Trump culpa vândalos por deterioração do lago do Lincoln Memorial e anuncia detenções

David Hearn, antigo atleta olímpico, foi detido por danos em propriedade pública após parar para observar a renovação.
A água voltou ao que era em poucos dias
O espelho de água do Lincoln Memorial regressou ao seu estado anterior pouco tempo após a conclusão da renovação de 14 milhões de dólares.

Em Washington, o Espelho d'Água do Lincoln Memorial — recém-restaurado por 14 milhões de dólares a mando de Trump — voltou a exibir a água esverdeada e turva que a reforma pretendia eliminar. Diante do fracasso visível, o presidente recusou qualquer responsabilidade e atribuiu a deterioração a atos de vandalismo, anunciando detenções e prometendo reparações imediatas. Entre os detidos está David Hearn, veterano olímpico de canoagem, preso por arrancar um pedaço do fundo descascado enquanto passava de bicicleta. O episódio levanta questões mais amplas sobre a distância entre a narrativa do poder e a realidade que a água, indiferente, continua a revelar.

  • Um projeto de renovação que custou quase dez vezes mais do que o previsto fracassou em dias, com a água voltando ao estado esverdeado que a reforma de 14 milhões de dólares prometia eliminar.
  • Trump recusou qualquer admissão de falha e lançou acusações de vandalismo grave, descrevendo rasgões de 76 metros no fundo do lago e o despejo de produtos químicos corrosivos.
  • David Hearn, atleta olímpico que representou os EUA em três Olimpíadas, foi detido por arrancar um pedaço do revestimento que já estava a descascar — preso por dois soldados da Guarda Nacional enquanto observava a obra.
  • A credibilidade do empreendimento está em colapso: os custos explodiram, os resultados não se sustentaram e as detenções anunciadas levantam mais perguntas do que respostas.
  • A imprensa norte-americana acompanha de perto o desfecho, questionando se as autoridades conseguirão manter a água em condições aceitáveis — ou se o episódio ficará como símbolo de uma promessa que a realidade não confirmou.

O Espelho d'Água do Lincoln Memorial brilhou por poucos dias com o azul que Trump havia mandado pintar — a cor da bandeira americana, segundo suas instruções. Depois, a água voltou a ficar verde e turva, coberta de algas, quase indistinguível do estado anterior à reforma. O custo final chegou a 14 milhões de dólares, quase dez vezes a estimativa inicial de 1,5 milhões anunciada quando o presidente ordenou a transformação, inspirado pela crítica de um amigo alemão que chamou a água de nojenta e imunda.

Diante do fracasso visível, Trump não admitiu qualquer falha no projeto. Publicou mensagens na rede Truth Social anunciando detenções por vandalismo grave, descrevendo crimes que incluiriam um rasgão de 76 metros no fundo do lago e o despejo de produtos químicos corrosivos. Prometeu anos de prisão para os responsáveis e garantiu que as reparações avançariam rapidamente.

Entre os detidos está David Hearn, que representou os Estados Unidos em canoagem nas Olimpíadas de 1992, 1996 e 2000. Segundo o próprio, estava a passar de bicicleta quando parou para observar a renovação, viu o fundo a descascar e arrancou um pedaço. Dois soldados da Guarda Nacional cercaram-no imediatamente e prenderam-no por danos em propriedade pública.

A credibilidade do projeto depende agora de como as autoridades lidam com as acusações de vandalismo e se conseguem manter a água em condições aceitáveis — enquanto a imprensa norte-americana documenta a distância entre o que foi prometido e o que a superfície do lago continua a mostrar.

O espelho de água do Lincoln Memorial em Washington tinha acabado de ser restaurado. A superfície brilhava num azul que Trump havia mandado pintar — a cor exata da bandeira americana, segundo suas instruções. Poucos dias depois, a água voltou a ficar verde e turva, coberta de algas, praticamente indistinguível do estado anterior à reforma de 14 milhões de dólares.

