oeste, onde havia uma bolha de calor intensa.
E por que 117 cidades registraram acima de 30°C? Isso não é distribuição aleatória.
Não é. A massa de ar quente cobriu praticamente todo o estado, mas a intensidade variou conforme a geografia local e a altitude. Cidades em vales e áreas mais baixas, como Marques de Souza com seus 36°C, tendem a reter mais calor. A distribuição geográfica mostra que nenhuma região foi poupada.
Qual é a diferença entre 36°C em agosto e 36°C em janeiro?
Psicologicamente, é enorme. Em janeiro esperamos calor. Em agosto, o corpo e a infraestrutura estão preparados para o frio. Além disso, a umidade relativa do ar em inverno é geralmente mais baixa, o que pode intensificar a sensação de ressecamento. Mas o número em si — 36°C — é igualmente extremo em qualquer estação.
A chuva que vem na terça vai resfriar o estado?
Sim, mas de forma desigual. O Oeste e o Sul começam a resfriar já na terça de manhã. O Centro e a Metade Norte terão que esperar pela instabilidade da tarde e noite. Porto Alegre é um caso interessante — pode ter viração de vento Sul que derruba a temperatura, mas sem chuva. O extremo Sul já estará frio o dia todo.
Isso é um sinal de mudanças climáticas?
Um dia isolado, por mais extremo que seja, não prova nada. Mas padrões como esse — bolhas de calor no Centro-Oeste, correntes de jato deslocadas — estão se tornando mais frequentes. O que era raro há dez anos agora aparece com regularidade maior. Isso sim merece atenção.
Il Polso
- Em agosto, mês de frio esperado, 117 cidades gaúchas acordaram para temperaturas que rivalizam com os dias mais quentes do verão, quebrando expectativas e rotinas.
- Uma corrente de jato em baixos níveis agiu como um corredor invisível, transportando ar com 40°C do Mato Grosso diretamente para o sul do país, sem encontrar barreiras significativas.
- Onze municípios ultrapassaram 35°C, e Marques de Souza cravou 36°C — números que desconcertam não apenas pela magnitude, mas pela época em que ocorrem.
- O alívio começa a se desenhar na terça-feira, mas chega acompanhado de instabilidade: chuva forte, raios e granizo isolado ameaçam o Centro e a Metade Norte do estado.
- Porto Alegre vive um dia de transição incerta — ainda quente pela manhã, podendo enfrentar virada brusca de vento Sul, rajadas e queda de temperatura ao longo do dia.
Em pleno coração do inverno gaúcho, o dia 17 de agosto de 2026 recusou-se a obedecer ao calendário: uma corrente de ar tropical, nascida nas planícies bolivianas e no Centro-Oeste brasileiro, varreu o Rio Grande do Sul com temperaturas de verão, lembrando que o clima não conhece fronteiras de estação. Cento e dezessete municípios registraram máximas acima de 30°C, e Marques de Souza chegou aos 36°C — um desvio que não é apenas meteorológico, mas um convite à reflexão sobre a crescente imprevisibilidade dos sistemas atmosféricos que moldam a vida humana.
Na segunda-feira 17 de agosto, o Rio Grande do Sul acordou em pleno inverno, mas viveu um dia de verão. A MetSul Meteorologia havia antecipado o calor intenso, e a previsão se confirmou de forma ampla: 117 municípios com estações meteorológicas registraram máximas iguais ou superiores a 30°C. Onze deles atingiram ou superaram os 35°C, com Marques de Souza liderando o ranking com 36°C. Bom Princípio e Horizontina marcaram 35,9°C, enquanto Porto Xavier, Doutor Maurício Cardoso, Três Coroas e Santa Cruz do Sul também figuraram entre as cidades mais quentes do estado naquele dia atípico.
A explicação para a anomalia estava na dinâmica atmosférica. Uma corrente de jato em baixos níveis, entre 1.000 e 2.000 metros de altitude, funcionou como um canal de transporte para o ar quente originado na Bolívia e no Centro-Oeste brasileiro. No Mato Grosso, epicentro da bolha de calor regional, os termômetros chegaram a 40,4°C. Ventos fortes de Norte e Noroeste empurraram essa massa tropical para o sul, alcançando o território gaúcho com força suficiente para transformar um dia de agosto em algo irreconhecível para o inverno.
O fenômeno se espalhou por dezenas de cidades, de regiões distintas do estado — das Missões ao Vale do Sinos, do Noroeste ao Vale do Taquari. Localidades como Santo Ângelo, Ijuí, Venâncio Aires, Montenegro, Lajeado e Sapucaia do Sul registraram máximas acima de 33°C, compondo um mapa de calor geograficamente disperso e incomum para a estação.
