Há uma perspectiva real de acabar com esta guerra
No Dia da Independência americana, Donald Trump e Vladimir Putin conversaram por quase 90 minutos sobre a guerra na Ucrânia — um gesto que o Kremlin chamou de 'profissional e construtivo', mas que encontra, como pano de fundo, posições ainda irreconciliáveis e um campo de batalha em disputa. A diplomacia, como tantas vezes na história, avança em palavras enquanto o silêncio das armas permanece distante. O que se negocia agora não é apenas um cessar-fogo, mas a forma como o mundo ocidental e a Rússia imaginarão seus limites nos próximos anos.
- Trump ofereceu mediação a Putin em ligação de 90 minutos, enquanto Zelenskiy vê 'perspectiva real' de fim da guerra — mas as posições dos dois lados permanecem fundamentalmente opostas.
- A Rússia exige controle total do Donbas; a Ucrânia recusa, e Putin sequer aceitou o pedido de Zelenskiy por um encontro presencial.
- Há disputa sobre os próprios fatos da guerra: Moscou afirma ter capturado Kostiantynivka, Kiev nega — e cada versão alimenta narrativas opostas sobre quem tem vantagem para negociar.
- Ataques ucranianos a instalações petrolíferas russas causam escassez de combustível na Rússia, enquanto o Kremlin acusa Kiev e aliados europeus de apostarem na escalada do conflito.
- Os enviados americanos Witkoff e Kushner preparam nova visita a Moscou, mas a diplomacia dos EUA está praticamente paralisada — Washington está absorvido pelo conflito com o Irã.
- A cúpula da OTAN na Turquia, na semana seguinte, será o próximo teste para saber se a conversa entre Trump e Putin abre caminho real ou permanece um gesto sem consequências.
No sábado, Dia da Independência dos EUA, Trump ligou para Putin. A conversa durou quase 90 minutos e teve como tema central a guerra na Ucrânia. O assessor do Kremlin Yuri Ushakov descreveu o tom como 'profissional e bastante construtivo', afirmando que Trump reafirmou sua disposição de trabalhar por um fim rápido dos combates. O momento não era casual: Trump participaria dias depois da cúpula da OTAN na Turquia.
Zelenskiy também conversou com Trump e descreveu o diálogo como 'muito bom', apontando uma 'perspectiva real' de encerramento da guerra. Mas as posições permanecem distantes: a Rússia insiste no controle total do Donbas, condição que a Ucrânia rejeita. Putin também recusou o pedido de Zelenskiy por um encontro presencial feito no mês anterior.
No campo de batalha, os fatos são contestados. Comandantes russos informaram a Putin que suas tropas haviam capturado Kostiantynivka, cidade estratégica em Donetsk. Zelenskiy e o Estado-Maior ucraniano negaram, afirmando que Kiev ainda controlava a cidade. Ushakov acusou a Ucrânia e aliados europeus de apostarem na escalada do conflito, citando ataques ucranianos a instalações petrolíferas russas que causaram escassez de combustível em várias regiões da Rússia.
Trump mencionou que os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner estavam preparados para nova visita a Moscou. Os esforços diplomáticos americanos, porém, estão praticamente estagnados, com Washington concentrado na guerra com o Irã. Putin, por sua vez, retratou avanços militares russos e lembrou a Trump que o convite para visitar Moscou permanece aberto.
Zelenskiy escreveu no Telegram que ele e Trump concordaram em continuar as discussões na cúpula da OTAN. 'A determinação americana terá um significado crucial', afirmou. Com 1.200 quilômetros de linha de frente, o que vem a seguir dirá se os 90 minutos de conversa abrem caminho para negociações reais — ou se ficam apenas como mais um gesto diplomático sem consequências.
No sábado, Dia da Independência dos EUA, Donald Trump ligou para Vladimir Putin. A conversa durou quase 90 minutos. Durante a chamada, Trump ofereceu ajuda para encontrar uma saída para a guerra na Ucrânia — assim informou Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, em comunicado divulgado no domingo pela manhã.
Ushakov descreveu o tom da conversa como "profissional e bastante construtiva". Segundo ele, Trump reafirmou sua disposição de trabalhar por um fim rápido dos combates e por soluções que superem a crise. O timing não era casual: Trump participará na semana seguinte da cúpula da OTAN na Turquia, e a ligação ocorria em contexto de esforços diplomáticos mais amplos. Paralelamente, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy também conversou com Trump, descrevendo o diálogo como "muito bom" e apontando uma "perspectiva real" de encerramento da guerra.
