Vamos abrir o golfo com ou sem eles, e vai acontecer bastante rápido
No cruzamento entre a diplomacia e a força, Donald Trump prometeu a reabertura do Estreito de Ormuz — artéria por onde flui um quinto da energia do mundo — com ou sem o consentimento do Irão, rejeitando qualquer cobrança de portagens em águas internacionais. A declaração surge enquanto delegações americanas e iranianas se encontram em Islamabad para negociações que abrangem o programa nuclear, os mísseis e a influência de Teerão sobre grupos armados no Médio Oriente. Num momento em que um cessar-fogo frágil sustenta uma paz ainda incerta, o destino desta via marítima pode revelar até onde a confiança de um presidente consegue dobrar a realidade geopolítica.
- O Estreito de Ormuz permanece quase bloqueado desde o início da ofensiva aérea americana e israelita contra o Irão a 28 de fevereiro, ameaçando o fornecimento global de energia.
- Trump declarou publicamente que os EUA não tolerarão portagens em águas internacionais, lançando um aviso implícito ao Irão antes mesmo de as negociações avançarem.
- Em Islamabad, JD Vance, Steve Witkoff e Jared Kushner lideram uma delegação americana com uma agenda densa: nuclear, mísseis, grupos armados e sanções económicas.
- O cessar-fogo de duas semanas anunciado na terça-feira é frágil — apenas um punhado de navios conseguiu usar a rota desde então, mantendo a pressão militar iraniana bem presente.
- A questão das portagens pode tornar-se o principal ponto de fricção: para o Irão, pode representar uma alavanca de pressão ou uma compensação pelas perdas causadas pelas sanções ocidentais.
Donald Trump foi direto antes de embarcar para a Virgínia: o Estreito de Ormuz será reaberto em breve, com ou sem cooperação iraniana. "Vamos abrir o golfo — com ou sem eles", disse, garantindo que o processo acontecerá "bastante rápido". Mais do que a reabertura, Trump rejeitou categoricamente qualquer cobrança de portagens a navios em águas internacionais, deixando implícita a disposição americana de agir caso o Irão tente impor taxas de passagem.
A declaração chega num momento de enorme tensão. Desde que os EUA e Israel lançaram uma ofensiva aérea contra o Irão a 28 de fevereiro, o tráfego no estreito — por onde passava cerca de 20% da produção global de petróleo e gás natural liquefeito — ficou severamente limitado. Um cessar-fogo de duas semanas foi anunciado na terça-feira, mas a ameaça militar iraniana sobre a via mantém-se real.
Em Islamabad, as delegações dos dois países reúnem-se para negociações que vão muito além do estreito. O programa nuclear iraniano é, segundo Trump, a prioridade "a 99%". Também na mesa estão os mísseis de longo alcance, o apoio de Teerão ao Hezbollah, aos Huthis e ao Hamas, e as sanções económicas à República Islâmica. A comitiva americana é liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner.
A confiança de Trump contrasta com a realidade no terreno. A questão das portagens — que Washington recusa e Teerão pode ver como uma forma de pressão ou compensação — poderá revelar-se o nó mais difícil de desatar. O que acontecer em Islamabad nos próximos dias dirá se esta confiança tem fundamento ou se o Estreito de Ormuz continuará a ser um dos pontos mais voláteis da geopolítica global.
Donald Trump deixou claro, numa declaração aos jornalistas antes de embarcar para a Virgínia, que o Estreito de Ormuz será reaberido em breve, independentemente de o Irão cooperar ou não. "Vamos abrir o golfo — ou o estreito, como lhe chamam — com ou sem eles", disse o Presidente americano, acrescentando que o processo acontecerá "bastante rápido". Mas Trump foi ainda mais direto sobre uma questão que tem alimentado tensões na região: recusou categoricamente aceitar qualquer cobrança de portagens a navios que atravessem águas internacionais.
