UnB descobre mineral inédito na natureza dentro de diamante em Mato Grosso

Diamantes superprofundos funcionam como cápsulas do tempo geológico
Pesquisador da UnB explica como diamantes transportam minerais preservados das profundezas da Terra.

Nas entranhas de um diamante extraído em Juína, no Mato Grosso, pesquisadores brasileiros encontraram aquilo que a ciência ainda não havia visto na natureza: um mineral inteiramente novo, batizado de grahampearsonita. Formado entre 450 e 750 quilômetros abaixo da superfície terrestre e preservado por bilhões de anos dentro de sua cápsula cristalina, esse fosfato de cálcio revela como o planeta guarda e recicla elementos essenciais à vida em suas camadas mais inacessíveis. A descoberta, reconhecida internacionalmente, lembra que a Terra ainda guarda segredos profundos — e que às vezes é preciso olhar dentro de um diamante para encontrá-los.

  • Um mineral sintetizado em laboratório décadas atrás nunca havia sido encontrado na natureza — até que um diamante de Juína mudou essa história.
  • A grahampearsonita foi identificada após análises minuciosas que cruzaram espectroscopia, síncrotron e colaboração entre Brasil, Itália, China e Alemanha.
  • A Associação Mineralógica Internacional reconheceu formalmente o mineral, e o estudo foi publicado na revista American Mineralogist em junho de 2026.
  • O achado acende uma nova janela para entender como o fósforo — elemento vital para a vida — circula entre a crosta e o manto terrestre ao longo de bilhões de anos.
  • Juína consolida sua posição como um dos sítios geológicos mais singulares do mundo, com diamantes que funcionam como arquivos vivos do interior do planeta.

Em Juína, no noroeste de Mato Grosso, um diamante super profundo guardava um segredo que a ciência nunca havia documentado na natureza. Dentro dele, pesquisadores brasileiros identificaram a grahampearsonita, um mineral fosfato composto por cálcio, fósforo e oxigênio — batizado em homenagem ao mineralogista britânico Graham D. Pearson, referência mundial no estudo de diamantes e da estrutura interna da Terra. Embora o material já tivesse sido sintetizado em laboratório, nenhuma ocorrência natural havia sido registrada antes, nem na Terra nem em meteoritos.

A descoberta foi liderada por Tiago Jalowitzki, professor da Universidade de Brasília, e envolveu instituições do Brasil, Itália, China e Alemanha. As primeiras análises foram feitas no Instituto de Física da UnB por espectroscopia; depois, a amostra seguiu para a Universidade de Padova, onde sua composição única foi confirmada. O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e a UFRGS também participaram do processo. O resultado foi publicado em junho na revista American Mineralogist e reconhecido pela Associação Mineralógica Internacional.

O que torna o achado especialmente significativo é o que ele revela sobre o interior do planeta. Os diamantes de Juína se formam a profundidades entre 400 e 800 quilômetros, aprisionando minerais durante sua cristalização e transportando-os intactos até a superfície — verdadeiras cápsulas do tempo geológico. A grahampearsonita, preservada entre 450 e 750 quilômetros de profundidade, oferece pistas sobre como o fósforo é armazenado e reciclado entre a crosta e o manto ao longo de bilhões de anos, aprofundando a compreensão humana sobre os ciclos mais fundamentais da Terra.

Em Juína, município no noroeste de Mato Grosso, pesquisadores brasileiros extraíram de um diamante super profundo um mineral que nunca havia sido documentado na natureza. A grahampearsonita — assim batizada em homenagem ao mineralogista britânico Graham D. Pearson, cujo trabalho sobre diamantes e a estrutura interna do planeta é referência mundial — é um fosfato composto por cálcio, fósforo e oxigênio, com fórmula química Ca2P2O7.

