Nem sabem mais o que diabos estão fazendo
Doze dias de combates entre Israel e Irã chegaram a um cessar-fogo anunciado por Donald Trump na noite de segunda-feira — mas a trégua durou apenas horas antes de ambos os lados retomarem os ataques. Trump, a caminho de uma cúpula da Otan na Holanda, expressou irritação pública com os dois países, advertindo que violações do acordo teriam consequências graves. O episódio revela a fragilidade dos acordos de paz quando construídos sobre décadas de desconfiança mútua e narrativas incompatíveis sobre quem agiu primeiro.
- Um cessar-fogo anunciado com pompa na segunda-feira à noite se desfez em poucas horas, com mísseis iranianos e ataques aéreos israelenses retomados ainda na madrugada de terça-feira.
- Trump reagiu com irritação pública incomum, usando palavrões diante de repórteres e postando apelos diretos a Israel para que seus pilotos retornassem imediatamente.
- Israel e Irã apresentam versões opostas sobre quem violou o acordo: Tel Aviv acusa Teerã de lançar mísseis após a trégua; Teerã afirma que seus ataques foram uma resposta final antes de aceitar o cessar-fogo.
- Com Trump participando da cúpula da Otan do outro lado do Atlântico, sua capacidade de conter a escalada em tempo real se mostrou limitada e suas palavras pareciam ecoar sem resposta concreta.
- O risco de retomada total dos bombardeios permanece alto, com o general israelense Eyal Zamir anunciando que Israel responderia com força diante do que chamou de 'grave violação' iraniana.
Donald Trump acordou furioso na terça-feira, 24 de junho. Horas depois de anunciar um cessar-fogo entre Israel e Irã — destinado a encerrar doze dias de combates mortais — os dois países haviam retomado os ataques. Em comentários repletos de palavrões a repórteres, o presidente americano não escondeu sua irritação, acusando ambos os lados de não saberem mais o que estavam fazendo. "Basicamente temos dois países que estão lutando há tanto tempo que nem sabem mais o que diabos estão fazendo", desabafou.
O cessar-fogo havia entrado em vigor na madrugada daquela terça-feira. Mas o exército israelense relatou que o Irã lançou dois mísseis horas depois, disparando sirenes no norte de Israel. Israel respondeu com ataques aéreos intensos contra Teerã. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ordenou resposta com força total ao que chamou de violação do acordo, enquanto o chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir, confirmou que Israel agiria diante da "grave violação" iraniana.
A caminho da cúpula da Otan na Holanda, Trump tentou conter o dano à distância. Postou na rede Truth Social pedindo que Israel não lançasse mais bombas e que ambos os países respeitassem a trégua. Prometeu analisar formas de impedir novos ataques, mas sem oferecer detalhes concretos sobre como o faria.
O Irã, por sua vez, negou qualquer violação. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano declarou que o país havia dado uma "resposta humilhante e exemplar" ao inimigo antes de aceitar o cessar-fogo — não depois. A narrativa iraniana era de vitória; a israelense, de traição. E Trump, que havia se posicionado como mediador, se via agora advertindo ambos os lados do outro lado do Atlântico, enquanto a pergunta mais urgente permanecia sem resposta: quanto tempo duraria essa trégua antes de explodir completamente?
Donald Trump acordou terça-feira de manhã furioso. Horas depois de anunciar um cessar-fogo entre Israel e Irã — um acordo que deveria encerrar doze dias de combates mortais — os dois países estavam disparando novamente. O presidente americano não escondeu sua irritação. Em comentários repletos de palavrões dirigidos a repórteres, Trump disse que não estava feliz. Israel havia lançado ataques contra o Irã logo após o acordo ser fechado, e Trump os acusou de não saber o que estavam fazendo. "Basicamente temos dois países que estão lutando há tanto tempo e de forma tão intensa que eles nem sabem mais o que diabos estão fazendo", desabafou.
