Trump anuncia acordo com Coreia do Sul para reduzir tarifas de 25% para 15%

Completamente aberta ao comércio, mas a um preço muito alto
A Coreia do Sul conseguiu reduzir tarifas, mas comprometeu-se a investimentos e compras de centenas de mil milhões de dólares.

Num momento em que Washington redesenha a arquitetura do comércio global, Donald Trump anunciou um acordo tarifário com a Coreia do Sul que reduz as taxas de 25% para 15%, em troca de investimentos de 350 mil milhões de dólares e compras massivas de energia americana. O movimento insere-se numa semana de intensa diplomacia comercial — com acordos para o Japão, a União Europeia e o Paquistão, e penalizações severas para o Brasil e a Índia — revelando uma lógica clara: quem negocia e cede economicamente recebe alívio tarifário, quem não o faz enfrenta punição. A sexta-feira é o prazo final, e o mundo está a aprender as regras do novo jogo.

  • Trump impõe uma corrida contra o relógio: a sexta-feira é o prazo limite para acordos, e países sem negociação prévia enfrentam tarifas unilaterais imediatas.
  • A Coreia do Sul conseguiu baixar as tarifas para 15%, mas o preço é alto — 350 mil milhões em investimentos e 100 mil milhões em gás natural liquefeito americano.
  • O Brasil e a Índia ficaram de fora dos acordos favoráveis: Brasília enfrenta tarifas de 50% e Nova Deli recebe 25% com penalização adicional por comprar petróleo e armas russas.
  • O padrão que emerge é transacional e explícito: concessões económicas compram acesso ao mercado americano, enquanto a resistência política ou geopolítica tem custo imediato.
  • O acordo com Seul será formalizado na Casa Branca nas próximas duas semanas, num encontro entre Trump e o presidente Lee Jae-myung que simbolizará o novo modelo de relações comerciais dos EUA.

Donald Trump anunciou na quarta-feira, através da plataforma Truth Social, um acordo comercial com a Coreia do Sul que reduz as tarifas sobre importações sul-coreanas de 25% para 15%. Em contrapartida, Seul comprometeu-se a investir 350 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e a adquirir 100 mil milhões em gás natural liquefeito e outros produtos energéticos americanos. Trump afirmou ainda que a Coreia do Sul estaria "completamente aberta" ao comércio com Washington, facilitando a entrada de automóveis e produtos agrícolas dos EUA — sem detalhar qualquer concessão americana em troca.

O acordo será formalizado num encontro entre Trump e o presidente sul-coreano Lee Jae-myung na Casa Branca nas próximas duas semanas. O contexto remonta a abril, quando Trump anunciou novas tarifas sobre quase todos os parceiros comerciais, suspendeu a sua entrada em vigor e abriu negociações. A Coreia do Sul junta-se assim ao Japão, à União Europeia e ao Paquistão no grupo de países que conseguiram acordos recentes com Washington.

Nem todos tiveram o mesmo destino. A Índia recebeu tarifas de 25% acrescidas de penalização adicional pela compra de petróleo e armas russas, ao que o governo indiano respondeu dizendo estar a "analisar as implicações". O Brasil foi alvo de um decreto que impõe tarifas de 50%, justificado por Trump com alegadas ameaças à segurança nacional americana e com a acusação de golpe de Estado contra Jair Bolsonaro.

A sexta-feira marca o prazo final para a imposição unilateral de tarifas a países sem acordo prévio. O padrão que se consolida é inequívoco: concessões económicas significativas garantem acesso preferencial ao mercado americano, enquanto a resistência — política ou geopolítica — tem um custo imediato e mensurável.

Donald Trump anunciou na noite de quarta-feira, através da sua plataforma Truth Social, que tinha chegado a um acordo com a Coreia do Sul para reduzir as tarifas sobre as importações daquele país. A taxa cairia de 25% para 15%, enquanto os Estados Unidos não pagariam qualquer tarifa em troca.

Mas o acordo vai muito além de um simples ajuste de números. Segundo Trump, a Coreia do Sul se comprometeu a investir 350 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e a comprar 100 mil milhões de dólares em gás natural liquefeito e outros produtos energéticos americanos. O presidente também afirmou que o país asiático estaria "completamente aberta" ao comércio com Washington, facilitando a entrada de automóveis e produtos agrícolas dos EUA. Trump não detalhou qualquer concessão que os Estados Unidos pudesse estar a fazer em troca.

O acordo será formalizado num encontro entre Trump e o presidente sul-coreano Lee Jae-myung na Casa Branca nas próximas duas semanas. Este desenvolvimento surge após meses de tensão comercial. Em abril, Trump tinha anunciado novas tarifas sobre quase todos os seus parceiros comerciais, sendo mais punitivo com aqueles que tinham excedentes comerciais com Washington. Depois suspendeu a entrada em vigor dessas tarifas e abriu negociações sobre novos acordos.

