Autorização parental escrita à próprio punho, sem formalidades
Em Maceió, no último dia de agosto de 2021, a campanha de vacinação contra a Covid-19 avançou mais um passo em direção à imunização coletiva, abrindo espaço para adultos a partir de 16 anos com nomes entre O e Z, além de adolescentes com comorbidades. A cidade organizou pontos fixos e drive-thrus, estendeu horários e cuidou dos detalhes — desde a documentação exigida até o acompanhamento de menores — como quem reconhece que proteger uma comunidade exige tanto logística quanto atenção humana.
- A campanha amplia o alcance vacinando um novo grupo etário e adolescentes vulneráveis, mas impõe restrições claras: jovens de 12 a 17 anos com comorbidades só podem se imunizar em drive-thrus e exclusivamente com a Pfizer.
- A exigência de documentação — identidade, CPF e comprovante de residência em original e cópia — cria uma barreira burocrática que pode excluir quem não está preparado.
- Menores de 16 anos precisam de acompanhamento ou de uma declaração parental manuscrita, o que exige planejamento familiar e pode dificultar o acesso de adolescentes sem suporte imediato.
- A segunda dose da Coronavac fica restrita a um único ponto, o Shopping Pátio, enquanto Pfizer e AstraZeneca podem ser completadas em qualquer local — uma assimetria que concentra filas e demanda atenção.
- Pessoas com deficiência visual que receberam cartão convencional na primeira dose podem trocá-lo por um em braile na segunda aplicação, sinalizando um esforço de inclusão ainda em construção.
Na manhã de 30 de agosto de 2021, Maceió abriu a vacinação contra a Covid-19 para pessoas a partir de 16 anos com nomes iniciados entre O e Z, e também para adolescentes de 12 a 17 anos com comorbidades — estes últimos atendidos exclusivamente nos drive-thrus da cidade e apenas com a vacina da Pfizer, único imunizante autorizado para essa faixa etária naquele momento.
Para receber a primeira dose, era obrigatório apresentar documento de identificação com foto, CPF e comprovante de residência, em original e cópia. Quatro pontos fixos operavam das 9h às 16h nos bairros de Benedito Bentes, Vergel, Osman Loureiro e Jacintinho. Dois drive-thrus em Jaraguá e Serraria, além dos shoppings Pátio e Maceió, funcionavam em horário estendido até as 21h no modelo Corujão.
Adolescentes de 16 e 17 anos podiam comparecer sozinhos. Já os de 12 a 15 anos precisavam estar acompanhados de pais ou responsável legal — ou, na impossibilidade, de um adulto portando uma declaração de autorização parental escrita à mão, sem necessidade de reconhecimento em cartório.
Para a segunda dose, quem completava o esquema com Coronavac deveria se dirigir exclusivamente ao Shopping Pátio; os demais imunizantes podiam ser tomados em qualquer ponto. Quem havia perdido o cartão de vacinação podia solicitar uma segunda via no local da primeira aplicação, e pessoas com deficiência visual podiam trocar o cartão convencional por um em braile na segunda dose.
Pessoas com comorbidades precisavam comprovar sua condição com prescrição médica, exames, relatório ou registros no SUS — documentos que seriam retidos no posto. Pessoas com deficiência permanente também estavam incluídas nessa etapa, com exigência de laudo ou documentos equivalentes; a única exceção era para deficiências físicas aparentes e visíveis, dispensadas de comprovação documental.
Na segunda-feira, 30 de agosto, Maceió avançou sua campanha de vacinação contra a Covid-19 abrindo as portas para um novo grupo: pessoas a partir de 16 anos cujos nomes começam com as letras O até Z. Junto a esse contingente, adolescentes entre 12 e 17 anos que apresentam comorbidades também puderam se imunizar, mas com uma restrição importante — apenas nos drive-thrus da cidade, e exclusivamente com a vacina da Pfizer, o único imunizante autorizado para essa faixa etária até aquele momento.
Para receber a primeira dose, a documentação exigida era simples mas obrigatória: um documento de identificação com foto, CPF e comprovante de residência, sendo necessário apresentar tanto o original quanto uma cópia. Quatro pontos de vacinação funcionavam em horário regular — a Praça Padre Cícero no bairro de Benedito Bentes, o Papódromo em Vergel, o Terminal do Osman Loureiro e o Ginásio Arivaldo Maia no Jacintinho — todos operando das 9 da manhã até as 4 da tarde. Além desses, dois drive-thrus em Jaraguá e Serraria, além dos shoppings Pátio na Cidade Universitária e Maceió em Mangabeiras, ofereciam o que a prefeitura chamou de Corujão, funcionando das 9 da manhã até as 9 da noite, com essa programação estendida até o domingo anterior.
