UFPR vence edital e recebe R$ 60 milhões para liderar pesquisas em hidrogênio verde

Precisamos que as empresas comprem essa ideia e abracem essa causa
Helton José Alves, coordenador do Centro de Competência, sobre a necessidade de engajamento industrial para o sucesso do projeto.

Em meio à corrida global por alternativas aos combustíveis fósseis, a Universidade Federal do Paraná emerge como protagonista nacional ao ser a única instituição selecionada, entre dezesseis candidatas, para sediar um Centro de Competência em hidrogênio de baixa emissão de carbono. Com R$ 60 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o projeto traduz quinze anos de pesquisa regional em uma aposta concreta de que a ciência brasileira pode moldar a próxima matriz energética do país — e, com ela, trilhões em valor econômico.

  • A transição energética global pressiona o Brasil a posicionar-se rapidamente, e o hidrogênio verde surge como aposta estratégica capaz de agregar até R$ 7 trilhões ao PIB nacional até 2050.
  • A UFPR venceu um processo seletivo rigoroso de duas fases, visitas técnicas e sabatinas, superando outras quinze propostas para garantir o financiamento mais expressivo já destinado à área no Paraná.
  • O diferencial paranaense está em rotas tecnológicas alternativas — biomassa e biogás — desenvolvidas localmente há 15 anos, em vez de depender exclusivamente da eletrólise convencional.
  • Cerca de 30 cartas de apoio de empresas brasileiras e estrangeiras já sinalizam interesse em parcerias, com potencial de R$ 20 milhões adicionais além do investimento público garantido.
  • O projeto, estruturado para quatro anos renováveis, depende agora do engajamento efetivo da indústria local para transformar pesquisa acadêmica em soluções comercialmente escaláveis.

A Universidade Federal do Paraná conquistou esta semana um marco na corrida por energia limpa: foi a única instituição selecionada, entre dezesseis candidatas, para receber R$ 60 milhões da Embrapii e criar um Centro de Competência em hidrogênio de baixa emissão de carbono. O reconhecimento vai além do volume financeiro — representa a validação de que o Paraná acumulou expertise genuína em uma tecnologia que pode adicionar até R$ 7 trilhões ao PIB brasileiro até 2050.

O processo seletivo foi exigente, com duas fases competitivas, visitas técnicas e sabatinas. Os recursos virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com perspectiva de captar outros R$ 20 milhões em parcerias industriais. O coordenador Helton José Alves destacou que o objetivo é transformar a planta piloto recém-inaugurada na universidade em uma ponte real entre conhecimento acadêmico e demandas da indústria.

O diferencial da proposta está na abordagem: enquanto o mundo foca na eletrólise, a UFPR aposta em rotas baseadas em biomassa e biogás — matérias-primas abundantes no Brasil e estudadas localmente há cerca de 15 anos. O centro explorará múltiplas tecnologias de produção, além de pesquisas em armazenamento, transporte, segurança e aplicações práticas em mobilidade, fertilizantes, combustíveis e geração de energia.

A maior parte dos recursos será destinada a equipamentos, contratação de pesquisadores e reforma das instalações piloto. Já chegaram cerca de 30 cartas de apoio de empresas nacionais e estrangeiras. O presidente da Embrapii, Alvaro Prata, ressaltou que reunir pesquisadores, empresas e infraestrutura em torno do hidrogênio cria condições para soluções com impacto econômico, ambiental e social. O projeto funcionará por pelo menos quatro anos, renováveis, mas seu sucesso dependerá de uma aposta coletiva — da universidade, da indústria e do Paraná — no futuro energético do país.

A Universidade Federal do Paraná conquistou esta semana uma vitória que coloca o estado na vanguarda de uma corrida global por energia limpa. A instituição venceu um edital da Embrapii, agência vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e receberá R$ 60 milhões para criar um Centro de Competência dedicado ao hidrogênio de baixa emissão de carbono. O prêmio é significativo não apenas pelo volume de recursos, mas pelo que representa: o reconhecimento de que o Paraná possui expertise genuína em uma tecnologia que consultores estimam poder adicionar até R$ 7 trilhões ao PIB brasileiro nos próximos 25 anos.

Entre 16 propostas submetidas, apenas a da UFPR foi selecionada. O processo foi rigoroso — as candidatas passaram por duas fases competitivas, visitas técnicas e sabatinas antes da decisão final. Helton José Alves, coordenador do Centro de Competência, explicou à Tribuna do Paraná que os R$ 60 milhões virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com perspectiva de captar outros R$ 20 milhões através de parcerias com indústrias paranaenses. A aposta é ambiciosa: transformar uma planta piloto recém-inaugurada na universidade em um polo de pesquisa e desenvolvimento que funcione como ponte entre o conhecimento acadêmico e as necessidades reais da indústria.

