Ucrânia vê Trump como fundamental para fim da guerra e critica Brasil por não convidar Zelenski ao G20

Aproximadamente 19.546 crianças ucranianas foram deportadas pela Rússia desde o início da guerra, com 596 mortas e 1.736 feridas até o momento.
Nós perdemos a oportunidade de discutir juntos planos sobre como terminar com essa guerra
Iermak criticou a decisão do Brasil de não convidar Zelenski ao G20 em novembro, perdendo chance de mediar o conflito.

Trump se comprometeria em encontrar solução rápida para a guerra logo após sua posse em 20 de janeiro, segundo Andrii Iermak. Ucrânia recusa reconhecer territórios ocupados pela Rússia e critica Brasil por perder chance de mediar conflito ao excluir Zelenski do G20.

  • Trump tomará posse em 20 de janeiro e, segundo Iermak, encontrará Zelenski para discutir paz
  • Ucrânia recusa reconhecer qualquer território ocupado ou anexado pela Rússia
  • Brasil não convidou Zelenski para o G20 no Rio em novembro, perdendo oportunidade de mediação
  • Aproximadamente 19.546 crianças ucranianas foram deportadas pela Rússia; 596 morreram e 1.736 ficaram feridas
  • Iermak pede apoio brasileiro para repatriar cerca de 20 mil crianças entre 2 e 17 anos

Chefe de gabinete ucraniano afirma que Trump terá papel fundamental na mediação do conflito após posse, mas rejeita qualquer cessão territorial. Brasil é criticado por não convidar Zelenski ao G20.

Andrii Iermak, o homem que dirige o gabinete presidencial ucraniano, está apostando tudo em Donald Trump. Quando o presidente eleito dos Estados Unidos tomar posse em 20 de janeiro, Iermak acredita que ele se tornará a peça central para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. Em uma coletiva de imprensa virtual para jornalistas brasileiros nesta terça-feira, Iermak foi direto: Trump quer acabar com o conflito, e logo após sua posse ele e Zelenski se encontrarão para traçar os caminhos da paz. "Sabemos que será uma prioridade do novo governo", disse.

Mas há limites claros para o que a Ucrânia está disposta a aceitar. Iermak deixou isso absolutamente claro: o país nunca reconhecerá territórios ocupados ou anexados pela Rússia. Isso não é negociável. Viola a soberania ucraniana e a lei internacional. Embora Zelenski tenha mencionado em dezembro a possibilidade de renunciar temporariamente a áreas ocupadas em troca de um convite para aderir à Otan, Iermak reafirmou que o povo ucraniano permanece firme em sua luta pela recuperação total das terras perdidas nos quase três anos de conflito.

O Brasil entrou na conversa de forma incômoda. Iermak sugeriu que o país perdeu uma oportunidade histórica de se posicionar como mediador quando deixou de convidar Zelenski para a cúpula do G20 no Rio de Janeiro em novembro passado. Putin foi convidado, mas não compareceu devido a um mandado de prisão internacional. Muitos dos países presentes, segundo Iermak, apoiavam a presença do presidente ucraniano. "Foi um erro", disse ele. "Ele queria participar e ia se sentar junto com os líderes do G20. Nós perdemos a oportunidade de discutir juntos planos sobre como terminar com essa guerra."

O recado para o presidente Luiz Inácio Lula foi simultaneamente crítico e conciliador. Iermak reclamou da falta de posicionamento brasileiro em relação ao conflito e disse que o relacionamento "não está como gostaríamos". Mas deixou a porta aberta. "Nós respeitamos muito seu país, uma das maiores democracias do mundo, e estamos dispostos a conversar. Eu acredito que a relação com o Brasil pode melhorar e que, com o tempo, seremos grandes amigos." Ele pediu especificamente o apoio brasileiro em questões humanitárias e de direitos humanos.

Quanto a Putin, Iermak não poupou palavras. Chamou-o de "agressor e ditador", um "louco que não respeita a lei internacional", e comparou seu regime a Estados terroristas como Coreia do Norte e Irã. Para Iermak, a impunidade russa — especialmente em questões nucleares — pode abrir precedentes perigosos para futuras agressões em outras partes do mundo, inclusive no Brasil.

Um dos focos humanitários mais urgentes é o resgate de crianças. Desde o início da guerra, a Rússia deportou aproximadamente 19.546 crianças ucranianas. Até agora, 1.037 foram resgatadas, mas 596 morreram e 1.736 ficaram feridas. Iermak pediu especificamente o apoio do Brasil para pressionar a Rússia a devolver cerca de 20 mil jovens entre 2 e 17 anos através de uma iniciativa chamada "Bring Kids Back UA". "A liderança brasileira pode impactar não só a Ucrânia, mas também a luta pela democracia e direitos humanos", disse.

Iermak, nomeado pela revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo em 2024, deixou claro que a Ucrânia está em um momento crítico. Há esperança em Trump, há esperança em negociações, mas não há espaço para concessões territoriais. E há um apelo direto ao Brasil para que não fique à margem dessa história.

Tenho certeza que o presidente Trump deseja acabar com a guerra e, logo após sua posse, ele e Zelenski terão um encontro para discutir como podemos avançar com a paz
— Andrii Iermak, chefe de gabinete do governo ucraniano
A Ucrânia nunca reconhecerá qualquer território ocupado e anexado como parte da Rússia
— Andrii Iermak
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Trump é tão importante neste momento específico para a Ucrânia?

Model

Porque ele chega à presidência prometendo resolver conflitos rapidamente, e a Ucrânia está exausta. Três anos de guerra. A esperança é que ele tenha a influência e a vontade política para pressionar a Rússia de forma que nenhum outro líder conseguiu.

Inventor

Mas se Trump quer uma solução rápida, não há risco de que ele pressione a Ucrânia a ceder territórios?

Model

Esse é o grande medo. Por isso Iermak foi tão enfático: a Ucrânia não vai aceitar isso. Mas há uma tensão real aqui. Zelenski já sinalizou disposição de fazer concessões temporárias. Ninguém sabe exatamente onde está a linha vermelha.

Inventor

E por que o Brasil é tão importante nessa conversa?

Model

Porque o Brasil é uma potência global, uma democracia grande, e tem influência no Sul Global. Se o Brasil se posicionasse ao lado da Ucrânia, isso mudaria a dinâmica diplomática. Iermak está dizendo: vocês deixaram passar uma chance em novembro. Não deixem passar outra.

Inventor

Ele parecia ressentido com o Brasil?

Model

Sim, mas de forma controlada. Havia frustração clara, mas também um convite. Ele estava dizendo: "Vocês erraram, mas ainda podemos ser amigos. Ainda podemos trabalhar juntos." É diplomacia sob pressão.

Inventor

E as crianças deportadas? Isso é realmente uma prioridade ou é um apelo emocional?

Model

É ambas as coisas. Vinte mil crianças. Quase seiscentas mortas. Isso é real, é urgente, e é também um símbolo do que Iermak quer que o mundo entenda: isso não é apenas uma guerra territorial. É um crime contra a humanidade.

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