Mantém a intenção de exercer controle militar sobre uma das rotas comerciais mais importantes do mundo
Em menos de um dia, Donald Trump abandonou a taxa de 20% que havia anunciado para navios no Estreito de Ormuz — uma das rotas mais vitais do comércio global —, substituindo-a por promessas de investimentos dos países do Golfo Pérsico nos Estados Unidos. O recuo revela a volatilidade das decisões que moldam mercados e equilíbrios geopolíticos, mas não dissolve a tensão: o bloqueio naval permanece previsto, e a trégua com o Irã, firmada em junho, já foi descartada. O mundo observa uma rota por onde flui um quinto de seu petróleo e gás ser tratada como peça de barganha.
- Em menos de 24 horas, Trump anunciou e depois abandonou uma taxa de 20% sobre navios em Ormuz, sacudindo os mercados e elevando o preço do petróleo ao maior nível em um mês.
- A trégua entre Washington e Teerã, assinada em junho com uma janela de 60 dias para negociações de paz, colapsou na semana passada — e os ataques entre os dois países voltaram a se intensificar.
- Para justificar o recuo da taxa, Trump afirma que países do Golfo Pérsico farão investimentos 'gigantescos' nos EUA, sem revelar quais nações ou valores estão envolvidos.
- O bloqueio naval no Estreito de Ormuz segue previsto para iniciar, mantendo controle militar americano sobre uma rota por onde passa 20% do petróleo e gás mundiais.
- Com o acordo de paz descartado e o bloqueio mantido, a negociação multilateral sobre o futuro da via marítima — que envolvia Irã, Omã e países do Golfo — não deverá acontecer.
Donald Trump recuou em menos de 24 horas de uma de suas promessas mais polêmicas: na segunda-feira, havia anunciado que os EUA tomariam o controle do Estreito de Ormuz e cobrariam uma taxa de 20% sobre todos os produtos transportados por navios que cruzassem o corredor. O anúncio provocou pânico imediato nos mercados, com o preço do petróleo disparando para o maior nível em um mês. Na terça-feira, Trump mudou de rumo — mas não inteiramente.
O pano de fundo é de ruptura diplomática. Em junho, Washington e Teerã haviam assinado um acordo de cessar-fogo com 60 dias para negociar os termos finais da paz. Na semana passada, a trégua desabou. Com os ataques se intensificando novamente, Trump fez seu anúncio sobre Ormuz — e depois recuou da taxa, dizendo que países do Golfo Pérsico farão investimentos 'gigantescos' nos EUA em troca do abandono da cobrança. Não detalhou quais países nem os valores envolvidos.
O Estreito de Ormuz, canal de cerca de 50 quilômetros na costa do Irã, é por onde passa aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo. O que permanece em pé é o bloqueio naval americano, previsto para iniciar nesta terça-feira. Ao abandonar a taxa mas manter o controle militar, Trump descarta também a negociação multilateral que o memorando de paz previa — aquela em que Irã, Omã e países do Golfo definiriam juntos o futuro da rota. Essa conversa, por ora, não acontecerá.
Donald Trump recuou de uma de suas promessas mais polêmicas em menos de 24 horas. Na segunda-feira, havia anunciado que os Estados Unidos tomariam o controle do Estreito de Ormuz e cobrariam uma taxa de 20% sobre todos os produtos transportados por navios que cruzassem aquele corredor marítimo. O anúncio provocou pânico nos mercados — o preço do petróleo disparou para seu maior patamar em um mês. Nesta terça-feira, Trump mudou de rumo. Disse que substituiria a cobrança por acordos comerciais e de investimento com vários países do Golfo Pérsico. Mas deixou claro que o bloqueio naval seguiria adiante.
O contexto que levou a essa reviravolta é tenso. Em junho, Washington e Teerã haviam assinado um acordo para encerrar seu conflito — um documento que estabelecia cessar-fogo e abria uma janela de 60 dias para negociar os termos finais da paz. A semana passada, porém, a trégua desabou. O acordo foi abandonado. Na segunda-feira, com os ataques entre os dois países se intensificando novamente, Trump fez seu anúncio sobre Ormuz.
O Estreito de Ormuz é um canal de aproximadamente 50 quilômetros de largura que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava por ali. É uma das rotas navais mais críticas do planeta, e fica na costa do Irã. Quando Trump anunciou que os EUA o controlariam e cobrariam pedágio, os mercados reagiram com alarme imediato.
Ao recuar da taxa, Trump não detalhou quais países do Golfo Pérsico se comprometeram com seus novos acordos. Disse apenas que os governos fariam investimentos "gigantescos" dentro dos Estados Unidos — compensação suficiente, em sua avaliação, para abandonar o plano de cobrar 20% sobre as embarcações. A Reuters teve acesso a uma notificação que Trump enviou ao Congresso informando que o conflito com o Irã havia sido retomado, formalizando o rompimento da trégua de junho.
O que permanece em pé, porém, é o bloqueio naval. Trump afirmou que o plano dos EUA de retomar o bloqueio no Estreito de Ormuz — previsto para iniciar nesta terça-feira — segue de pé. Isso significa que, embora tenha abandonado a taxa de 20%, mantém a intenção de exercer controle militar sobre uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. O memorando de paz que foi deixado de lado previa que a via marítima fosse reaberta sem qualquer cobrança durante 60 dias, período em que Irã, Omã e países do Golfo negociariam sua futura administração. Agora, com o acordo descartado e o bloqueio mantido, essa negociação não acontecerá.
Citas Notables
Trump afirmou que vai substituir a cobrança da taxa por acordos comerciais e de investimento com vários países do Golfo Pérsico— Presidente dos EUA
O plano dos EUA de retomar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz segue de pé— Trump
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Trump recuou da taxa tão rapidamente? Parece uma decisão precipitada.
Provavelmente porque os mercados reagiram com pânico. Um aumento de 20% no custo do petróleo afeta a economia global e, por extensão, a economia americana. Os países do Golfo ofereceram algo melhor — investimentos diretos nos EUA — sem o risco de desestabilizar os preços.
Mas o bloqueio naval continua. Isso não causa o mesmo problema?
É diferente. Um bloqueio é uma ameaça; uma taxa é uma cobrança concreta. O bloqueio mantém a pressão sobre o Irã sem cobrar imediatamente de todos os outros países. É mais uma arma de negociação.
E o acordo de paz que foi assinado em junho? Parece que desapareceu completamente.
Desapareceu. Os ataques recomeçaram na semana passada e romperam a trégua. Trump formalizou isso enviando notificação ao Congresso. O memorando que previa 60 dias de negociação sobre quem administraria Ormuz virou papel molhado.
Então estamos de volta à tensão total entre EUA e Irã?
Sim. E agora com uma complicação adicional: os EUA mantêm o bloqueio naval sobre uma rota que move 20% do petróleo e gás do mundo. É uma posição de força, mas também de risco.