O achado representa um marco peculiar na geologia. Embora cientistas tivessem sintetizado esse material em laboratório décadas atrás, ninguém havia encontrado a grahampearsonita ocorrendo naturalmente na Terra ou em meteoritos até agora. A descoberta foi formalmente reconhecida pela Associação Mineralógica Internacional e publicada em junho na revista American Mineralogist, resultado de uma colaboração que envolveu pesquisadores do Brasil, Itália, China e Alemanha.

Juína já era conhecida como um sítio geológico singular. A região abriga diamantes formados a profundidades extraordinárias — entre 400 e 800 quilômetros abaixo da superfície terrestre. O diamante que continha a grahampearsonita preservava minerais que se cristalizaram entre aproximadamente 450 e 750 quilômetros de profundidade, segundo análises lideradas por Tiago Jalowitzki, professor da Universidade de Brasília.

O processo de identificação foi meticuloso. Pesquisadores do Instituto de Física da UnB realizaram as primeiras análises usando técnicas de espectroscopia que revelaram a "impressão digital" mineral da amostra, identificando diferentes fosfatos. A amostra foi então enviada à Universidade de Padova, na Itália, onde análises mais sofisticadas confirmaram que o mineral tinha uma composição única, sem correspondência com nenhum outro mineral conhecido. O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, no Brasil, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul também contribuíram para a pesquisa.

O significado científico da descoberta vai além da nomenclatura. Jalowitzki explica que diamantes super profundos funcionam como cápsulas do tempo geológico. Durante sua formação nas profundezas do manto terrestre, eles aprisionam minerais minúsculos e os transportam intactos até a superfície, preservando um registro das condições químicas e físicas que existiam centenas de quilômetros abaixo. A grahampearsonita, nesse contexto, oferece pistas sobre como o fósforo — um elemento fundamental para a vida e para processos geológicos — é armazenado e reciclado entre a crosta e o manto terrestre ao longo de bilhões de anos.

Essa compreensão mais profunda dos ciclos geoquímicos internos do planeta contribui para o conhecimento humano sobre como a Terra funciona em seu interior, informação que tem implicações para entender a evolução do planeta e a dinâmica de seus processos mais fundamentais.

Os diamantes superprofundos funcionam como verdadeiras cápsulas do tempo, aprisionando pequenos minerais e transportando-os até a superfície, preservando informações sobre condições a centenas de quilômetros de profundidade
— Tiago Jalowitzki, professor da Universidade de Brasília
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um mineral sintetizado em laboratório há décadas só agora foi encontrado na natureza?

Model

Porque a natureza não produz tudo que conseguimos fazer em laboratório. A grahampearsonita exige condições muito específicas — pressões e temperaturas extremas que só existem a centenas de quilômetros de profundidade. Juína é um lugar raro onde esses diamantes super profundos conseguem chegar à superfície.

Inventor

E por que nomear o mineral em homenagem a Graham Pearson especificamente?

Model

Porque ele dedicou sua carreira a entender diamantes e o que eles nos dizem sobre o interior da Terra. Essa descoberta é, em muitos sentidos, a continuação do trabalho dele — usando diamantes como mensageiros do manto terrestre.

Inventor

Qual é a importância prática dessa descoberta? Muda algo na vida das pessoas?

Model

Não muda o dia a dia, mas muda como entendemos o planeta. Saber como o fósforo circula entre a crosta e o manto nos ajuda a compreender ciclos geoquímicos que afetam tudo — desde a formação de rochas até a disponibilidade de nutrientes. É conhecimento fundamental.

Inventor

Então Juína é especial por alguma razão geológica?

Model

Muito. A região está em uma zona onde o manto terrestre consegue expelir esses diamantes profundos com frequência incomum. É como se a Terra abrisse uma janela para seu interior naquele lugar específico.

Inventor

Quantos minerais novos como esse vocês esperam encontrar?

Model

Não sabemos. Cada diamante super profundo é único. Pode haver mais minerais inéditos esperando ser descobertos, ou pode ser que a grahampearsonita seja uma raridade. O importante é que agora sabemos procurar.

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