A Coreia do Sul é o principal parceiro comercial asiático dos Estados Unidos, juntamente com o Japão — país que também viu recentemente as suas tarifas reduzidas de 25% para 15%. Este acordo sul-coreano faz parte de uma série de movimentos comerciais que Trump tem estado a anunciar. No domingo anterior, tinha divulgado um acordo com a União Europeia, impondo tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos do bloco. Na mesma quarta-feira do anúncio sobre a Coreia do Sul, Trump também anunciou um acordo comercial com o Paquistão, prevendo o desenvolvimento conjunto das suas reservas de petróleo.

Mas nem todos os parceiros comerciais estão a receber reduções. Trump anunciou um imposto de 25% sobre todos os produtos fabricados na Índia que entrem no território norte-americano, a ser acrescentado de uma penalização adicional devido à compra de petróleo e armas russas pelas autoridades indianas. O Governo indiano respondeu dizendo que tinha "tomado nota" do anúncio e que estava a analisar as implicações, reafirmando o seu compromisso com negociações para um acordo comercial bilateral justo e equilibrado.

O Brasil também foi alvo de medidas mais severas. Trump assinou um decreto oficializando a imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, descrevendo a ação como necessária para lidar com políticas do Governo de Lula da Silva que constituem uma ameaça à segurança nacional e economia dos Estados Unidos. Uma das justificações citadas foi a acusação de golpe de Estado contra Jair Bolsonaro, aliado político de Trump.

Washington anunciou ainda tarifas de 50% sobre produtos de cobre, mas com uma exceção importante: o metal bruto não seria afetado. Esta decisão foi saudada pelo Chile, o maior produtor mundial de cobre e principal fornecedor norte-americano. Máximo Pacheco, presidente da empresa estatal chilena Codelco, afirmou que uma leitura preliminar levava à conclusão de que não seriam aplicadas tarifas aos cátodos de cobre, permitindo ao país continuar a abastecer o mercado norte-americano.

Trump prometeu divulgar mais informação sobre acordos em breve, afirmando que "outros países estão a fazer ofertas para redução de tarifas" e que "tudo isto ajudará a reduzir significativamente o nosso défice comercial". A sexta-feira marca o prazo final estabelecido pelo presidente para a imposição unilateral de tarifas aos seus parceiros comerciais, caso não haja acordo prévio. O padrão que emerge é claro: países que negoceiam e fazem concessões económicas significativas conseguem tarifas mais baixas, enquanto aqueles que não o fazem enfrentam penalizações mais severas.

Acordámos uma tarifa de 15% para a Coreia do Sul. Os Estados Unidos não pagarão qualquer tarifa.
— Donald Trump, através da plataforma Truth Social
A Índia e os Estados Unidos estão envolvidos em negociações para concluir um acordo comercial bilateral justo, equilibrado e mutuamente benéfico.
— Governo da Índia, em comunicado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que Trump está a fazer isto agora, com tantos acordos em simultâneo?

Model

Porque estabeleceu um prazo. Sexta-feira é o limite que ele próprio fixou para impor tarifas unilaterais. Isto cria urgência — os países têm de negociar depressa ou enfrentam as tarifas completas.

Inventor

Mas o acordo com a Coreia do Sul parece muito desequilibrado. Eles reduzem tarifas e investem 350 mil milhões de dólares?

Model

É verdade que o acordo favorece claramente os Estados Unidos. Mas a Coreia do Sul conseguiu evitar as tarifas de 25% que Trump tinha ameaçado. Para eles, talvez seja o melhor que conseguiam negociar neste momento.

Inventor

E a Índia? Parece que Trump está a castigá-la.

Model

Sim, mas há contexto. Trump acusa a Índia de comprar petróleo e armas russas, o que ele vê como uma ameaça. É tanto comercial como geopolítico.

Inventor

O Brasil recebe tarifas de 50%. Isso é pessoal?

Model

Provavelmente. Trump cita a acusação de golpe contra Bolsonaro, seu aliado. Não é apenas economia — é também política interna brasileira.

Inventor

E o Chile com o cobre?

Model

O Chile conseguiu uma vitória. As tarifas não se aplicam ao cobre bruto, apenas aos produtos processados. Significa que continuam a fornecer o metal que os EUA precisam.

Inventor

Isto vai funcionar para reduzir o défice comercial de Trump?

Model

Essa é a aposta dele. Mas depende se estes acordos realmente resultam em menos importações e mais compras americanas. Os números são enormes — 350 mil milhões da Coreia do Sul, por exemplo — e ainda não sabemos se vão concretizar-se.

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