Recebo uma declaração de ódio e imediatamente abandonei todo o trabalho
Seis dias após bombardeiros americanos destruírem instalações nucleares iranianas, Donald Trump sinalizou que a paz é condicional: qualquer retomada do enriquecimento de urânio em escala significativa seria respondida com novos ataques. A retórica do aiatolá Khamenei, que celebrou um ataque iraniano a uma base americana no Qatar como um 'tapa na cara dos EUA', fechou a janela que Trump havia aberto para o alívio de sanções. Entre ameaças e negociações que ainda não encontraram data, o mundo observa dois países navegando à beira de um conflito que nenhum cessar-fogo parece ter encerrado de verdade.
- Trump declarou sem hesitação que ordenaria novos bombardeios às instalações nucleares iranianas caso Teerã retome o enriquecimento de urânio em níveis que considere perigosos.
- A retórica triunfalista de Khamenei — que chamou o ataque iraniano ao Qatar de 'tapa na cara dos EUA' — destruiu os planos americanos de suspender sanções e facilitar a recuperação econômica iraniana.
- O Irã rejeita inspeções da AIEA, parlamentares iranianos votaram pela suspensão das visitas aos locais bombardeados, e o chanceler Araqchi sinalizou que novos pedidos de inspeção podem ser recusados.
- O embaixador iraniano no Brasil afirmou categoricamente que Teerã continuará enriquecendo urânio independentemente dos ataques, sugerindo que as ameaças americanas não alterarão o curso do programa nuclear.
- Nenhuma reunião entre representantes dos dois países havia sido agendada até sexta-feira, deixando as negociações suspensas num vazio de incerteza e desconfiança mútua.
Seis dias depois que bombardeiros americanos destruíram três instalações nucleares iranianas, Donald Trump deixou claro que não hesitaria em ordenar novos ataques caso Teerã retomasse o enriquecimento de urânio em níveis perigosos. A declaração, feita em coletiva de imprensa na Casa Branca, marcou uma escalada retórica mesmo após o cessar-fogo que havia entrado em vigor dias antes.
O que mudou os planos de Trump foi o tom do aiatolá Ali Khamenei, que celebrou um ataque iraniano a uma base americana no Qatar como um 'tapa na cara dos EUA'. A resposta do presidente americano foi imediata: abandonou completamente as iniciativas de alívio de sanções que estava desenvolvendo. 'Recebo uma declaração de ódio, raiva e desprezo e imediatamente abandonei todo o trabalho sobre alívio das sanções', afirmou. Questionado sobre futuros ataques, respondeu sem rodeios: 'Com certeza, sem dúvida, absolutamente'.
Trump também afirmou nas redes sociais ter vetado um plano israelense para assassinar Khamenei durante os conflitos, escrevendo que 'salvou' o líder iraniano de uma 'morte muito feia e ignominiosa' — informação que havia sido reportada pela Reuters em meados de junho.
Apesar da postura agressiva, Trump sugeriu acreditar que o Irã está exausto e ainda quer negociar. O cenário, porém, permanece incerto: a AIEA quer retomar inspeções nos locais bombardeados, mas parlamentares iranianos votaram pela suspensão dessas visitas, e o chanceler Abbas Araqchi sinalizou que novos pedidos podem ser rejeitados. O embaixador iraniano no Brasil foi ainda mais direto, afirmando que Teerã continuará enriquecendo urânio independentemente dos ataques — uma posição que sugere que as ameaças de Trump podem não alterar o curso escolhido pelo país.
Seis dias depois que bombardeiros americanos destruíram três instalações nucleares iranianas, Donald Trump deixou claro na sexta-feira que não hesitaria em ordenar novos ataques se Teerã retomasse o enriquecimento de urânio em níveis que considerasse perigosos. A declaração, feita durante coletiva de imprensa na Casa Branca, marca uma escalada retórica após o cessar-fogo que entrou em vigor na terça anterior.
