Uesb transforma realidade local com projeto que integra ciência e comunidade em Manoel Vitorino

Esse projeto está dando visibilidade para quem estava invisibilizado
Líder comunitário descreve como a iniciativa transformou a percepção sobre o potencial local.

No pequeno povoado de Duas Irmãs, em Manoel Vitorino, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia escolheu escutar antes de agir — e dessa escuta nasceu o 'Ciência na Comunidade', um projeto que desde 2023 conecta 22 programas de pós-graduação às necessidades reais de cerca de 400 moradores. Financiado pela Capes e estruturado em cinco eixos temáticos, o projeto recusa a lógica da ajuda sem raízes e aposta na construção de oportunidades duradouras. É um lembrete de que a universidade pública cumpre sua vocação mais profunda quando atravessa seus próprios muros e se coloca a serviço da vida que pulsa fora deles.

  • Uma comunidade rural de 400 pessoas carregava potencial invisível — agricultura, cultura, trabalho — mas vivia sem acesso ao conhecimento técnico e científico que poderia transformar esse potencial em realidade.
  • O projeto rompeu com o assistencialismo tradicional ao realizar um diagnóstico participativo, ouvindo os moradores antes de propor qualquer ação, o que gerou legitimidade e adesão genuína da comunidade.
  • Resultados concretos já redefinem o cotidiano: escola em tempo integral, saúde bucal, qualificação de professores rurais, técnicas para criação de animais e monitoramento comunitário de saúde.
  • Um Arraiá na escola local marcou a dimensão cultural do projeto, reforçando pertencimento e memória ancestral como pilares tão importantes quanto as melhorias materiais.
  • Com financiamento garantido até 2028 e o respaldo do reitor da Uesb, a iniciativa é reconhecida como política pública bem-sucedida e aponta para uma presença universitária permanente na comunidade.

No povoado Duas Irmãs, em Manoel Vitorino, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia decidiu reformular sua relação com o território ao criar, em 2023, o projeto 'Ciência na Comunidade'. Financiado pela Capes, o projeto articula 22 programas de pós-graduação em torno de cinco eixos — Educação, Agricultura Familiar, Saúde e Qualidade de Vida, Sustentabilidade Ambiental, e Cultura, Esporte e Lazer — voltados para uma comunidade de cerca de 400 habitantes.

O diferencial da iniciativa está em sua origem: antes de propor qualquer ação, pesquisadores realizaram um diagnóstico participativo com os moradores. O pró-reitor Márcio Pedreira explica que o objetivo é transformar o conhecimento universitário em ações concretas, rompendo com a lógica assistencialista e construindo perspectivas reais de desenvolvimento. O líder comunitário José Francisco Souza resume o impacto: o projeto deu visibilidade a quem estava invisibilizado, e começou a aproximar órgãos públicos e instituições parceiras em torno das necessidades locais.

Os resultados já se fazem sentir no dia a dia. A escola municipal passou a funcionar em tempo integral, ações de saúde bucal chegaram à comunidade, professores rurais foram qualificados e a agricultura familiar recebeu novos conhecimentos técnicos. A produtora rural Kelle Cristina, que participa das capacitações para criação de galinhas, planeja expandir sua produção e vê no projeto uma razão concreta de orgulho e esperança.

No dia 18 de junho, um Arraiá na Escola Municipal Menandro Menahim celebrou o eixo de Cultura, Esporte e Lazer. Para a coordenadora Ana Angélica Leal, a festa foi também um ato de fortalecimento das relações humanas e do sentimento de pertencimento — valores que a própria comunidade havia reivindicado. O resgate da memória e da ancestralidade dos moradores mais velhos integra esse mesmo esforço.

O reitor Robério Rodrigues não hesita em classificar o projeto como política pública bem-sucedida, afirmando que as ações vieram para ficar. Com execução prevista até 2028, a iniciativa aspira a se consolidar como presença contínua da Uesb na comunidade — e como modelo de como a educação superior pode estar verdadeiramente a serviço da transformação social.

No povoado Duas Irmãs, em Manoel Vitorino, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia transformou a forma como se relaciona com a comunidade. Tudo começou com uma pergunta simples: como a universidade poderia colocar seu conhecimento a serviço de quem vive fora de seus muros? A resposta veio em forma de um projeto chamado "Ciência na Comunidade", criado em 2023 e financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Hoje, com cerca de 400 habitantes na localidade, o projeto articula 22 programas de pós-graduação em torno de cinco eixos temáticos: Educação, Agricultura Familiar, Saúde e Qualidade de Vida, Sustentabilidade Ambiental, e Cultura, Esporte e Lazer.

O que torna essa iniciativa diferente não é apenas o volume de ações, mas a forma como ela foi construída. Nada foi imposto de cima para baixo. Pesquisadores e professores realizaram um diagnóstico participativo com os moradores, ouvindo o que a comunidade realmente precisava. Márcio Pedreira, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da Uesb, explica que a proposta é levar os conhecimentos produzidos na universidade para além de seus muros, transformando-os em ações concretas de educação, saúde e agricultura. O diferencial está em romper com uma lógica assistencialista — aquela que oferece ajuda sem construir perspectivas — e, em seu lugar, edificar oportunidades reais de desenvolvimento.