A declaração surge num momento crítico. As delegações dos Estados Unidos e do Irão chegaram ao Paquistão para conversações de paz, e Trump mostrou-se confiante de que o estreito será desbloqueado sem que surjam obstáculos financeiros. "Se estão a fazer isso, ninguém sabe se já o fazem, não iremos permitir", afirmou, deixando implícita a ameaça de que os Estados Unidos não tolerarão qualquer tentativa iraniana de cobrar taxas de passagem.
O Estreito de Ormuz não é apenas uma via marítima qualquer. Antes da guerra que começou a 28 de fevereiro — quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea contra o Irão — cerca de 20% da produção global de petróleo e gás natural liquefeito passava por este canal. O seu controlo será central nas negociações que decorrem em Islamabad durante este fim de semana. Embora Washington e Teerão tenham anunciado um cessar-fogo de duas semanas na terça-feira à noite, apenas um pequeno número de navios conseguiu utilizar esta rota estratégica desde então, mantendo a via sob ameaça militar iraniana.
Trump deixou claro que a prioridade americana nas negociações é, "a 99%", impedir que o Irão obtenha armas nucleares. O Presidente desejou sorte ao seu vice-presidente, JD Vance, que lidera a comitiva americana. Além de Vance, a delegação inclui Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, ambos enviados da Casa Branca.
As conversações em Islamabad vão muito além da questão do estreito. O programa nuclear iraniano, a produção de mísseis de longo alcance, o apoio de Teerão a grupos armados no Médio Oriente — Hezbollah no Líbano, Huthis no Iémen e Hamas na Palestina — e as sanções económicas à República Islâmica estão todos na mesa. Este processo negocial retoma o trabalho que estava em curso sob mediação de Omã, mas que foi interrompido pelo início da ofensiva aérea em 28 de fevereiro.
A confiança de Trump na reabertura rápida do estreito contrasta com a realidade no terreno, onde as tensões militares continuam elevadas e o fluxo de navios permanece severamente limitado. A questão das portagens, que Trump rejeitou de forma tão clara, pode revelar-se um ponto de fricção nas negociações — o Irão pode ver nela uma forma de exercer pressão ou compensar as perdas económicas causadas pelas sanções. O que acontecer em Islamabad nos próximos dias pode determinar se a confiança de Trump é justificada ou se o Estreito de Ormuz permanecerá um ponto de tensão crítico na geopolítica global.
Citações Notáveis
Vamos abrir o golfo — ou o estreito, como lhe chamam — com ou sem eles. Vai acontecer bastante rápido.— Donald Trump
Se estão a fazer isso (cobrança de portagens), ninguém sabe se já o fazem, não iremos permitir.— Donald Trump
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que Trump está tão confiante de que consegue reabrir o estreito rapidamente, especialmente com o Irão?
Porque tem poder militar e económico. Os Estados Unidos podem exercer pressão através de sanções, ameaças militares, ou simplesmente porque o Irão também precisa que o comércio global funcione. Mas a confiança pode ser enganadora — o Irão tem formas de criar obstáculos.
E a questão das portagens? Por que é que Trump a menciona especificamente?
Porque o Irão pode estar a tentar cobrar taxas de passagem como forma de compensar as perdas económicas das sanções. Trump está a dizer: isso não vai acontecer. É um aviso claro.
Mas se o Irão controla o estreito militarmente, como é que Trump o impede de cobrar portagens?
Através da ameaça de força. Se o Irão tentar cobrar, os Estados Unidos podem responder militarmente ou aumentar as sanções. É um jogo de poder disfarçado de negociação.
Qual é o verdadeiro objetivo das negociações em Islamabad?
Oficialmente, é evitar que o Irão tenha armas nucleares. Mas na realidade, é sobre quem controla a região — o fluxo de energia, a influência política, a segurança de Israel. O estreito é apenas o símbolo visível disso.
E se as negociações falharem?
Então o estreito permanece fechado ou severamente restringido, o preço do petróleo sobe, e a tensão militar aumenta. Ninguém quer isso, mas ninguém quer ceder primeiro.