Um em cada quatro brasileiros ainda não entregou IR 2024; prazo encerra em uma semana

Um em cada quatro brasileiros ainda precisa acertar as contas com o fisco
Com apenas uma semana para o encerramento do prazo, mais de 12 milhões de contribuintes obrigados ainda não entregaram sua declaração.

A cada ciclo fiscal, o Estado e o cidadão se encontram num ritual de prestação de contas — e, como em todo ritual, há aqueles que chegam na última hora. Com o prazo do Imposto de Renda 2024 encerrando em 31 de maio, mais de 12 milhões de brasileiros ainda não cumpriram sua obrigação, representando um quarto de todos os contribuintes esperados pela Receita Federal. O atraso não é apenas burocrático: carrega consigo penalidades financeiras automáticas e o peso de uma relação com o Estado que, adiada, só se torna mais custosa.

  • Com apenas sete dias até o prazo final, 12 milhões de brasileiros ainda não entregaram a declaração — e multas automáticas aguardam quem ultrapassar 23h59 de 31 de maio.
  • A Receita Federal esperava 43 milhões de declarações e recebeu apenas 30,7 milhões, revelando que um em cada quatro contribuintes obrigados segue em situação irregular.
  • A ferramenta pré-preenchida pode reduzir o processo a 30 minutos, mas exige conta de nível prata ou ouro no gov.br — uma barreira técnica que pode travar quem deixou para a última hora.
  • Especialistas recomendam a tributação simplificada para quem não reuniu comprovantes a tempo, evitando erros que levam à malha fina.
  • Moradores do Rio Grande do Sul em municípios em calamidade pública têm prazo estendido até 30 de agosto; para o restante do país, não há prorrogação prevista.

A contagem regressiva para o Imposto de Renda 2024 chegou à sua fase mais crítica. Com o prazo se encerrando em 31 de maio, mais de 12 milhões de brasileiros — um em cada quatro contribuintes obrigados — ainda não entregaram sua declaração à Receita Federal, que esperava alcançar 43 milhões de envios. Quem perder o prazo enfrenta multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.

A única exceção ao prazo são os moradores de municípios gaúchos em situação de calamidade pública, com data limite estendida até 30 de agosto. Para todos os demais, não há margem para extensão.

A boa notícia é que a declaração pode ser concluída em cerca de 30 minutos com a ferramenta pré-preenchida, que importa automaticamente dados de empresas, bancos, planos de saúde e cartórios. O acesso, porém, exige conta de nível prata ou ouro no portal gov.br. No ano anterior, 30% dos contribuintes concluíram o processo em menos de uma hora.

Antes de começar, é preciso verificar se há obrigação de declarar. Em 2024, o limite de rendimentos tributáveis foi atualizado para R$ 30.639,90 — acima do valor anterior de R$ 28.559,70. Outras situações que obrigam a declaração incluem ganhos de capital, vendas na Bolsa acima de R$ 40 mil, bens superiores a R$ 800 mil e atividade rural com receita acima de R$ 153.199,50.

Para quem deixou tudo para o fim, especialistas recomendam optar pela tributação simplificada, que oferece desconto padrão de R$ 16.754,34 e exige menos comprovantes. Erros de digitação são a principal causa de queda na malha fina, por isso a revisão antes do envio é essencial. O recibo gerado deve ser guardado por pelo menos cinco anos, prazo que a Receita Federal tem para questionar as informações declaradas.

A contagem regressiva para o Imposto de Renda 2024 entrou em sua fase final. Com apenas sete dias restantes até o encerramento do prazo em 31 de maio, mais de 12 milhões de brasileiros ainda não cumpriram sua obrigação fiscal. A Receita Federal esperava receber 43 milhões de declarações até essa data, mas na manhã de sexta-feira havia contabilizado apenas 30,7 milhões. Isso significa que um em cada quatro contribuintes obrigados segue em atraso, enfrentando o risco de multas que começam em R$ 165,74 e podem alcançar 20% do imposto devido.

O prazo não comporta mais extensões para a maioria do país. A única exceção são os moradores de municípios do Rio Grande do Sul em situação de calamidade pública, que tiveram o prazo prorrogado até 30 de agosto. Para todos os demais, a data limite é intransponível: 23h59 de 31 de maio. Quem ultrapassar esse horário enfrenta penalidades automáticas.

A boa notícia é que a declaração não exige horas de trabalho. José Carlos Fonseca, superintendente nacional do Imposto de Renda, afirma que é possível completar o processo em cerca de 30 minutos. No ano anterior, 30% dos contribuintes cumpriram a obrigação em menos de uma hora. A ferramenta de declaração pré-preenchida acelera significativamente o trabalho, trazendo automaticamente dados enviados por empresas, bancos, financeiras, hospitais, planos de saúde, cartórios de imóveis e exchanges. Porém, há uma exigência: é necessário ter uma conta de nível prata ou ouro no portal gov.br para acessar esse recurso.

