Quem consegue manter esse papel por tanto tempo funciona de verdade
Na tarde de um sábado, Pernambuco perdeu uma das vozes que por quase quatro décadas soube traduzir a linguagem do poder em acordos possíveis. Waldemar Borges, economista de formação e político de vocação, morreu aos 67 anos vítima de câncer, deixando no PSB e na Frente Popular um silêncio que raramente se preenche com facilidade. Sua trajetória — dos movimentos estudantis sob a ditadura às secretarias estratégicas e aos corredores da Alepe — é o retrato de uma geração que acreditou que a política poderia ser, também, um instrumento de construção.
- Waldemar Borges faleceu no sábado à tarde após enfrentar um câncer, encerrando abruptamente uma presença que moldou décadas da política pernambucana.
- Apenas três semanas antes, ele havia se licenciado do mandato e anunciado que não disputaria reeleição em 2026 — sinais de que a doença avançava enquanto ele ainda tentava organizar sua saída.
- Sua morte deixa um vácuo real nas negociações entre o Executivo e o Legislativo estadual, pois era ele quem, por anos, funcionou como ponte entre os dois poderes na Frente Popular de Pernambuco.
- A nota de falecimento, assinada pela ministra Luciana Santos e pelos filhos do parlamentar, sublinha tanto a dor familiar quanto o peso público de uma perda que ultrapassa o círculo íntimo.
- O PSB pernambucano e a Assembleia Legislativa enfrentam agora o desafio de recompor uma articulação política que Borges havia personalizado ao longo de quatro governos consecutivos.
Waldemar Borges morreu no sábado à tarde, aos 67 anos, vítima de câncer. A confirmação veio por nota assinada por sua esposa, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação Luciana Santos, e pelos filhos Walzinho, Mariana e Luana, que evocaram seu compromisso com as causas sociais e seu legado político.
Formado em economia, Borges entrou na vida pública ainda jovem, pelos movimentos estudantis e comunitários dos anos finais da ditadura militar. Construiu uma carreira sólida no PSB, passando pela Câmara Municipal do Recife — onde presidiu a Casa entre 2003 e 2004 — até chegar à Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde se tornou um dos parlamentares mais influentes do Estado.
Nos governos de Eduardo Campos, João Lyra Neto e Paulo Câmara, exerceu o papel de líder do governo na Alepe, sendo peça central na articulação entre o Executivo e o Legislativo. Antes disso, ocupou secretarias estratégicas nas gestões de Miguel Arraes e Eduardo Campos — entre elas, Desenvolvimento Econômico e Articulação Social, pasta pela qual coordenou iniciativas ligadas ao Pacto pela Vida.
Três semanas antes de morrer, Borges havia se licenciado do mandato por 180 dias para tratamento de saúde e anunciado que não disputaria reeleição em 2026, embora prometesse continuar ativo nos bastidores. Sua vaga na Alepe foi assumida pelo suplente. Com sua morte, encerra-se uma era de intermediação política que marcou profundamente as estruturas institucionais de Pernambuco.
Waldemar Borges morreu no sábado à tarde, vítima de câncer, aos 67 anos. A notícia foi confirmada por uma nota oficial assinada por sua esposa, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação Luciana Santos, e pelos filhos Walzinho, Mariana e Luana, que ressaltaram seu legado e compromisso com as causas sociais.
Seu desaparecimento marca o encerramento de uma trajetória de quase quatro décadas na vida pública pernambucana. Borges construiu uma carreira política notável como um dos nomes mais influentes do Partido Socialista Brasileiro no Estado, passando por mandatos como vereador do Recife — onde presidiu a Câmara Municipal entre 2003 e 2004 — e deputado estadual. Formado em economia, iniciou sua atuação política ainda jovem, participando de movimentos estudantis e comunitários nos últimos anos da ditadura militar.
Três semanas antes de sua morte, Borges havia se afastado do mandato parlamentar por 180 dias, apresentando atestado médico que recomendava seu licenciamento para tratamento de saúde. Naquela ocasião, anunciou também que não buscaria reeleição nas eleições de 2026, embora afirmasse que continuaria contribuindo para a política através de outras funções nos bastidores. A vaga que deixou na Assembleia Legislativa de Pernambuco foi preenchida por seu suplente.
Durante os governos de Eduardo Campos, João Lyra Neto e Paulo Câmara, Borges exerceu papel central como líder do governo na Alepe, funcionando como peça fundamental na articulação entre o Poder Executivo e o Legislativo estadual. Sua capacidade de negociação política o consolidou como um dos principais articuladores da Frente Popular de Pernambuco. No plano executivo, ocupou secretarias estratégicas nas gestões de Miguel Arraes e Eduardo Campos, incluindo as pastas de Projetos Especiais, Desenvolvimento Econômico e Articulação Social — nesta última, coordenou iniciativas importantes vinculadas ao programa Pacto pela Vida.
Sua morte deixa um vácuo significativo nas estruturas de negociação política do Estado, encerrando uma era de intermediação entre os poderes que marcou décadas da vida institucional pernambucana.
Citas Notables
Decidi seguir contribuindo com a política e com a vida pública em outras funções, sem disputar, neste momento, um novo mandato eletivo— Waldemar Borges, em nota divulgada quando anunciou que não buscaria reeleição
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Waldemar Borges era realmente tão central assim na política de Pernambuco, ou essa importância é amplificada pela morte?
Não é amplificação. Ele liderou o governo na Assembleia durante três governadores diferentes — isso não é coincidência. Quando você consegue manter esse papel por tanto tempo, é porque você funciona.
Mas o que exatamente ele fazia? Qual era o trabalho concreto?
Ele era o intermediário. O governador quer algo aprovado na Assembleia, o Legislativo tem suas próprias pressões — Waldemar era quem conversava com os dois lados e fazia as coisas andarem. Isso é poder real, mesmo que invisível.
Ele se afastou há três semanas. Ninguém percebeu que era tão grave?
Ele apresentou atestado médico, mas disse que voltaria em 180 dias e que continuaria ativo nos bastidores. As pessoas acreditam no que ouvem. Ninguém anuncia que vai morrer.
Sua esposa é ministra. Isso mudou algo na carreira dele?
Provavelmente aumentou sua influência em certos círculos, mas Waldemar já tinha quase 40 anos de carreira quando ela chegou ao ministério. Ele já era quem era.
O que fica para trás agora?
Um vácuo. Não é fácil substituir alguém que conhece todos os atores, que tem credibilidade com os dois lados, que sabe como as coisas funcionam de verdade. A política pernambucana perde uma memória viva.