Turcomenistão amplia fornecimento de fertilizantes ao Brasil em meio à crise geopolítica

Quando a guerra acelerou preços, o Brasil procurou novos fornecedores
O Turcomenistão emergiu como alternativa durante a crise geopolítica no Oriente Médio, fornecendo 1,3 milhão de toneladas em seis meses.

Quando o conflito entre Estados Unidos e Irã sacudiu o mercado global de fertilizantes, o Brasil descobriu no Turcomenistão um parceiro improvável — e revelou, nesse movimento, a fragilidade estrutural de uma agricultura que cresceu sem construir autonomia nos insumos que a sustentam. Em seis meses, um país quase ausente das rotas comerciais brasileiras tornou-se fornecedor de 1,3 milhão de toneladas de potássio, enquanto o país pagava 9% a mais por 6% a menos de volume. A crise não criou a dependência; apenas a iluminou.

  • A guerra entre EUA e Irã fez a ureia dobrar de preço, forçando o Brasil a gastar US$ 7 bilhões em fertilizantes no semestre — mais caro, com menos volume.
  • O Turcomenistão, praticamente inexistente nas importações brasileiras até então, emergiu do nada para entregar 1,3 milhão de toneladas em seis meses, reescrevendo o mapa de fornecedores.
  • A dependência externa é estrutural: o Brasil saltou de 3,1 milhões de toneladas importadas no primeiro semestre de 2000 para 18,3 milhões em 2026, acompanhando a expansão de 38 para 84 milhões de hectares de grãos.
  • Com a trégua entre Washington e Teerã, os preços recuam e a Rússia retoma a liderança com 3,9 milhões de toneladas, seguida por China, Canadá e Marrocos — mas o Turcomenistão já garantiu seu lugar na equação.
  • O episódio expõe o risco de concentração: em 2025, o Brasil importou de 57 fornecedores, mas dois países — China e Rússia — respondiam por mais da metade do volume total.

Quando o conflito entre Estados Unidos e Irã pressionou os preços dos fertilizantes no mercado internacional, o Brasil recorreu a um fornecedor que poucos saberiam apontar no mapa: o Turcomenistão. Nos primeiros seis meses de 2026, a nação da Ásia Central enviou 1,3 milhão de toneladas de fertilizante potássico ao país — volume que era praticamente zero no mesmo período do ano anterior.

O custo da crise foi imediato. O Brasil importou 18,3 milhões de toneladas no semestre, 6% a menos que o recorde de 19,4 milhões registrado em 2025, mas gastou US$ 7 bilhões — 9% a mais. A ureia, que custava cerca de US$ 500 por tonelada antes do conflito, chegou a dobrar. O país comprava menos e pagava mais.

A vulnerabilidade não nasceu com a guerra. No início dos anos 2000, o Brasil importava apenas 3,1 milhões de toneladas no primeiro semestre; hoje são 18,3 milhões. A expansão agrícola explica o salto: a área de grãos passou de 38 para 84 milhões de hectares em duas décadas, e a cana-de-açúcar cresceu de 5,8 para 9,1 milhões de hectares.

Com a trégua entre Washington e Teerã, os preços começaram a recuar e o mapa de fornecedores se reorganizou. A Rússia retomou a liderança com 3,9 milhões de toneladas, seguida pela China com 3,5 milhões — bem abaixo dos 12 milhões fornecidos ao longo de todo o ano anterior. Canadá e Marrocos completam o top cinco. O Turcomenistão, apesar da entrada espetacular, ainda fica atrás dos nomes consolidados — mas em 2026 tornou-se parte essencial da equação que sustenta a agricultura brasileira.

Quando a guerra entre os Estados Unidos e o Irã acelerou os preços dos fertilizantes no mercado internacional, o Brasil fez o que qualquer país dependente de importações faria: procurou novos fornecedores. A resposta veio de um lugar improvável — o Turcomenistão, uma nação da Ásia Central que até então era praticamente invisível nas contas de compra brasileiras. Nos primeiros seis meses de 2026, os turcomenos enviaram 1,3 milhão de toneladas de fertilizante potássico para o Brasil. No mesmo período do ano anterior, essa cifra era praticamente zero.