Antes de começar, o contribuinte precisa verificar se está obrigado a declarar. A legislação sofreu alterações em 2024. Quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 30.639,90 em 2023 — incluindo salário, aposentadoria e pensão do INSS ou de órgãos públicos — está obrigado. O limite anterior era R$ 28.559,70. Também devem declarar quem recebeu rendimentos isentos ou não tributáveis acima de R$ 200 mil, quem obteve ganho de capital na venda de bens ou direitos, quem realizou vendas na Bolsa de Valores que superaram R$ 40 mil, ou quem possuía bens e direitos acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro. Outras situações que exigem declaração incluem atividade rural com receita bruta superior a R$ 153.199,50, compensação de prejuízos rurais, mudança de residência para o Brasil durante o ano, titularidade de trusts ou contratos regidos por lei estrangeira, e opção por atualizar bens no exterior pelo valor de mercado de dezembro de 2023.

Para quem deixou tudo para o último momento, a recomendação é focar nos elementos que a Receita Federal examina com maior rigor: rendimentos tributáveis e despesas dedutíveis. Marcos Hangui, especialista em Imposto de Renda da King Contabilidade, alerta que é importante não adiar a coleta de documentos. Quem não recebeu os informes de rendimento deve consultar os sites das fontes pagadoras ou procurá-las diretamente, mas isso requer antecedência. Os documentos necessários incluem dados pessoais como RG, título de eleitor e CPF, informes de rendimentos de empresas, bancos, imobiliárias, planos de saúde e órgãos do governo como o INSS, além de comprovantes e notas fiscais de pagamentos realizados em 2023 que podem reduzir o imposto.

A declaração pode ser feita de três formas: pelo aplicativo Meu Imposto de Renda no celular ou tablet, pelo portal e-CAC da Receita Federal, ou pelo programa instalado no computador. Todas as opções exigem login com conta gov.br de nível prata ou ouro. Após preencher as fichas com informações de identificação, dependentes, rendimentos, bens, dívidas e despesas dedutíveis, o contribuinte deve escolher entre tributação simplificada ou desconto legal. A simplificada oferece um desconto padrão de R$ 16.754,34, enquanto a outra subtrai as despesas dedutíveis reais. Eduardo Natal, sócio do Natal & Manssur Advogados, recomenda que quem deixou para última hora use a tributação simplificada, pois exige menos comprovantes.

Antes de enviar, é essencial verificar pendências no sistema. Erros de digitação são as falhas mais comuns que levam contribuintes à malha fina. Após corrigir qualquer problema, o contribuinte deve selecionar "Entregar a Declaração", informar dados para restituição ou emitir o Darf para pagamento do imposto, que pode ser quitado à vista ou em até oito parcelas. O recibo gerado deve ser guardado junto com todos os documentos utilizados, pois a Receita Federal tem até cinco anos para questionar as informações enviadas. Com uma semana restante, o tempo para agir ainda existe — mas não sobra margem para procrastinação.

No ano passado, 30% fizeram a declaração em menos de uma hora e cumpriram sua obrigação
— José Carlos Fonseca, superintendente nacional do Imposto de Renda
Para quem deixar para a última hora, a sugestão é usar a declaração simplificada, pois ela pode não ter como comprovar algumas despesas e todas precisam ter comprovantes
— Eduardo Natal, sócio do Natal & Manssur Advogados
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que tantos brasileiros deixam para o último momento se o processo é tão rápido?

Model

Porque saber que é rápido e realmente fazer são coisas diferentes. A maioria das pessoas precisa reunir documentos, entender se está obrigada a declarar, e lidar com a ansiedade de errar. Mesmo que leve 30 minutos, exige preparação prévia.

Inventor

A multa de R$ 165,74 é realmente um desincentivo forte?

Model

Não é a multa mínima que assusta — é o potencial de chegar a 20% do imposto devido. Para quem deve uma quantia significativa, isso fica caro. Mas a verdade é que muita gente não calcula isso com antecedência.

Inventor

Por que a Receita não estende o prazo para todos, como fez para o Rio Grande do Sul?

Model

Porque a calamidade pública é uma situação excepcional. Para o resto do país, o prazo é considerado suficiente. A Receita já oferece ferramentas que simplificam o processo — a pré-preenchida, por exemplo, traz 80% dos dados prontos.

Inventor

Qual é o maior risco de declarar com pressa no último dia?

Model

Erros de digitação. Quando você está apressado, digita informações erradas ou esquece de incluir rendimentos. Isso coloca você na malha fina, que é muito mais trabalhoso de resolver depois do que dedicar 30 minutos agora.

Inventor

A tributação simplificada é sempre a melhor opção para quem está atrasado?

Model

Para quem não tem comprovantes de despesas dedutíveis em mãos, sim. Mas se você tem documentação organizada, a tributação por desconto legal pode resultar em uma restituição maior. O problema é que quem deixa para última hora raramente tem tudo documentado.

Inventor

E quem não conseguir declarar até 31 de maio?

Model

Fica devendo à Receita e enfrenta multa automática. Não há perdão. A única forma de evitar é agir nos próximos sete dias.

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