A questão da acompanhamento de menores de idade recebeu atenção especial nas orientações. Adolescentes de 16 e 17 anos podiam se apresentar sozinhos aos postos de vacinação. Aqueles entre 12 e 15 anos, porém, precisavam estar necessariamente acompanhados de um dos pais ou responsável legal. Caso isso não fosse possível, a lei permitia que um adulto os acompanhasse, desde que portasse uma declaração de autorização parental — e essa declaração podia ser escrita à mão, sem necessidade de cartório ou formalidades burocráticas mais complexas.
Para quem já havia recebido a primeira dose e chegava o momento da segunda aplicação, a cidade mantinha os pontos de vacinação abertos. Havia, contudo, uma particularidade: quem estava completando o esquema com a Coronavac precisava se dirigir exclusivamente ao Shopping Pátio. Aqueles que tomariam a segunda dose de Astrazeneca ou Pfizer tinham liberdade de escolher qualquer um dos pontos disponíveis. Para essa etapa, a documentação era ainda mais enxuta — bastava levar o documento de identificação com foto e o cartão de vacinação. Para os que haviam perdido o cartão, havia a possibilidade de solicitar uma segunda via no mesmo local onde haviam recebido a primeira dose. Uma medida de acessibilidade também foi implementada: pessoas com deficiência visual que tivessem recebido o cartão convencional na primeira dose podiam solicitar sua substituição por um cartão em braile no momento da segunda aplicação.
Pessoas com comorbidades que buscavam se vacinar precisavam comprovar sua condição de saúde através de documentação específica. Além do documento de identificação com foto e CPF, era necessário apresentar um dos seguintes documentos, que ficaria retido no local de vacinação: uma prescrição médica que mencionasse a vacina e a condição de saúde justificadora; exames específicos que estabelecessem o diagnóstico; um relatório médico; ou registros no Sistema Único de Saúde. A cidade havia divulgado uma lista completa das comorbidades que se enquadravam nessa categoria.
Também nessa etapa de vacinação, pessoas com deficiência permanente — seja ela física, mental, intelectual ou sensorial, incluindo portadores de doenças raras que causassem deficiências intelectuais, motoras ou cognitivas — podiam se imunizar. A documentação exigida incluía identificação com foto, CPF, cópia do comprovante de residência e algum documento que comprovasse a deficiência: um laudo médico, cartões de gratuidade em transporte público, documentos que indicassem a condição de pessoa com deficiência, comprovante de recebimento do Benefício de Prestação Continuada, ou documentos que atestassem vinculação a centros de reabilitação. Havia uma exceção prática: nos casos de deficiência física aparente e visível que causasse limitações óbvias, a apresentação de comprovação documental não era obrigatória.
Citações Notáveis
Adolescentes de 16 e 17 anos podiam se apresentar sozinhos aos postos; aqueles entre 12 e 15 anos precisavam estar acompanhados de pai, mãe ou responsável— Orientações da prefeitura de Maceió
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que a vacinação foi organizada por letras do nome? Parece uma forma estranha de dividir as pessoas.
Era uma estratégia para evitar aglomerações. Ao chamar grupos específicos — neste caso, de O a Z — a prefeitura controlava o fluxo nos postos. Sem isso, todos apareceriam no mesmo dia e o sistema colapsaria.
E por que adolescentes com comorbidades ficaram restritos aos drive-thrus?
Provavelmente por questão de segurança e controle. Os drive-thrus permitem que as pessoas permaneçam em seus veículos, reduzindo exposição. E como a Pfizer era a única autorizada para menores, centralizar em drive-thrus facilitava o gerenciamento da vacina específica.
A exigência de autorização parental escrita à mão parece muito informal para um procedimento médico.
Mas era pragmática. Muitas famílias não têm acesso fácil a cartório ou impressoras. Permitir que escrevessem a próprio punho tornava o processo acessível sem comprometer a intenção legal — garantir que os pais autorizassem.
E quanto àqueles que perderam o cartão de vacinação?
Podiam solicitar segunda via no mesmo posto onde tomaram a primeira dose. Era um reconhecimento de que nem todo mundo guarda documentos com cuidado, e isso não deveria impedir o acesso à segunda dose.
A medida do cartão em braile para pessoas com deficiência visual — isso foi pensado desde o início?
Não necessariamente. Mas quando perceberam que algumas pessoas haviam recebido cartões convencionais na primeira dose, ofereceram a substituição na segunda. Era uma correção de rota, uma forma de dizer que a acessibilidade importava.