Vozinha, goleiro de Cabo Verde fã de Ivete e Rogério Ceni, vira herói brasileiro após parar Espanha

Sonhei toda a minha vida com este momento
Vozinha reflete sobre o significado histórico de Cabo Verde em sua primeira Copa do Mundo.

Aos 40 anos, Vozinha fez grandes defesas no empate sem gols entre Cabo Verde e Espanha, ganhando o troféu de melhor jogador da partida e milhares de seguidores brasileiros nas redes sociais. O goleiro tem ligações profundas com o Brasil: nome homenageia lateral Josimar, tem irmão em Recife, é fã de Ivete Sangalo e Rogério Ceni, e consumiu novelas brasileiras desde a infância.

  • Vozinha, 40 anos, goleiro de Cabo Verde, fez grandes defesas no empate 0-0 contra a Espanha na estreia da Copa do Mundo 2026
  • Seu nome homenageia Josimar, lateral-direito do Botafogo que disputou a Copa de 1986
  • Ganhou mais de 2 milhões de seguidores brasileiros nas redes sociais após a partida
  • É o segundo jogador com mais partidas pela seleção cabo-verdiana, com 90 jogos
  • Tem irmão em Recife e é fã de Ivete Sangalo, Rogério Ceni e novelas brasileiras

Vozinha, goleiro de 40 anos de Cabo Verde, conquistou milhões de seguidores brasileiros após defesa histórica contra a Espanha na estreia da Copa do Mundo 2026, revelando conexões profundas com a cultura brasileira.

Na segunda-feira, 13 de junho, quando Cabo Verde enfrentou a Espanha em sua estreia histórica na Copa do Mundo, um goleiro de 40 anos chamado Vozinha fez defesas que ecoariam muito além do campo. O empate sem gols contra a atual campeã europeia e segunda colocada no ranking da Fifa foi um resultado que ninguém esperava de um país que nunca havia participado de uma Copa antes. Vozinha recebeu o troféu de melhor jogador da partida — reconhecimento que, em poucas horas, se transformaria em algo muito maior que um prêmio.

Nas redes sociais, o que começou como um acompanhamento natural de sua performance se tornou um fenômeno. Brasileiros inundaram seu perfil com mensagens de admiração. "Muralha", "Vem jogar no Campeonato Brasileiro", "O Brasil está com você" — os comentários se multiplicavam. Alguns brincavam: "Quanto você cobra para fechar o gol do Brasil?". Em poucas horas, Vozinha saiu de quase 50 mil seguidores para mais de 2 milhões. Quando concedeu uma entrevista logo após a partida, ele não conseguiu esconder a emoção. "Eu tinha quase 50 mil seguidores. Isso é louco", disse, agradecendo repetidamente aos brasileiros pelo carinho que, segundo ele, Cabo Verde havia sentido desde as eliminatórias.

Mas conforme os brasileiros exploravam o perfil do goleiro, descobriram algo que explicava aquela conexão imediata: Vozinha não era apenas um admirador do futebol brasileiro — ele era, de muitas formas, um brasileiro de coração. Seu nome completo, Josimar José Évora Dias, era uma homenagem direta ao lateral-direito Josimar, que jogou no Botafogo e disputou a Copa de 1986. Seu pai, apaixonado por futebol, havia querido registrá-lo como Valdano, em referência ao ídolo argentino, mas as autoridades cabo-verdianas recusaram. Josimar foi a solução. "O meu pai e a minha avó torciam pelo Brasil. E meu pai gostava muito do Josimar", explicou o goleiro.

Essas raízes brasileiras corriam profundas. Vozinha cresceu assistindo a novelas que marcaram gerações — Xica da Silva, Malhação, Rei do Gado — consumindo-as após os telejornais em sua ilha. Sua paixão pela música brasileira era igualmente visceral: Ivete Sangalo, Seu Jorge, Cidade Negra, Revelação. Tinha um irmão morando no Recife. E quando pensava em ídolos do futebol, seu coração ia para Rogério Ceni, o goleiro que batia faltas e pênaltis, para Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho. Havia jogado com brasileiros ao longo de sua carreira e, em 2012 e 2014, quando seu clube angolano veio fazer pré-temporada em Belo Horizonte, enfrentou Cruzeiro e Atlético-MG em jogos-treino.

