Mais uma mentira russa, respondeu seu homólogo ucraniano
No quarto ano de guerra, a Ucrânia levou seus drones até São Petersburgo, atingindo um terminal petrolífero e a base naval de Kronstadt — um gesto que não é apenas militar, mas simbólico: a guerra chegou ao coração urbano da Rússia. Enquanto Kiev reivindica ter desativado quase metade da capacidade de refino russo, Moscou disputa o controle de Kostiantinivka, cidade que abre caminho para o coração do Donbass. Cada ataque justifica o seguinte, e o ciclo de destruição — medido em refinarias em chamas e civis mortos — continua seu curso implacável.
- Drones ucranianos atingiram São Petersburgo pela primeira vez em grande escala, danificando um terminal petrolífero e a histórica base naval de Kronstadt, num golpe que expõe a vulnerabilidade do território russo.
- Kiev afirma ter neutralizado 43% da capacidade de refino de petróleo da Rússia, transformando a infraestrutura energética no principal campo de batalha econômico do conflito.
- Moscou reivindica a captura de Kostiantinivka, cidade estratégica na rota para Kramatorsk e Sloviansk, enquanto Kiev nega categoricamente e insiste que suas linhas resistem.
- O custo humano se acumula dos dois lados: 30 mortos em Kiev, 4 em Sumi — incluindo uma criança —, e feridos espalhados por Kramatorsk, Dnipropetrovsk e Zaporíjia.
- A linha de frente permaneceu quase estática em junho, segundo análises independentes, sugerindo que os ganhos territoriais russos estão desacelerando mesmo enquanto a intensidade dos ataques cresce.
São Petersburgo acordou sob ataque na manhã de sábado. Dezenas de drones ucranianos penetraram o espaço aéreo da segunda maior cidade da Rússia, com pelo menos um atingindo um terminal petrolífero no distrito de Kirovsky e outro caindo nos jardins históricos de Peterhof — sem vítimas, mas com peso simbólico inegável. O governador Alexander Beglov minimizou as consequências técnicas, mas o ataque revelava uma estratégia em expansão.
Zelensky confirmou que os alvos incluíam também Kronstadt, a base naval próxima à cidade. Não eram escolhas aleatórias: a Ucrânia vem argumentando que as instalações energéticas russas financiam diretamente o esforço de guerra. Segundo Kiev, os ataques com drones de longo alcance já desativaram cerca de 43% da capacidade de refino russo — cifra não verificada de forma independente, mas que ilustra a escala da campanha.
O contexto era de violência recíproca. Dias antes, um bombardeio russo havia matado 30 pessoas em Kiev. Horas antes do ataque a São Petersburgo, quatro pessoas morreram em Sumi, entre elas uma criança. A Rússia afirmou ter interceptado quase 500 drones e dez mísseis ucranianos durante a noite e prometeu retaliar.
No leste, uma disputa de narrativas se somava à disputa territorial. Moscou declarou ter tomado Kostiantinivka — cidade de 78 mil habitantes antes da guerra e último bastião antes de Kramatorsk e Sloviansk. Putin, em uniforme militar, agradeceu pessoalmente aos soldados. Kiev respondeu com negação firme: o porta-voz militar Andrii Kovalev afirmou que as posições ucranianas se mantinham, e Zelensky classificou o anúncio russo como mais uma mentira.
A batalha por Kostiantinivka arrasta-se desde o fim de 2025, e a verdade sobre quem controla o quê permanece obscura. O que os dados mostram é que a linha de frente ficou praticamente estável em junho — o ímpeto russo desacelerou. Enquanto isso, bombas continuaram a ferir civis em Kramatorsk, Dnipropetrovsk e Zaporíjia, e a guerra seguiu seu trabalho metódico de destruição.
São Petersburgo acordou sob ataque no sábado. Dezenas de drones ucranianos penetraram o espaço aéreo da segunda maior cidade da Rússia, e pelo menos um atingiu o que as autoridades locais confirmaram ser um terminal petrolífero no distrito de Kirovsky. Um outro engenho caiu nos jardins históricos de Peterhof, o complexo de palácios que pertenceu aos czares, mas sem deixar vítimas ou destruição significativa. O governador Alexander Beglov descreveu a situação com a frieza de quem já viu isso antes: as consequências técnicas foram resolvidas, ninguém morreu. Mas o ataque revelava algo maior — a Ucrânia estava intensificando uma estratégia que vinha minando a capacidade de guerra russa há meses.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky foi mais direto sobre o que havia acontecido. Seus comandos não apenas atingiram a infraestrutura petrolífera portuária, disse ele, como também acertaram Kronstadt, a base naval russa próxima à cidade. Esses não eram alvos aleatórios. A Ucrânia vinha argumentando que as instalações de petróleo e gás russas financiam o esforço de guerra e, portanto, são legítimos. Segundo as reivindicações ucranianas, os ataques com drones de longo alcance já haviam desativado quase 43% da capacidade de refino de petróleo russo — uma cifra que nenhum observador independente havia verificado, mas que refletia a escala da campanha.
