Trump considera tomar petróleo do Irã e ilha de Kharg enquanto negocia cessar-fogo

Doze soldados americanos foram feridos em ataque a base aérea na Arábia Saudita; risco de escalada de conflito com potencial para mais baixas americanas caso ilha de Kharg seja atacada.
Minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã
Trump explica sua estratégia preferida em entrevista ao Financial Times enquanto negocia cessar-fogo.

Trump declarou ao Financial Times que sua 'preferência seria tomar o petróleo' do Irã, comparando a estratégia ao controle americano sobre a indústria petrolífera venezuelana. O Pentágono enviou 10 mil soldados treinados para a região, incluindo fuzileiros navais e tropas da 82ª Divisão Aerotransportada, enquanto o preço do petróleo Brent ultrapassa US$ 116 por barril.

  • Trump declarou ao Financial Times que prefere tomar o petróleo do Irã e considera capturar a ilha de Kharg
  • Pentágono enviou 10 mil soldados treinados para a região, incluindo 2.200 fuzileiros navais que chegaram na sexta-feira
  • Petróleo Brent ultrapassou US$ 116 por barril, aumento de mais de 50% em um mês
  • Trump estabeleceu 6 de abril como prazo para o Irã aceitar acordo de cessar-fogo ou enfrentar ataques ao setor energético
  • Doze soldados americanos foram feridos em ataque a base aérea na Arábia Saudita; aeronave E-3 Sentry avaliada em R$ 1,4 bilhão foi danificada

Trump afirma preferir 'tomar o petróleo do Irã' e considera capturar a ilha de Kharg enquanto EUA enviam milhares de tropas para o Oriente Médio, em meio a negociações indiretas com Teerã.

Donald Trump disse ao Financial Times, em entrevista publicada no domingo, que sua estratégia preferida seria simplesmente tomar o petróleo do Irã. Não se trata de uma ameaça vaga: o presidente americano está considerando especificamente a captura da ilha de Kharg, no golfo Pérsico, por onde passa a maior parte das exportações petrolíferas iranianas. Enquanto isso, o Pentágono já reforça a presença militar na região, com dez mil soldados treinados especificamente para ocupar e manter território. Cerca de três mil e quinhentos chegaram na sexta-feira anterior, incluindo aproximadamente dois mil e duzentos fuzileiros navais. Outros dois mil e duzentos estão a caminho, junto com milhares de soldados da 82ª Divisão Aerotransportada.

O contexto dessa declaração é uma guerra que já transformou o Oriente Médio. Os Estados Unidos e Israel estão em conflito aberto com o Irã, e o impacto econômico é imediato: o preço do petróleo Brent ultrapassou cento e dezesseis dólares por barril na segunda-feira de manhã, um aumento de mais de cinquenta por cento em um mês. Trump comparou sua intenção à situação na Venezuela, onde os EUA pretendem controlar indefinidamente a indústria petrolífera após a captura de Nicolás Maduro em janeiro. "Para ser honesto com você, minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã, mas algumas pessoas estúpidas nos EUA dizem: por que você está fazendo isso?", afirmou o presidente.

Quanto à viabilidade da operação, Trump demonstra confiança. "Não acho que eles tenham qualquer defesa. Poderíamos tomá-la muito facilmente", disse sobre as capacidades defensivas iranianas na ilha. Mas reconheceu que a medida teria consequências: "Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções. Isso também significaria que teríamos que ficar lá por um tempo." Um ataque ao centro de exportação seria arriscado, aumentando as chances de mais baixas americanas e estendendo tanto o custo quanto a duração do conflito. Já houve ferimentos: doze soldados americanos foram feridos em um ataque a uma base aérea na Arábia Saudita na sexta-feira, e uma aeronave de vigilância E-3 Sentry avaliada em um bilhão e quatrocentos milhões de reais foi danificada.

