Wagner Orletti: estratégia de diversificação e chineses impulsionam Grupo Orletti

Não dá para tratar o Espírito Santo como um mercado único
Wagner Orletti explica por que sua estratégia varia entre a Grande Vitória e o interior agrícola do Estado.

Desde 1966, o Grupo Orletti construiu no Espírito Santo uma presença automotiva que atravessou gerações — e agora aposta nos veículos chineses premium como resposta a um mercado onde margens estreitas exigem escala e diversificação. Sob a liderança de Wagner Orletti, a empresa compreendeu que o Estado não é um território uniforme: a Grande Vitória pede sofisticação, o interior agrícola pede robustez. Nessa leitura fina do território, o grupo encontra não apenas sobrevivência, mas expansão.

  • As margens do setor automotivo encolheram tanto que operar com poucas marcas virou risco existencial — e o Grupo Orletti respondeu acumulando onze fabricantes, Auto Centers, pneus, peças e consórcios.
  • A chegada das marcas chinesas dividiu o mercado entre desconfiança e oportunidade: o grupo escolheu a segunda, apostando na Omoda & Jaicoo para disputar um segmento premium que já representa quase 10% das vendas nacionais.
  • O interior capixaba cresceu 40% no agronegócio em 2024 — contra 8% da média nacional — criando uma demanda por picapes e veículos de trabalho que exige estratégia completamente diferente da adotada na Grande Vitória.
  • A rede Point S de Auto Centers, recém-trazida ao Brasil pelo grupo, já conta com mais de 20 franquias nomeadas e mira 300 unidades em três a quatro anos, transformando capilaridade em vantagem competitiva.
  • O norte capixaba, berço da família Orletti, deixou de ser periferia e tornou-se uma das regiões mais promissoras do Estado — e o grupo quer estar entre os três maiores operadores em cada mercado onde atua.

Wagner Orletti fala com a calma de quem construiu algo que resiste ao tempo. O Grupo Orletti nasceu em 1966, em Pinheiros, no norte do Espírito Santo, fundado por cinco irmãos que começaram na agropecuária e migraram para o setor automotivo em 1993. Hoje, a empresa revende onze marcas de veículos em três estados e acaba de dar uma aposta que muitos ainda encaram com ceticismo: os carros chineses premium.

O mercado mudou. As montadoras deixaram de exigir exclusividade, as margens encolheram e a escala virou condição de sobrevivência. Orletti percebeu cedo que ficar pequeno era ficar fora. Expandiu de marca em marca, cidade em cidade, e hoje opera também Auto Centers, vende pneus, peças e trabalha com consórcios. A diversificação não é estratégia de crescimento — é estratégia de respiração.

A escolha pela Omoda & Jaicoo reflete uma leitura clara do momento: os híbridos representam cerca de 85% do segmento eletrificado no Brasil, e os chineses dominam essa tecnologia com preços que as marcas tradicionais dificilmente alcançam. Para Orletti, ficar de fora era o risco maior. A confiança do consumidor, ele acredita, será construída como sempre foi — com produto de qualidade e atendimento sólido.

Mas o Espírito Santo não é um mercado único. A Grande Vitória, com uma das maiores rendas per capita do país, absorve bem o segmento premium. O interior é outro universo: o agronegócio cresceu 40% em 2024, enquanto a média nacional ficou em 8%, e aquele público quer picapes e veículos de trabalho. Orletti conhece essa diferença porque vive nela.

O grupo quer estar entre os três maiores onde atua — e já é, em várias regiões. A chegada da Point S ao Brasil, maior rede mundial de Auto Centers, reforça essa ambição: já são mais de 20 franquias nomeadas, com meta de 300 em três a quatro anos. O Espírito Santo, pela sua posição geográfica, facilita crescer para Bahia e Minas com eficiência. Orletti é, por natureza, expansivo — e o norte capixaba, de onde tudo começou, já não é mais periferia. É ponto de partida.

Wagner Orletti senta à mesa com a segurança de quem construiu algo que dura. O Grupo Orletti, fundado em 1966 por cinco irmãos da família em Pinheiros, no norte do Espírito Santo, começou na agropecuária e migrou para o comércio automotivo em 1993. Hoje, a empresa revende onze marcas de veículos em três estados — Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia — e acaba de apostar em uma aposta que muitos ainda veem com desconfiança: os carros chineses premium.

O mercado automotivo mudou. Onde antes as montadoras exigiam exclusividade e um grupo podia viver de uma única marca, agora as margens encolheram e a escala virou questão de sobrevivência. Orletti percebeu cedo que ficar pequeno era ficar fora. Começou comprando lojas da mesma marca em cidades vizinhas, depois expandiu para outras marcas. Hoje, além dos onze fabricantes de veículos — que vão de ônibus a híbridos e elétricos — o grupo opera Auto Centers, vende pneus e peças, trabalha com consórcios. A diversificação não é luxo; é respiração.

Os chineses chegaram e o cenário virou outro. Muita gente pensa em carro elétrico quando ouve "chinês", mas o mercado brasileiro está indo para os híbridos — representam cerca de 85% do segmento eletrificado. Os chineses dominam essa tecnologia e conseguem preços que as marcas tradicionais dificilmente alcançam. Para Orletti, ficar de fora era mais arriscado que entrar. A aposta foi na Omoda & Jaicoo, uma linha premium que chega para disputar espaço com os pioneiros chineses que já conquistaram quase 10% do mercado brasileiro.