O presidente norte-americano não aceitou a possibilidade de que o projeto simplesmente tivesse falhado. No sábado, publicou uma mensagem na rede social Truth Social anunciando que a Polícia do Parque Nacional havia detido vários indivíduos por vandalismo. Descreveu os crimes como gravíssimos, relacionados com a destruição de monumentos nacionais, e prometeu anos de prisão para os responsáveis. Duas horas depois, voltou ao tema para reafirmar que muitas outras pessoas haviam sido presas em conexão com o que chamou de vandalismo vergonhoso.

Um dos detidos foi David Hearn, atleta olímpico que representou os Estados Unidos em canoagem nas Olimpíadas de 1992, 1996 e 2000. Segundo seu relato ao Washington Post, estava passando de bicicleta quando parou para observar a renovação. Viu que o fundo estava descascando e arrancou um pedaço. Naquele momento, dois soldados da Guarda Nacional o cercaram e o prenderam por danos em propriedade pública.

Trump alegou que vândalos haviam usado uma faca para fazer um rasgão de 76 metros no fundo do lago e despejado produtos químicos corrosivos na água. Afirmou que o espelho de água não tinha tido esse aspecto nem funcionado tão bem desde 1922, quando foi construído, e que o vandalismo representava uma afronta aos presidentes George Washington e Abraham Lincoln. Prometeu que as reparações avançariam rapidamente.

O projeto havia começado no final de abril, quando Trump emitiu uma ordem para que a superfície do espelho de água fosse pintada de azul. Na época, estimou o custo em aproximadamente 1,5 milhões de dólares. Contou que a ideia havia surgido durante a visita de um amigo alemão que criticou a aparência da água, chamando-a de nojenta e imunda, dizendo que não representava bem o país. O presidente concordou e ordenou a transformação.

Mas as obras se estenderam e os custos dispararam. Quando finalmente terminaram, o espelho de água — com 610 metros de comprimento — rapidamente voltou ao seu estado anterior. A imprensa norte-americana documentou como o custo final chegou a 14 milhões de dólares, quase dez vezes a estimativa inicial. A credibilidade do empreendimento agora depende de como as autoridades lidam com as acusações de vandalismo e se conseguem manter a água em condições aceitáveis.

O resultado será um espelho d'água belíssimo, verdadeiramente belíssimo. Exatamente como devia ser.
— Donald Trump, ao anunciar a renovação em abril
É nojento, imundo. A água tem uma aparência repugnante. Não representa o país.
— Amigo alemão de Trump, segundo o relato do presidente
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como é que um projeto de 14 milhões de dólares desmorona em dias?

Model

A água do lago é um sistema vivo. Pintar o fundo não resolve os problemas biológicos subjacentes — a qualidade da água, a circulação, a filtragem. É como pintar uma casa com mofo sem tratar da humidade.

Inventor

E quanto ao vandalismo que Trump descreve?

Model

David Hearn estava ali observando. Viu o fundo a descascar e tocou nele. Isso é vandalismo ou é simplesmente o que qualquer pessoa faria ao ver uma superfície danificada? A narrativa mudou muito rapidamente.

Inventor

Porque é que Trump culpa vândalos em vez de admitir que o projeto falhou?

Model

Porque reconhecer o fracasso seria admitir que gastou 14 milhões de dólares numa solução cosmética para um problema que requer engenharia real. É mais fácil encontrar culpados.

Inventor

O que diz isto sobre como os monumentos nacionais são geridos?

Model

Diz que às vezes as decisões são tomadas por impulso — um amigo alemão critica a água, e de repente há uma ordem presidencial. Não há estudos, não há planeamento a longo prazo. Apenas vontade e dinheiro.

Inventor

Hearn vai enfrentar consequências reais?

Model

Provavelmente. É um atleta olímpico, tem visibilidade, e foi apanhado no local. Mas a ironia é que ele estava apenas a observar o que todos podiam ver — que a renovação não funcionou.

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