O alívio começaria a chegar na terça-feira 18 de agosto, mas não sem turbulência. Chuva estava prevista desde cedo no Oeste e no Sul, enquanto o restante do estado ainda amanheceria sob sol e nuvens. À tarde e à noite, a instabilidade se expandiria, com risco de chuva forte, raios e granizo isolado no Centro e na Metade Norte. Porto Alegre viveria uma transição: quente pela manhã, com possível virada de vento Sul, rajadas e queda de temperatura ao longo do dia — e chuva não descartada à noite. Apenas o extremo Sul do estado manteria o frio durante todo o dia, como um lembrete de que o inverno, afinal, ainda não havia partido.
Na segunda-feira 17 de agosto, em pleno inverno, o Rio Grande do Sul vivenciou um dia que poderia facilmente ser confundido com o auge do verão. Uma massa de ar quente e persistente varreu o estado, trazendo consigo temperaturas que desafiavam completamente o que se esperaria para essa época do ano. A MetSul Meteorologia havia alertado com antecedência que o dia seria marcado por calor forte a intenso, e a previsão se confirmou de forma abrangente.
O levantamento realizado pela MetSul registrou um fenômeno impressionante: 117 municípios gaúchos com monitoramento por estações meteorológicas anotaram máximas iguais ou superiores a 30°C. Desse total, 11 cidades atingiram ou ultrapassaram a marca de 35°C, valores que representam um desvio significativo do padrão climático esperado para agosto. O recorde do dia ficou com Marques de Souza, que registrou 36°C. Logo atrás vieram Bom Princípio e Horizontina com 35,9°C, seguidas por Porto Xavier e Doutor Maurício Cardoso com 35,7°C. Três Coroas e Santa Cruz do Sul marcaram 35,6°C, enquanto Santa Rosa atingiu 35,5°C. Teutônia registrou 35,4°C, Maratá 35,3°C e Estrela chegou aos 35°C exatos.
A lista de cidades que ultrapassaram a marca de 30°C é extensa e geograficamente dispersa pelo estado. Cidades como Rolante, São Paulo das Missões, Boa Vista das Missões, Santo Ângelo, Ijuí, Porto Vera Cruz, Triunfo e Nova Bréscia todas registraram máximas entre 34°C e 34,8°C. Mais adiante, dezenas de outras localidades — de Vale do Sol a Campo Bom, de Alpestre a Taquara, de Maquiné a Poço das Antas — marcaram temperaturas entre 33°C e 34°C. O fenômeno se estendeu ainda por cidades como Venâncio Aires, Muçum, São Borja, Montenegro, Panambi, Santo Antônio da Patrulha, Cerro Largo, Riozinho, Santo Cristo, Candelária, Três Passos, Lajeado e Sapucaia do Sul, todas com máximas acima de 33°C.
A causa dessa anomalia térmica estava na atmosfera. Uma corrente de jato em baixos níveis, posicionada entre aproximadamente 1.000 e 2.000 metros de altitude, transportava ar muito quente para o território gaúcho. Essa corrente de jato originava-se na Bolívia e no Centro-Oeste do Brasil, onde se localizava o centro de uma bolha de calor de proporções regionais. No Mato Grosso, naquele mesmo dia, os termômetros chegaram a registrar 40,4°C, evidenciando a intensidade do sistema de aquecimento que afetava a região.
O padrão de ventos fortes de Norte e Noroeste, associado a essa corrente de jato, foi o mecanismo que permitiu o deslocamento dessa massa de ar tropical para o sul, alcançando o Rio Grande do Sul e provocando o aquecimento anômalo observado. Esse tipo de configuração atmosférica, embora raro para o inverno, não é completamente inédito, mas sua intensidade e abrangência chamaram atenção.
O alívio começaria a chegar já na terça-feira 18 de agosto. A previsão indicava chuva desde cedo nas regiões Oeste e Sul do estado, enquanto nas demais áreas o sol apareceria acompanhado de nuvens. Conforme o dia avançasse, especialmente da tarde para a noite, a instabilidade atmosférica se expandiria, trazendo possibilidade de chuva no Centro do estado e em pontos da Metade Norte. Havia risco de chuva forte, raios e até granizo de forma isolada. Porto Alegre começaria o dia ainda quente, mas poderia experimentar uma viração de vento Sul sem precipitação, acompanhada de rajadas e queda de temperatura. À noite, a possibilidade de chuva não seria descartada. O Noroeste e o Norte do estado seguiriam quentes, enquanto a Grande Porto Alegre teria condições variáveis, com a parte Sul mais amena e a Norte ainda aquecida. Apenas no extremo Sul do estado o frio predominaria durante todo o dia.
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A MetSul havia alertado que esta segunda seria de forte a intenso calor no Rio Grande do Sul e que teria marcas de verão em um grande número de localidades— MetSul Meteorologia