O ataque a São Petersburgo não ocorria no vácuo. Dias antes, um bombardeio russo em Kiev havia matado 30 pessoas. Horas antes, um atentado russo na cidade de Sumi, no norte ucraniano, havia deixado quatro mortos, entre eles uma criança. A Rússia, por sua vez, afirmou ter interceptado quase 500 drones ucranianos e dez mísseis Flamingo durante a noite, e prometeu retaliar. Era o ritmo da guerra no seu quarto ano — ataques e contra-ataques, cada um justificado pelo anterior, cada um gerando o próximo.
Mas enquanto os drones voavam sobre São Petersburgo, uma disputa diferente se desenrolava no leste ucraniano. Moscou alegava que havia tomado Kostiantinivka, uma cidade que antes da guerra tinha cerca de 78 mil habitantes e que agora era um dos últimos bastiões na rota para as principais cidades ucranianas de Kramatorsk e Sloviansk. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou na sexta-feira que as tropas russas tinham a cidade totalmente sob controle. Putin, em uniforme militar diante de seu Estado-Maior, agradeceu aos soldados e declarou que a captura tinha grande importância estratégica. Era verdade — Kostiantinivka era um objetivo primordial na campanha russa em Donbass, a região do leste amplamente ocupada por Moscou.
Mas Kiev negava tudo. O porta-voz do exército ucraniano, Andrii Kovalev, respondeu que os defensores ucranianos continuavam mantendo suas posições. Sim, a situação era difícil, mas estava sob controle. Os russos, segundo ele, haviam se infiltrado em pequenos grupos e realizaram 11 tentativas de ataque na sexta-feira — todas sem sucesso. Zelensky, em uma mensagem nas redes sociais, foi mais contundente: mais uma mentira russa. A batalha por Kostiantinivka vinha em curso desde o final de 2025, quando soldados russos começaram a se infiltrar na cidade, e ninguém sabia ao certo quem a controlava.
O que era certo era que a linha de frente na Ucrânia havia permanecido praticamente inalterada em junho, segundo uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra. O ímpeto russo havia se prolongado em perda nos últimos meses. Enquanto isso, na Ucrânia, um atentado a bomba em Kramatorsk deixou pelo menos cinco pessoas feridas, incluindo um menino de 11 anos. Nove feridos foram relatados em Dnipropetrovsk e cinco em Zaporíjia. A guerra continuava seu trabalho de destruição, medido em cidades disputadas e infraestrutura em chamas.
Citas Notables
Os defensores ucranianos estão mantendo suas posições. A situação é difícil, mas está sob o controle das forças ucranianas— Andrii Kovalev, porta-voz do exército ucraniano
As forças de defesa ucranianas atacaram a infraestrutura petrolífera portuária que gera receita para a guerra travada pela Rússia, e também houve ataques bem-sucedidos contra Kronstadt— Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a Ucrânia escolheu atacar São Petersburgo especificamente, e não apenas alvos militares mais próximos?
Porque São Petersburgo não é apenas uma cidade — é o coração econômico da Rússia. Os terminais petrolíferos ali financiam a máquina de guerra. A Ucrânia está tentando tornar a guerra cara demais para continuar.
Mas a Rússia diz que interceptou quase 500 drones. Se isso for verdade, o ataque não foi um fracasso?
Interceptar 500 drones e deixar alguns passarem não é a mesma coisa que sucesso. Mesmo que a maioria seja abatida, os que chegam ao alvo causam danos reais. É uma guerra de atrito.
E Kostiantinivka? Por que ambos os lados mentem sobre quem a controla?
Porque controlar Kostiantinivka significa estar na porta de Kramatorsk e Sloviansk. É a diferença entre estar perto da vitória e estar longe dela. Ninguém quer admitir que está perdendo terreno.
A Ucrânia realmente desativou 43% da capacidade de refino russo?
Ninguém sabe ao certo. É uma reivindicação ucraniana não verificada. Mas mesmo que seja exagerada, o fato é que há filas de gasolina na Rússia agora. Algo está funcionando.
Como isso termina?
Não termina enquanto ambos os lados acreditarem que podem vencer. E enquanto houver drones e combustível, ambos acreditarão.