José Francisco Souza, líder comunitário, vê no projeto uma mudança profunda. Ele destaca que Duas Irmãs possui potencial real: agricultura, produção de umbu, uma pedreira, pessoas trabalhadoras. O que faltava era visibilidade. "Às vezes, é mais fácil enxergar as coisas negativas, mas aqui existe muito potencial. Esse projeto está dando visibilidade para quem, muitas vezes, estava invisibilizado", afirma. Para ele, a iniciativa também tem conseguido aproximar diferentes órgãos do poder público e instituições parceiras em torno das necessidades locais, criando uma rede de apoio que antes não existia.

Os resultados já começam a aparecer no cotidiano. A escola municipal agora funciona em tempo integral. Ações de saúde bucal chegaram à comunidade. Professores da rede rural receberam qualificação. Pequenos animais passaram a ser criados com técnicas adequadas. A agricultura familiar ganhou novos conhecimentos. Monitoramento em saúde comunitária foi implementado. Kelle Cristina, produtora rural nascida e criada no povoado, é uma das beneficiárias diretas. Ela acompanha as capacitações para criação de galinhas oferecidas pela Uesb e planeja expandir sua produção. "O projeto tem trazido muitas melhorias e grandes avanços. Tenho orgulho de morar aqui e acredito que a gente precisa abraçar essas iniciativas se quer ver o progresso da comunidade", diz ela, conectando o desenvolvimento do povoado à valorização de quem vive ali e à construção de oportunidades para as gerações futuras.

Robério Rodrigues, reitor da Uesb, não hesita em chamar o projeto de política pública bem-sucedida. "As universidades são potencializadoras de políticas públicas e eu digo com toda clareza: isso aqui já é uma política pública bem-sucedida. São ações que vieram para ficar, e a Universidade se sente bem estando no seio da comunidade, que é a quem ela deve beneficiar", afirma. Ele reconhece que o projeto não resolverá todos os problemas, mas funcionou como um ponto de partida, trazendo luz sobre as necessidades reais da comunidade e mobilizando instituições em torno delas.

No dia 18 de junho, o projeto ganhou uma expressão cultural quando a comunidade realizou um Arraiá na Escola Municipal Menandro Menahim. A celebração junina não foi apenas uma festa — foi parte de um eixo temático dedicado a Cultura, Esporte e Lazer. Ana Angélica Leal, coordenadora desse eixo, explica que a iniciativa vai além da celebração. Ela representa uma oportunidade de fortalecer as relações humanas e o sentimento de pertencimento. "A comunidade está tendo a experiência de vivenciar uma questão cultural da nossa realidade, principalmente aqui no Nordeste. Esse conhecimento é significativo, porque fortalece as relações humanas e contribui para que a comunidade cresça, se una e tenha uma qualidade de vida melhor", destaca.

O trabalho também envolve resgatar a memória e a ancestralidade dos moradores. Conhecer a história de vida das mulheres e dos homens mais velhos, reforçar o pertencimento — isso é o que a comunidade reivindicava, e é exatamente isso que o projeto busca construir. Com previsão de execução até 2028, a iniciativa tem a pretensão de se consolidar como uma ação contínua da Universidade, servindo como modelo de como a educação superior pode estar verdadeiramente a serviço da transformação social.

Às vezes, é mais fácil enxergar as coisas negativas, mas aqui existe muito potencial. Esse projeto está dando visibilidade para quem, muitas vezes, estava invisibilizado
— José Francisco Souza, líder comunitário
As universidades são potencializadoras de políticas públicas e eu digo com toda clareza: isso aqui já é uma política pública bem-sucedida. São ações que vieram para ficar
— Robério Rodrigues, reitor da Uesb
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que um projeto assim importa? Parece ser apenas mais uma ação universitária.

Model

Porque rompe com a ideia de que universidade é um lugar isolado. Aqui, o conhecimento produzido dentro da instituição volta para quem realmente precisa, construindo futuro, não apenas oferecendo assistência.

Inventor

Mas como você garante que a comunidade realmente participa das decisões?

Model

Tudo começou com um diagnóstico participativo. Os moradores foram ouvidos sobre o que precisavam. Não foi a universidade dizendo o que era bom para eles.

Inventor

E os resultados? Isso é real ou apenas promessas?

Model

Escola em tempo integral, saúde bucal, qualificação de professores, criação de animais com técnicas adequadas. São coisas que você vê, que as pessoas vivem no dia a dia.

Inventor

Qual é o maior risco? Que a universidade se vá e tudo desabe?

Model

Por isso a previsão é até 2028 e depois continuar como ação permanente. O objetivo é que isso não seja um projeto temporário, mas uma forma nova de a universidade estar presente.

Inventor

E a comunidade acredita nisso?

Model

Kelle Cristina, que vive lá, diz que tem orgulho de morar no lugar agora. José Francisco fala sobre visibilidade. Quando as pessoas começam a acreditar que têm potencial, tudo muda.

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