O que mudou Trump de ideia, segundo ele próprio, foi o tom das palavras do aiatolá Ali Khamenei. Dias antes, o líder supremo iraniano havia afirmado que seu país "deu um tapa na cara dos EUA" ao lançar um ataque contra uma base americana no Qatar em resposta ao bombardeio americano. Essa retórica agressiva, disse Trump, o levou a abandonar completamente os planos que estava desenvolvendo para suspender sanções contra o Irã e facilitar sua recuperação econômica. "Recebo uma declaração de ódio, raiva e desprezo e imediatamente abandonei todo o trabalho sobre alívio das sanções", afirmou o presidente republicano.
Quando questionado diretamente se cogitava futuros ataques a instalações nucleares iranianas, Trump respondeu sem rodeios: "Com certeza, sem dúvida, absolutamente". A resposta deixou pouca margem para interpretação sobre suas intenções caso Teerã prossiga com seu programa nuclear.
Trump também usou as redes sociais para fazer afirmações sobre sua própria contenção. Segundo ele, havia vetado um plano israelense para assassinar Khamenei durante os conflitos. "Seu país foi dizimado e suas três instalações nucleares malignas foram destruídas. Eu sabia exatamente onde ele estava abrigado e não permiti que Israel ou as Forças Armadas dos EUA acabassem com sua vida", escreveu na Truth Social, acrescentando em letras maiúsculas: "Eu o salvei de uma morte muito feia e ignominiosa". A informação sobre o veto israelense havia sido reportada pela Reuters em meados de junho.
Apesar da postura agressiva, Trump afirmou acreditar que o Irã está exausto e não deseja mais perseguir armas nucleares, sugerindo que o país ainda quer negociar uma saída para a crise. Porém, nenhuma reunião entre representantes dos dois países havia sido agendada até sexta-feira. O cenário permanece marcado pela incerteza: o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, disse que retomar as inspeções nos locais bombardeados é prioridade, mas parlamentares iranianos votaram pela suspensão dessas visitas, e o chanceler iraniano Abbas Araqchi indicou que Teerã pode rejeitar novos pedidos de inspeção.
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, deixou claro na quinta-feira que seu país não recuará. Afirmou que Teerã continuará enriquecendo urânio independentemente dos ataques americanos e israelenses, argumentando que suas conquistas foram alcançadas apesar das proibições ocidentais. A posição iraniana sugere que as ameaças de Trump podem não alterar o curso que o país escolheu para seu programa nuclear.
Citações Notáveis
Com certeza, sem dúvida, absolutamente— Trump, respondendo se cogita novos ataques a instalações nucleares iranianas
Nossas conquistas foram feitas enquanto países ocidentais e EUA nos proibiram. Portanto, não fazemos questão se eles proíbem. Seguimos firmemente nossos desejos e interesses— Abdollah Nekounam, embaixador do Irã no Brasil
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Trump mudou tão radicalmente de posição em apenas alguns dias?
Ele diz que estava trabalhando em um plano de alívio de sanções até ouvir Khamenei descrever o ataque iraniano como um tapa na cara dos EUA. Aquilo o fez abandonar tudo.
Mas o ataque iraniano foi coreografado, não causou danos reais. Por que isso o afetou tanto?
Talvez não seja tanto sobre o ataque em si, mas sobre o tom. Trump parece reagir à retórica agressiva como uma questão pessoal. Khamenei falou de humilhação americana, e Trump respondeu com ameaças.
Ele realmente acredita que o Irã está exausto e não quer mais armas nucleares?
Ele diz acreditar nisso, mas suas ações sugerem o contrário. Se acreditasse, não estaria ameaçando novos bombardeios. Parece mais uma tentativa de parecer razoável enquanto mantém a porta aberta para mais violência.
E quanto às inspeções da AIEA? Isso não seria um caminho para verificar o que o Irã está fazendo?
Seria, mas o Irã rejeitou. Seus parlamentares votaram contra as visitas, e o chanceler sinalizou que podem rejeitar novos pedidos. Sem inspeção, não há como saber o que está acontecendo lá.
O embaixador iraniano no Brasil disse que vão continuar enriquecendo urânio. Isso não confirma exatamente o que Trump teme?
Confirma. E deixa claro que as ameaças americanas não vão mudar a decisão do Irã. Ambos os lados parecem travados em suas posições, sem negociações agendadas.