Trump celebra acordos comerciais "fantásticos" em Pequim com Xi Jinping

Resolvemos muitos problemas que outras pessoas não teriam conseguido
Trump celebra os resultados das negociações em Pequim, embora mantenha os detalhes dos acordos em sigilo.

Pela primeira vez em quase uma década, um presidente americano pisou em Pequim e saiu de lá com promessas de acordos comerciais e gestos de estabilidade — mas também com um aviso grave sobre Taiwan pairando no ar. Trump e Xi Jinping passaram dois dias tecendo uma nova linguagem diplomática entre as duas maiores economias do mundo, misturando aviões, soja e inteligência artificial com as sombras do Estreito de Ormuz e da ilha que divide o Pacífico. O encontro foi descrito como 'histórico' por ambos os lados, mas a história raramente se resolve em quarenta e oito horas.

  • Trump deixou Pequim anunciando acordos que chamou de 'fantásticos', mas manteve os detalhes em sigilo, alimentando tanto o entusiasmo quanto a desconfiança dos mercados.
  • As ações da Boeing caíram após o anúncio de compra de 200 aviões — sinal de que Wall Street esperava um compromisso ainda maior do que o celebrado pela Casa Branca.
  • Xi prometeu não fornecer equipamento militar ao Irã e expressou desejo de ver o Estreito de Ormuz reaberto, oferecendo-se como mediador em um dos pontos de estrangulamento mais críticos do comércio global de energia.
  • O alerta de Xi sobre Taiwan — de que uma gestão equivocada poderia levar os dois países a um 'conflito' — foi o momento mais tenso da visita, e Trump optou por não respondê-lo publicamente.
  • Washington reafirmou que sua política sobre Taiwan não mudou, enquanto Taipé agradeceu o apoio americano, mantendo a ilha como a fissura mais profunda sob a superfície diplomática.

Donald Trump deixou Pequim na tarde de sexta-feira após dois dias de reuniões com Xi Jinping no complexo governamental de Zhongnanhai, encerrando a primeira visita de um presidente americano à China em quase uma década. Ele descreveu os resultados como 'fantásticos' e afirmou ter resolvido 'muitos problemas que outras pessoas não teriam conseguido', embora tenha preservado os detalhes sob sigilo. Xi, por sua vez, chamou o encontro de 'histórico' e anunciou o início de uma 'nova relação bilateral de estabilidade estratégica construtiva' — chegando a prometer o envio de sementes para o Rose Garden da Casa Branca.

Nas negociações econômicas, Trump revelou que a China concordou em comprar duzentos aviões da Boeing, além de demonstrar interesse em petróleo e soja americanos — produtos que Pequim havia praticamente abandonado após a imposição de tarifas elevadas no ano anterior, migrando para fornecedores como o Brasil. O mercado financeiro reagiu com ceticismo: as ações da Boeing caíram, sinalizando que os investidores esperavam um compromisso mais robusto. Sobre inteligência artificial, o secretário do Tesouro Scott Bessent informou que os dois líderes discutiram o estabelecimento de 'barreiras de segurança' para o uso da tecnologia.

Um dos temas mais sensíveis foi o Estreito de Ormuz, bloqueado na prática pelo Irã. Trump afirmou que Xi garantiu não estar preparando apoio militar a Teerã e que expressou desejo de ver a rota reaberta, oferecendo ajuda para mediar a questão. O Ministério das Relações Exteriores chinês publicou comunicado pedindo cessar-fogo no Oriente Médio e a reabertura das rotas de navegação 'o mais rápido possível'.

Mas o momento mais grave da visita veio com o alerta de Xi sobre Taiwan: a imprensa estatal chinesa informou que o líder advertiu Trump de que uma gestão equivocada da questão poderia conduzir os dois países a um 'conflito'. Trump evitou o tema tanto em entrevistas quanto diante dos jornalistas. O secretário de Estado Marco Rubio declarou que a política americana sobre Taiwan 'não mudou' após as reuniões, e Taipé agradeceu publicamente o apoio de Washington — deixando claro que, por baixo da pompa diplomática, a fissura mais profunda entre as duas potências permanece intacta.

Donald Trump deixou Pequim na tarde de sexta-feira (15 de maio), descendo do Air Force One após dois dias de reuniões com o presidente chinês Xi Jinping. Segundo suas próprias palavras, o encontro rendeu acordos comerciais que ele descreveu como "fantásticos" — um termo que repetiu com entusiasmo enquanto caminhava pelos jardins de Zhongnanhai, o complexo governamental chinês ao lado da Cidade Proibida. O avião presidencial decolou do Aeroporto Internacional de Pequim-Capital às 14h40 locais, encerrando a primeira visita de um presidente americano à China em quase uma década.

