Trump trata guerras como transações comerciais, diz Pepe Escobar

Ucranianos pagam com vidas perdidas e soberania econômica; palestinos enfrentam expulsão forçada disfarçada de desenvolvimento econômico.
Siga o dinheiro, e você entenderá seus próximos passos
A lógica que Escobar identifica por trás das decisões geopolíticas de Trump reduz-se a um princípio financeiro simples.

Trump vê guerras como transações bilionárias onde EUA lucra máximo enquanto europeus e ucranianos pagam em dinheiro e vidas humanas. Projeto de Trump para Gaza seria complexo turístico financiado por monarquias do Golfo, rejeitado por Egito e Jordânia como plano de limpeza étnica.

  • Trump exigiu que Ucrânia entregasse US$ 500 bilhões em terras raras e minerais preciosos
  • Projeto de Gaza seria complexo turístico financiado por monarquias do Golfo, rejeitado por Egito e Jordânia
  • Relações EUA-Rússia estão no limite da ruptura, segundo vice-ministro russo Sergey Ryabkov
  • Elon Musk exerce influência direta sobre decisões estratégicas americanas na Casa Branca

Analista geopolítico Pepe Escobar argumenta que Trump lucra com guerras transferindo custos para aliados europeus e ucranianos, enquanto propõe projeto imobiliário em Gaza como solução diplomática.

Pepe Escobar, analista geopolítico, vê nas guerras contemporâneas um padrão que se repete com precisão: os Estados Unidos lucram enquanto transferem o peso financeiro e humano para seus aliados e adversários. Em seu programa "Pepe Café", ele desenhou essa lógica, argumentando que para Trump as guerras funcionam como transações comerciais bilionárias onde a matemática é sempre a mesma — Washington maximiza ganhos enquanto europeus, ucranianos e palestinos pagam a conta em dinheiro ou em vidas.

A estratégia americana, segundo Escobar, passa por deslocar o ônus econômico da guerra para a Europa. Os europeus continuarão comprando armamentos americanos, alimentando o complexo industrial-militar dos EUA, enquanto a Ucrânia segue dependente de Washington. O conflito ucraniano, que poderia ter sido resolvido por um acordo em Istambul, foi desmantelado pelos anglo-americanos, aprofundando a subordinação de Kiev. Trump deixou claro que o contribuinte norte-americano não arcará com os custos — serão os europeus e os próprios ucranianos, que pagarão com terras e recursos naturais. Escobar aponta que os EUA teriam forçado a Ucrânia a entregar 500 bilhões de dólares em terras raras e minerais preciosos, embora 70% dessas riquezas já pertençam à Rússia, tornando a promessa de compensação uma ilusão.

O projeto de Trump para Gaza revela a mesma lógica aplicada a outro conflito. Não se trata de uma solução diplomática, mas de um empreendimento imobiliário — um luxuoso complexo turístico financiado por Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes, mas sob controle final americano. Egito e Jordânia rejeitaram prontamente a proposta. Para Escobar, é limpeza étnica disfarçada de desenvolvimento econômico: Gaza foi demolida, então os palestinos devem sair para um lugar melhor, com vista para o mar e infraestrutura funcionando perfeitamente.

Na Conferência de Segurança de Munique, os EUA enviaram uma delegação de peso — secretário de Estado, chefe do Pentágono e o general aposentado Keith Kellogg, enviado especial para Rússia e Ucrânia. Kellogg representa, na visão de Moscou, uma relíquia da Guerra Fria, alguém cuja postura é de antagonismo completo à posição russa. A conferência tem como objetivo central definir quem pagará pelos custos da guerra ucraniana. Os europeus continuarão financiando; os ucranianos continuarão perdendo vidas e soberania econômica. As condições russas para cessar-fogo permanecem inegociáveis: desmilitarização da Ucrânia, bloqueio da entrada na OTAN e fixação de uma linha de demarcação nas regiões ocupadas.

Escobar também destacou a crescente influência de Elon Musk nos bastidores da Casa Branca, chegando a chamá-lo de "co-presidente" do governo Trump. Musk teria influência direta sobre decisões estratégicas americanas, especialmente na guerra comercial com a China. A verdadeira disputa do século XXI, segundo os círculos de poder americanos que Escobar analisa, não é contra a Rússia, mas contra a China — uma competição que será tanto militar quanto tecnológica. A visão predominante é consolidar América Latina e Europa como zonas de influência subordinadas, enquanto Rússia e China ampliam sua aliança com os BRICS e a Eurásia. Taiwan seria a próxima "Ucrânia", uma armadilha para conter Pequim, mas a China não parece disposta a cair nela.

O risco de ruptura total entre Washington e Moscou cresce. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, já declarou que as relações estão no limite da quebra. Se Trump mantiver sua abordagem errática, pode aprofundar o confronto ou abrir espaço para negociações pragmáticas. Um mínimo de respeito mútuo poderia reequilibrar a relação; uma postura beligerante continuada faria Moscou avançar no campo de batalha. A geopolítica global segue imprevisível, mas para Trump a regra permanece simples: siga o dinheiro e você entenderá seus próximos passos.

Os europeus vão continuar comprando armas americanas e pagando ao complexo industrial-militar dos EUA
— Pepe Escobar
A verdadeira guerra do século XXI não é contra a Rússia, mas contra a China. A disputa não será apenas militar, mas tecnológica
— Pepe Escobar
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como você explica que Trump consiga vender essa lógica de guerra como negócio para seus próprios aliados europeus?

Model

Porque os europeus estão presos. Precisam de proteção americana contra a Rússia, então acabam comprando armas americanas e financiando conflitos que beneficiam o complexo industrial-militar dos EUA. É uma dependência estrutural.

Inventor

E quanto aos ucranianos? Eles têm alguma escolha nessa equação?

Model

Nenhuma. Foram forçados a abandonar um acordo em Istambul e agora estão completamente dependentes de Washington. Pagam com vidas, com território, com recursos naturais. Para Trump, isso é perfeito — eles pagam, os EUA lucram.

Inventor

O projeto de Gaza parece absurdo demais para ser real. Como Trump apresenta isso como solução?

Model

Porque para ele não é solução — é negócio imobiliário. Gaza foi destruída, então reconstrói como resort de luxo. Os palestinos saem, os investidores ganham, os EUA controlam. É expulsão com verniz de desenvolvimento.

Inventor

Egito e Jordânia rejeitaram. Isso enfraquece o plano?

Model

Deveria, mas Trump não precisa deles. Precisa de Arábia Saudita, Catar, Emirados. E eles têm dinheiro. A rejeição dos vizinhos é um problema político, não financeiro.

Inventor

E a China nesse cenário? Por que ela não cai na armadilha de Taiwan?

Model

Porque aprendeu com a Ucrânia. Vê claramente que Taiwan seria uma repetição — um conflito que esgota seus recursos enquanto os EUA lucram vendendo armas. A China está construindo poder através dos BRICS e da Eurásia, não através de conflitos que beneficiam Washington.

Inventor

Então o que muda se Trump continuar nessa trajetória?

Model

Moscou segue avançando no campo de batalha. As relações EUA-Rússia chegam ao ponto de ruptura. E a China se consolida como potência alternativa. Trump ganha dinheiro no curto prazo, mas a ordem global que os EUA construíram desmorona.

Quieres la nota completa? Lee el original en Brasil 247 ↗
Contáctanos FAQ