O diferencial da proposta paranaense está na abordagem tecnológica. Enquanto a produção convencional de hidrogênio verde ocorre via eletrólise, a UFPR aposta em rotas alternativas baseadas em biomassa e biogás — matérias-primas abundantes no Brasil e em desenvolvimento há cerca de 15 anos por pesquisadores locais. O centro não se limitará a uma única tecnologia, mas explorará múltiplas rotas de produção, incluindo a eletrólise tradicional. Essa flexibilidade reflete uma compreensão de que não existe solução única para a transição energética.

O escopo do trabalho é amplo. As linhas de pesquisa abrangerão não apenas a produção de hidrogênio a partir de fontes sustentáveis, mas também questões críticas como armazenamento, transporte e segurança do combustível. As aplicações práticas mapeadas incluem mobilidade, produção de fertilizantes, combustíveis, processos químicos e industriais, além de geração de energia elétrica. Helton destacou que o investimento será direcionado para desenvolver tecnologias que possam ser escaladas nacionalmente, transformando pesquisa em soluções comercialmente viáveis.

A maior parte dos recursos será alocada em equipamentos, contratação de pesquisadores e reforma das instalações piloto que funcionam como interface entre academia e setor produtivo. Mas o sucesso do projeto dependerá também do engajamento da indústria. O Centro de Competência já recebeu cerca de 30 cartas de apoio de empresas brasileiras e estrangeiras interessadas em associação tecnológica. Alvaro Prata, presidente da Embrapii, enfatizou que a inovação é central para o Brasil aproveitar as oportunidades da transição energética, e que reunir pesquisadores, empresas e infraestrutura de excelência em torno das demandas tecnológicas do hidrogênio cria um ambiente propício para soluções com impacto econômico, ambiental e social.

O projeto está estruturado para funcionar por pelo menos quatro anos, com possibilidade de renovação mediante novo credenciamento. Helton deixou claro que manter esse potencial no Paraná exigirá que empresas e entidades locais abracem a causa, investindo recursos através de cotas de patrocínio. As perspectivas de ganho são enormes, mas dependem de uma aposta coletiva no futuro energético do país.

A inovação é elemento central para que o Brasil aproveite as oportunidades da transição energética
— Alvaro Prata, presidente da Embrapii
Nossa proposta é diferenciada porque quer trabalhar na multirota, também com a eletrólise e outras tecnologias que produzem hidrogênio
— Helton José Alves, coordenador do Centro de Competência
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a UFPR conseguiu vencer entre 16 propostas? O que havia de diferente na abordagem deles?

Model

A experiência acumulada. Pesquisadores paranaenses trabalham com essa tecnologia há 15 anos. Não era uma ideia nova no papel — era algo já testado, com uma planta piloto funcionando. Isso muda tudo na avaliação.

Inventor

Mas hidrogênio verde já é conhecido. Por que a ênfase em biomassa e biogás em vez de eletrólise, que é o método mais comum?

Model

Porque o Brasil tem abundância de biomassa. A eletrólise é cara e depende de eletricidade renovável em larga escala. A biomassa é matéria-prima que já temos, já sabemos processar. É uma aposta em vantagem comparativa.

Inventor

R$ 60 milhões é muito dinheiro. Como exatamente isso vai ser gasto?

Model

Equipamentos de pesquisa, contratação de pesquisadores, reforma das plantas piloto. Mas o grande desafio é transformar isso em tecnologia que a indústria realmente use. Por isso precisam dos outros R$ 20 milhões que virão das empresas.

Inventor

E se a indústria não se interessar? Se essas 30 cartas de apoio não virarem investimento real?

Model

Então o projeto fica incompleto. Pesquisa sem aplicação industrial é apenas conhecimento. O centro só funciona se conseguir fazer a ponte entre o laboratório e a fábrica.

Inventor

Qual é o prazo? Quanto tempo até isso virar algo comercial?

Model

Quatro anos de financiamento garantido, renováveis. Mas a transição energética é longa. Isso é o começo de uma corrida que vai durar décadas.

Inventor

E por que isso importa para o Brasil especificamente?

Model

Porque hidrogênio verde vai ser um mercado de trilhões. Quem domina a tecnologia agora, domina o mercado depois. O Brasil tem recursos naturais e expertise. Essa é a chance de não ficar para trás.

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