111 mísseis disparados pela República Islâmica do Japão
Em Ancara, durante a cúpula da Otan, Donald Trump confundiu o Irã com o Japão ao descrever um ataque de mísseis e chamou Zelensky de Putin diante de jornalistas do mundo inteiro. As gafes ocorrem num momento de escalada militar entre Washington e Teerã, quando as palavras de um presidente carregam o peso de guerras possíveis. A história registra esses tropeços não apenas como falhas de memória, mas como espelhos do estado de atenção do poder.
- Trump afirmou, sem se corrigir, que a 'República Islâmica do Japão' disparou 111 mísseis contra um porta-aviões americano — confundindo o Irã com o Japão em plena coletiva internacional.
- Horas antes, o presidente havia declarado que o acordo de paz com o Irã 'acabou' e ameaçou atacar o país 'com força esta noite', incluindo cortes de energia e água.
- Ao lado de Zelensky, Trump pediu aos jornalistas uma pergunta para 'o Putin', misturando o aliado ucraniano com o adversário russo que comanda a guerra contra a Ucrânia.
- Percebendo o erro, Trump tentou contorná-lo explicando que queria uma pergunta para fazer a Putin numa conversa prevista para o mesmo dia.
- O episódio evoca a gafe de Biden em 2024, quando também chamou Zelensky de 'presidente Putin' — sinalizando um padrão de confusão pública em torno dos dois líderes em conflito.
Na quarta-feira, durante a cúpula da Otan em Ancara, Donald Trump protagonizou dois momentos que rapidamente dominaram a atenção da imprensa internacional. Ao falar sobre o conflito com o Irã, afirmou que '111 mísseis foram disparados pela República Islâmica do Japão' contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln — confundindo, sem pausar para se corrigir, o país persa com o arquipélago asiático. Disse ainda que todas as ameaças haviam sido interceptadas pelas Forças Armadas americanas.
O pano de fundo era de alta tensão. Horas antes, Trump havia declarado que o acordo de paz com o Irã estava encerrado e que não pretendia retomar negociações. Em tom de ultimato, avisou que os EUA atacariam o país 'com força' ainda naquela noite, mencionando a possibilidade de cortar energia elétrica e abastecimento de água — embora tenha dito preferir evitar esse caminho. As duas nações já haviam trocado ataques nas horas anteriores, com bombardeios americanos no sul do Irã após acusações de que Teerã havia atacado navios comerciais no Estreito de Ormuz.
Na mesma coletiva, Trump cometeu outro deslize: ao lado de Zelensky, pediu aos jornalistas que sugerissem uma pergunta para 'o Putin'. Percebendo a confusão, tentou explicar que se referia a uma conversa que teria com o presidente russo ainda naquele dia. 'Me deem uma pergunta boa, difícil', completou.
O episódio lembrou a gafe de Joe Biden na cúpula da Otan de 2024, em Washington, quando apresentou Zelensky como 'presidente Putin' antes de se corrigir publicamente — num momento em que enfrentava pressão crescente para abandonar a corrida presidencial. A recorrência dessas confusões entre líderes ocidentais, envolvendo justamente os dois presidentes no centro do maior conflito europeu desde a Segunda Guerra, transforma cada tropeço em objeto de escrutínio diplomático e político.
Na quarta-feira, durante uma coletiva de imprensa na cúpula da Otan em Ancara, o presidente americano Donald Trump cometeu duas gafes notáveis que chamaram atenção de jornalistas e observadores internacionais.
Ao comentar o conflito em curso com o Irã, Trump afirmou que "111 mísseis foram disparados pela República Islâmica do Japão" contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln. A confusão entre o país asiático e a nação do Oriente Médio foi dita de forma casual, sem que Trump interrompesse seu discurso para corrigi-la. Ele continuou explicando que as Forças Armadas americanas haviam interceptado todos os projéteis lançados contra a embarcação.
O contexto dessa declaração é tenso. Horas antes, Trump havia afirmado que o acordo de paz com o Irã "acabou" e que não pretende retomar negociações com Teerã. Em tom ameaçador, declarou aos jornalistas: "Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite". Ele mencionou ainda a possibilidade de cortar o sistema de energia elétrica e as estações de tratamento de água do país, embora tenha ressalvado que preferiria não chegar a esse ponto. Os Estados Unidos e o Irã voltaram a trocar ataques nas últimas horas, com forças americanas bombardeando alvos no sul iraniano após acusações de que o regime havia atacado três navios comerciais no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo.
Na mesma coletiva, Trump cometeu outro erro ao confundir o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky com Vladimir Putin, líder da Rússia. Enquanto estava ao lado de Zelensky, Trump pediu aos jornalistas que sugerissem uma pergunta para "o Putin", referindo-se à conversa que teria com o presidente russo. Percebendo o erro, Trump tentou contornar a situação explicando que estava pedindo uma pergunta para fazer ao líder russo. "Façam uma pergunta para o Putin, porque vou falar com ele hoje. Me deem uma pergunta boa, difícil", completou.
O episódio ecoa um momento semelhante envolvendo o então presidente Joe Biden durante a cúpula da Otan de 2024, em Washington. Na ocasião, Biden apresentou Zelensky como "presidente Putin" antes de se corrigir publicamente. "Senhoras e senhores, presidente Putin", disse Biden, que depois se corrigiu: "Ele vai derrotar o presidente Putin... Presidente Zelensky... você é muito melhor". O erro de Biden ocorreu minutos antes de uma entrevista coletiva crucial, em um momento em que enfrentava pressão para desistir da campanha à reeleição.
Putin permanece como o principal adversário de Zelensky desde a invasão russa da Ucrânia, iniciada em 2022. As confusões de nomes entre líderes ocidentais e os presidentes ucraniano e russo tornaram-se momentos de escrutínio público, especialmente quando envolvem questões de segurança e diplomacia internacional.
Citas Notables
Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite. Se for preciso, cortaremos o sistema de energia elétrica e as estações de tratamento de água, mas não queremos isso.— Donald Trump, durante coletiva na cúpula da Otan
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que essas gafes importam tanto? São apenas lapsos de memória?
Não é só isso. Quando um presidente confunde países em conflito direto — Irã e Japão — ou mistura nomes de líderes em negociações de paz, levanta questões sobre atenção aos detalhes em assuntos de segurança nacional.
Mas Trump corrigiu o erro sobre Zelensky e Putin. Isso não resolve?
Parcialmente. O fato de precisar corrigir sugere que o erro foi genuíno, não um lapso de fala. E em diplomacia, essas confusões podem ser interpretadas como falta de preparação ou seriedade.
O que torna isso ainda mais sensível?
O contexto. Trump estava ameaçando ataques contra o Irã na mesma coletiva. Falar sobre mísseis e operações militares enquanto confunde nações cria uma dissonância preocupante.
Isso já tinha acontecido antes?
Sim. Biden cometeu erro semelhante em 2024, também confundindo Zelensky com Putin. Mas Biden estava sob pressão imensa para sair da campanha. Aqui, Trump está no exercício do cargo.
Qual é o risco real dessa confusão?
Não é que Trump vá atacar o Japão por engano. É que essas gafes alimentam narrativas sobre capacidade cognitiva e preparação em momentos de crise internacional.