O apelido "Vozinha" tinha sua própria história, nascida na infância na ilha de São Vicente. Criado pelos avós, Josimar era competitivo demais, odiava perder. Jogava com crianças mais velhas e levava muita porrada. Quando sofria gols, voltava para casa furioso, e os amigos zombavam que ele ia reclamar com os avós. Daí o apelido. "Ficava mais furioso por isso, mas, com o tempo, esse nome começou a ganhar outra dimensão", lembrou. Toda a ilha logo o conhecia assim. Quando se transferiu para Angola, adotou o apelido oficialmente — havia outro goleiro chamado Josimar na equipe, e ele não queria ser "Josimar II".

Antes de se tornar herói brasileiro em 2026, Vozinha já era um símbolo do futebol cabo-verdiano. Era o segundo jogador com mais partidas pela seleção, com 90 jogos, e havia disputado quatro Copas Africanas de Nações. Sua carreira o levou de Cabo Verde para o Progresso Sambizanga, em Angola, em 2012 — onde sua estreia foi justamente contra Rivaldo, que defendia o Kabuscorp. Depois viajou pela Europa: Zimbru, na Moldávia; Gil Vicente, em Portugal; AEL Limassol, no Chipre, onde ficou cinco temporadas; AS Trenčín, na Eslováquia; e, desde 2024, GD Chaves, em Portugal. Pela seleção, estreou em 2012 em uma repescagem para a Copa Africana de Nações contra Camarões.

Cabo Verde conquistou sua vaga para a Copa do Mundo 2026 terminando em primeiro lugar em seu grupo nas eliminatórias, à frente de Camarões. Agora, no Grupo H com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, o país vive seu primeiro torneio mundial. Vozinha, aos 40 anos, é o rosto dessa jornada histórica. Saindo de campo após o empate com a Espanha, ele resumiu o que aquele momento significava: "Sonhei toda a minha vida com este momento. Estou muito feliz. Sabia que não ia ser fácil. Enfrentamos uma das melhores seleções do mundo e conseguimos um empate. Estamos muito satisfeitos". Para os brasileiros que o descobriram naquela segunda-feira, Vozinha já era muito mais que um goleiro — era um espelho de suas próprias paixões.

Eu tinha quase 50 mil seguidores. Isso é louco, isso é louco. Muito obrigado, sempre os brasileiros tiveram muito carinho por nós
— Vozinha, em entrevista à CazeTV logo após a partida
O meu pai e a minha avó torciam pelo Brasil. E meu pai gostava muito do Josimar. Então, acabou ficando este nome.
— Vozinha, explicando a origem de seu nome
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como um goleiro de Cabo Verde acaba ganhando milhões de seguidores brasileiros em poucas horas?

Model

Porque ele fez algo que ninguém esperava — parou a Espanha — mas também porque, quando os brasileiros começaram a procurar saber quem era Vozinha, descobriram que ele já era brasileiro há muito tempo, só que de um jeito que ninguém sabia.

Inventor

Você quer dizer que ele não é brasileiro de nascimento?

Model

Não, é cabo-verdiano. Mas seu pai o nomeou em homenagem a um lateral do Botafogo, cresceu assistindo Malhação e Rei do Gado, é fã de Ivete Sangalo e Rogério Ceni, tem um irmão em Recife. O Brasil estava dentro dele.

Inventor

E o apelido "Vozinha"? Parece tão específico.

Model

Surgiu porque ele era uma criança furiosa que odiava perder. Quando sofria gols, voltava para casa com a cara fechada, e os amigos brincavam que ele ia reclamar com os avós. Vozinha. O nome pegou tanto que, quando se transferiu para Angola, ele o adotou oficialmente porque havia outro Josimar na equipe.

Inventor

Aos 40 anos, ele ainda está jogando no mais alto nível?

Model

Está jogando em Portugal, no GD Chaves. Mas não é um goleiro qualquer — é o segundo com mais partidas pela seleção de Cabo Verde, com 90 jogos, e já disputou quatro Copas Africanas. Essa Copa do Mundo é o ápice de uma carreira que o levou por Angola, Moldávia, Portugal, Chipre, Eslováquia.

Inventor

O que significa para Cabo Verde estar em uma Copa do Mundo pela primeira vez?

Model

Significa que um país inteiro está vivendo um sonho que parecia impossível. E Vozinha é o rosto disso. Ele mesmo disse: "Sonhei toda a minha vida com este momento". Quando você para a Espanha em sua estreia, você não está apenas jogando futebol — você está mudando a história do seu país.

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