Os dois líderes passaram quarenta e oito horas discutindo uma agenda ambiciosa: acordos econômicos em agricultura, aviação e inteligência artificial, além de questões geopolíticas de peso, como a guerra no Oriente Médio e a situação de Taiwan. Trump afirmou ter resolvido "muitos problemas diferentes que outras pessoas não teriam sido capazes de solucionar", embora tenha mantido os detalhes em sigilo. Xi, por sua vez, caracterizou o encontro como "histórico" e anunciou o estabelecimento de "uma nova relação bilateral, que é uma relação de estabilidade estratégica construtiva". O líder chinês até prometeu enviar sementes para o Rose Garden da Casa Branca.

Em entrevista à Fox News após o primeiro dia de negociações, Trump revelou que Xi concordou em comprar duzentos grandes aviões da Boeing — um número que surpreendeu o mercado financeiro, cujas ações da fabricante caíram após o anúncio, sinalizando que investidores esperavam um compromisso ainda maior. Trump também mencionou interesse chinês em adquirir petróleo e soja americanos. A China, principal cliente de petróleo iraniano, havia reduzido drasticamente suas compras de soja dos EUA após Trump impor tarifas elevadas no ano anterior, recorrendo ao Brasil como alternativa. Sobre inteligência artificial, o secretário do Tesouro Scott Bessent informou que os dois presidentes discutiram o estabelecimento de "barreiras de segurança" para o uso da tecnologia.

Um dos pontos mais delicados da visita envolveu o Estreito de Ormuz, rota crítica para o tráfego mundial de hidrocarbonetos atualmente bloqueada na prática pelo Irã. Trump afirmou que Xi assegurou não estar se preparando para ajudar militarmente Teerã e que o líder chinês expressou desejo de ver a passagem desbloqueada. "Disse que não vai entregar equipamento militar (...) afirmou com muita firmeza", relatou Trump. Xi teria oferecido ajuda para resolver a questão, dizendo: "Se eu puder ser de qualquer ajuda, de qualquer forma, gostaria de ajudar". O Ministério das Relações Exteriores da China publicou comunicado pedindo "um cessar-fogo abrangente e duradouro" no Oriente Médio e que "as rotas de navegação devem ser reabertas o mais rápido possível".

Mas a pompa das reuniões foi ofuscada por um alerta contundente de Xi sobre Taiwan, a ilha democrática que Pequim reivindica como parte de seu território. A imprensa estatal chinesa informou que o líder asiático advertiu Trump de que uma administração equivocada da questão poderia levar os dois países a um "conflito". Trump não abordou o tema em sua entrevista à Fox News e evitou comentários quando questionado por jornalistas na quinta-feira. O secretário de Estado Marco Rubio declarou à NBC que "a política dos Estados Unidos sobre a questão de Taiwan não mudou (...) a partir da reunião", acrescentando que Washington sempre deixou clara sua posição e passou para outros temas. Taipé agradeceu a Washington nesta sexta-feira "por expressar repetidamente seu apoio", mantendo a questão como ponto de tensão crítico nas relações sino-americanas.

Fechamos acordos comerciais fantásticos, ótimos para os dois países
— Donald Trump
A política dos Estados Unidos sobre a questão de Taiwan não mudou a partir da reunião
— Marco Rubio, secretário de Estado
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Trump insistiu tanto em chamar os acordos de "fantásticos" sem revelar os detalhes?

Model

Porque os detalhes importam menos que a narrativa neste momento. Ele estava sinalizando sucesso político para casa, para sua base. Os números reais — duzentos aviões, quantidades de soja — falam por si, mas o tom celebratório é o que fica.

Inventor

E quanto a Taiwan? Xi claramente colocou um limite ali.

Model

Exatamente. Xi estava dizendo: você pode comemorar acordos comerciais, mas não toque nisto. É o terceiro trilho da política chinesa. Trump entendeu a mensagem e ficou em silêncio.

Inventor

O mercado caiu quando Trump anunciou os duzentos aviões. Por quê?

Model

Porque Wall Street esperava mais. Duzentos aviões é um número grande, mas a China compra em volume muito maior quando realmente quer. O mercado leu aquilo como um acordo menor do que a retórica sugeria.

Inventor

E o Estreito de Ormuz? Xi realmente pode ajudar a desbloqueá-lo?

Model

Essa é a pergunta. Xi ofereceu ajuda, mas a China não tem controle direto sobre o Irã. O que ele pode fazer é pressionar diplomaticamente, reduzir sua dependência do petróleo iraniano. Mas isso é diferente de resolver o problema.

Inventor

Então Trump saiu de lá com o que queria?

Model

Saiu com acordos comerciais reais e promessas vagas sobre geopolítica. Ganhou no curto prazo. Mas Taiwan continua ali, não resolvida, esperando.

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