Mas o Espírito Santo não é um mercado único — essa é a lição que Orletti aprendeu e que guia sua estratégia. A Grande Vitória tem uma das maiores rendas per capita do país, e ali o segmento premium faz sentido. O interior é outra história. Lá, o agro cresceu 40% no ano passado enquanto a média nacional ficou em 8%. Aquele público quer picapes, quer veículos de trabalho. Cada região exige seu próprio produto, sua própria conversa. Orletti conhece essa diferença porque vive nela.

A confiança nos chineses será construída como tudo mais: com produto de qualidade e atendimento sólido. As baterias duraram mais, a autonomia melhorou — um híbrido novo que trazem tem 1.200 quilômetros de alcance. O medo está sendo superado pelos números. E o consumidor está se abrindo.

O Espírito Santo, para Orletti, é privilégio. Começou em Minas, mas voltou porque viu potencial. Vitória respira desenvolvimento, tem renda elevada, qualidade de vida. Mais de 25 anos de estabilidade política, segurança jurídica, incentivo ao empreendedorismo. Os portos — Imetame, Portocel, Barra do Riacho — ampliam capacidade constantemente. Isso atrai empresas e dá segurança para investir.

Uma montadora no Estado seria símbolo de desenvolvimento. Houve a Ford no passado, há a Marco Polo em São Mateus agora. Conversas sobre trazer mais, especialmente com o crescimento chinês. Uma montadora gera ecossistema: fornecedores, empregos, serviços. Orletti estaria interessado em ser fornecedor, parceiro logístico, distribuidor. Talvez até formar um pool de empresas para viabilizar isso.

O norte capixaba, de onde Orletti é, deixou de ser o patinho feio. Agora é uma das regiões mais promissoras do Estado. O agro é forte, a indústria chegou. Sudene ajudou, as margens da BR — Linhares, São Mateus, Aracruz com seus portos — crescem. O Grupo Orletti está ali, colaborando. E sim, já vendeu carro por saca de café. No norte, café vira moeda, e café hoje está supervalorizado. Fazem negócio com prazer.

O grupo quer estar entre os três maiores onde atua. Já é em várias regiões. Recentemente trouxe para o Brasil a Point S, maior rede mundial de Auto Centers com mais de 6 mil unidades em 50 países. Já tem mais de 20 franquias nomeadas e planeja chegar a 300 em três ou quatro anos. Isso é capilaridade, competitividade, alavanca. E o Espírito Santo, por sua posição geográfica, facilita tudo isso — permite crescer para Bahia e Minas com eficiência. A ideia é consolidar essas operações antes de pensar em outras regiões. Mas estão sempre atentos. Orletti é, por natureza, expansivo.

Para nós, era mais arriscado ficar de fora. Entramos com marcas chinesas no segmento premium, como a Omoda & Jaecoo, que vieram para agregar faturamento e ampliar a nossa presença.
— Wagner Orletti, CEO do Grupo Orletti
O Espírito Santo é um estado privilegiado em relação aos demais do Brasil. Decidimos voltar ao Estado porque percebemos sua pujança e diferenciais.
— Wagner Orletti
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Grupo Orletti decidiu voltar ao Espírito Santo depois de começar em Minas?

Model

Vimos potencial que outros não viam ainda. Vitória é uma cidade linda, o Estado respira desenvolvimento. Quem está em Minas enxerga isso claramente. Renda per capita elevada, qualidade de vida, estabilidade política — tudo isso nos atraiu.

Inventor

Mas diversificar em onze marcas diferentes não é arriscado? Como você gerencia isso?

Model

Seria mais arriscado ficar pequeno. As margens caíram, a escala virou essencial. Começamos adquirindo lojas da mesma marca em cidades vizinhas, depois expandimos. Isso trouxe competitividade e capilaridade — dois pontos essenciais.

Inventor

Os chineses ainda geram desconfiança. Como você convence o consumidor capixaba a comprar um carro chinês?

Model

A confiança é construída com tempo, produto de qualidade e atendimento sólido. As baterias duraram mais, a autonomia melhorou muito. Os números falam: quase 10% do mercado já é chinês. O medo está sendo superado.

Inventor

Você mencionou que o interior capixaba é diferente da Grande Vitória. Como isso muda sua estratégia?

Model

Completamente. A Grande Vitória quer premium, design, tecnologia. O interior é agrícola — cresceu 40% no ano passado. Aquele público demanda picapes, veículos de trabalho. Cada região exige sua própria estratégia de produto.

Inventor

E o agro? Vocês ainda têm raízes ali?

Model

Está nas veias do grupo. Temos propriedades com café, mamão. Uma empresa da família compra e exporta café. E sim, já vendemos carro por saca de café. No norte, café vira moeda. Aceitamos com prazer.

Inventor

Qual é o próximo passo para o Grupo Orletti?

Model

Queremos estar entre os três maiores grupos onde atuamos. Já somos em várias regiões. Estamos expandindo com a Point S — meta de 300 franquias em três ou quatro anos. E permanecemos atentos a novas marcas, novas oportunidades. O futuro depende de como transmitimos nosso valor todos os dias.

Contact Us FAQ