O contexto revela uma vulnerabilidade estrutural. O Brasil importou 18,3 milhões de toneladas de fertilizantes no primeiro semestre — um volume 6% menor que o registrado em janeiro a junho de 2025, quando o país atingiu um recorde de 19,4 milhões. Mas o preço cobrado foi brutal: os gastos totalizaram US$ 7 bilhões, ou R$ 36 bilhões, representando um aumento de 9% em relação ao período anterior. A ureia, que custava cerca de US$ 500 por tonelada antes do conflito no Oriente Médio, chegou a dobrar de preço. O mesmo movimento afetou os fertilizantes potássicos e fosfatados, criando uma situação em que o Brasil comprava menos, mas pagava mais.

Essa dependência externa não é recente. Duas décadas atrás, no início dos anos 2000, o país importava apenas 3,1 milhões de toneladas de fertilizantes no primeiro semestre, e a produção interna cobria boa parte da demanda. Em 2010, as compras já haviam saltado para 5,6 milhões de toneladas. O crescimento acompanhou a expansão agrícola brasileira: a área de grãos passou de 38 milhões de hectares em 2000 para 84 milhões atualmente. A cana-de-açúcar cresceu de 5,8 milhões de hectares em 2005 para 9,1 milhões hoje. Apenas o café encolheu, caindo de 2,2 milhões de hectares no início dos anos 2000 para 1,94 milhão em 2026.

Com a trégua entre Washington e Teerã, os preços começaram a recuar. A ureia voltou a patamares próximos aos do pré-guerra, assim como os demais insumos. Esse alívio chegou em tempo para reconfigurar o mapa de fornecedores. A Rússia, que havia perdido o primeiro lugar em 2025 para a China, retomou a liderança neste semestre com 3,9 milhões de toneladas exportadas. Os chineses ficaram em segundo, com 3,5 milhões — uma queda em relação aos 12 milhões que forneceram durante todo o ano passado. Canadá e Marrocos completam o top cinco com 2,9 milhões e 1,7 milhão de toneladas, respectivamente. O Turcomenistão, apesar da entrada espetacular, ainda fica atrás desses nomes consolidados.

Durante 2025, o Brasil havia importado um recorde de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes de 57 fornecedores diferentes. A Rússia havia fornecido 11,1 milhões naquele ano, enquanto a China liderava com 12 milhões. O Canadá contribuiu com 5,2 milhões. A diversificação de fontes — que agora inclui um país da Ásia Central que poucos brasileiros sabiam localizar no mapa — reflete tanto a urgência da crise quanto a fragilidade de depender de um ou dois fornecedores em um mercado volátil. O Turcomenistão pode não ser um nome familiar nas conversas sobre agronegócio, mas em 2026 tornou-se parte essencial da equação que alimenta a agricultura brasileira.

O fornecimento e o movimento de preços dos fertilizantes têm sido determinantes para os custos dos produtores brasileiros, devido à alta dependência externa
— Análise do mercado de fertilizantes
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Turcomenistão aparece agora, depois de décadas invisível?

Model

Porque a guerra no Oriente Médio criou um vácuo. Quando os preços explodem, os compradores procuram qualquer fornecedor que consiga entregar. O Turcomenistão tinha capacidade e estava disponível.

Inventor

Mas 1,3 milhão de toneladas em seis meses é muito ou pouco?

Model

É significativo, mas ainda menor que o que vem de Rússia, China ou Canadá. É o quinto fornecedor. O que importa é que o Brasil não tinha praticamente nada deles antes — passou de zero para esse volume em meses.

Inventor

A conta ficou mais cara mesmo com menos toneladas. Como isso funciona?

Model

Os preços internacionais subiram tanto durante a guerra que mesmo comprando menos, o gasto total aumentou. A ureia dobrou de preço. Você compra menos quantidade, mas paga o dobro ou mais por unidade.

Inventor

Isso vai mudar agora que a guerra acabou?

Model

Já está mudando. Os preços começaram a recuar para patamares pré-guerra. Mas o Brasil continua vulnerável — depende de importações para 80% do que precisa. Uma nova crise geopolítica pode repetir o ciclo.

Inventor

A Rússia volta ao topo. Isso significa que o Turcomenistão era apenas um substituto temporário?

Model

Provavelmente. Quando os preços normalizam, os fornecedores tradicionais — Rússia, China, Canadá — recuperam sua posição. O Turcomenistão pode manter alguma fatia, mas dificilmente será o principal.

Inventor

E se a próxima crise vier de um lugar diferente?

Model

O Brasil terá aprendido que precisa de mais fornecedores e talvez investir em produção interna. Mas isso leva anos. Por enquanto, a diversificação é a única defesa contra choques de preço.

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