Paralelamente às ameaças de ocupação, Trump afirma que negociações indiretas estão progredindo bem. Os EUA e o Irã conversam por meio de emissários paquistaneses, e Trump estabeleceu seis de abril como prazo para que Teerã aceite um acordo encerrando a guerra. Se não aceitar, enfrentará ataques americanos ao seu setor energético. Quando questionado sobre a possibilidade de um cessar-fogo nos próximos dias que reabrisse o estreito de Hormuz—a via navegável por onde normalmente flui um quinto do petróleo mundial—Trump se recusou a oferecer detalhes. "Temos cerca de três mil alvos restantes. Bombardeamos treze mil alvos e mais alguns milhares de alvos para atacar. Um acordo poderia ser feito rapidamente", disse.

Trump também relatou sinais que interpreta como progresso nas negociações. Afirmou que o Irã permitiu a passagem de dez navios-tanque com bandeira paquistanesa pelo estreito de Hormuz como um "presente" para a Casa Branca. Esse número agora foi dobrado para vinte, segundo ele, embora isso não tenha sido possível verificar imediatamente. "Eles nos deram dez. Agora estão dando vinte e os vinte já estão passando bem pelo meio do estreito", disse. Atribuiu a autorização a Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais líderes do país.

Trump também fez afirmações sobre mudanças na liderança iraniana. Disse que o Irã já teve uma "mudança de regime" após a morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei e de muitos outros altos funcionários no início da guerra e em ataques subsequentes. "As pessoas com quem estamos lidando são um grupo totalmente diferente de pessoas. Eles são muito profissionais", afirmou. Reitera também alegações de que Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder supremo e novo chefe de Estado, poderia estar morto ou gravemente ferido. "O filho está morto ou em condições extremamente ruins. Não tivemos notícias dele. Ele sumiu", declarou. Teerã insiste que o chefe de Estado está são e salvo, apesar de sua ausência em público alimentar especulações sobre ferimentos graves.

O conflito continua se ampliando. Rebeldes houthis no Iêmen dispararam mísseis contra Israel, ameaçando uma nova fase de escalada que analistas disseram poder agravar a crise energética global. Trump mantém sua postura de pressão máxima: ameaças de ocupação territorial, prazos para negociações, e uma estratégia que combina bombardeios em larga escala com sinais de disposição para negociar. O que acontecer até seis de abril determinará se o Oriente Médio segue em direção a um acordo ou a uma guerra ainda mais custosa.

Para ser honesto com você, minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã, mas algumas pessoas estúpidas nos EUA dizem: por que você está fazendo isso?
— Donald Trump, em entrevista ao Financial Times
Não acho que eles tenham qualquer defesa. Poderíamos tomá-la muito facilmente
— Donald Trump, sobre as capacidades defensivas iranianas na ilha de Kharg
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Trump falaria publicamente sobre tomar o petróleo do Irã enquanto negocia um cessar-fogo? Não isso sabota as conversas?

Model

Talvez seja exatamente o ponto. Ele está deixando claro que tem opções militares reais—dez mil soldados já estão lá—e que a negociação é a alternativa preferível, não a única. É pressão disfarçada de honestidade.

Inventor

E quanto aos navios-tanque paquistaneses? Vinte navios passando pelo estreito de Hormuz parece um sinal muito concreto de que algo está mudando.

Model

Sim, mas ninguém conseguiu verificar isso ainda. É possível que seja verdade, ou que Trump esteja interpretando sinais diplomáticos de forma otimista. O importante é que ele acredita que está funcionando.

Inventor

Ele diz que o filho do aiatolá está morto ou desaparecido. Como isso afeta as negociações?

Model

Se for verdade, muda tudo—significa que a liderança iraniana está em caos real, não apenas em transição. Se não for, Trump está espalhando desinformação para desestabilizar ainda mais. De qualquer forma, complica as conversas porque ninguém sabe realmente com quem está falando.

Inventor

E se ele realmente tentar tomar Kharg?

Model

Seria uma escalada massiva. Não é só tomar uma ilha—é manter uma base militar em território iraniano enquanto o resto do mundo depende daquele petróleo. Os custos em vidas americanas poderiam ser altos, e a crise energética global pioraria dramaticamente.

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