Mas as posições permanecem distantes. A Rússia insiste que qualquer solução deve incluir seu controle total sobre o Donbas, a região leste da Ucrânia. A Ucrânia rejeita essa exigência. Zelenskiy pediu a Putin, mês passado, um encontro presencial; o líder do Kremlin recusou. Quanto ao campo de batalha, há disputa sobre os fatos: comandantes russos informaram a Putin na sexta-feira que suas tropas haviam capturado Kostiantynivka, cidade estratégica na região de Donetsk. No sábado, Zelenskiy e o Estado-Maior ucraniano negaram a afirmação, dizendo que Kiev ainda controlava a cidade.
Ushakov acusou a Ucrânia e seus aliados europeus de "apostarem na extensão e até na escalada do conflito". Ele se referia aos ataques de longo alcance ucranianos contra alvos russos, principalmente instalações petrolíferas, que causaram escassez de combustível em várias regiões russas. Ushakov também citou Trump mencionando que os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner continuariam tentando intermediar um acordo e estavam preparados para fazer outra visita a Moscou. Os esforços diplomáticos dos EUA, porém, estão praticamente estagnados, já que Washington está focado na guerra com o Irã.
Putin, durante a conversa, retratou o que chamou de "real situação no campo de batalha", onde, segundo ele, as forças armadas russas avançam com confiança. Também expressou esperança de que os esforços diplomáticos americanos no conflito com o Irã permitam encontrar soluções mutuamente aceitáveis. E lembrou a Trump que ele tem um convite aberto para visitar Moscou.
Zelenskiy, por sua vez, escreveu no Telegram que ele e Trump concordaram em continuar as discussões na reunião da OTAN. "Há uma perspectiva real de acabar com esta guerra e a determinação americana terá um significado crucial", afirmou. A linha de frente, mencionou, tem 1.200 quilômetros de extensão. O que vem a seguir é a cúpula da OTAN na Turquia e a possível nova visita dos enviados americanos a Moscou — dois momentos que podem indicar se a conversa de 90 minutos entre Trump e Putin abre caminho para negociações reais ou permanece um gesto diplomático sem consequências.
Citas Notables
O presidente americano confirmou mais uma vez sua disposição de trabalhar por um fim rápido dos combates e encontrar soluções para superar a crise— Yuri Ushakov, assessor do Kremlin
Há uma perspectiva real de acabar com esta guerra e a determinação americana terá um significado crucial— Volodymyr Zelenskiy, presidente da Ucrânia
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Trump ligou para Putin justamente no Dia da Independência dos EUA?
O timing sugere uma escolha deliberada. Não é coincidência que a ligação tenha ocorrido dias antes da cúpula da OTAN na Turquia, onde Trump estará presente. É um sinal de que ele quer chegar a Ancara com uma narrativa de engajamento diplomático.
Ushakov disse que a conversa foi "construtiva". O que isso significa na prática?
Significa que ambos os lados conversaram sem hostilidade aberta e que houve troca de propostas. Mas construtivo não é o mesmo que produtivo. As posições fundamentais — Rússia quer o Donbas inteiro, Ucrânia recusa — não mudaram.
Zelenskiy disse que vê uma "perspectiva real" de fim da guerra. Ele está sendo otimista demais?
Talvez. Ou talvez esteja sinalizando que, se os EUA se envolver seriamente, há espaço para negociação. Mas ele também rejeitou a exigência russa e pediu um encontro com Putin que foi recusado. Há esperança, mas com pés no chão.
Os enviados americanos vão voltar a Moscou. O que eles podem oferecer que mude a equação?
Isso depende do que Washington está disposto a ceder. Se os EUA puderem oferecer garantias de segurança para a Ucrânia ou reconhecimento de territórios russos, há espaço para movimento. Mas os EUA também estão focados na guerra com o Irã, então a atenção pode estar dividida.
A Rússia acusa a Ucrânia de terrorismo contra civis. Isso é retórica ou há algo real aí?
Há ataques reais de longo alcance ucranianos contra infraestrutura russa, principalmente petrolífera. A Rússia chama de terrorismo; a Ucrânia chama de defesa legítima contra um invasor. É uma questão de perspectiva, mas os efeitos — escassez de combustível em regiões russas — são concretos.
Qual é o próximo passo que realmente importa?
A cúpula da OTAN e a possível visita dos enviados americanos a Moscou. Se ambas acontecerem e produzirem propostas concretas, então a ligação de 90 minutos terá significado. Se não, foi apenas conversa.