O cessar-fogo havia entrado em vigor na madrugada daquela terça-feira, 24 de junho. Trump havia anunciado o acordo na segunda-feira à noite, esperando que encerrasse uma escalada que havia deixado rastros de destruição nos dois lados. Mas a tinta mal havia secado. O exército israelense relatou que o Irã havia lançado dois mísseis no meio da manhã, disparando sirenes no norte de Israel horas depois que Trump havia divulgado seu plano de paz. Israel respondeu com ataques aéreos intensos contra alvos em Teerã, a capital iraniana. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ordenou que as forças armadas respondessem com força ao que chamou de violação do acordo.
Trump, a caminho de uma cúpula da Otan na Holanda, tentou conter o dano. Postou na rede Truth Social: "Israel, não lancem essas bombas. Se fizerem, é uma grave violação. Tragam seus pilotos para casa, agora!" Também pediu que ambos os países parassem. "O cessar-fogo está em vigor. Por favor, não o violem", escreveu. Mas suas palavras pareciam ecoar em um vácuo. Trump prometeu aos repórteres que analisaria como impedir novos ataques, embora não tenha oferecido detalhes sobre como faria isso.
O Irã, por sua vez, negou ter violado o cessar-fogo. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano emitiu uma declaração afirmando que o país havia dado uma "resposta humilhante e exemplar à crueldade do inimigo" e que havia forçado Israel a aceitar a derrota e a cessação unilateral de sua agressão. A declaração sugeria que o Irã considerava seus ataques como uma ação final antes de aceitar o cessar-fogo, não uma violação dele. Mas Israel não via assim. O chefe do Estado-Maior israelense, general Eyal Zamir, anunciou que diante da "grave violação" cometida pelo Irã, Israel responderia com força.
O que Trump havia tentado construir em poucas horas estava desmoronando em minutos. O cessar-fogo que deveria trazer alívio havia se tornado apenas uma pausa — e uma pausa frágil. Israel acusava o Irã de quebra de trégua. O Irã negava e reivindicava vitória. Trump, que havia se posicionado como mediador, agora se via forçado a advertir ambos os lados contra novas violações enquanto participava de negociações internacionais do outro lado do Atlântico. A questão que pairava era simples: quanto tempo duraria esse cessar-fogo antes de explodir completamente?
Citas Notables
Israel, não lancem essas bombas. Se fizerem, é uma grave violação. Tragam seus pilotos para casa, agora!— Donald Trump, na rede Truth Social
Diante da grave violação do cessar-fogo cometida pelo regime iraniano, responderemos com força— General Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior de Israel
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Trump reagiu tão fortemente? Ele não sabia que isso poderia acontecer?
Provavelmente sabia que era possível. Mas há uma diferença entre possibilidade e realidade. Trump havia anunciado o cessar-fogo como um feito seu — uma vitória diplomática. Quando desabou em horas, ficou claro que ele não tinha controle real sobre o que Israel e Irã fariam.
Israel diz que o Irã violou primeiro. O Irã diz que estava respondendo antes de aceitar o cessar-fogo. Quem está certo?
Essa é a armadilha. Ambos têm uma narrativa que faz sentido do seu ponto de vista. Israel vê mísseis iranianos como violação. O Irã vê seus ataques como o último golpe antes de parar. Quando dois lados estão em guerra há tanto tempo, eles interpretam as mesmas ações de formas completamente diferentes.
Trump pediu que Israel parasse. Tem alguma chance de funcionar?
Historicamente, não. Trump pode ameaçar, pode criticar, mas Israel tem seus próprios cálculos de segurança. Se acredita que o Irã está violando o acordo, responderá independentemente do que Trump diga em uma rede social.
Então o cessar-fogo já está morto?
Não necessariamente morto, mas ferido. Tudo depende se ambos os lados conseguem parar de responder aos ataques um do outro. Se Israel bombardeia, o Irã responde. Se o Irã responde, Israel bombardeia novamente. É um ciclo que pode continuar indefinidamente ou pode ser interrompido se alguém piscar primeiro.
E Trump, onde fica nessa história?
Trump fica como o mediador que perdeu o controle da negociação. Ele anunciou a paz, mas não tem ferramentas reais para impô-la. Agora está tentando salvar a face enquanto participa de outras reuniões internacionais.